Semana Revista
Entre Sintra e eleições

Semana Revista Entre Sintra e eleições

Uma semana em que os mercados estiveram de olhos postos no que se passava em Sintra e nas eleições em França e Reino Unido, onde pelo meio enfrentaram dados da inflação na Zona Euro e do emprego nos Estados Unidos.

Fórum Anual de Bancos Centrais em Sintra: A semana teve início com o Fórum Anual de Bancos Centrais em Sintra. O evento proporcionou um palco para debates sobre os principais desafios económicos globais, incluindo a inflação e as perspectivas de crescimento.
Eleições em França e no Reino Unido: Em França, a primeira volta das eleições legislativas resultou na vitória do partido RN de Marine Le Pen, conforme previsto. No entanto, as projecções indicam que a segunda volta, a ser realizada neste fim-de-semana, provavelmente não concederá ao partido a maioria absoluta necessária para implementar seu programa de governo. Em contraste, o Partido Trabalhista obteve um triunfo significativo nas eleições do Reino Unido.
Destaques da Agenda Económica: A inflação na Zona Euro e os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos ocuparam o centro das atenções na agenda económica desta semana.




Em Sintra, no Fórum Anual de Bancos Centrais do BCE, o grande tema esteve em torno do caminho da inflação e dos cortes de taxas de juro, tanto na Zona Euro como nos Estados Unidos, e em ambos os casos primou a cautela.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, manteve a cautela em relação à inflação, afirmando que ainda não há provas suficientes de que a ameaça diminuiu. Essa postura foi corroborada por Pierre Wunsch, membro do Conselho do BCE, que condiciona o apoio a novos cortes nas taxas de juro a uma clara trajectória de retorno da inflação à meta de 2%.
Apesar da cautela em relação à inflação, os comentários dos membros do BCE sugerem uma possível flexibilização da política monetária nos próximos meses. Wunsch, por exemplo, considera os primeiros cortes nas taxas relativamente fáceis, desde que a inflação se mantenha em torno de 2,5%.
Na Zona Euro, a principal preocupação reside na inflação dos preços dos serviços, enquanto nos Estados Unidos, a medida preferida da Reserva Federal não apresentou aumento em Maio. O presidente da Fed, Jerome Powell, demonstrou optimismo, afirmando que os Estados Unidos estão de volta a um "caminho desinflacionário". No entanto, o Fed procura maior clareza e confirmação de que a inflação está de facto em queda sustentável para os 2% antes de iniciar uma política de flexibilização.





O Rassemblement National de Marine Le Pen teve um resultado em linha com o esperado na primeira volta das eleições parlamentares francesas. Venceram com cerca de 33% dos votos, à frente da frente de esquerda com 28% e da aliança de Macron com 21%. Em 485 dos 577 distritos, o RN e os seus aliados venceram de imediato ou chegaram à segunda volta deste fim-de-semana. Em mais de metade dos distritos, poderia ser, em teoria, uma corrida a três, mas com a desistência dos candidatos menos votados, a favor da candidatura de oposição ao RN, torna a segunda volta numa corrida a dois, tentando barrar a possibilidade de uma maioria absoluta do partido de Marine Le Pen.
O resultado mais provável da segunda volta deste Domingo será o de um parlamento dividido, com uma maioria numerosa, mas não absoluta, para o Rassemblement National.

Após 14 anos de governo do Partido Conservador, o Partido Trabalhista liderado por Keir Starmer obteve uma vitória esmagadora nas eleições gerais de 2024.
Os trabalhistas garantiram a maioria absoluta, conquistando mais de 400 de um total de 650 lugares na Câmara dos Comuns, assegurando uma maioria comparável à que Tony Blair alcançou em 1997. Por outro lado, o Partido Conservador sofreu uma derrota significativa, obtendo cerca de 120 lugares, o pior resultado de que há registo. Os resultados estiveram totalmente em linha com as expectativas.
Os eleitores expressaram claramente o desejo por mudança após os últimos anos terem sido marcados por escândalos e demissões.
No seu discurso de vitória, Keir Starmer apelou ao “fim da política de desempenho e ao regresso à política como serviço público.”
Espera-se agora que o próximo governo trabalhista adopte uma postura mais cooperativa em relação à União Europeia, com resultados positivos para a economia do Reino Unido e para os activos do país, impulsionando o crescimento.





Na agenda económica da semana destacavam-se dois pontos, a divulgação do Índice de Preços do Consumidor na Zona Euro e a dos dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos.
A inflação da Zona Euro foi o primeiro ponto a ser divulgado. Os números mostraram-se relativamente em linha com as estimativas do mercado, com a inflação subjacente anual ligeiramente acima do estimado (2,9% face a 2,8%).
O segundo ponto da agenda foi o do mercado de trabalho norte-americano. Os números foram mistos, com a criação de novos postos de trabalho acima do esperado (e de 200 mil), onde também a taxa de desemprego saiu acima do esperado (4,1% face a 4%). Os mercados terminaram a semana com as probabilidades a aumentarem relativamente a dois cortes de taxas de juro por parte do Fed ainda para este ano.





Esta semana os mercados tiveram acesso às minutas das últimas reuniões da Reserva Federal dos Estados Unidos e do Banco Central Europeu.

As minutas da última reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos mostraram que os membros do FOMC, na última reunião de política monetária reconheceram que a economia norte-americana parece estar a abrandar e que "as pressões sobre os preços a diminuir", mas ainda aconselham uma abordagem cautelosa, de esperar para ver, antes de se comprometerem com cortes nas taxas de juro.
As minutas apontaram em particular uma leitura fraca no índice de preços do consumidor de Maio como um entre "uma série de desenvolvimentos nos mercados de produtos e de trabalho" que suportam a ideia de que a inflação estará a cair.
As autoridades monetárias "não acharam que fosse apropriado reduzir o intervalo-alvo para a taxa dos fundos federais até que surjam informações adicionais para lhes dar maior confiança de que a inflação esteja a mover-se de forma sustentável em direcção à meta de 2%", referem as minutas, dizendo ainda que "alguns participantes" sublinharam a necessidade de paciência antes de cortar as taxas, e "vários" citaram a possível necessidade de aumentar ainda mais as taxas se a inflação ressurgir.

As minutas da reunião de política monetária do Banco Central Europeu em Junho mostraram que o conselho de governadores levantou algumas dúvidas sobre se a recuperação da Zona Euro ocorreria como esperado, uma vez que dependia de uma recuperação do consumo privado para a qual ainda não havia provas convincentes nos dados económicos divulgados.
Além disso, alguns membros consideraram que os dados disponíveis não aumentaram a sua confiança de que a inflação convergiria para a meta de 2% até 2025, apontando, em vez disso, para uma maior incerteza nas perspectivas.
O BCE baixou as suas taxas de juro directoras em 25 pontos base em Junho, uma alteração após nove meses de taxas estáveis. No entanto, sublinhou que manterá uma abordagem dependente de dados e reunião a reunião e que não deverá haver qualquer compromisso prévio com uma trajectória de taxa específica. O conselho de governadores continua também determinado em garantir que a inflação regressa de forma sustentável ao objectivo do banco central de 2% e em tempo útil e afirmaram que manteriam as taxas directoras suficientemente restritivas durante o tempo que for necessário para o alcançar.



Dados Económicos




Nos Estados Unidos tivemos uma semana bem preenchida de dados económicos relevantes, onde ainda houve tempo para um feriado pelo meio, o do Dia da Independência.
Como sempre na primeira semana do mês, o destaque foi obrigatoriamente para os dados do mercado de trabalho. O número de novos postos de trabalho (os nonfarm payrolls) surpreenderam em alta, com a criação de 206 mil novos postos de trabalho no mês de Junho, face a cerca de 190 mil esperados, depois dos 218 mil (revistos em baixo de 272 mil) do mês anterior. A taxa de desemprego também surpreendeu os mercados, mas em alta, subindo de 4,0% do mês anterior e estimado pelo mercado, para 4,1%. Já em linha com as estimativas esteve o crescimento salarial que mostrou um aumento de 0,3%, recuando dos 0,4% do mês de Maio.
Anteriormente, o número do emprego privado ADP tinha mostrado a criação de 150 mil novos postos de trabalho, em torno das estimativas que apontavam para 152 mil, e o número de vagas de emprego mostrou um aumento de 220.000 em relação ao mês anterior, de 7,92 milhões para 8,140 milhões, acima do número estimado de 7,86 milhões.
As atenções estiveram também focadas na divulgação dos dados de actividade económica do ISM. Tanto o índice de actividade industrial como o do sector de serviços registaram quedas inesperadas. O PMI manufactureiro caiu de 48,7 para 48,5, face a uma subida esperada para 49,2, enquanto o PMI de serviços afundou para 48,8 de 53,8 no mês passado, contra um recuo esperado para 52,6, registando a pior leitura desde Abril de 2020.
Os números finais dos PMIs da S&P Global mostraram ligeiros acertos, com o PMI manufactureiro a ser revisto em baixo de 51,7 para 51,6 e o de serviços a ser revisto em alta, de 55,1 para 55,3.
Tivemos o índice de Optimismo Económico RCM/TIPP que subiu de 40,5 para 44,2, superando as estimativas do mercado de 41,2.
Os gastos com construção caíram 0,1%, após um aumento revisto em alta de 0,3% no mês anterior e contrariando as previsões do mercado de um aumento de 0,1%.
As encomendas às fábricas em Maio caíram 0,5%, anulando o aumento revisto em baixo de 0,4% no mês anterior e contrariando as estimativas que apontavam para um aumento de 0,2%.
Os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego aumentaram ligeiramente de 234 mil da semana anterior para 238 mil.

Na Zona do Euro as atenções esta semana encontraram-se nos dados da inflação.
Em termos mensais, os preços aumentaram em Junho 0,2%, em linha com o estimado pelo mercado. A inflação anual caiu de 2,6% para 2,5%, também tal como previsto pelos mercados e a inflação subjacente a manter-se nos 2,9%, contrariando previsões para uma queda para os 2,8%.
Depois dos dados, relativamente em linha com o esperado, na semana anterior em Espanha, França e Itália, antes dos dados agregados na Zona Euro, os dados na Alemanha saíram abaixo do estimado, com a inflação global a cair de 2,8% para 2,5% e a inflação subjacente de 2,4% para 2,2%.
O Índice de Preços do Produtor na Zona Euro caiu 0,2% a nível mensal, uma queda maior do que a estimada de 0,1%, mas abaixo da do mês anterior de 1%.
A taxa de desemprego manteve-se no mínimo histórico de 6,4%.
As vendas a retalho aumentaram em Maio 0,1%, abaixo dos 0,2% estimados pelo mercado, e recuperando parcialmente da queda de 0,2%, revista em baixo, do mês anterior.
Esta semana tivemos ainda os dados finais dos PMIs industriais e de serviços, ambos revistos em alta, com o primeiros a subirem de 45,6 para 45,8 e os segundos de 52,6 para 52,8.
Na Alemanha, as encomendas às fábricas caíram 1,6% em Maio, contrariando as estimativas que apontavam para um aumento de 0,7%, depois de uma queda registada no mês anterior, revista em alta, de 0,6%.
Tivemos também dados da produção industrial na Alemanha e em França, ambos os países a desapontarem os investidores com fortes quedas inesperadas. A Alemanha mostrou uma queda de 2,5%, contrariando um aumento esperado de 0,2%, enquanto em França caiu 2,1%, superando largamente a queda estimada pelos mercados de 0,6%.
Em Itália, as vendas a retalho aumentaram 0,4%, acima do aumento esperado de 0,2%, recuperando da queda de 0,1% registada no mês anterior.

No Reino Unido a semana começou com a divulgação do índice de preços das casas da Nationwide que aumentou 0,2% em termos mensais, abaixo do aumento de 0,4% do mês anterior, mas acima de uma leitura estável esperada. Em termos anuais o índice mostrou um aumento em Junho de 1,3%, acima dos 1,1% esperados pelo mercado.
Já o índice da Halifax de preços de imóveis mostrou uma queda mensal nos preços de 0,2%, contrariando o aumento estimado de 0,2%.
Tal como esperado, a aprovação de hipotecas manteve-se praticamente inalterada em 60 mil.
O valor líquido dos empréstimos a particulares caiu de 3,0 mil milhões de libras revistas em baixo, para 2,7 mil milhões, contrariando as estimativas que apontavam para 3,3 mil milhões de libras.
O PMI de construção do S&P Global caiu para 52,2, face aos 54,7 de Maio, abaixo das previsões de 54,0.
O PMI manufactureiro foi revisto em baixo de 51,4 para 50,9, enquanto o de serviços foi revisto em alta, de 51,2 para 52,1.

No Canadá o destaque esteve também nos dados do mercado de trabalho, que surpreenderam negativamente os mercados, com a taxa de desemprego a aumentar de 6,2% para 6,4%, acima dos 6,3% previstos, com o número de postos de trabalho a mostrar uma queda de 1.400, contrariando as estimativas que apontavam para um aumento de 24,5 mil novos postos de trabalho.
O índice Ivey PMI superou as expectativas, disparando de 52,0 para 62,5, face a 53 estimado pelo mercado. O PMI industrial do S&P Global manteve-se estável nos 49,3.
A balança comercial mostrou um défice de 1,9 mil milhões de dólares canadianos, contrariando estimativas que apontavam para uma redução no défice para 800 milhões, depois de um défice de 1,3 mil milhões de dólares canadianos, revisto em alta.

Na Suíça as atenções voltaram-se de novo para os dados da inflação, que abrandou inesperadamente em Junho. Em termos mensais, o Índice de Preços do Consumidor estagnou, ficando abaixo de um aumento esperado dos preços em 0,2% e depois dos 0,3% no mês anterior. A inflação anual desceu de 1,4% para 1,3%. A inflação subjacente caiu de 1,2% em Maio para 1,1% em Junho.
A taxa de desemprego manteve-se inalterada nos 2,3%.
As vendas a retalho aumentaram 0,4% em termos homólogos em Maio, abrandando de um aumento revisto em baixa de 2,2% no mês anterior e desiludindo as previsões do mercado de um aumento de 2,5%.
O PMI manufactureiro caiu inesperadamente de 46,4 para 43,9, bem abaixo das estimativas que apontavam para uma queda para 45,1.

Na China foi semana de PMIs, com a actividade de serviços a mostrar um recuo inesperado e a actividade industrial a sair em linha com as estimativas do mercado.
O PMI oficial manufactureiro saiu em linha com o estimado e com o mês anterior a 49,5, continuando em terreno de contracção, enquanto o PMI da Caixin subiu ligeiramente dos 51,7 do mês anterior, para 51,8, acima das estimativas que apontavam mesmo para um ligeiro recuou para 51,5.
Já tanto o PMI de serviços oficial como o da Caixin, apesar de se manterem em terreno de expansão, recuaram das leituras anteriores e situaram-se abaixo das estimativas. O PMI oficial recuou de 51,1, e do estimado pelo mercado, para 50,5, enquanto o da Caixin caiu de 54 para 51,2, bem abaixo das estimativas que apontavam para 53,4.

No Japão as atenções começaram logo por estar nos índices Tankan do Banco do Japão que mostraram que a confiança na indústria melhorou mais do que o esperado, com a confiança dos grandes industriais a subir de 11 para 13, ficando acima dos 11 estimados. Já a confiança das empresas de serviços recuou marginalmente, com o índice a baixar de 34 para 33, em linha com o estimado pelo mercado.
O PMI manufactureiro do Jibun Bank foi revisto muito ligeiramente em baixo, de 50,1 para 50,0.
O índice de confiança do consumidor subiu, em linha com o estimado, de 36,2 para 36,4.
A despesa das famílias caiu inesperadamente 1,8% em Maio, contrariando as previsões que apontavam para um aumento de 0,2%, depois do aumento de 0,5% no mês anterior.

Na Austrália as atenções estiveram especialmente colocadas nos números das vendas a retalho que superaram as estimativas do mercado ao aumentarem 0,6% em Maio, acima do estimado de 0,3% e do mês anterior de 0,1%.
Logo no início da semana o indicador das vagas de emprego do ANZ mostrou uma queda de 2,2%, maior do que a queda revista em baixo do mês anterior de 1,9% e das estimativas que apontavam para –1,2%.
O número de licenças de construção aumentou em 5,5%, bem acima do aumento esperado de 1,8%, bem acima do aumento revisto em alta de 1,9% do mês anterior.
Os números da balança de bens do mês de Maio, mostraram que o excedente comercial reduzir dos 6,03 mil milhões de dólares australianos revistos em baixo no mês anterior, para 5,77 mil milhões, ficando ainda abaixo dos 6,68 mil milhões de dólares australianos, com as exportações a crescerem menos do que as importações.


Os Bancos Centrais



O Banco Nacional da Polónia
O banco central polaco manteve a sua taxa de referência inalterada pela nona reunião consecutiva a 5,75% em Julho, em linha com as expectativas do mercado. As taxas Lombard e de Depósito foram também mantidas em 6,25% e 5,25%, respectivamente.


Mercados accionistas



A segunda metade deste ano de 2024 começou com os mercados accionistas a negociarem, na sua grande maioria, em ganhos significativos.
As expectativas de cortes de taxas de juro continuam a crescer, e as yields obrigacionistas a caírem, aumentando a confiança dos investidores numa maior recuperação económica, impulsionando os preços das acções.

Ásia
No Japão, os principais índices accionistas registaram ganhos significativos, ajudados por um iene mais fraco. O índice Nikkei ganhou esta semana 3,31% e o Topix 2,65%.
Na China, com o mercado imobiliário a continuar pressionado e com as tensões comerciais a aumentarem com o Ocidente, os índices continentais acabaram por registar perdas durante esta semana. O índice CSI 300 recuou 0,88% e o Shanghai Composite 0,59%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,60%.
Na Austrália, o índice ASX 200 avançou esta semana 0,71%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul ganhou 2,30%.
Na Índia, o índice Nifty 50 ganhou 1,30%.

Na Europa, mesmo com os mercados entre as duas voltas das eleições francesas e uma mudança de conservadores para trabalhistas no Reino Unido, as acções conseguiram terminar a semana em ganhos relevantes.
O índice Euro Stoxx 600 ganhou 1,01% e o Euro Stoxx 50 1,72%.
Na Alemanha, o índice DAX ganhou 1,24%, enquanto o CAC 40, de França, liderou os ganhos na Europa ao subir 2,62%.
No Reino Unido, o índice FTSE 100 avançou 0,49%.

Nos Estados Unidos, o optimismo de Jerome Powell em Sintra em torno do processo de desinflação nos Estados Unido levou a um aumento de expectativas relativamente a cortes de taxas de juro. Os dados de actividade económica do ISM ajudaram a cimentar essas expectativas. As yields obrigacionistas caíram e impulsionaram o preço das acções, principalmente as do sector tecnológico.
O índice Dow Jones avançou nesta primeira semana de Julho 0,66%, o S&P 500 1,95%, enquanto o Nasdaq liderou os ganhos ao subir 3,49%.

Em Portugal, o PSI terminou esta semana a ganhar 3,06%, superando os seus pares na Europa.

Gráfico Fonte XTB xStation 5


Mercado cambial



Se a primeira metade deste ano começou com as expectativas de cortes de taxas de juro nos Estados Unidos a caírem, a segunda metade começou com as mesmas a começarem a aumentar de novo.
Numa semana de volumes mais reduzidos, com o feriado do Dia da Independência pelo meio, as yields obrigacionistas recuaram, o dólar caiu, dando algum alívio aos mercados emergentes e ao iene japonês.

O dólar norte-americano acabou pressionado com os mercados obrigacionistas a ganharem e as yields a caírem. Nem mesmo os dados mistos do mercado de trabalho no último dia da semana trouxeram algum suporte ao dólar.
O índice DXY começou a semana a negociar a 105,40 e ainda atingiu um máximo a 105,75, mas terminou em mínimos a 104,50.

O euro começou a semana a recuperar das perdas da semana anterior, depois dos resultados da primeira volta das eleições francesas terem afastado uma vitória do partido de extrema-esquerda, mais disruptivo para o projecto europeu e para a moeda única. O spread entre a dívida francesa face à alemã caiu dos máximos registados na semana anterior, trazendo algum suporte ao euro.
O EUR/USD começou a semana a negociar a 1,0744, depois de ter fechado a semana anterior a 1,0711. O preço ainda chegou a atingir um mínimo a 1,0710, mas terminou a semana a negociar em máximos a 1,0842.

A libra acabou a semana a negociar em ganhos, com os investidores a receberem com agrado a vitória dos trabalhistas nas eleições desta semana. O GBP/USD terminou a semana em máximos, acima de 1,2800 (1,2815) pela primeira vez nos últimos quatro meses, depois de a ter iniciado a 1,2656 e chegado ainda a registar um mínimo a 1,2615.
O EUR/GBP terminou perto dos mínimos a 0,8459, depois de ter começado a semana a negociar a 0,8485 e ainda ter atingido um máximo a 0,8500.

O iene japonês continua na sua inexorável caminhada para o abismo, registando mínimo atrás de mínimo, semana após semana. Acabou por terminar a semana a recuperar algum (pouco) do muito espaço perdido, ajudado por um dólar a recuar e por um alívio das yields obrigacionistas norte-americanas.
O USD/JPY começou a semana a negociar a 160,73 para terminar em torno desse nível (160,76), depois de ter registado um novo máximo dos últimos 38 anos, ao negociar a 161,95.
O EUR/JPY terminou a 174,28, perto do máximo da semana e dos últimos 32 anos de 174,51, depois de ter iniciado a semana em mínimos a 172,70.

O franco suíço voltou esta semana a negociar em perdas, continuando a recuar dos fortes ganhos de há um mês. O preço do franco suíço registou perdas face ao euro e ganhos face ao dólar.
Depois do corte de taxas de juro por parte do seu banco central, esta semana os dados da inflação voltaram a surpreender em queda, proporcionando a possibilidade de novo corte de taxas de juro na próxima reunião em Setembro, ou na seguinte de Dezembro.
O EUR/CHF começou a semana a negociar em mínimos a 0,9634, para chegar a atingir um máximo de 0,9755, terminando a recuar desse máximo a negociar a 0,9710.
O USD/CHF terminou a semana em mínimos a 0,8956, depois de ter começado a semana a negociar a 0,8970 e ter atingido um máximo de 0,9050.

Nos mercados emergentes, depois das recentes perdas a moeda que mais valorizou foi o real brasileiro, ganhando cerca de 2,3% face ao dólar e 0,8% face ao euro. Em perdas esteve de volta a lira turca, que ficou praticamente inalterada face ao dólar, mas perdeu cerca de 1,1% face ao euro.

Gráfico Fonte XTB xStation 5


Commodities



Petróleo

Os mercados petrolíferos registaram a quarta semana consecutiva de ganhos.
Desde o aumento das tensões no Médio Oriente, desta vez devido à escalada do conflito de Israel com o Hezbollah, ao início prematuro da época de furacões no Atlântico e ainda pela forte redução dos inventários semanais de crude norte-americano, até ao início de uma época de férias de Verão que leva a um aumento da procura, assim como a expectativas crescentes de taxas de juro mais baixas que podem estimular essa procura, os preços do petróleo continuam a tendência das últimas semana, avançando esta semana cerca de 2%.

O Brent começou a semana a negociar em mínimos a $85,10 por barril, para terminar a $86,65, recuando do máximo da semana a $87,95.
Também o WTI negociou em alta, com o preço a recuar no último dia da semana do máximo da semana de $84,50, para terminar a $83,15, depois de ter começado a semana a negociar em mínimos a $81,40.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



Ouro

Se ao seu papel de activo de refúgio entre a actual turbulência geopolítica global, juntarmos uma semana onde vimos perdas no dólar e nas yields obrigacionistas, temos a receita ideal para novos ganhos do preço do ouro, que terminou uma semana positiva, avançando esta semana cerca de 2,5%.

A onça de ouro começou a semana a negociar a $2 323,25, perto de mínimos, para terminar perto do máximo da semana de $2 393,00, a $2 389,00.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



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