A semana que começa
Mais inflação, J. Powell e Resultados

A semana que começa Mais inflação, J. Powell e Resultados

Temos pela frente mais uma época de resultados que começa esta semana, onde teremos mais dados sobre os preços nos Estados Unidos e ainda Jerome Powell a testemunhar no Congresso.

Mais uma vez a semana começará com a divulgação dos resultados eleitorais em França, desta vez da segunda volta, para terminar com mais resultados, desta vez dando início a uma nova época de apresentação de resultados empresariais.
Olhos e ouvidos estarão ainda nos dados da inflação nos Estados Unidos e no testemunho de Jerome Powell no Congresso dos Estados Unidos.




Independentemente do partido que sair vencedor das eleições parlamentares francesas deste Domingo, alguns investidores acreditam que a votação marca o início de um período mais turbulento para os mercados accionistas e obrigacionistas do país. O mercado está cada vez mais confiante de que o pior cenário, uma maioria absoluta na câmara baixa de França para o partido de extrema-direita de Marine Le Pen, será evitado. Ainda assim, a alternativa é o impasse. O partido União Nacional e os seus aliados, segundo as últimas sondagens, estão a caminho de conquistar entre 190 e 220 dos 577 lugares na Assembleia Nacional. Isto será significativamente inferior aos 289 que lhe permitiriam aprovar facilmente projectos de lei e avançar com a sua agenda governativa.

Caso as sondagens se confirmem, os mercados irão estar atentos às possíveis alianças que se irão formar no parlamento, a partir dos próximos dias. Embora a formação de coligações de partidos muito diferentes continue a ser difícil de imaginar para o eleitorado francês, um grupo que reúna moderados eleitos de esquerda, de centro e de direita poderá tentar formar uma maioria relativa. O presidente Macron poderia então nomear, já na próxima semana, um novo primeiro-ministro que seria uma figura consensual. Se, por outro lado, este processo demorar muito tempo, o actual primeiro-ministro Gabriel Attal teria de permanecer interinamente.
Caso as sondagens não se confirmem e o Rassemblement National obtiver a maioria absoluta, Emmanuel Macron será obrigado a nomear Jordan Bardella como primeiro-ministro. Neste caso, podemos esperar grandes perturbações na economia francesa, incluindo potencialmente greves, manifestações e protestos em resposta a este resultado.





Em termos de dados económicos, os mercados irão estar especialmente atentos ao relatório dos preços no consumidor nos Estados Unidos. No mês passado, retirados os itens mais voláteis da energia e da alimentação, os preços mostraram finalmente um aumento mensal de 0,2%, após leituras de 0,4% e 0,3% nos seis meses anteriores. Estas leituras eram demasiado elevadas para que a Fed visse como possível cortes nas suas taxas de juro, mas se conseguirmos ver mais duas ou três leituras de 0,2% nos próximos meses, o Fed poderá começar a ter a tal confiança de que a inflação está de volta na direcção da meta de 2%. Os mercados estão a prever nova leitura de 0,2% o que poderá levar a um aumento das expectativas de mercado de cortes de taxas de juro por parte do Fed.





Voltamos esta semana a ouvir Jerome Powell, desta vez no Congresso dos Estados Unidos.
Na semana passada em Sintra, o presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos mostrou-se mais optimista do caminho da inflação para a meta dos 2%, mas ainda assim sublinhou que o banco central precisa de ver mais melhorias e um arrefecimento geral na actividade económica antes de considerar seriamente a redução das taxas de juro.
Esta semana Powell irá testemunhar sobre a publicação do Relatório de Política Monetária ao Congresso, primeiro perante o comité bancário do Senado e depois perante o comité de serviços financeiros da Câmara de Representantes. O mercado está à espera que Powell continue com a mesma dialéctica, mantendo provavelmente aberta a perspectiva de um primeiro corte de taxas de juro em Setembro, tal como segue já descontado pelo mercado.





Esta semana começa uma nova época de resultados empresariais que, como sempre, o pontapé de saída é dado pelos maiores bancos norte-americanos como o JPMorgan Chase, o Citigroup, o Wells Fargo e ainda o Bank of New York Mellon, onde ainda poderemos contar com a apresentação da Pepsico.


Dados Económicos



Estados Unidos da América
Uma semana um pouco mais tranquila relativamente a dados económicos, do que as anteriores, mas ainda assim com a divulgação dos importantes números da inflação do mês de Junho.
Os mercados estimam que os preços em Junho mostrem uma subida de 0,1%, depois da leitura estável do mês anterior, com a inflação anual a cair de 3,3% para 3,1%. A inflação subjacente deverá, segundo as previsões, manter-se nos 3,4%, com os preços a nível mensal a continuarem a subir ao ritmo do mês anterior de 0,2%.
O Índice de Preços do Produtor também será conhecido esta semana, onde os mercados esperam ver um aumento dos preços à porta das fábricas de 0,1%, depois da queda dos preços de 0,2% no mês anterior.
Sob o olhar atento dos mercados irão estar também os dados da Universidade de Michigan. O índice de confiança do consumidor deverá, segundo as estimativas, recuar dos 68,2 do mês anterior, para 67,0, as expectativas de inflação a um ano a manterem-se nos 3% e a caírem de 3% para 2,9% a cinco anos.
Iremos ter também dados do crédito ao consumo, que depois dos 6,4 mil milhões de dólares no mês anterior, deverão mostrar um aumento para 10,7 mil milhões de dólares, em Junho.
Teremos ainda o índice NFIB de pequenas empresas, com as estimativas a apontarem para uma queda de 90,5 para 89,2 e os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, onde as estimativas apontam para que se possam manter em torno dos recentes 236 mil pedidos.

Zona Euro
Esta semana será bastante despida de indicadores económicos, onde o destaque vai para o índice de confiança do investidor da Sentix, com as previsões a apontarem para um recuo de 0,3 para -0,6.
Iremos ter os números finais da inflação na Alemanha e em França, os números da balança comercial na Alemanha e ainda a produção industrial em Itália.

Reino Unido
O destaque da semana vai para os números do PIB do mês de Maio, com as previsões a apontarem para um crescimento de 0,2%, depois da estagnação do mês anterior.
As atenções irão estar também na divulgação dos dados da produção industrial, onde as estimativas apontam para um aumento de 0,3%, recuperando parcialmente da queda de 0,9% do mês anterior.
Teremos também os dados da balança comercial de bens, com as previsões a apontarem para uma diminuição do défice de 19,6 mil milhões de libras em Abril, para 16,1 mil milhões de libras em Maio.
Iremos ter ainda as vendas a retalho like-for-like do BRC (British Retail Consortium), onde as estimativas apontam para um crescimento de 0,2%, desacelerando dos 0,4% mostrados no mês anterior.

Canadá
Uma semana praticamente vazia de indicadores económicos, de assinalar apenas os dados das licenças de construção que, segundo as estimativas, deverão mostrar uma queda de 5%, depois do aumento de 20,5% no mês anterior.

China
Esta semana teremos os dados da inflação, onde as previsões apontam para que o Índice de Preços do Consumidor de Junho aumente de 0,3% para 0,4% em termos anuais, com os preços a nível mensal a ficarem estáveis, depois de uma queda de 0,1% no mês de Maio.
O Índice de Preços do Produtor deverá mostrar uma queda de 0,8%, desacelerando da queda de 1,4% do mês anterior.
Iremos ter ainda os dados da balança comercial do mês de Junho, onde as estimativas apontam para um aumento do excedente comercial de 82,6 mil milhões de dólares, para 85,1 mil milhões, com as exportações a aumentarem 8% e as importações 2,9%.

Japão
Teremos os dados do crescimento médio salarial, onde as estimativas apontam para um aumento de 2,1%, depois de 1,6% no mês anterior.
A conta corrente do mês de Maio deverá, segundo as previsões, cair de 2,52 triliões de ienes para 2,1 triliões.
O índice da confiança dos observadores económicos deverá mostrar uma subida de 45,7 para 46,1.
Os dados preliminares da encomenda de maquinaria deverão mostrar uma desaceleração dos 4,2% do mês passado para 2,3%.
O Índice de Preços do Produtor deverá, segundo as estimativas, mostrar uma subida anual de 2,9%, acelerando dos 2,4% do mês anterior.

Nova Zelândia
Iremos ter dados da chegada de visitantes e o índice manufactureiro BusinessNZ que deverá mostrar uma queda de 47,2 para 46,8.

Austrália
Teremos também uma semana bastante tranquila por aqui, onde iremos ter a divulgação do índice de confiança do consumidor Westpac que deverá cair de 83,6 para 83,4 e o índice de confiança empresarial NAB que deverá cair de -3 para -5.
Iremos ter ainda a expectativa de inflação do Melbourne Institute que deverá mostrar uma subida de 4,4% para 4,5%.


Bancos Centrais



The Reserve Bank of New Zealand
Os mercados esperam que o banco central neozelandês mantenha a sua política monetária inalterada, com a sua taxa directora nos 5,5%, nível que se mantém desde Maio de 2023.

O Banco da Coreia
O banco central da Coreia do Sul deverá manter inalterada a sua taxa de juro directora nos 3,5%, pela décima segunda vez consecutiva.


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