A semana que começa
Fed e Inflação

A semana que começa Fed e Inflação

Os olhos estarão todos colocados nos Estados Unidos, onde teremos mais uma reunião do seu banco central e os não menos importantes dados da inflação do mês de Maio.

Depois da reunião da semana passada do Banco Central Europeu, onde o Conselho de Governadores decidiu reduzir a sua taxa de juro pela primeira vez nos últimos cinco anos, esta semana iremos ter a reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos, onde não se esperam alterações nas taxas de juro, e onde poucas horas antes iremos ter os dados da inflação, tão importantes para a tomada de decisão do FOMC relativamente à sua política monetária.



Esta reunião da Reserva Federal é uma das quais em que o mercado poderá contar com as projecções dos membros do FOMC, o relatório Summary of Economic Projections (SEP), onde se inserem os famosos dot plot.
As últimas projecções continuaram a mostrar uma redução de 75 pontos base até ao final do ano, com a taxa dos Fed Funds a caírem dos actuais 5,25%-5,50% para 4,50%-4,75%, o que em cortes de 25 pontos daria um total de três. Desde essa altura, os diversos membros do FOMC têm endurecido o discurso relativamente à confiança necessária para cortar taxas, pelo que poderemos possivelmente ter uma actualização dos dot plot que nos mostrem projecções de apenas dois cortes até ao final deste ano.



Com os mercados actualmente a descontar a possibilidade de apenas um corte de taxas de juro até ao final do ano (segundo a FedWatch Tool da CME) e potencialmente um segundo, uma actualização das projecções para dois cortes por parte da FOMC não será considerada uma surpresa hawkish, mas antes um sinal dovish, que irá certamente reforçar as expectativas do mercado relativamente a cortes de taxas de juro por parte do Fed.


Dados Económicos



Estados Unidos da América
Relativamente a dados económicos as atenções esta semana voltam-se para os números da inflação que irão ser divulgados poucas horas antes da decisão de taxas de juro por parte da Reserva Federal.
O mercado estima que os preços no mês de Maio tenham subido em termos mensais 0,2%, com a inflação anual a manter-se inalterada nos 3,4%. Se excluída a alimentação e a energia, os preços deverão mostrar um crescimento mensal de 0,3%, em linha com o aumento do mês anterior e a inflação subjacente anual a baixar para 3,5%, dos 3,6% mostrados no mês de Abril.
Já após a reunião do Fed iremos ter os dados do Índice de Preços no Produtor, onde as previsões apontam para um aumento mensal nos preços de 0,2%, baixando dos 0,5% do mês anterior, e sem os itens mais voláteis da energia e alimentação um aumento de 0,3%.
O mercado irá estar também de olhos postos nos dados preliminares da Universidade de Michigan. As estimativas apontam para uma subida do índice de confiança do consumidor de 69,1 para 73, com as expectativas da inflação a manterem-se inalteradas tanto a um ano (3,3%) como a cinco anos (3%).
Teremos ainda o Índice de Pequenas Empresas NFIB, com as estimativas a apontarem para que se mantenha inalterado nos 89,7, e ainda os habituais números semanais dos novos pedidos de subsídio de desemprego, com as previsões a apontarem para um pequeno recuo dos 229 da semana anterior para 222 mil.

Zona Euro
Mais uma semana ligeira de dados económicos na Zona Euro.
Começamos com o indicador de confiança do investidor Sentix, com as estimativas a apontarem para nova recuperação, de -3,6 para -1,5, mas ainda em terreno negativo.
Teremos os dados da produção industrial de Abril, onde as previsões apontam para um crescimento de 0,1%, desacelerando dos 0,6% mostrados no mês de Março.
Iremos ter também os números da balança comercial do mês de Abril, onde as previsões mostram uma queda no excedente comercial de 17,3 mil milhões de euros do mês anterior, para 15,7 mil milhões de euros.
A nível regional iremos ter os números finais da inflação na Alemanha e em França que não deverão surpreender e confirmar as leituras iniciais. Em Itália a produção industrial, segundo as previsões, deverá mostrar um aumento de 0,3%, depois da contracção de 0,5% no mês anterior, a taxa de desemprego referente ao primeiro trimestre do ano deverá manter-se nos 7,4% e o excedente comercial deverá mostrar uma ligeira diminuição de 4,34 para 4,25 mil milhões de euros.

Reino Unido
Esta semana as atenções irão estar colocadas nos dados do emprego e nos do crescimento económico.
Segundo as previsões, o número de pedidos de subsídio de desemprego deverá aumentar em Abril, de 8,9 mil do mês anterior para 10,2 mil, e o número de postos de trabalho deverá mostrar uma queda de 260 mil, acelerando dos 178 mil mostrados no mês anterior. Os salários deverão continuar a mostrar o mesmo ritmo de crescimento do mês anterior de 6% excluindo bónus e de 5,7% com bónus incluídos. A taxa de desemprego deverá, segundo as previsões, manter-se nos 4,3%.
O PIB do mês de Abril deverá, segundo as previsões, mostrar uma estagnação na economia britânica, depois do crescimento mostrado em Março de 0,4%. Em termos anuais, o PIB deverá manter o crescimento de 0,7%.
Iremos ter também os dados da produção industrial do mês de Abril, onde as previsões apontam para uma queda de 0,1%, depois do crescimento de 0,2% do mês anterior.
Teremos ainda a balança comercial de bens de Abril, que deverá mostrar um aumento do défice dos 14 mil milhões de libras do mês anterior, para os 14,2 mil milhões de libras.

Canadá
Teremos uma semana tranquila relativamente a dados económicos. Começamos pelas licenças de construção, que deverão mostrar um aumento de 4,8%, depois da queda de 11,7% do mês anterior. Acabamos com as vendas manufactureiras que, depois da queda de 2,1% em Março, deverão mostrar um aumento de 1,3% em Abril, e as vendas grossistas um aumento de 2,5%, depois da queda de 1,1%.

Suíça
Iremos ter o índice de confiança do consumidor do SECO, com as estimativas a apontarem para uma ligeira melhoria de -38 para -37, e o Índice de Preços do Produtor, que deverá desacelerar dos 0,6% do mês anterior, para 0,5%.

China
Durante toda a semana os mercados irão aguardar pelos números dos novos empréstimos bancários que, segundo as previsões, deverão mostrar um aumento de 730 mil milhões de yuans para 1750 mil milhões.
Teremos também os dados da inflação, onde as estimativas apontam para mais uma queda dos preços durante o mês de Maio de 0,2%, depois do aumento de 0,1% em Abril, com a medida anual da inflação a subir de 0,3% para 0,4%. O Índice de Preços do Produtor deverá mostrar também uma queda de 1,5% em termos anuais no mês de Maio, desacelerando da queda de 2,5% no mês anterior.

Japão
Uma semana vazia de dados de primeira linha.
Logo no início da semana teremos dados dos empréstimos bancários que deverão continuar a crescer ao mesmo ritmo do mês anterior de 3,1%; a conta corrente de Abril deverá mostrar um aumento de 2,01 triliões de ienes para 2,09 triliões; a leitura final do PIB do primeiro trimestre deverá confirmar a contracção de 0,5%; e o índice de Confiança dos Observadores Económicos deverá mostrar uma subida de 47,4 para 48,6.
Iremos ter também o Índice de Preços do Produtor que deverá mostrar um aumento em termos anuais de 2,0%, acelerando dos 0,9% do mês anterior.
O índice Manufactureiro BSI deverá mostrar uma ligeira recuperação dos -6,7 do mês anterior para -5,2.

Nova Zelândia
Tudo o que teremos por aqui será o Índice Manufactureiro BusinessNZ que deverá mostrar uma melhoria de 48,9 para 49,2, continuando em terreno de contracção.

Austrália
As atenções esta semana voltam-se para os dados do emprego. Depois dos 38,5 mil empregos criados em Abril, as previsões apontam para um aumento de 30 mil novos postos de trabalho em Maio, com uma redução nos empregos a tempo parcial e um aumento nos empregos a tempo inteiro. A taxa de desemprego, segundo as estimativas, deverá cair de 4,1% para 4%, com a taxa de participação a manter-se nos 66,7%.
Iremos ter também a divulgação do Índice de Confiança Empresarial NAB, com as estimativas a apontarem para uma queda de 1 para 0, e ainda o Índice de Confiança do Consumidor Westpac que também deverá mostrar uma queda de 82,2 para 82,0.


Bancos Centrais



A Reserva Federal dos Estados Unidos
O banco central norte-americano terá a reunião de Junho esta semana e o mercado não espera outro resultado que não seja a manutenção das suas actuais taxas de juro de 5,25%-5,50%. A atenção dos mercados irá estar principalmente nas projecções que serão mostradas no Summary of Economic Projections onde se inserem os ”dot plot”, na tentativa de melhorar conseguirem aferir quantos e para quando o primeiro corte de taxas nos Estados Unidos.

O Banco do Japão
Também no Japão o banco central deverá manter a sua taxa de juro inalterada no intervalo 0-0,1%, com os mercados à espera que o Banco do Japão possa apresentar um plano para uma redução gradual das suas compras de obrigações, o que será um passo natural após ter abandonado a sua política de controlo da curva de taxas de juro em Março.


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