A semana que começa
Geopolítica, inflação e resultados

A semana que começa Geopolítica, inflação e resultados

Os mercados irão, na segunda semana completa de 2026, continuar atentos à evolução das tensões geopolíticas, numa semana em que irão contar com dados da inflação nos Estados Unidos e ainda com o início de nova época de resultados empresariais.



A dinâmica geopolítica tornou-se particularmente volátil nas últimas semanas, após uma série de declarações e acções da administração norte-americana que ampliaram significativamente as preocupações internacionais. Depois da operação militar dos Estados Unidos na Venezuela que levou à captura do presidente Nicolás Maduro, o Presidente Donald Trump voltou a colocar a América Latina no centro da sua retórica estratégica, com ameaças explícitas dirigidas à Colômbia e a Cuba. Países vizinhos reagiram com fortes condenações à escalada, apelando à contenção e à resolução diplomática de conflitos, enquanto a região observa com apreensão a possibilidade de novos focos de tensão.

Paralelamente, a administração Trump reacendeu uma antiga ambição em relação à Gronelândia, afirmando que os Estados Unidos agirão relativamente ao território semi-autónomo dinamarquês “quer eles gostem ou não”, argumentando que a inacção poderia permitir a presença de potências como a Rússia ou a China na ilha. Estas declarações acrescentaram um componente geopolítico mais amplo ao clima de incerteza, uma vez que Gronelândia desempenha um papel estratégico no Ártico e na segurança transatlântica, gerando críticas de Copenhaga e alertas de que tal postura poderá gerar atritos relevantes no seio das alianças actuais.

Adicionalmente, a escalada de protestos no Irão, que começaram no final de Dezembro de 2025 com manifestações espalhadas por dezenas de cidades em todas as províncias do país, inicialmente desencadeados por questões económicas, mas que rapidamente assumiram contornos políticos mais amplos, colocam também os mercados em alerta, quando Trump também já avisou que poderá intervir se os manifestantes forem duramente reprimidos. As autoridades iranianas estão a responder com uma repressão cada vez mais dura, cortando o acesso à Internet a nível nacional e impondo um bloqueio quase total das comunicações, enquanto forças de segurança têm usado gás lacrimogéneo, munições letais e prisões em massa para tentar controlar as ruas.

Este conjunto de tensões externas tem sido acompanhado por desenvolvimentos domésticos nos Estados Unidos que também poderão influenciar a confiança dos investidores e o sentimento global. Uma das questões em destaque é o caso que está a ser analisado pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos sobre a legalidade das amplas tarifas comerciais impostas pela administração Trump, que recorreu à Lei de Poderes Económicos de Emergência Internacional para justificar direitos de importação sem autorização explícita do Congresso. Os tribunais inferiores já consideraram essas tarifas ilegais, e a decisão da mais alta instância judicial americana poderá moldar não só a política comercial dos EUA como também afectar mercados financeiros e fluxos de comércio internacional, dependendo da forma como a autoridade presidencial sobrepõe-se à interpretação constitucional do poder de tributar e regular o comércio.





Arranca esta semana, nos Estados Unidos, uma nova temporada de resultados empresariais, referente ao quarto trimestre de 2025, num momento particularmente sensível para os mercados. A agenda estará dominada pela divulgação de contas dos principais bancos norte-americanos, com destaque para o JPMorgan Chase, Bank of America, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Morgan Stanley, a par de outras empresas de peso como o Bank of New York Mellon, a Delta Air Lines e a BlackRock, cujos números serão analisados ao detalhe pelos investidores na procura de sinais sobre a solidez da economia e a evolução das margens num contexto de normalização monetária e crescimento mais contido.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
Esta semana as atenções voltam-se para os dados da inflação do mês de Dezembro, após dois meses em que não foram divulgados dados dos preços devido ao shutdown do governo norte-americano.
O índice de preços do consumidor do mês de Dezembro, segundo as previsões de mercado, deverá mostrar um aumento mensal dos preços de 0,3%, com a inflação total anual a manter-se nos 2,7% e a inflação subjacente a subir de 2,6% para 2,7%.
Iremos ter ainda a divulgação dos dados dos preços à porta das fábricas dos meses de Outubro e Novembro, com as previsões a apontarem para que mantenham um crescimento de 0,3% em termos mensais e a medida anual nos 2,7%.
Na terça-feira, além dos dados da inflação, iremos ter a divulgação do índice de pequenas e médias empresas NFIB, que deverá mostrar uma ligeira recuperação dos 99 para 99,5. Teremos os números semanais da ADP, onde se espera um aumento de 11,5 mil empregos na média das quatro semanas até 30 de Dezembro de 2025. O índice de optimismo económico RCM/TIPP deverá, segundo as estimativas, subir de 47,9 para 48,2. Teremos ainda dados da venda de casas novas de Setembro e de Outubro, com as previsões a apontarem para que em Setembro tenham caído de 800 mil casas para 710 mil.
Na quarta-feira iremos ter (além do índice de preços no produtor) mais dados atrasados, desta vez das vendas a retalho. Os dados de Novembro deverão mostrar um aumento mensal de 0,4%, após a estabilização mostrada em Outubro, com as previsões a apontarem para que o grupo de controlo mostre uma desaceleração no crescimento das vendas dos 0,8% no mês anterior, para 0,1% em Novembro. Os números da conta-corrente do terceiro trimestre deverão apresentar um déficite de 240 mil milhões de dólares, abaixo dos 251,3 mil milhões do trimestre anterior. As vendas de casas existentes em Dezembro deverão, segundo as previsões, ter caído 1,6%, após o aumento de 0,5% no mês de Novembro. Os inventários empresariais deverão mostrar um crescimento de 0,3%, acelerando dos 0,2% do mês anterior. Iremos ter ainda a divulgação do Livro Beige da Fed.
Na quinta-feira, teremos os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, onde as estimativas apontam para que se mantenham em torno dos níveis actuais de 210 mil novos pedidos. Teremos ainda os índices manufactureiros do Fed de Nova Iorque e do de Filadélfia. O primeiro deverá mostrar uma recuperação dos -3,9 para +1,1, e o segundo de -10,2 para -2,9.
No último dia da semana iremos ter os números da produção industrial que deverá manter o mesmo ritmo de crescimento de 0,2% em termos mensais, e o índice do mercado imobiliário NAHB de Janeiro que deverá mostrar uma subida de 39 para 40.

Zona Euro
Por aqui iremos ter uma semana bastante mais tranquila no que respeita a indicadores económicos.
A semana começa com a divulgação do Índice de Confiança do Investidor Sentix, onde as estimativas apontam para uma subida de -6,2 para -5,1.
Mais tarde teremos os dados da produção industrial de Novembro, onde as previsões apontam para que mostre uma estagnação, após o aumento de 0,8% no mês anterior, e os números da balança comercial de Novembro, que deverão apresentar um excedente de 19,5 mil milhões de euros, após os 18,4 mil milhões no mês anterior. Em França iremos ter os números finais da inflação de Dezembro.
Na Alemanha as atenções irão estar colocadas nos números preliminares do PIB relativamente ao ano de 2025, onde as previsões apontam para que mostre um crescimento de 0,2%, após a contracção de 0,2% do ano anterior. Iremos ter ainda, além dos números finais da inflação, o índice de preços grossistas, que deverá desacelerar dos 0,3% do mês anterior, para 0,2%.
Em Itália, os dados da produção industrial deverão mostrar um crescimento de 0,5%, após a redução de 1% no mês anterior, e os números da balança comercial um excedente de 5,22 mil milhões de euros, após o de 4,16 mil milhões do mês anterior.

Reino Unido
A semana irá começar com a divulgação do BRC Retail Sales Monitor, onde as previsões apontam para um abrandamento dos 1,2% no mês anterior para 0,6%.
Mais tarde, o RICS House Price Balance, deverá mostrar também um abrandamento de 16% para 15%.
Iremos ter ainda os números da produção da construção, com as previsões a apontarem para uma estabilização após a queda de 0,6% no mês anterior, e os da produção industrial, onde os mercados esperam ver um crescimento anémico de 0,1% em Novembro, depois da subida de 1,1% no mês Outubro.
Os números da balança comercial de bens deverá, segundo as previsões, mostrar um défice de 20,4 mil milhões de libras, baixando dos 22,5 mil milhões do mês anterior.

Canadá
Por aqui iremos começar por ter os dados das licenças de construção, com as previsões a apontarem para uma redução de 6,8% em Novembro, após o crescimento de 14,9% em Outubro.
As vendas manufactureiras deverão também cair 1,1%, após a redução de 1% no mês anterior, com as vendas grossistas a manterem o ritmo mensal de crescimento de 0,1%.
O início de construção de casas deverá mostrar um crescimento muito ligeiro de 254 mil casas para 255 mil.

China
O destaque da semana vai para os números da balança comercial de Dezembro, onde as previsões apontam para que mostrem um crescimento do excedente de 111,7 mil milhões de dólares em Novembro, para 113,5 mil milhões, com as exportações a mostrarem um crescimento de 2,9% e as importações de 0,8%, face a respectivamente 5,9% e 2,9% do mês anterior.
Iremos ter ainda os números dos novos empréstimos em yuans, onde as estimativas apontam para um crescimento dos 390 mil milhões do mês anterior, para 600 mil milhões.

Japão
Iremos ter uma semana relativamente tranquila no que toca a dados económicos.
Os números da conta-corrente de Novembro deverão mostrar um aumento do excedente de 2834 mil milhões de ienes em Outubro para 3594 mil milhões.
O índice dos observadores económicos deverá mostrar uma ligeira subida de 48,7 para 48,8.
Iremos ter a divulgação do índice Reuters Tankan que, segundo as estimativas, deverá subir de 10 para 11.
Os números preliminares de encomendas de maquinaria, segundo as previsões, deverá manter o crescimento de 14,2%.
O índice de preços no produtor deverá mostrar um aumento mensal dos preços de 0,1%, desacelerando dos 0,3% do mês anterior de Novembro.

Nova Zelândia
A semana começa com a divulgação do índice de confiança empresarial NZIER do quarto trimestre, que deverá mostrar uma queda de 18 para 16.
Teremos também os números das licenças de construção de Novembro que deverão mostrar um aumento de 1%, após a redução registada no mês anterior de 0,9%.
O índice manufactureiro Business NZ PMI deverá, segundo as estimativas, subir ligeiramente de 51,4 para 51,6.

Austrália
Por aqui teremos uma semana relativamente tranquila.
Começamos por ter dados do anúncio de empregos ANZ, que após a redução de 0,8% em Novembro, deverão mostrar em Dezembro um aumento de 0,5%.
A despesa das famílias em Novembro, segundo as previsões, deverão mostrar um aumento mensal de 0,6%, desacelerando dos 1,3% apresentados em Outubro.
Segundo as estimativas, o índice de confiança da Westpac deverá mostrar uma subida de 94,5 para 97.
As expectativas de inflação de Janeiro deverão, segundo as estimativas, mostrar um abrandamento dos 4,7% do mês anterior, para 4,5%.


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