Café da Manhã
As ameaças de Trump

Café da Manhã As ameaças de Trump

Os mercados financeiros voltam a registar maior volatilidade após novas ameaças de Donald Trump sobre a imposição de tarifas adicionais e a intensificação da pressão sobre a Reserva Federal norte-americana.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta noite que demitia a governadora da Reserva Federal, Lisa Cook, por alegadas irregularidades na obtenção de empréstimos hipotecários, uma medida sem precedentes que poderá testar os limites do poder presidencial sobre o organismo independente de política monetária. Cook nega as alegações e defende que Trump não tem autoridade legal para a despedir. O advogado de Lisa Cook afirmou que planeiam tomar "todas as medidas necessárias para impedir" a "acção ilegal" de Trump.

Em outra frente, Trump ameaçou impor tarifas adicionais e restrições à exportação de tecnologia avançada e semicondutores em retaliação pelos impostos sobre os serviços digitais que atingem as empresas tecnológicas norte-americanas.

A reacção dos mercados não se fez esperar com os mercados accionistas a voltarem a negociar em perdas.

Na Ásia, todos os principais índices accionistas terminaram a sessão em queda.
No Japão, o índice Nikkei perdeu 1,10% e o Topix 1,08%.
Na Austrália, o índice ASX 200 recuou 0,41% e o Kospi, da Coreia do Sul, 0,95%.
Na China, o índice CSI300 recuou 0,31%, o Shanghai Composite 0,39% e o Hang Seng, de Hong Kong, 1,17%.
Na Índia, os principais índices Nifty 50 e Sensex seguem a perder cerca de 0,65%.

Ontem, nos Estados Unidos, os mercados accionistas terminaram também o dia em terreno negativo. O entusiasmo que se seguiu às palavras de Jerome Powell da semana passada arrefeceu, com os investidores a aguardarem agora pelos resultados da NVIDIA a apresentar amanhã, e ainda pela medida preferida do Fed para a inflação que será conhecida na próxima sexta-feira.
O índice Dow Jones perdeu 0,77%, o S&P 500 0,43% e o Nasdaq 0,22%, enquanto o Russell 2000 liderou desta vez as perdas ao cair 1,05%.

Na Europa, o dia de hoje está a começar também com os mercados accionistas em perdas, pressionados por receios de nova instabilidade política em França, e ainda pelas ameaças de Donald Trump.
O primeiro-ministro francês, François Bayrou, irá enfrentar um voto de confiança a 8 de Setembro, que poderá levar ao derrube do seu governo minoritário e a um novo período de instabilidade governativa, com um parlamento muito dividido.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a perder 0,85% e o Euro Stoxx 50 0,97%.
Na Alemanha, o índice DAX recua 0,45% e em França, o CAC 40 afunda 2,10%.
O índice FTSE 100, do Reino Unido, volta de um fim de semana longo a negociar em perdas, caindo de momento 0,70%.

No mercado cambial, o dólar recuperou ontem das perdas registadas no último dia da semana passada, com o índice DXY a subir de 97,60 até aos 98,40, nível em torno do qual segue de momento a negociar.
Já o euro perdeu face às principais moedas, após o anúncio de François Bayrou de levar um voto de confiança ao parlamento francês. O EUR/USD caiu dos máximos em torno de 1,1700, até um mínimo em torno de 1,1600.
A libra segue pouco alterada, perdendo face ao dólar e ganhando face ao euro, com o GBP/USD a negociar de momento a 1,3460 e o EUR/GBP a 0,8635.
O mesmo sucede com o iene, onde o USD/JPY cota de momento a 147,60 e o EUR/JPY a 171,55.
O franco suíço segue a negociar em ganhos, com o USD/CHF pouco alterado face ao fecho de ontem a 0,8060, mas a ganhar face ao euro, com o EUR/CHF a cair para 0,9365.

Os preços do petróleo começaram a semana em ganhos, com a expectativa de tréguas no conflito Ucrânia/Rússia a recuar, enquanto aumentava a perspectiva do crescimento global e a subsequente procura de energia. O sentimento de mercado deteriora-se hoje um pouco, o que está a pressionar os preços do petróleo que estão a começar o dia a recuar dos máximos de ontem.
O Brent segue de momento a negociar a $68,20 por barril e o WTI a $64,80.


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