Semana Revista
Tensões

Semana Revista Tensões

Semana onde os mercados estiveram atentos ao aquecimento de tensões geoestratégicas e ao abrandamento das tensões políticas com tempo ainda para espreitar resultados eleitorais

A semana começou com os democratas a garantirem a maioria na Câmara Alta do Congresso após Catherine Cortez Masto ter conquistado a última vaga em representação do Estado do Nevada. Os democratas conseguiram desta maneira 50 lugares no Senado, mais um do que os republicanos, e ainda com um último lugar em disputa na Geórgia. Mesmo que os republicanos vençam este último lugar, só conseguirão um empate a 50 lugares. Ou seja, mantém-se a actual situação em que a Vice-Presidente democrata Kamala Harris tem o voto de desempate.

As tensões entre a China e os Estados Unidos abrandaram depois do encontro dos respectivos em Bali. Xi Jinping e Joe Bien encontraram-se pessoalmente esta semana pela primeira vez, dando o maior passo em anos para evitar um confronto entre as duas maiores economias do mundo.
Foi uma reunião surpreendentemente positiva entre os dois presidentes. Falaram sobre Taiwan, onde Biden observou que a posição dos Estados Unidos sobre Taiwan e a postura "Uma China – dois sistemas" não tinha mudado. Do outro lado, o presidente Xi manifestou-se abertamente contra o uso de armas nucleares pela Rússia. A reunião será seguida por uma visita do secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, onde se encontrará com altos dignitários chineses no final do ano.



Por outro lado as tensões entre a União Europeia e a Rússia conheceram um ponto extraordinariamente quente, quando a Polónia foi atingida por um míssil russo, perto da fronteira com a Ucrânia.
Como país membro da NATO, uma confirmação de ataque russo poderia gerar uma resposta por parte deste organismo com a evocação por parte da Polónia do artigo 4º. Declarações de Joe Biden dizendo que, segundo perspectivas da trajectória dos mísseis, o ataque não deveria vir de território russo, levou a um imediato abrandamento das tensões, que melhoraram com o presidente polaco a concordar. Os mísseis teriam tido origem nos sistemas de defesa ucranianos, sem que tivesse existido qualquer intensão de atingir território polaco.
Ainda assim, o escalar do conflito na Ucrânia está a continuar a aumentar as tensões, já de si elevadas, entre a União Europeia e a Rússia.


Dados Económicos




Nos Estados Unidos as atenções esta semana estiveram nos dados das vendas a retalho assim como dos mercados imobiliários e da construção.
As vendas a retalho, apesar da subida dos preços e do aperto monetário por parte do banco central, surpreenderam em alta, subindo 1,3% no mês de Outubro, depois de uma estagnação no anterior mês de Setembro.
O índice NAHB da confiança das construtoras norte-americanas mostrou uma queda maior do que o esperado de 38 para 33. O índice atingiu os níveis mais baixos desde meados de 2012, se não considerarmos o mínimo no início da crise pandémica em 2020. O número de licenças de construção registou também uma quebra de 1,56 milhões para 1,53, assim como o início de construção de casas que caiu do número revisto em alta de 1,49 para 1,43 milhões. As vendas existentes de casas também diminuíram, de 4,71 para 4,43 milhões, em linha com o estimado pelos mercados.
O Índice de Preços no Produtor subiu 0,2% em Outubro, abaixo da expectativa de 0,4%. O PPI homólogo subiu 8,0%, após revisão em baixa dos dados de Setembro, de 8,5% para 8,4%.
O Índice Manufactureiro de Nova Iorque recuperou dos -9,1 para +4,5, bem acima dos -6 esperados pelo mercado, enquanto o do Fed de Filadélfia afundou de -8,7 para -19,4.
Já a produção industrial contraiu 0,1%, depois de um aumento esperado, e do mês anterior, de 0,1%.

Na Zona do Euro foi uma semana ligeira relativamente a dados económicos, onde as atenções estiveram principalmente na divulgação do indicador de confiança económica ZEW que melhorou da situação de “péssimo” para “mau”. Na Zona Euro recuperou de -59,7 para -38,7 e na Alemanha de -59,2 para -36,7, em ambos, bem acima do esperado pelos mercados.
Na Zona Euro tivemos dados da produção industrial que abrandaram de um aumento de 2,0% para 1,9%, bem acima do esperado. A leitura final do PIB confirmou o crescimento de 0,2% no terceiro trimestre deste ano, enquanto a leitura final da inflação caiu da leitura preliminar de 10,7% para 10,6%, mantendo-se a inflação core nos 5%.

No Reino Unido as atenções voltaram-se para os dados do mercado de trabalho e da inflação.
O relatório do mercado de trabalho saiu amplamente em linha com as previsões. Os salários continuaram a crescer a um ritmo de 6%, com a taxa de desemprego a subir marginalmente para 3,6% no terceiro trimestre. O número de pedidos de subsídio de desemprego recuou de 3,9 mil para 3,3 mil, bem abaixo das previsões de 17 mil.
A inflação surpreendeu uma vez mais ao disparar de 10,1% no mês de Setembro, para 11,1% no mês de Outubro, atingindo um máximo de quarenta e um anos.
As vendas a retalho do mês de Outubro surpreenderam, subindo 0,6%, acima dos esperados 0,5% e depois de uma queda de 1,4% no mês anterior.
A confiança do consumidor GfK registou uma ligeira melhoria dos -47 do mês anterior para -44.

No Canadá os olhos estavam também postos na inflação que, como esperado, estabilizou em Outubro nos 6,9%. A dinâmica mensal acelerou de 0,1% para 0,7%. A inflação core, que não conta com os preços da energia e da alimentação, mostrou-se também estável no mês de Outubro nos 0,4%, com a leitura anual a diminuir de 6% para 5,8%, ainda assim acima dos 5,6% esperados pelo mercado.

Na Suíça o Índice de Preços no Produtor estagnou, depois de um aumento de 0,2% no mês anterior.

Na China a produção industrial aumentou em Outubro 5,0% relativamente ao mesmo período ano anterior, abaixo do aumento estimado de 5,2% e dos 6,3% no mês anterior. As vendas a retalho caíram 0,5%, face ao crescimento esperado de 1,0%, a primeira queda desde Maio.
O investimento em activos fixos cresceu 5,8%, abaixo dos 5,9% do mês anterior e do esperado.
A taxa de desemprego mantém-se nos 5,5%.

No Japão o PIB mostrou uma queda inesperada da economia nipónica de 0,3% no terceiro trimestre deste ano, face a expectativas de um crescimento de 0,3%. Marcou uma desaceleração acentuada face ao crescimento de 0,9% do trimestre anterior, impulsionado por baixo consumo e pelo aumento de infecções por Covid neste terceiro trimestre.
Tivemos a leitura da inflação do mês de Outubro que acelerou mais do que o esperado. A inflação core, excluindo alimentos frescos, subiu de 3,0% em Setembro para 3,6% em Outubro, atingindo os níveis mais elevados desde o início de 1982. A inflação total saltou de 3,0% para 3,7%.

Na Austrália as atenções estiveram voltadas esta semana para os dados do emprego.
O índice de preços salariais do terceiro trimestre subiu 1,0%, ligeiramente acima da expectativa de 0,9%, e fez subir a taxa anual de crescimento salarial para 3,1% contra 2,6% do trimestre anterior.
Os números do mercado de trabalho surpreenderam fortemente pela positiva em Outubro. O número de empregos aumentou em 32 mil, bem acima dos 15 mil estimados e depois de uma queda de 3,8 mil empregos no mês anterior. A taxa de desemprego continua num ciclo de baixa e diminui ainda de 3,5% para 3,4%, o nível mais baixo desde 1974.


Mercados accionistas



Foi uma semana bastante mais calma do que as anteriores onde a volatilidade abrandou apesar do aumento de tensões geopolíticas com o incidente na fronteira da Polónia com a Ucrânia, mas rapidamente ultrapassado.
Também as palavras dos responsáveis da Reserva Federal dos Estados Unidos não conseguiram mais do que abrandar o ímpeto do mercado.

Na Ásia a semana terminou sem uma direcção definida, em que o sentimento de mercado foi sendo impactado por entre um abrandamento das tensões entre Xi Jinping e Joe Biden e o crescendo dos testes balísticos da Coreia do Norte.
O índice Kospi, da Coreia do Sul, recuou esta semana 1,5%, o índice Nikkei, do Japão 1,29% e na Austrália, o índice ASX 200 ficou praticamente inalterado (-0,09%).
Já na China as acções registaram uma semana positiva. O índice Shanghai Composite avançou 0,32%, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong liderou os ganhos ao subir 3,85%.

Também para a Europa foi uma semana positiva em que todos os principais índices registaram ganhos.
O índice Euro Stoxx 600 foi o mais comedido, avançando uns tímidos 0,25%, enquanto o Euro Stoxx 50 ganhou 1,46%.
O índice DAX, da Alemanha, subiu também 1,46% e o CAC 40, de França, 0,76%.
No Reino Unido, o FTSE 100 ganhou 0,92%.

Nos Estados Unidos entre resultados que desiludiram os investidores e preocupações em torno de taxas de juro Wall Street acabou por ter uma semana em perdas ligeiras.
O índice Dow Jones ficou praticamente inalterado (-0,01%), o S&P 500 recuou 0,69% , enquanto o Nasdaq liderou as perdas ao cair 1,57%.

De salientar que os índices de volatilidade, esta semana, tanto do Euro Stoxx 50 como do S&P 500, registaram subidas, o primeiro 0,49% e o segundo 2,66%.

Gráfico Fonte XTB xStation 5


Mercado cambial



Uma semana em que os mercados cambiais reduziram os elevados níveis de volatilidade que temos assistido desde que o dólar começou a recuar dos máximos atingidos em Outubro.

O índice do dólar DXY depois de registar um mínimo a 105,35, acabou por terminar a semana a 107,00, recuperando cerca de 0,67% face ao fecho da semana anterior.
O EUR/USD negociou em torno de 1,0400. Depois de registar um máximo muito perto de 1,0500, terminou a semana a 1,0322.

Em semana de apresentação do plano fiscal de longo prazo por Jeremy Hunt, a libra registou ligeira valorização. Face ao dólar voltou a negociar acima de 1,2000, terminando em torno de 1,1900, enquanto o EUR/GBP terminou abaixo de 0,8700.

A subida das yields esta semana levou o iene a recuar dos recentes ganhos, perdendo ligeiramente tanto face ao dólar como face ao euro. O USD/JPY, depois de andar a negociar abaixo de 138,00, acabou a semana acima de 140,00 e o EUR/JPY em torno de 145,00 depois de mínimos perto de 143,00.


Gráfico Fonte XTB xStation 5


Commodities



Os preços do petróleo negociaram em perdas fortes esta semana, pressionados pelos receios de uma redução da procura na China, um dos maiores consumidores e importadores globais, devido a um novo aumento de casos de Covid 19 que poderão levar a mais restrições.
Nem mesmo a forte redução nos inventários semanais de crude nos Estados Unidos, divulgados pelo American Petroleum Institute e pela Energy Information Administration, conseguiu evitar que o preço do barril de Brent caísse cerca de 8,5% e o do WTI perto de 10%.
O barril de Brent, depois de começar a semana a negociar em máximos a $97,00, terminou abaixo de $88,00, recuperando de um mínimo abaixo de $86,00.
O WTI terminou a semana a negociar em torno de $80,00 por barril, depois de recuperar de um mínimo a $77,25, começou a semana a negociar a $88,15 e chegou a negociar muito perto dos $90,00 por barril ($89,83).

Gráfico Fonte XTB xStation 5

Os preços do ouro, depois dos fortes ganhos da semana anterior, recuaram esta semana pressionados pelo relatório mensal da OPEP que reviu em baixa as suas previsões para a procura global por petróleo deste ano de 2022 e ainda pela subida das yields obrigacionistas e por um aumento das expectativas da taxa de juro terminal nos Estados Unidos, acima do estimado pelo mercado.
A onça de ouro terminou a semana a negociar em torno de $1 750, depois de ter iniciado a semana em torno de $1 765,00.

Gráfico Fonte XTB xStation 5


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