Café da Manhã
Bom Ano de 2026!
O “Café da Manhã” está de volta, entre mais tensões geopolíticas e mercados accionistas que começam o ano em ganhos significativos.
Na passada sexta-feira, o primeiro dia de 2026, os mercados accionistas norte-americanos terminaram o dia em ganhos ligeiros. O índice Dow Jones ganhou 0,66%, o S&P 500 0,19% e o Nasdaq ficou praticamente inalterado (-0,03%).
Durante o fim de semana, os Estados Unidos realizaram uma controversa operação para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que agora está detido em Nova Iorque e enfrenta hoje acusações de tráfico de drogas no tribunal.
Por enquanto, o resto do governo de Maduro permanece no poder, com a vice-presidente Delcy Rodríguez a assumir a liderança interina. Rodríguez opôs-se aos apelos de Trump para trabalhar com os EUA, mas Trump ameaçou que ela “pagaria um preço muito alto se não fizesse o que é certo”. O secretário de Estado Marco Rubio também disse que o próximo líder da Venezuela “deve estar alinhado com os interesses dos EUA”, embora as reivindicações exactas do governo americano permaneçam obscuras. Embora muitas nações ocidentais apoiem a destituição de Maduro, surgiram críticas internacionais sobre a legalidade da operação.
Apesar da ameaça às leis de direito internacional e ainda com Donald Trump a intensificar especulações sobre os próximos alvos ao falar sobre a relevância estratégica de Cuba, da Colômbia (dizendo ao seu presidente que devia "estar atento"), da Gronelândia e do México, os investidores, para já, continuam com apetência pelo risco. Os mercados accionistas começaram a primeira semana completa de 2026 em ganhos significativos, ao mesmo tempo que activos de refúgio, como o ouro, seguem também em alta.
Esta noite, na Ásia, os preços das acções negociaram em fortes ganhos, alguns mesmo em novos máximos de sempre.
No Japão, o índice Nikkei subiu 3,03% e ficou a pouco do máximo histórico, enquanto o Topix ganhou 2,01% e terminou num máximo recorde.
Na Austrália, o índice ASX 200 ficou praticamente inalterado (+0,01%), enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, liderou os ganhos ao subir 3,43% e registou um novo máximo recorde.
Na China, o índice CSI300 ganhou 1,90% e o Shanghai Composite 1,38%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, manteve-se praticamente inalterado (+0,03%).
Os mercados accionistas na Índia são a excepção, negociando em perdas, com os índices Nifty 50 e Sensex a recuarem de momento 0,28%.
Na Europa, os mercados accionistas estão também a começar a semana em terreno positivo, embora em ganhos mais comedidos.
O índice Euro Stoxx 600 avança de momento 0,39%, enquanto o Euro Stoxx 50 ganha 0,84%.
Na Alemanha o índice DAX sobe 0,97% e em França, o CAC 40 0,31%.
No Reino Unido, o índice FTSE 100 avança 0,27%.
No mercado cambial o ano de 2026 está a começar com o dólar a continuar a recuperar das perdas no final de 2025. A maior agitação geopolítica dá algum suporte ao dólar e o índice DXY segue de momento a negociar a 98,50, após os 97,90 onde iniciou o ano. O EUR/USD volta a negociar abaixo de 1,1700, seguindo de momento a cotar a 1,1675.
A libra segue pouco alterada face ao dólar, com o GBP/USD a negociar de momento a 1,3430, enquanto ganha face ao euro, com o EUR/GBP a negociar abaixo de 0,8700 pela primeira vez em mais de dois meses.
O iene japonês perde face ao dólar, com o USD/JPY a negociar de momento em torno dos 157,00, enquanto ganha face ao euro, com o EUR/JPY a cair para os 183,30.
O franco suíço está a começar a semana em perdas, após dados das vendas a retalho e do PMI manufactureiro que desiludiram os mercados. O USD/CHF segue de momento a negociar a 0,7965 e o EUR/CHF a 0,9300.
O ouro segue a negociar em alta, com os investidores a procurarem a segurança do metal precioso para se protegerem dos riscos geopolíticos crescentes. A onça de ouro segue de momento a negociar a 4.435 dólares.
Os preços do petróleo seguem voláteis enquanto o mercado avalia o impacto do ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Ainda assim, a Venezuela representa uma pequena parcela da oferta global de petróleo e quaisquer interrupções de curto prazo podem ser facilmente compensadas pelo aumento da produção noutros locais. No entanto, estima-se que a Venezuela tenha a maior reserva de petróleo do mundo e a intervenção dos EUA no país poderá potencialmente levar a um aumento significativo da oferta no mercado, mas apenas dentro de alguns anos. Após as perdas iniciais, os preços recuperam, mas seguem a negociar em torno dos recentes níveis de fecho do ano de 2025.
O barril de Brent segue de momento a negociar a 60,80 dólares e o de WTI a 57,40 dólares.