A semana que começa
Inflação, Jackson Hole e … Trump

A semana que começa Inflação, Jackson Hole e … Trump

A divulgação dos dados da inflação nos Estados Unidos e o Simpósio Económico de Jackson Hole irã atrair a atenção dos mercados, que poderiam usufruir de um período de férias, mas Trump continuará a agitar as águas

Interrompemos esta semana a publicação do “A semana que começa".
Estaremos de volta a 31 de Agosto.

Inflação nos Estados Unidos, encontro Trump–Putin e Jackson Hole prometem agitar Agosto nos mercados

A próxima quinzena deverá ser tudo menos calma para os mercados financeiros. Três eventos de peso concentram a atenção dos investidores: a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, o encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin e o prestigiado Simpósio Económico de Jackson Hole.



O relatório de inflação norte-americano, a ser publicado já esta semana, poderá redefinir as expectativas quanto à trajectória da política monetária da Reserva Federal. Uma leitura mais contida da inflação poderá reforçar a ideia de que o ciclo de cortes de taxas de juro está perto de ser reiniciado, enquanto um valor acima do esperado poderá levar a um recuo das crescentes expectativas de corte já para o próximo mês de Setembro.



No plano geopolítico, o Presidente norte-americano Donald Trump anunciou que se reunirá com o Presidente russo Vladimir Putin no Alasca, no próximo dia 15 de Agosto. O encontro surge num contexto global já marcado por tensões políticas e comerciais, podendo acrescentar incerteza e volatilidade aos mercados.



Já de 21 a 23 de agosto, Jackson Hole volta a ser o ponto de encontro de líderes de bancos centrais, economistas e académicos. A edição de 2025 terá como tema “Labor Markets in Transition: Demographics, Productivity, and Macroeconomic Policy”, prometendo debates relevantes sobre a evolução do emprego, os desafios demográficos e o impacto na condução da política económica.

Num momento em que a Reserva Federal enfrenta uma pressão política acrescida, reforçada pela recente nomeação de Stephen Miran para o seu Conselho de Governadores, os mercados estarão particularmente atentos às declarações de Jerome Powell. O objectivo será perceber se o presidente do Fed mantém a defesa firme da independência da instituição ou se surgem sinais de cedência.

Este escrutínio ganha ainda mais relevância após a divulgação dos mais recentes dados dos nonfarm payrolls, que colocaram em causa a narrativa de Powell sobre a robustez do mercado de trabalho e da economia norte-americana.


Mesmo em pleno mês de Agosto, tradicionalmente associado a menor actividade nos mercados, a conjugação destes eventos sugere que a tão desejada tranquilidade estival ficará mais uma vez adiada.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
O destaque da semana vai para os dados da inflação, que poderão (ou não) arrefecer as crescentes expectativas de corte de taxas de juro em Setembro.
As estimativas do mercado apontam para um aumento dos preços no mês de Julho, em termos mensais, de 0,2%, desacelerando dos 0,3% em Junho, com a inflação anual a subir de 2,7% para 2,8%. Sem alimentação nem energia os preços deverão mostrar uma aceleração mensal de 0,2% para 0,3%, com a inflação subjacente anual a subir de 2,9% para 3%.
A inflação à porta das fábricas deverá também subir, com as previsões a apontarem para uma aceleração de 0% para 0,2% em Julho.
Os mercados estarão também atentos aos dados das vendas a retalho e da Universidade de Michigan.
As vendas a retalho deverão aumentar, em termos mensais, 0,5%, desacelerando dos 0,6% do mês anterior. Sem vendas automóveis as vendas deverão mostrar uma desaceleração dos 0,5% para 0,2%, com o grupo de controlo a desacelerar de 0,5% para 0,3%.
O consenso aponta para que o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan suba de 61,7 para 62,1, com as expectativas de inflação de curto prazo a subirem de 4,5% para 4,8% e as de longo prazo de 3,4% para 3,6%.
Teremos também os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, que deverão manter-se em torno dos 220 mil.
A semana começa com a divulgação do índice de pequenas e médias empresas NFIB, com as estimativas a apontarem para que se mantenha nos 98,6.
Teremos ainda o índice manufactureiro de Nova Iorque, onde as previsões mostram uma queda de 5,5 para -1,2. A produção industrial deverá ficar estável, após um crescimento de 0,3% no mês anterior e os inventários empresariais deverão mostrar um crescimento mensal de 0,2%.

Na semana seguinte as atenções irão para a divulgação dos dados do PMI da S&P Global e do mercado imobiliário.

Zona Euro
Iremos ter umas semanas relativamente tranquilas de indicadores económicos. Começamos com o indicador de confiança económica ZEW que na Alemanha deverá mostrar uma queda de 52,7 para 39,7 e na Zona Euro de 36,1 para 28,1.
Teremos a segunda estimativa do PIB, onde as previsões apontam para que confirme o crescimento de 0,1% mostrado na leitura preliminar.
Teremos ainda os dados da produção industrial, onde as previsões apontam para uma queda de 0,9%, após o aumento de 1,7% no mês anterior.

Na semana seguinte, todas as atenções estarão voltadas para os PMI da S&P Global. Teremos também o indicador de Confiança do Consumidor da Eurostat, os números da balança comercial e os dados finais da inflação de Julho.

Reino Unido
Esta semana as atenções dividem-se entre os dados do mercado de trabalho e do PIB.
Os mercados estimam que a taxa de desemprego se mantenha nos 4,7%, com o número de postos de trabalho a cair em 60 mil, após a queda de 41 mil no mês anterior, e com os ganhos médios salariais, incluindo bónus, a arrefecerem de 5% para 4,7%. O número de pedidos de subsídio de desemprego deverá mostrar um acréscimo de 15 mil, inferior ao do mês anterior de 25,9 mil.
Iremos ter a divulgação dos números do PIB do segundo trimestre, com as previsões a apontarem para um crescimento económico trimestral no Reino Unido de 0,1%, caindo dos 0,7% do primeiro trimestre. Em termos anuais o crescimento deverá cair de 1,3% para 0,7%. Iremos ter também os números do mês de Junho, que deverão mostrar, em termos mensais, um crescimento de 0,2%, após a contracção de 0,1% do mês de Maio.
De destacar ainda esta semana os números da produção industrial que deverão mostrar um aumento de 0,4%, após a queda de 0,9% no mês anterior.

Na semana seguinte, o mercado irá seguir atentamente a divulgação dos dados da inflação, com as previsões a apontarem para uma subida dos 3,6% para 4% em termos anuais, onde sem alimentação e energia poderão mostrar uma subida de 3,7% para 3,8%. Teremos ainda os dados dos PMI da S&P Global.

Canadá
Uma semana bastante tranquila, com licenças de construção e vendas manufactureiras.

Na semana seguinte os mercados irão estar atentos aos dados da inflação, com as previsões a apontarem para que os preços em termos mensais acelerem de 0,1% para 0,5%, onde a inflação anual mostre uma subida de 1,9% para 2% e a inflação subjacente se mantenha nos 2,7%. A CPI Trimmed-Mean, mais seguida pelo Banco do Canadá e sem 40% dos itens mais voláteis, deverá manter-se inalterada nos 3%.

China
Começamos por ter os números dos novos empréstimos em yuans, com as previsões a apontarem para uma redução significativa dos 2240 mil milhões de yuans no mês anterior, para apenas 360 mil milhões.
Os números da produção industrial deverão mostrar um crescimento de 6%, abrandando dos 6,8% do mês anterior.
As vendas a retalho também deverão mostrar uma desaceleração, do crescimento de 4,8% do mês anterior, para 4,6%.
O crescimento do investimento em activos fixos deverá mostrar também uma pequena desaceleração, de 2,8% para 2,7%.
A taxa de desemprego deverá mostrar uma subida de 5,0% para 5,1%.

Japão
O destaque da semana vai para a divulgação dos números preliminares do PIB do segundo trimestre. Segundo as previsões, a economia nipónica deverá apresentar um crescimento trimestral de 0,1%, após a estagnação do trimestre anterior. A medida anualizada deverá mostrar uma subida dos -0,2% no trimestre anterior, para 0,4%.

Na semana seguinte iremos ter os dados da balança comercial, dos PMI e da inflação nacional.

Austrália
As atenções desta semana, relativamente a dados económicos vão para o mercado de trabalho.
O índice do preço dos salários do segundo trimestre deverá mostrar um abrandamento de 0,9% do primeiro trimestre para 0,8%.
A taxa de desemprego deverá manter-se nos 4,3%, tal como a taxa de participação nos 67,1%. O mercado estima que a economia australiana tenha acrescentado 21,5 mil novos postos de trabalho no mês de Julho.

Na semana seguinte, as atenções irão para os dados da actividade económica privada (PMI).



Bancos Centrais



The Reserve Bank of Australia
O banco central australiano reúne-se na próxima terça-feira e os mercados esperam que a taxa de juro directora seja reduzida em 25 pontos base, para 3,60%. A expectativa de um corte ganhou força após a divulgação de dados mais fracos do que o previsto para o crescimento económico e a inflação, reforçando o argumento a favor de uma política monetária mais acomodatícia.
Na reunião do mês passado, o RBA surpreendeu ao manter a taxa de juro inalterada nos 3,85%, contrariando o consenso do mercado e as previsões de muitos analistas. Essa decisão foi justificada pela necessidade de obter mais provas de que a inflação estava, de forma sustentável, a convergir para a meta de 2,5%.
Desde então, tanto a inflação do segundo trimestre como os dados de emprego de Junho ficaram aquém das expectativas, sinalizando que o arrefecimento económico poderá justificar uma mudança de rumo. Com este contexto, a postura mais cautelosa adoptada em Julho poderá agora abrir espaço para o primeiro corte de taxas desde o início do actual ciclo de ajustamento.

O Norges Bank
O banco central norueguês deverá manter a taxa de juro directora inalterada nos 4,25% na reunião de política monetária deste mês. A decisão deverá reflectir a recente recuperação da inflação e a acentuada desvalorização da coroa norueguesa desde o corte surpresa em Junho.
A inflação subjacente voltou a subir acima dos 3% em Junho, depois de uma trajectória descendente nos meses anteriores, aumentando a incerteza quanto ao rumo da política monetária. A volatilidade dos preços tem dificultado previsões mais consistentes sobre a evolução das taxas, com as expectativas de mercado a poderem ajustar-se rapidamente perante novos dados de inflação.
Neste contexto, o banco central deverá adoptar uma postura prudente, aguardando mais informação antes de decidir eventuais alterações no nível das taxas, mantendo o equilíbrio entre o controlo da inflação e o apoio à economia.

The Reserve Bank of New Zealand
Após a reunião de Julho, em que o banco central neozelandês manteve a taxa directora nos 3,25%, os dados mais recentes reforçam as expectativas de um ajustamento em baixa da política monetária. A inflação do segundo trimestre recuou de 0,9% para 0,5%, ficando abaixo das estimativas do mercado, enquanto a taxa de desemprego aumentou ligeiramente de 5,1% para 5,2%. Neste contexto, os mercados antecipam que, na reunião deste mês, o RBNZ opte por reduzir a taxa de juro em 25 pontos base, para 3,00%, sinalizando uma resposta à moderação das pressões inflacionistas e à deterioração das condições no mercado laboral.

O Riksbank
O mercado espera que o banco central sueco mantenha a sua taxa de juro directora nos 2%.
Os dados macroeconómicos mais recentes na Suécia aumentaram a probabilidade de uma postura mais dovish por parte do Riksbank na reunião de política monetária deste mês. A inflação subjacente medida pelo índice Core CPIF abrandou para 3,1%, reforçando a tendência de desaceleração, enquanto o PIB do segundo trimestre ficou abaixo das expectativas do mercado.
Embora o Riksbank deva manter as taxas de juro inalteradas nesta reunião, o tom do comunicado poderá reflectir uma maior abertura para cortes nos próximos meses, caso a moderação da inflação se consolide e a economia continue a perder dinamismo.


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