EUR/USD
Semanal

O EUR/USD volta a ganhar protagonismo num verão que promete tudo menos calma
A tão aguardada tranquilidade estival nos mercados financeiros foi abruptamente interrompida por uma semana de forte volatilidade no EUR/USD, precisamente no momento em que se esperava que a liquidez reduzida proporcionasse alguma estabilidade. Ao invés disso, o par registou oscilações significativas, impulsionado por um conjunto de factores macroeconómicos e políticos, deixando a dúvida no ar: terão os mercados direito a férias este ano?
O que inicialmente parecia ser um catalisador positivo – o novo acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia – rapidamente se revelou um factor de pressão para a moeda única. A reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos trouxe poucas surpresas em termos de decisão (as taxas permaneceram inalteradas), mas o discurso do presidente Jerome Powell acabou por surpreender pelo seu tom “hawkish”, ao afirmar que as tarifas comerciais não justificam, por agora, uma subida de juros. Este tom reforçou o dólar e pesou adicionalmente no euro.
A divergência entre as economias das duas margens do Atlântico ficou bem patente nos dados do PIB do segundo trimestre. A Zona Euro registou um crescimento de apenas 0,1% (ainda assim ligeiramente acima das expectativas), enquanto os Estados Unidos surpreenderam com um robusto avanço de 3%. Esta diferença acentuada, aliada a dados sólidos do mercado laboral privado norte-americano, empurrou o EUR/USD para mínimos da semana, abaixo de 1,1400.
No entanto, os dados oficiais do relatório de emprego (nonfarm payrolls) de sexta-feira vieram alterar o rumo. A criação de apenas 73 mil postos de trabalho em Julho ficou muito aquém das expectativas, mas foi a revisão em baixa dos meses anteriores que mais impactou: menos 258 mil empregos somados entre Maio e Junho. Os números revistos foram particularmente expressivos — os 147 mil empregos reportados em Junho afinal foram apenas 14 mil; em Maio, os 144 mil iniciais passaram a 19 mil.
A reacção dos mercados foi imediata, com o EUR/USD a recuperar de forma vigorosa, atingindo máximos próximos de 1,1600 e encerrando a semana em torno de 1,1565. Esta deterioração inesperada do mercado de trabalho norte-americano levou a uma reavaliação das expectativas quanto à política monetária do Fed, com os mercados a atribuírem agora uma probabilidade de cerca de 80% a um corte de juros já na reunião de Setembro, um salto considerável face aos 40% antes da divulgação dos dados.
A semana que agora começa apresenta uma agenda macroeconómica esvaziada de dados de primeira linha, pelo que a atenção deverá recair sobre o subíndice de emprego do ISM de serviços e sobre os habituais pedidos semanais de subsídio de desemprego. Qualquer sinal de fragilidade acrescida no mercado laboral poderá continuar a pesar sobre o dólar e, consequentemente, favorecer o EUR/USD.
No plano político, Donald Trump não perdeu tempo a reagir aos números negativos do emprego. Ao invés de reconhecer a desaceleração evidente no mercado de trabalho, optou por atacar o Bureau of Labor Statistics (BLS), exigindo mesmo a demissão da comissária Erika McEntarfer. Esta postura insere-se num padrão de comportamento já visível nas constantes críticas à Reserva Federal e ao seu presidente, Jerome Powell. A tentativa de instrumentalização política de instituições tradicionalmente independentes poderá ter consequências sérias, sobretudo ao nível da confiança nos dados económicos oficiais, como já alertaram alguns analistas.
Em minha opinião, num contexto de menor liquidez e com muitos investidores ausentes, qualquer surpresa – seja de natureza económica ou política – poderá amplificar os movimentos do mercado. O tema do mercado de trabalho deverá continuar a marcar o tom nas próximas semanas, e tudo indica que os mínimos da semana passada possam ter representado um suporte relevante no curto prazo para o EUR/USD, antecipando-se agora um intervalo de negociação entre 1,1500 e 1,1800, até que surja um novo factor catalisador.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD desenhou a semana passada uma vela bearish, ao cair dos máximos perto de 1,1800, até a um mínimo abaixo de 1,1400, bem perto do objectivo de uma correcção mais ampla a 1,1357.
No gráfico semanal, o RSI e o MACD, continuam com um momentum positivo no par, mas claramente a abrandar com o RSI mais perto da linha de 50.
O EUR/USD terminou a semana a negociar a 1,1569, após a ter iniciado a 1,1753 e ter recuperado de um mínimo a 1,1391. Ao terminar abaixo dos mínimos das últimas quatro semanas, constitui um sinal bearish.
O par necessita de ultrapassar os 1,1790, onde começou a correcção no início de Julho, para poder dar força ao par para um teste ao actual máximo do ano a 1,1830, que se por sua vez ultrapassado poderá levar o EUR/USD a atingir o primeiro objectivo da projecção Fibonacci do movimento mínimo 2025 (1,0177) / máximo de Abril a 1,1573 / mínimo de Maio a 1,1065 (61,8%), a 1,1928, antes da referência psicológica dos 1,2000.
O quebrar do mínimo da semana passada a 1,1391, irá manter o par na correcção a que voltou a negociar na semana passada. Irá ter um objectivo nos 1,1357, nível dado pelos 61,8% Fibonacci retracement do movimento mínimo de Maio / máximo do ano, que se ultrapassado, poderá ter como objectivo os 1,1198 (38,2% Fibonacci retracement do movimento mínimo/máximo deste ano).
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD negociou na semana passada em forte tendência descendente, caindo dos recentes máximos e voltando a negociar abaixo da MM dos 21 dias, assim como do forte suporte dado pela Nuvem de Ichimoku diária, antes de inverter a tendência no último dia da semana.
No gráfico diário, o RSI e o MACD voltaram a mostrar um momentum descendente no par, com o RSI a voltar bem abaixo da linha de 50 e a linha de MACD, além de negativa, voltar a estar abaixo da linha de Sinal.
Após uma confirmação do break do suporte dado pela Nuvem de Ichimoku, ao voltar a abrir e fechar o dia abaixo da mesma, o EUR/USD voltou a negociar em forte movimento ascendente, terminando o último dia da semana a voltar a negociar, bem dentro da nuvem, mas abaixo das médias móveis 55 e 21 dias (1,1596 e 1,1644, respectivamente).
O preço necessita voltar a negociar acima da área de 1,1596/1,1644 para confirmar a continuação da tendência ascendente com que terminou a semana passada. Esta área se ultrapassada irá expor o máximo das últimas semana a 1,1788, antes do máximo do ano a 1,1830.
Já o voltar a negociar abaixo da Nuvem de Ichimoku (1,1447 de momento), poderá indicar que o movimento correctivo em baixa ainda não terminou. A próxima referência estará a 1,1210, mínimo relevante dos finais de Maio deste ano, abaixo da qual só encontramos suporte a 1,1065, mínimo do mês de Maio, onde começou o forte movimento ascendente que levou o par até ao máximo do ano.
Resistências - Suportes
1,1644 - 1,1447
1,1770 - 1,1357
1,1830 - 1,1210