EUR/USD
Semanal

Depois da tempestade, a bonança! O EUR/USD negociou esta semana em volatilidade reduzida, mesmo com as tarifas norte-americanas a entrarem oficialmente em vigor e com Trump a nomear um aliado para o Conselho do Fed
Interrompemos esta semana a publicação do “EUR/USD Semanal".
Estaremos de volta a 31 de Agosto.
Uma semana vazia de indicadores económicos, onde as atenções se concentraram no índice PMI de serviços do ISM, acabou por manter o EUR/USD no intervalo 1,1588/1,1698, mesmo com os dados do ISM a sugerirem um problema de estagflação com que o Fed se poderá deparar. O subíndice do emprego afundou mais em contracção, caindo de 47,2 para 46,4, e o subíndice dos preços a acelerar de 67,5 para 69,9.
Entretanto Donald Trump nomeou Stephen Miran para o Conselho de Governadores da Reserva Federal dos Estados Unidos em substituição da governadora Adriana Kugler. A nomeação terá de ser aprovada pelo Senado, que o irá fazer quando voltar do período de “recess” a 2 de Setembro.
Esta nomeação tem mandato até 31 de Janeiro de 2026 e reflecte a intenção de Trump de reforçar a sua influência sobre a política monetária norte-americana. Miran é conhecido por apoiar as políticas económicas do Presidente, incluindo cortes de impostos e tarifas proteccionistas, e minimiza os riscos inflacionistas associados às tarifas, o que o posiciona como um aliado próximo do estilo e das prioridades de Trump. O mercado não valorizou, para já, este acontecimento.
Na próxima semana, o mercado irá ter de contar com os primeiros dados da inflação após os desastrosos números dos nonfarm payrolls. As previsões apontam para uma ligeira subida na inflação de 2,7% para 2,8% e a inflação subjacente de 2,9% para 3%. Uma leitura acima destes números poderão levar a um arrefecimento das crescentes expectativas para um corte de taxas já em Setembro, enquanto dados que mostrem uma inflação a voltar a cair poderão dar mais força a essas expectativas.
Os comentários mais recentes de membros do FOMC têm vindo a favorecer uma postura monetária mais acomodatícia, aproximando-se do ponto neutro, o que abre espaço para cortes mais rápidos ou mais profundos. Ainda assim, antes da reunião de Setembro, o Fed disporá de nova informação relevante, incluindo mais um relatório do emprego e dois indicadores de inflação.
Entre 21 e 23 de Agosto terá lugar o Simpósio Económico de Jackson Hole, cujo tema este ano será “Labor Markets in Transition: Demographics, Productivity, and Macroeconomic Policy”. As intervenções de Jerome Powell serão particularmente escrutinadas, não apenas para avaliar a probabilidade de um corte de taxas em Setembro, mas também para aferir a percepção do mercado sobre a independência política da Reserva Federal.
E, como sempre, persiste o factor imprevisível — Donald Trump. Um aumento da pressão sobre Powell, o Fed ou outras instituições, como sucedeu recentemente com o BLS, poderá voltar a gerar instabilidade e afectar o sentimento relativamente aos activos norte-americanos.
Em minha opinião, o contexto atual continua a favorecer um dólar estruturalmente mais fraco e um EUR/USD em tendência ascendente. No curto prazo, no entanto, os próximos dados económicos poderão motivar uma correção, mantendo o par dentro do intervalo mais amplo de 1,1500/1,1800.
Nota: A evolução na frente Rússia/Ucrânia, com a aproximação de Trump a Putin, será um factor que poderá levar ao quebrar deste intervalo.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal

A volatilidade caiu e o EUR/USD desenvolveu na semana passada uma “inside candle”, com o preço a ficar contido entre um mínimo de 1,1527 e um máximo de 1,1698.
No gráfico semanal, o RSI e o MACD, continuam com um momentum positivo no par, mas com sinais de abrandamento.
O EUR/USD necessita de romper o máximo da semana anterior a 1,1770, para voltar à tendência ascendente dos últimos quatro meses, expondo o máximo deste ano a 1,1830. Esta resistência, se por sua vez ultrapassada poderá levar o EUR/USD a atingir o primeiro objectivo da projecção Fibonacci do movimento mínimo 2025 (1,0177) / máximo de Abril a 1,1573 / mínimo de Maio a 1,1065 (61,8%), a 1,1928, antes da referência psicológica dos 1,2000.
O quebrar da área de suporte 1,1500/1,1527 (mínimo da semana passada), poderá dar força à continuação da correcção iniciada no início do passado mês de Julho. Irá contar com um primeiro suporte dado pelo mínimo da semana anterior a 1,1391, antes do objectivo nos 1,1357 dado pelos 61,8% Fibonacci retracement do movimento mínimo de Maio / máximo do ano. Este nível se ultrapassado, poderá encontrar novo objectivo a 1,1198 (38,2% Fibonacci retracement do movimento mínimo/máximo deste ano).
Gráfico EUR/USD diário

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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
Na semana passada, o EUR/USD manteve-se acima das médias móveis de 21 e 55 dias, mas permaneceu contido dentro da Nuvem de Ichimoku, reflectindo uma fase de consolidação após os ganhos registados no final da semana anterior.
No gráfico diário, os indicadores de momentum, nomeadamente o RSI e o MACD, evoluem próximos das respectivas linhas neutras, sinalizando ausência de direcção clara e favorecendo a manutenção da consolidação em torno dos níveis recentes.
Para retomar a trajectória ascendente, o par necessita de uma quebra consistente da resistência proporcionada pela linha Senkou A diária, situada no início desta semana em 1,1679. Caso esse nível seja superado, a área entre 1,1788 e 1,1830, correspondente aos máximos anuais recentes, passará a estar em foco.
Em sentido descendente, a perda do suporte em 1,1527, mínimo da semana anterior, poderá abrir caminho para um teste à linha Senkou B (actualmente em 1,1447). A quebra deste nível exporia o mínimo mensal de 1,1391, cuja perda poderia desencadear um movimento de baixa em direcção à zona de 1,1210, mínimo relevante de finais de Maio, antes de um suporte estrutural mais robusto de longo prazo em 1,1065, correspondente ao mínimo desse mesmo mês. Resistências - Suportes
1,1698 - 1,1527
1,1788 - 1,1453
1,1830 - 1,1391
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