EUR/USD
Semanal

EUR/USD Semanal

Depois de um Banco Central Europeu previsível, teremos esta semana uma também previsível Reserva Federal, com os mercados a ficarem especialmente atentos à actualização das projecções da FOMC.

O BCE cortou taxas de juro pela primeira vez em cinco anos, mas foram as surpresas nos dados de actividade económica e do mercado de trabalho que levaram todo o entusiasmo aos mercados na semana passada.

O Banco Central Europeu reduziu as suas taxas em 25 pontos base, como era universalmente esperado, com a sua taxa de depósito a cair dos 4% para os 3,75%. Um corte há muito informalmente anunciado, que não apanhou ninguém de surpresa, mas ainda assim um corte surpreendente, já que as projecções dos analistas do BCE e os dados das negociações salariais e da inflação que Lagarde anteriormente afirmou estar a aguardar para tomar uma decisão sobre taxas, saíram claramente a justificar mais a continuidade do nível restritivo de taxas do que o de um primeiro corte histórico.
Na conferência de imprensa não se mostrou fácil a Christine Lagarde justificar o corte deste mês. Mostrou uma nova posição do banco central, um banco que está agora a olhar para o futuro, acreditando nas suas próprias projecções, que apesar de terem actualizado em alta a inflação, apontam claramente para que a meta do BCE possa ser atingida. Este já chamado “corte hawkish” acabou sem ter impacto no mercado com o EUR/USD a manter-se ao nível que se encontrava antes da mesma reunião.

De facto, foram os vários dados norte-americanos durante a semana que foram liderando os mercados.
Logo no início da semana, os dados da actividade industrial do ISM surpreenderam os mercados pela negativa, com o índice manufactureiro a ficar ainda mais em terreno de contracção, contrariando estimativas e o caminho mostrado anteriormente pelo PMI da S&P Global. As expectativas de cortes de taxas aumentaram, com as yields obrigacionistas a afundarem, impulsionando ganhos no EUR/USD.
Também os dados das vagas de emprego, abaixo do esperado, tal como os dados do ADP, deram continuidade a este sentimento de mercado e a suportar os ganhos do EUR/USD.
A decisão do BCE em nada alterou este sentimento.
No último dia da semana, o forte número dos nonfarm payrolls, superando todas as estimativas, inverteram o caminho que o EUR/USD levou durante toda a semana, levando-o a terminar em perdas. A pressão das yields de novo em alta e as expectativas de cortes de taxas de juro a recuar de novo para apenas um corte este ano, lá para Novembro ou Dezembro, contribuíram em força para o movimento que trouxe o preço de níveis em torno de 1,0900, até aos 1,0800 onde terminou a semana.

Esta semana os olhos voltam a estar colocados no que se vai passar nos Estados Unidos.
Iremos ter os dados da inflação de Maio, onde as estimativas apontam para que se mantenha estável nos 3,4%, com os preços a nível mensal a subirem 0,2%. Se retirados os itens mais voláteis, como a alimentação e a energia, os preços deverão subir 0,3% a nível mensal, com a inflação subjacente a cair de 3,6% em Abril, para 3,5% em Maio.
Logo de seguida iremos ter a decisão do Fed e as projecções da FOMC. O mercado também não espera outro resultado que não seja a que o banco central norte-americano mantenha inalterada a sua taxa dos Fed funds no intervalo 5,25%-5,50%. Relativamente aos dot plot, a última actualização em Março manteve as projecções da FOMC para três cortes de taxas de juro até ao final do ano, num total de 75 pontos base, mas ficando perto de um ajustamento para apenas dois cortes. Com o endurecimento dos discursos dos diversos membros do FOMC desde aí, e com os dados económicos a continuarem a sinalizar uma economia forte, uma inflação ainda elevada e um mercado de trabalho robusto, poderemos ter desta vez um ajuste das projecções para dois cortes até ao final do ano.

O EUR/USD irá certamente continuar a ser impulsionado pela evolução dos mercados obrigacionistas e das respectivas yields, de mãos dadas com a evolução das expectativas de cortes de taxas.
Uma expectativa de mais cortes, irá ser acompanhada de yields em queda e de um dólar mais fraco, levando o EUR/USD a ganhos. O contrário também será verdade, ou seja, expectativa de menos cortes, mostrarão yields a subir, um dólar a ganhar e um EUR/USD a cair.

Em minha opinião, com as probabilidades (segundo a FedWatch Tool) a mostrarem de momento apenas um corte até ao final do ano, que poderá acontecer nas reuniões de Novembro ou Dezembro, mesmo uns dot plot a mostrarem a vontade dos membros do FOMC a cortarem por duas vezes até ao final do ano, poderá ser encarado como um sinal dovish pelo mercado, levando suporte ao EUR/USD. A actualização para um corte seria vista como um sinal hawkish, pressionando fortemente o EUR/USD. O manter de três cortes será visto como um sinal muito dovish.
Mas iremos ter dados da inflação antes destas projecções e decisões do Fed.
Anteriormente, números em linha com as estimativas levaram a crescentes expectativas de mais cortes de taxas e o mesmo poderá acontecer esta semana. Em conjunto com o cenário dovish dos dot plot poderemos continuar com um EUR/USD suportado.
Um número da inflação norte-americana acima das previsões colocará pressão no EUR/USD que vem pressionado pelos números do mercado de trabalho da semana passada.
Uma coisa é certa, a volatilidade vai continuar alta esta semana. Um resultado mais dovish poderá levar a um teste ao nível psicológico 1,1000. Já uma surpresa hawkish (dot plot a apontarem para um corte ou uma surpresa em alta na inflação) poderá levar o par de novo abaixo de 1,0700, com os mercados a olharem de novo para os mínimos do ano (1,0600).



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD voltou a semana passada a testar a linha de tendência descendente de mais longo prazo, mas terminou bem abaixo da mesma, assim como abaixo da Nuvem de Ichimoku semanal e ainda da linha da média móvel das 21 semanas revelando um aparente falso break da semana passada.

No gráfico semanal, nem o RSI nem o MACD continuam a mostrar qualquer momentum no par.

A vela desta última semana, depois da indefinição mostrada na semana anterior, dá um sinal bearish ao par, neste gráfico semanal.
A confirmação do break em baixo tanto da média móvel das 21 semanas (de momento a 1,0805), como da Nuvem de Ichimoku (1,0809), poderão sinalizar que a correcção do movimento máximo de finais de Dezembro de 2023 / mínimo deste ano poderá ter terminado. A confirmação deste break poderá vir com o quebrar do mínimo das últimas quatro semanas a 1,0766, com o EUR/USD a voltar à tendência descendente de mais longo prazo e com o mínimo do ano a 1,0600 de novo exposto.

Uma inversão do forte movimento descendente registado na semana que terminou, ultrapassando o máximo semanal a 1,0916, dará um forte sinal bullish, expondo o máximo de Março de 1,0980, antes do importante nível psicológico 1,1000.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.

O EUR/USD registou um momentum construtivo durante a semana passada que o levou até um novo máximo de mais de dois meses ao negociar acima de 1,0900 (1,0916), antes de recuar e terminar a semana em mínimos, e abaixo da média móvel dos 200 dias.

No gráfico diário, o RSI começa a semana abaixo da linha de 50 (45) e o MACD ainda positivo, mas com a linha do MACD a cruzar de forma descendente a linha de sinal, uma leitura globalmente neutra.

A forte rejeição dos máximos verificada na passada sexta-feira, poderá levar o EUR/USD a testar o suporte dado pela Nuvem de Ichimoku diária (1,0737/1,0782 de momento), abaixo da média móvel dos 200 dias (1,0812). O quebrar deste suporte levará o par a quebrar também a linha de tendência ascendente dos últimos meses, levando-o para a tendência descendente de mais longo prazo, expondo o mínimo deste ano a 1,0600.

Uma inversão do forte movimento descendente da passada sexta-feira, começará por encontrar resistência na média móvel dos 21 dias, de momento a 1,0853. Se ultrapassado, ficará exposto o máximo da semana passada a 1,0916, que se por sua vez ultrapassado poderá sinalizar o break da área de consolidação alargada que o EUR/USD tem registado nas últimas semanas entre 1,0800 e 1,0900.


Resistências - Suportes

1,0853 - 1,0782

1,0916 - 1,0713

1,1000 - 1,0600



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