Semana Revista
Muita parra, pouca uva!

Semana Revista Muita parra, pouca uva!

Os mercados têm estado a contar com cortes de taxas e elas começam a surgir, mas será que vêm para ficar?

Numa semana em que o Banco Central Europeu e o Banco do Canadá cortaram as respectivas taxas, os dados do emprego norte-americano ameaçaram de novo a confiança da Reserva Federal para começar a reduzir taxas.
Além disso, a confiança dos bancos centrais que cortaram taxas parece também ser pouca para que continuem a fazê-lo. Essa confiança segue ameaçada por perspectivas de mais pressões inflacionistas.




O Banco Central Europeu avaliou que a dinâmica da inflação subjacente e a força da transmissão da política monetária após nove meses de manutenção das taxas ​​justificaram a moderação do grau de restrição da política monetária. No entanto, apesar do progresso da inflação, o BCE admite que as pressões internas sobre os preços permanecem fortes, uma vez que o crescimento salarial é elevado, com a inflação provavelmente a manter-se acima da meta durante o próximo ano. As projecções dos especialistas do BCE foram mesmo revistas em alta tanto para a inflação global como para a inflação subjacente, tendo ficado inalteradas para 2026. O crescimento económico da Zona Euro foi também actualizado em alta.

Leia o Comunicado das Decisões de política monetária clicando aqui.

Durante a conferência de imprensa, a Presidente do BCE, Christine Lagarde, sublinhou que a decisão foi de facto impulsionada pelo aumento da confiança no “caminho a seguir”, ou seja, nas suas próprias projecções macro. Lagarde mencionou explicitamente a previsão de inflação para o quarto trimestre de 2025, que agora tem oscilado consistentemente entre 1,9% e 2,0%. O suficiente para o BCE se sinta confortável com a avaliação de que a inflação está sob controlo.

É a primeira vez que o Banco Central Europeu reduz as taxas após um ciclo de aperto monetário sem enfrentar qualquer tipo de recessão ou crise económica. Na verdade, sem o “quase compromisso” prévio na reunião de Abril, o recente aumento do crescimento salarial e da inflação teriam sido fortes argumentos contra a decisão de redução das taxas nesta reunião de Junho. Lagarde disse explicitamente que o BCE não se comprometeu previamente com nenhuma trajectória específica para as taxas, abstendo-se claramente de fornecer qualquer orientação futura. Os comentários de Lagarde durante a conferência de imprensa, apontando para o nível de restrição ainda necessário, a elevada dependência de dados e o facto de um membro do Conselho do BCE ser contra a decisão desta semana de redução das taxas, passam a ideia de que de facto o BCE ainda não decidiu sobre qualquer próximo passo.





Os mercados estão a contar com mais duas ou mesmo três reduções nas taxas de juro do euro, mas será que as vão ver?

Como sempre, após a decisão de taxas do Conselho de Governadores do BCE são muitos os governadores que se fazem ouvir, expressando aquela que é a sua opinião pessoal relativamente às decisões do Conselho. Desta vez, depois de uma primeira decisão histórica, também não foi diferente.
Robert Holzmann revelou ter sido o único dissidente na decisão desta semana de cortar as taxas, acrescentando que este corte hawkish significa que o conselho será mais cauteloso no futuro. Kazaks, da Letónia, Muller da Estónia, Vasle da Eslovénia, Makhlouf da Irlanda e Nagel da Alemanha transmitiram mais ou menos aos mercados a mesma mensagem de que o banco central não está predeterminado e que os cortes subsequentes nas taxas estão condicionados a mais progressos em matéria de inflação. Simkus da Lituânia, Patsalides do Chipre e Villeroy de França foram mais neutros, com o francês a dizer que o ritmo dos cortes será adaptado sem pressa, mas também sem procrastinação.
O tom geral hawkish era esperado, já que menos de 24 horas depois da decisão do banco central, o seu indicador de crescimento salarial preferido, a remuneração por funcionário (que inclui pagamento de horas extraordinárias e bónus) subiu inesperadamente para 5,1% em termos anuais no primeiro trimestre, acelerando de uma revisão em alta de 4,9% no quarto trimestre. Christine Lagarde disse na conferência de imprensa que esperavam algo em torno de 4,7%. É mais uma surpresa na realidade das negociações salariais do primeiro trimestre, que também superaram as estimativas.

O Banco Central Europeu reduziu esta semana a sua taxa em 25 pontos base, mas tal como Lagarde referiu várias vezes durante a conferência de imprensa, o caminho a seguir será sinuoso, cheio de altos e baixos, o que irá dificultar futuros cortes, ou mesmo, recuar no actual, o que não seria a primeira vez.





A menos de uma semana da reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos tivemos a divulgação dos dados do emprego, os dados mais importantes, em conjunto com os da inflação na tomada de decisão do Fed relativamente a taxas de juro.
Os últimos dados da inflação alimentaram as esperanças do mercado relativamente a uma redução do nível restritivo de taxas por parte do Fed, com os preços a mostrarem uma inversão da tendência dos primeiros meses deste ano. As probabilidades voltaram a apontar de novo para dois cortes de taxas até ao final do ano, com a possibilidade de mais uma subida de taxas a ser completamente posta de parte.
Mas os dados do emprego no último dia da semana vieram estragar este cenário mais agradável. O número de postos de trabalho voltou a aumentar para bem acima dos 200 mil, mostrando a solidez do mercado de trabalho, assim como o crescimento salarial que duplicou em Maio, de 0,2% para 0,4%, fazendo aumentar os receios de mais pressões inflacionistas.

A semana que tinha começado com um mercado obrigacionista em alta e as yields a testarem os recentes mínimos, terminou com forte pressão vendedora, com as yields a voltarem a recuperar.
As probabilidades, segundo a FedWatch Tool da CME, voltam a mostrar apenas um corte de taxas de juro para este ano, a acontecer em Novembro.



Dados Económicos




Nos Estados Unidos todas as atenções estavam colocadas nos dados do emprego, principalmente depois da surpresa do mês anterior.
Os dados dos nonfarm payrolls voltaram a surpreender os mercados, desta vez mostrando um aumento inesperado de novos postos de trabalho. Depois do número ter caído no mês anterior para o mais baixo deste ano, revisto em baixa para 165 mil, a economia norte-americana criou em Maio 272 mil novos postos de trabalho, bem acima dos 185 mil previstos pelos mercados. Já a taxa de desemprego surpreendeu em alta, subindo de 3,9% para 4%, com a taxa de participação a cair de 62,7% para 62,5%. O crescimento salarial voltou a acelerar, aumentando 0,4% a nível mensal, após um aumento de 0,2% em Abril e acima das previsões que apontavam para 0,3%, subindo em termos anuais de 4% para 4,1%.
Antes destes dados, o relatório privado do ADP tinha mostrado a criação de 152 mil empregos, abaixo dos 175 mil estimados e do número de Abril revisto em baixo de 188 mil. Uma vez mais em sentido contrário ao mostrado posteriormente pelo relatório do Bureau of Labor Statistics (nonfarm payrolls).
Tivemos também o relatório JOLTS das vagas de emprego, que caíram de 8,36 milhões, revistas em baixo, do mês de Março, para 8,059 milhões em Abril, contra as expectativas de 8,35 milhões, mostrando a leitura mais baixa desde Fevereiro de 2021.
Tivemos mais dados da actividade empresarial, os PMIs do ISM e ainda os números finais dos PMIs da S&P Global.
O PMI composto da S&P Global foi revisto em alta de 51,3 para 54,4, com o índice manufactureiro a ser também revisto em alta de 50,9 para 51,3 e o de serviços a ser confirmado nos 54,8.
Já os relatórios do ISM mostraram cenário díspares. O índice manufactureiro caiu inesperadamente de 49,2 em Abril para 48,7 em Maio, ficando abaixo das previsões que apontavam para uma pequena recuperação para 49,6. Enquanto o PMI de serviços do ISM disparou de 49,4 para 53,8, o nível mais alto dos últimos nove meses, e bem acima das previsões de 51. O índice foi impulsionado pela forte actividade empresarial (61,2 face a 50,9 no mês anterior) e pelo aumento de novas encomendas (54,1 face a 52,2) que, por sua vez, parece ser impulsionado pelas encomendas de exportação (61,8 face a 47,9).
Os dados das encomendas às fábricas mostraram um aumento de 0,7%, em linha com as previsões de mercado, desacelerando da subida de 0,8% no mês anterior.
O défice comercial em Abril aumentou para 74,6 mil milhões de dólares, o mais elevado desde Outubro de 2022, ficando mesmo assim abaixo das estimativas de 76,1 mil milhões, mas bem acima dos 68,6 mil milhões revistos em baixa, do mês anterior. As importações aumentaram 8,7% e as exportações apenas 0,8%.
O índice de optimismo económico RCM/TIPP caiu para 40,5, o nível mais baixo em seis meses, abaixo dos 41,8 do mês passado e bem abaixo das previsões de 45,2.
Tivemos ainda os habituais números semanais dos novos pedidos de subsídio de desemprego que voltaram a aumentar dos 221 mil revistos em alta da semana anterior, para 229 mil, bem acima dos 215 mil estimados.

Na Zona do Euro foi uma semana relativamente tranquila no que tocou a dados económicos.
O índice de preços no produtor mostrou uma queda de 1% em relação ao mês anterior, depois de uma queda revista em baixo de 0,5% em Março e previsões de nova queda de 0,5%.
Tivemos os números das vendas a retalho que mostraram uma diminuição de 0,5% em Abril, depois do aumento revisto em baixo do mês de Março de 0,7% e pior que as previsões que apontavam para uma queda de 0,2%.
Os dados finais da actividade empresarial foram ligeiramente revistos em baixa, com o PMI manufactureiro a cair de 47,4 para 47,3 e o do sector de serviços de 53,3 para 53,2.
Na Alemanha, a taxa de desemprego manteve-se nos 5,9%, embora o número de desempregados tenha aumentado em 25 mil, bem acima dos 7 mil estimados. As encomendas às fábricas diminuíram surpreendentemente 0,2%, contrariando as previsões que apontavam para um aumento de 0,6%. A produção industrial também caiu, 0,1%, desacelerando a queda de 0,4% do mês anterior, mas ficando abaixo das estimativas de um crescimento de 0,1%. A balança comercial mostrou um excedente de 22,1 mil milhões de euros, recuando dos 22,2 mil milhões de euros do mês anterior e ficando abaixo das estimativas que apontavam para 22,5 mil milhões.
Em França, a produção industrial aumentou 0,5%, em linha com o estimado, recuperando de uma queda revista em baixo de 0,2% no mês anterior. O défice comercial aumentou mais do que o estimado, de 5,4 mil milhões de euros para 7,6 mil milhões de euros, face a estimativas de 5,4 mil milhões. Foi o maior défice desde o mês de Outubro do ano passado.

No Reino Unido tivemos mais uma semana bastante tranquila, relativamente a dados económicos.
O PMI da construção surpreendeu ao mostrar uma subida inesperada de 53,0 para 54,7, face a estimativas que apontavam para uma ligeira queda para 52,5.
Também o índice Halifax dos preços dos imóveis surpreendeu negativamente, ao mostrar uma queda de 0,1%, face a um aumento esperado de 0,3%.
Os dados finais dos PMIs da S&P Global não mostraram qualquer desvio das estimativas preliminares.

No Canadá as atenções estiveram voltadas para os dados do emprego que mostraram um aumento de 26,7 mil novos postos de trabalho em Maio, depois dos 90,4 mil do mês anterior, superando as previsões do mercado que apontavam para um aumento de 24,8 mil. O emprego a tempo parcial aumentou em 62 mil, enquanto o emprego a tempo inteiro diminuiu 36 mil. A taxa de desemprego subiu de 6,1% para 6,2%, em linha com as estimativas do mercado.
O índice Ivey PMI caiu inesperadamente para o mínimo deste ano (e dos últimos dez meses) de 63,0 para 52,0, face a estimativas para uma subida para 65,2.
O PMI manufactureiro da S&P Global também caiu, de 49,4 para 49,3, mantendo-se em território de contracção e contrariando estimativas que apontavam para uma subida para 50,2.
O défice comercial de Abril reduziu para mil milhões de dólares canadianos, dos 2 mil milhões revistos em baixo do mês anterior e ainda melhor do apontado pelas previsões de 1,2 mil milhões de dólares canadianos.

Na Suíça foram os dados da inflação que maior atenção despertaram nos mercados. A taxa anual de inflação manteve-se em Maio nos 1,4%, inalterada em relação ao mês anterior e permanecendo no valor mais elevado desde Dezembro do ano passado. Numa base mensal, o Índice de Preços do Consumidor subiu 0,3%, ao mesmo ritmo do período anterior e em linha com as estimativas de mercado. A inflação subjacente, que exclui itens voláteis como alimentos não processados ​​e energia, aumentou em termos mensais 0,2% e 1,2% em termos anuais, também inalterada em relação ao mês anterior e ligeiramente abaixo das estimativas de 1,3%. A taxa de desemprego subiu de 2,3% para 2,4%, acima das previsões que apontavam para 2,3%.
O PMI manufactureiro subiu de 41,4 para 46,4, acima das estimativas de 45,4. As reservas em moeda estrangeira do Banco Nacional da Suíça mostraram uma ligeira queda de 720 mil milhões de francos suíços para 718 mil milhões.

Na China começamos por ter os dados privados dos PMIs da Caixin que voltaram a contrariar a direcção dada pelos dados oficiais.
O PMI Composto da Caixin subiu de 52,8 para 54,1, a melhor leitura desde Maio de 2023. Foi o sétimo mês consecutivo de crescimento na actividade do sector privado, à medida que o crescimento da produção acelerou nos sectores da indústria transformadora e dos serviços. O PMI industrial subiu de 51,4 para 51,7, acima dos 51,5 estimados, o nível mais elevado desde Junho de 2022. O PMI de serviços subiu de 52,5 para 54,0, superando largamente as estimativas que apontavam para 52,6.
As atenções estiveram também na divulgação dos dados da balança comercial, que mostrou um aumento surpreendente de 72,4 mil milhões de dólares em Abril, para 82,6 mil milhões de dólares em Maio, bem acima das previsões de 71,5 mil milhões de dólares. As exportações aumentaram 7,6%, acelerando dos 1,5% do mês anterior e as importações aumentaram apenas 1,8%, bem abaixo do aumento de 8,4% do mês anterior.

No Japão foi uma semana ligeira de dados económicos.
O crescimento dos salários foi de 2,1% em Abril face ao mês anterior, acima do esperado pelos mercados de 1,7% e do crescimento no mês de Março de 1% revisto em alta.
Os gastos das famílias aumentaram 0,5%, abaixo das estimativas de 0,6%, recuperando parcialmente da queda de 1,2% do mês anterior.

Na Austrália as atenções esta semana voltaram-se para os dados do PIB do primeiro trimestre deste ano. A economia australiana cresceu 0,1% no trimestre de Janeiro a Março deste ano, abaixo das previsões que apontavam para um crescimento de 0,2% e depois do aumento revisto em alta do trimestre anterior de 0,3%. Em termos anuais, o crescimento económico australiano caiu de 1,6% no último trimestre de 2023, para 1,1%, o menor crescimento desde o quarto trimestre de 2020.
Os lucros operacionais das empresas caíram 2,5% no primeiro trimestre deste ano, uma queda bem maior do que a de 0,9% estimada pelo mercado e depois de um aumento de 7,1%, revisto em baixo, no trimestre anterior.
A balança comercial do mês de Abril apresentou um excedente de 6,55 mil milhões de dólares australianos, bem acima dos 5,5 mil milhões apontados pelas previsões e dos 4,84 mil milhões, revistos em baixo, no mês anterior. As importações caíram 7,2% e as importações 2,5%, claramente abaixo das estimativas do mercado.
Os empréstimos imobiliários aumentaram 4,3% em Abril, acima do aumento do mês anterior de 3,5%, revisto em alta, e das previsões que apontavam para um aumento de 2,2%.


Os Bancos Centrais



O Banco Central Europeu
Como amplamente esperado pelos mercados, o Banco Central Europeu reduziu as suas taxas directoras em 25 pontos base, com a facilidade permanente de depósito a cair de 4,00% para 3,75% e a taxa de operações principais de refinanciamento de 4,50% para 4,25%. Este corte seguiu-se a um período de nove meses com taxas directoras inalteradas, depois de um rápido ciclo de subida desde meados de 2022.

O Banco do Canadá
O Banco do Canadá também reduziu a sua taxa de juro em 25 pontos base, de 5,0% para 4,75%, na sua reunião de política monetária desta semana. Este corte, apesar dos mercados se encontrarem divididos, veio em linha com o que a maioria dos analistas apontava. O Governador Tiff Macklem disse que viram evidências adicionais e sustentadas de que a inflação subjacente está a diminuir e que, portanto, a política monetária já não precisa de ser tão restritiva. Além disso, o banco não exclui que mais cortes de taxas possam acontecer, caso a inflação continue a caminhar na direcção certa. Os mercados apontam uma probabilidade de 40% de um corte já na próxima reunião, em Julho.

O Banco Nacional da Polónia
O banco nacional polaco manteve esta semana a sua taxa de referência inalterada pela oitava reunião consecutiva em 5,75%, correspondendo às expectativas do mercado. O Conselho acredita que o nível actual das taxas contribui para atingir o objectivo de inflação a médio prazo e que as decisões futuras dependerão dos dados.

The Reserve Bank of India
Na Índia, o banco central manteve esta semana a sua taxa directora inalterada em 6,50% pela oitava reunião consecutiva, numa votação de 4-2, com dois membros a apoiarem um corte da taxa. O banco manteve inalterada a previsão de inflação para o ano fiscal de 2025 em 4,5%, mas elevou a previsão de crescimento de 7,0% para 7,2%.


Mercados accionistas



Numa semana onde dois dos bancos do G10, o Banco Central Europeu e o Banco do Canadá, cortaram as respectivas taxas de juro e onde as yields obrigacionistas registaram forte recuo, nem mesmo as palavras mais agressivas por parte de Christine Lagarde e em especial pela grande parte dos membros do Conselho de Governadores do BCE no dia seguinte, assim como os surpreendentes dados do mercado de trabalho norte-americano, conseguiram evitar uma semana globalmente positiva, com algumas poucas excepções.

Na Ásia, a vitória sem maioria do actual primeiro-ministro na Índia, Narendra Modi, levou a um aumento na volatilidade dos mercados.
Depois de fortes perdas registadas quando foi confirmada a perda de maioria de Modi, as acções recuperaram e acabaram por terminar a semana com o Nifty 50 a ganhar 3,37%.
No Japão, o índice Nikkei terminou com um ganho marginal na semana de 0,45%, enquanto o Topix recuou 0,63%.
Na China, enquanto o índice CSI300 recuou marginalmente na semana 0,16% e o Shanghai Composite perdeu 1,15%, o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 1,59%.
Na Austrália, o índice ASX 200 ganhou 2,06%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 3,27%.

Na Europa, com excepção do Reino Unido, os principais índices terminaram a primeira semana de Junho em terreno positivo, ajudados por um corte de taxas de juro por parte do Banco Central Europeu.
O índice Euro Stoxx 600 subiu esta semana 1,04% e o Euro Stoxx 50 1,37%, liderando os ganhos na Europa.
Na Alemanha, o índice DAX registou um ganho marginal de 0,31%, enquanto o CAC 40, de França, ficou praticamente inalterado ao avançar 0,11%.
No Reino Unido, as acções acabaram em terreno negativo (-0,36%), pressionadas por uma libra mais forte.

Nos Estados Unidos, os mercados foram impulsionados por fortes quedas das yields obrigacionistas e pelo sector tecnológico, com o frenesim em torno da inteligência artificial a continuar a alimentar as valorizações bolsistas. A Nvidia atingiu esta semana pela primeira vez uma capitalização bolsista de 3 triliões de dólares.
O índice Dow Jones foi o que menos ganhou esta semana, terminando com uma ligeira valorização de 0,29%. O índice S&P 500 ganhou 1,32%, enquanto o Nasdaq subiu 2,36%, liderando os ganhos em Wall Street.

Gráfico Fonte XTB xStation 5


Mercado cambial



Numa semana com cortes de taxas de juro do Banco Central Europeu e do Banco do Canadá, com yields obrigacionistas globais a recuarem dos recentes máximos e um aumento na volatilidade com os importantes dados do mercado de trabalho norte-americano, o franco suíço e o iene japonês foram as moedas mais fortes da semana, enquanto o dólar australiano e o dólar canadiano as mais fracas, dentro do universo das moedas do G10.
Nas moedas emergentes, de destacar as fortes perdas do peso mexicano, depois da vitória de Claudia Sheinbaum, do partido Morena do actual presidente Lopez Obrador. Os mercados receiam que uma maioria absoluta vá levar a alterações constitucionais que incluam mudanças no poder judicial e na lei eleitoral que não são boas do ponto de vista do mercado.

O dólar norte-americano começou a semana em perdas, pressionado por forte queda das yields obrigacionistas, depois do ISM manufactureiro ter surpreendido os mercados ao cair ainda mais para território de contracção. Os fortes números dos nonfarm payrolls acabaram por salvar o dólar, que terminou a semana em ganhos, com as yields obrigacionistas a voltarem a cair.
O índice DXY depois de abrir a semana a 104,50, registou um mínimo a 103,53, em torno dos mínimos dos últimos três meses, para recuperar e terminar em máximos a 104,90.

O EUR/USD terminou esta semana em perdas, não por causa do primeiro corte de taxas do Banco Central Europeu em cinco anos, mas sim pressionado pelos ganhos do dólar.
O EUR/USD até ganhou depois da divulgação do corte de taxas de juro na Zona Euro, com as actualizações das projecções dos analistas do BCE a mostrarem uma inflação a subir e um aumento no crescimento económico, assim como uma comunicação mais hawkish. Os dados do emprego norte-americano no último dia da semana acabaram por voltar o barco, as yields voltaram a subir e o EUR/USD a cair.
O par abriu a semana a negociar a 1,0847 e ainda registou um máximo acima de 1,0900 (1,0916), mas recuou e terminou a semana em mínimos a negociar a 1,0801.

A libra negociou durante esta semana em torno dos recentes máximos, pouco alterada dos níveis onde andou a negociar na semana anterior.
O GBP/USD terminou a semana a negociar a 1,2719, depois de a ter iniciado a 1,2730, tendo ficado confinado entre um máximo de 1,2818 e um mínimo de 1,2694.
O EUR/GBP terminou a semana abaixo de 0,8500 (0,8491). Temos de recuar até Agosto de 2022 para termos um fecho abaixo deste nível. A semana começou com o par a negociar a 0,8509 e chegou a atingir um máximo de 0,8536, para terminar em mínimos a 0,8491.

O iene japonês começou a semana em valorizações, ajudado pelas fortes quedas das yields norte-americanas, mas a inversão das mesmas acabou por levar o iene a devolver grande parte desses ganhos no último dia da semana.
O USD/JPY, depois de ter iniciado a semana a 157,18, ter feito um máximo a 157,47 e um mínimo a 154,54, recuperou e terminou a semana a negociar a 156,77.
O EUR/JPY começou a semana a negociar a 170,50, perto do máximo a 170,89, para chegar a registar um mínimo a 168,03 e terminar a recuperar desse mínimo, negociando a 169,34.

O franco suíço voltou a valorizar esta semana, impulsionado pelo abrandamento registado nas yields obrigacionistas e pela divergência das expectativas de cortes de taxas de juro a seu favor. Os mercados recuam nas probabilidades de um corte de taxas já este mês por parte do Banco Nacional Suíço.
O USD/CHF terminou a semana a negociar a 0,8966, depois de ter começado a semana a negociar a 0,9023, ter registado um máximo de 0,9036 e um mínimo de 0,8881.
O EUR/CHF, que começou a semana a negociar a 0,9784 e ainda chegou a negociar acima de 0,9800 (0,9802), terminou a semana em torno de mínimos, negociando a 0,9684.

O dólar canadiano, depois do corte de taxas de juro por parte do Banco do Canadá, registou perdas que veio a recuperar. No entanto, a subida das yields obrigacionistas norte-americanas desequilibraram de novo os pratos da balança em seu desfavor.
O USD/CAD terminou a semana em máximos a 1,3767, depois de ter começado a semana a negociar a 1,3628, muito perto do mínimo de 1,3603.
O EUR/CAD começou a semana a negociar a 1,4784, atingiu um máximo de 1,4929 e um mínimo de 1,4770, para recuperar do mesmo e fechar a semana a negociar a 1,4870.

O dólar australiano voltou esta semana a negociar em perdas, depois dos lucros das empresas terem mostrado forte queda e o PIB do primeiro trimestre deste ano ter desiludido os investidores.
O AUD/USD terminou a semana a negociar em mínimos a 0,6580, depois de ter começado a semana a negociar a 0,6652 e ter registado um máximo de 0,6699 e um mínimo de 0,8881.
O EUR/AUD começou a semana a negociar a 1,6303 e atingiu um mínimo a 1,6254, terminou a semana em torno de máximos, a negociar a 1,6416.

O peso mexicano registou uma semana de fortes perdas desvalorizando face ao dólar e face ao euro cerca de 8%.
O USD/MXN começou a semana a negociar a 16,97, perto do mínimo de 16,92, para terminar a 18,39, em torno de máximos de mais de um ano.
O EUR/MXN começou a semana também a negociar em torno dos mínimos a 18,42, para terminar em máximos perto de 20,00 (19,87), em níveis que não se registavam há mais de um ano.

Gráfico Fonte XTB xStation 5


Commodities



Petróleo

Os preços do petróleo voltaram a negociar em fortes perdas durante esta semana, depois de surpresas por parte da OPEP+ e de receios que as taxas altas por mais tempo nos Estados Unidos levem cada vez mais a pressões sobre a procura de crude.
No fim-de-semana passado, altos representantes da Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã reuniram-se pessoalmente na capital saudita para discutir os cortes voluntários de produção. Mais tarde, os membros da OPEP+ reuniram-se virtualmente no Domingo ( 2 de Junho) e decidiram, como esperado pelos mercados, prolongar os seus cortes voluntários até ao final de 2024, mantendo o mercado sem quase 2 milhões de barris por dia. Além disso, surpreendendo o mercado, o cartel anunciou uma eliminação progressiva dos cortes a ocorrer mensalmente durante um ano, começando em Outubro de 2024 e até Setembro de 2025, sublinhando que o aumento da produção estará sujeito às condições de mercado.
A pressionar ainda mais os preços do petróleo têm estado o aumento dos inventários de crude norte-americano, e nem mesmo os anúncios que vão sendo feitos de compras para a reserva estratégica de petróleo norte-americana, tem conseguido acabar com a pressão sobre os preços do petróleo que terminaram a semana a perder cerca de 2,5%.

O Brent começou a semana a negociar a $80,80 por barril, atingiu um máximo de $81,65, mas afundou até um mínimo de $76,75, para terminar a recuperar para $79,40.
O WTI também terminou a semana a recuperar do mínimo de $72,50, fechando a semana a $75,30, depois de ter iniciado a semana a negociar a $77,00 e ter atingido um máximo de $77,50.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



Ouro

O ouro continua a recuar do máximo de sempre registado três semanas atrás. Expectativas crescentes de cortes de taxas de juro, com yields obrigacionistas a deslizar, foram dando suporte ao ouro nos primeiros dias desta semana. Os números no último dia da semana do mercado de trabalho norte-americano veio estragar essa tendência do preço do ouro, que registou fortes perdas, com as yields a terminarem a semana de novo em alta e as expectativas de cortes de taxas a voltarem a recuar. Foi mais uma semana de perdas para ouro que recuou mais 1,5% esta semana.

A onça de ouro começou a semana a negociar a $2 328,50, foi ganhando até um máximo de $2 388,00, para terminar a semana em mínimos a $2 288,50.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



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