A semana que começa
A volta de férias!

A semana que começa A volta de férias!

Após um Agosto de férias, os mercados regressam com atenção às tarifas comerciais, à independência do Fed e aos dados de emprego, que poderão redefinir as expectativas de taxas de juro.

Setembro arranca com uma agenda carregada após um mês de Agosto marcado, como habitualmente, pelo período de férias e por uma liquidez reduzida nos mercados. A primeira semana do mês traz de volta temas centrais para os investidores, que poderão marcar o rumo não apenas das próximas semanas, mas também do resto do ano.



O primeiro destaque vai para a continuação da novela das tarifas comerciais. A decisão de um tribunal norte-americano, que considerou que grande parte das tarifas aplicadas pela Casa Branca tinha sido ilegalmente imposta, reabre um debate que estava longe de estar fechado. A incerteza em torno da política comercial dos Estados Unidos volta, assim, a pairar sobre os mercados, com potenciais impactos nas cadeias de fornecimento globais e no sentimento dos investidores.



Outro tema incontornável é a independência da Reserva Federal. O afastamento de Lisa Cook, decidido por Donald Trump, reacende as preocupações sobre a autonomia da autoridade monetária norte-americana e sobre até que ponto a política monetária poderá vir a ser condicionada por pressões políticas num momento particularmente sensível para a economia mundial.



Finalmente, e talvez mais determinante para o curto prazo, teremos os dados do mercado de trabalho. O relatório dos nonfarm payrolls, a divulgar na sexta-feira, poderá ser decisivo para moldar as expectativas em torno da trajetória das taxas de juro. A evolução do emprego e dos salários será escrutinada ao detalhe, não apenas para aferir a probabilidade de um corte já na reunião do Fed de Setembro, mas também para projectar o rumo da política monetária até ao final de 2025 e, potencialmente, já para 2026.

Em resumo, depois da pausa de Agosto, os mercados regressam ao mês de Setembro com três grandes frentes de incerteza: a política comercial, a independência do Fed e o mercado de trabalho. Temas que, em conjunto, prometem dominar a narrativa económica e financeira logo no arranque do mês.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
Setembro arranca com uma semana encurtada, que se inicia apenas na terça-feira, após o fim de semana prolongado pelo feriado do Dia do Trabalhador nos Estados Unidos.
O grande destaque será a divulgação, na sexta-feira, dos dados do mercado laboral norte-americano, os nonfarm payrolls. As previsões apontam para a criação de cerca de 75 mil novos postos de trabalho em Agosto, após os 73 mil registados em Julho. No entanto, o verdadeiro impacto nos mercados adveio da revisão profundamente negativa dos meses anteriores, que levou à demissão da então responsável pelo Bureau of Labor Statistics (BLS) e alterou de forma significativa as expectativas quanto à trajectória futura das taxas de juro da Reserva Federal.
As estimativas apontam ainda para uma subida da taxa de desemprego de 4,2% para 4,3%, enquanto o crescimento salarial deverá manter-se estável em 0,3%. Antes disso, serão conhecidos os números do emprego no sector privado, medidos pelo relatório ADP, que deverá mostrar um aumento de 70 mil postos de trabalho, após os 104 mil do mês anterior.
No mercado laboral, destaque também para os JOLTS, com as vagas de emprego a caírem de 7,44 milhões para 7,24 milhões, bem como para os pedidos semanais de subsídio de desemprego, que deverão permanecer próximos dos 229 mil registados na última leitura.
Do lado da actividade económica, os investidores estarão atentos aos índices ISM, com o PMI industrial a projectar uma subida de 48,0 para 48,9 e o PMI de serviços de 50,1 para 50,5. Em ambos os casos, os subíndices de emprego e preços serão analisados de forma minuciosa.

Zona Euro
Esta semana, o foco dos mercados permanece centrado nos dados da inflação da Zona Euro, com a divulgação do valor agregado para o bloco. Depois de, na semana passada, os relatórios nacionais terem mostrado que França, Espanha e Itália registaram valores ligeiramente abaixo das previsões, 0,8%, 2,7% e 1,7%, respetivamente, enquanto a inflação alemã acelerou acima das expectativas, ultrapassando os 2%, as projecções para o conjunto da Zona Euro apontam para uma manutenção da inflação total nos 2%, acompanhada de uma descida da inflação subjacente de 2,3% para 2,2%. Em termos mensais, os preços deverão registar uma subida de 0,2%, acelerando face à estagnação observada em Julho.
O Índice de Preços no Produtor (PPI) deverá evidenciar uma clara moderação, passando de uma variação mensal de 0,8% para 0,1%. Já a taxa de desemprego da Zona Euro deverá permanecer estável em 6,2%, enquanto as vendas a retalho deverão mostrar uma queda mensal de 0,2%, após o crescimento de 0,3% registado no mês anterior. A revisão do PIB do segundo trimestre deverá confirmar a ligeira expansão de 0,1%, em linha com a leitura preliminar.
Os PMI finais deverão corroborar as estimativas iniciais de 50,5 na indústria e 50,7 nos serviços, enquanto serão também publicados os números de Espanha e Itália. No caso espanhol, o PMI industrial deverá avançar de 51,9 para 52,1, ao passo que o PMI de serviços deverá recuar de 55,1 para 54,2. Em Itália, a indústria deverá manter-se em 49,8, enquanto os serviços deverão cair de 52,3 para 52,1.
Na Alemanha, as encomendas à indústria deverão registar uma recuperação de 0,4%, após a queda de 1% do mês anterior. Em França, a balança comercial de Julho deverá apresentar um défice de 7,3 mil milhões de euros, ligeiramente inferior aos 7,6 mil milhões de euros do mês anterior. Já em Itália, a taxa de desemprego deverá recuar de 6,3% para 6,2%, enquanto as vendas a retalho deverão evidenciar uma desaceleração do crescimento mensal de 0,6% para 0,4%.

Reino Unido
O principal destaque da semana recai sobre as vendas a retalho de Julho, para as quais as estimativas apontam para uma subida mensal de 0,4%, após o crescimento de 0,9% registado no mês anterior. Em termos homólogos, prevê-se uma desaceleração do crescimento de 1,7% para 1,3%.
A agenda começa e termina com indicadores ligados ao mercado imobiliário. O índice de preços da Nationwide deverá revelar uma variação positiva de 0,1%, abrandando face aos 0,6% do mês anterior, enquanto o índice da Halifax deverá mostrar igualmente uma moderação, de 0,4% para 0,2%. No crédito à habitação, as aprovações de hipotecas deverão manter-se em torno dos 64 mil contratos, ao passo que os empréstimos líquidos a particulares deverão reduzir-se de 6,8 mil milhões de libras para 4,9 mil milhões.
No que respeita à actividade económica, os dados finais dos PMI da S&P Global deverão confirmar as leituras preliminares de 47,3 no sector industrial e 53,6 nos serviços. Destaque ainda para o PMI da construção, que segundo as projecções deverá avançar de 44,3 para 45,2, sinalizando uma ligeira melhoria no sector.

Canadá
No Canadá, as atenções estarão centradas nos dados do mercado de trabalho. As previsões apontam para uma subida da taxa de desemprego de 6,9% para 7%, acompanhada de um ligeiro aumento da taxa de participação de 65,2% para 65,3%. Em termos de criação de emprego, estima-se que a economia tenha acrescentado 30 mil novos postos de trabalho em Agosto, na sua maioria a tempo parcial, após a perda de 40,8 mil empregos em Julho.
Os mercados seguirão igualmente os números do Ivey PMI, que deverão recuar de 55,8 para 53, sinalizando uma desaceleração da actividade. Já o PMI industrial da S&P Global deverá registar uma melhoria, subindo de 46,1 para 46,8.
A semana trará ainda os dados da balança comercial de Julho, para a qual as estimativas apontam para um défice de 5,2 mil milhões de dólares canadianos, após os 5,9 mil milhões registados no mês anterior.

Suíça
A semana arranca com a divulgação dos dados das vendas a retalho, que em termos homólogos deverão evidenciar uma desaceleração do crescimento de 3,8% para 3,6%. No mesmo dia será conhecido o PMI industrial, que segundo as estimativas deverá recuar de 48,8 para 46,9, sinalizando uma contração mais acentuada na actividade.
O grande destaque da semana será a publicação do índice de preços no consumidor (IPC), que em termos mensais deverá manter a estagnação observada no mês anterior, enquanto em termos anuais a inflação deverá permanecer nos 0,2%. A taxa de desemprego deverá igualmente manter-se inalterada, em 2,9%.
Por fim, o índice de confiança do consumidor SECO deverá reflectir uma maior deterioração do sentimento económico, descendo de -33 para -37.

China
Esta semana será marcada pela publicação de novos indicadores de actividade económica. Depois de, no fim de semana, terem sido divulgados os PMI oficiais, que mostraram uma subida do índice industrial de 49,3 para 49,4 e do índice de serviços de 50,1 para 50,3, ambos em linha com as estimativas, seguem-se agora os dados dos recentemente renomeados “RatingDog” (antigo Caixin PMI), da S&P.
Nas primeiras horas da semana será conhecido o PMI industrial, que segundo as projecções deverá avançar de 49,5 para 49,7, enquanto a meio da semana será divulgado o PMI de serviços, para o qual se espera uma ligeira descida de 52,6 para 52,4.

Japão
Trata-se de uma semana relativamente leve em termos de indicadores económicos, com destaque para a despesa das famílias e para os ganhos salariais médios. As projecções apontam para que a despesa das famílias registe uma aceleração do crescimento anual de 1,3% para 2,2%, enquanto os ganhos salariais deverão evidenciar um ligeiro abrandamento, passando de 3,1% para 3%.

Austrália
As atenções da semana estarão centradas nos dados de crescimento económico do segundo trimestre. As estimativas apontam para que o PIB registe uma expansão trimestral de 0,5%, acelerando face ao crescimento de 0,2% no trimestre anterior. Em termos anuais, a taxa deverá subir de 1,3% no primeiro trimestre para 2,1%.
No sector externo, a balança comercial de bens referente a Julho deverá apresentar um excedente de 4,9 mil milhões de dólares australianos, inferior aos cerca de 5,4 mil milhões registados no mês anterior.
Entre os restantes indicadores, destaque para as licenças de construção, que deverão mostrar uma queda mensal de 4,8% em Julho, após a forte recuperação de 11,9% em Junho, e para os lucros operacionais das empresas, que segundo as previsões terão aumentado 1% no segundo trimestre, revertendo a queda de 0,5% registada no trimestre anterior.




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