Café da Manhã
Enquanto esperam (parte II)

Café da Manhã Enquanto esperam (parte II)

Até estava a começar a recuperar mas o mercado voltou a negociar em perdas, enquanto espera por mais um aumento de taxas de juro por parte da Reserva Federal e Vladimir Putin faz aumentar os receios de uma guerra prolongada.

Os mercados obrigacionistas voltaram ontem a ceder e as yields voltaram a subir para novos máximos de mais de uma década, pressionando os preços das acções. A inversão da curva de taxas de juro entre os rendimentos das treasuries de 10 e 2 anos ficou mais negativa, naquele que é, por muitos, considerado um indicador de que uma recessão se aproxima.

No final do dia, Christine Lagarde voltou a afirmar que o Banco Central Europeu irá continuar a aumentar as suas taxas nas próximas reuniões, fazendo notar que as perspectivas de inflação irão determinar até onde seguirão as taxas de juro.

Esta manhã, o discurso de Vladimir Putin anunciando uma “mobilização militar parcial” fez aumentar os receios de que a guerra na Ucrânia se irá prolongar ainda mais, depois do avanço das tropas ucranianas ter dado alguma esperança a um final mais próximo.

Nos Estados Unidos, as acções terminaram o dia de ontem em perdas com os investidores a recearem o que mais subidas poderão fazer ao tecido empresarial.
As acções da Ford, registaram ontem a maior queda diária desde 2011 ao caírem 12,3%, depois da empresa ter dito que espera um rombo de mil milhões de dólares a mais, devido à inflação e por causa da escassez de peças que vai levar ao adiamento da entrega de alguns veículos.
Os investidores seguem hoje de olhos e ouvidos colocados na divulgação das decisões e projecções do Fed, no final do dia.
O índice Dow Jones terminou a sessão a cair 1,01%, o S&P 500 1,13% e o Nasdaq 0,95%.

Na Ásia os mercados accionistas seguiram o caminho deixado por Wall Street, enquanto os investidores se preparam para mais um movimento agressivo por parte do Fed no final do dia de hoje.
No Japão o índice Nikkei terminou a sessão a cair 1,36% e o ASX 200, da Austrália, 1,56%.
Na China, o índice Shanghai Composite recuou 0,17%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, liderou as perdas ao cair 1,88%.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou 0,87%.

Na Europa, com excepção do Reino Unido, as restantes praças financeiras seguem a negociar em terreno negativo, com o sentimento dos investidores impactado pelos receios de uma guerra na Ucrânia mais duradoura e pela subida das taxas de juro devido à elevada inflação.
O índice Euro Stoxx 50 segue de momento a recuar 0,49% e o DAX 0,52%.
No Reino Unido, o índice FTSE 100 avança 0,48%, enquanto o CAC 40, de França, recua 0,40%.

No mercado cambial o dólar volta a registar ganhos. O índice DXY volta a negociar bem acima de 110,00 (110,50) e o EUR/USD, depois de ontem voltar a negociar acima de 1,0100, está de volta a negociar em torno de 0,9900.
Com a reunião do Banco do Japão a aproximar-se e as yields obrigacionistas do dólar e do euro, entre outras, a subir, o iene volta a ficar pressionado, com o USD/JPY a voltar a negociar em torno de 144,00.
A libra esterlina, face ao euro, está esta manhã a recuperar parte das quedas registadas neste início de semana, com o EUR/GBP a negociar em torno de 0,8740. Já face ao dólar, segue a negociar em torno de mínimos de quase 40 anos, com o GBP/USD a negociar de momento a 1,1330, depois de já ter registado novo mínimo a 1,1304.
Em perdas segue também o dólar canadiano, depois dos dados de ontem da inflação se terem mostrado abaixo do esperado, levando a abrandar a expectativa de ritmo de subida de taxas de juro no Canadá. O USD/CAD segue em máximos de quase dois anos, ao negociar a 1,3375.

Os preços do petróleo seguem hoje a negociar em alta, depois das palavras de Putin levarem a receios de uma guerra mais prolongada e a um maior estrangulamento ainda por parte da oferta de gás e petróleo.
A ajudar a suportar os preços está ainda a divulgação de ontem do relatório semanal dos inventários de crude do American Petroleum Institute que mostraram um aumento de cerca de 1 milhão de barris, cerca de metade esperado pelo mercado.
O Brent segue de momento a negociar a $92,90 por barril e o WTI a $86,15.


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