EUR/USD
Semanal
Tensões geopolíticas, petróleo a recuperar, mercado de trabalho resiliente nos Estados Unidos e inflação na Zona Euro bem em linha com a meta do Banco Central Europeu mantiveram o EUR/USD na tendência descendente
O ataque norte-americano à Venezuela e captura de Nicolás Maduro e ainda Donald Trump a continuar a alimentar tensões geopolíticas ameaçando a Colômbia e Cuba e a mostrar fortes intenções de ocupar a Gronelândia, mantiveram o suporte ao dólar, que foi ainda ajudado por uma volatilidade reduzida nos mercados accionistas e pela recuperação dos preços do petróleo.
Na agenda económica, a semana contou com os dados nos Estados Unidos da actividade económica do ISM, da Universidade de Michigan e das vagas de emprego JOLTS mas as atenções estavam colocadas principalmente no relatório oficial do mercado de trabalho. Embora os números dos nonfarm payrolls tenham desiludido as expectativas mais optimistas do mercado, tal como desiludiram os números das vagas de emprego, no geral os dados mostraram que o emprego nos Estados Unidos está mais resiliente do que o temido há alguns meses, levando a cimentar as expectativas do mercado de que o próximo corte de taxas por parte da Reserva Federal poderá estar ainda a uns meses de distância.
Na Zona Euro, os dados da inflação saíram abaixo das previsões dos mercados, com a inflação total a cair de 2,1% para 2%, bem na meta do Banco Central Europeu e reiterando as expectativas do mercado para que o “bom lugar” do banco central se mantenha por um período prolongado de tempo.
O EUR/USD continuou a negociar na tendência descendente das últimas semanas, em continuada volatilidade contida, aproximando-se dos 1,1600, negociando em mínimos de cerca de um mês.
A semana que vai começar, apesar de ter uma agenda bem mais tranquila, conta com dados da inflação nos Estados Unidos. Os dados dos meses anteriores não foram recolhidos devido ao shutdown governamental. Os dados que vão ser divulgados referem-se ao mês de Dezembro e podem vir com alguma surpresa em alta. Para já os mercados esperam uma subida mensal dos preços de 0,3% e com a inflação a manter-se nos 2,7%, com a inflação subjacente a subir de 2,6% para 2,7%.
Na minha opinião, estes níveis poderão continuar a oferecer suporte ao dólar, mantendo pressão sobre o EUR/USD. Qualquer surpresa em alta nos dados poderá acrescentar pressão adicional sobre o par e acelerar o movimento descendente que temos vindo a observar. As tensões geopolíticas parecem ainda longe de desaparecer, pelo que poderemos continuar a assistir a um dólar beneficiado por este contexto de incerteza.
Por outro lado, o Supremo Tribunal ainda não emitiu qualquer veredicto relativamente às amplas tarifas comerciais impostas por Trump. Uma eventual classificação dessas tarifas como ilegais poderá introduzir novas incertezas, provocar um aumento da volatilidade e, desta vez, gerar alguma pressão sobre o dólar, podendo mesmo inverter a tendência descendente atual do EUR/USD.
Ainda assim, o padrão de consolidação de médio prazo dificilmente será afectado e, muito provavelmente, não será já esta semana que veremos o intervalo entre 1,1500 e 1,1800 ser quebrado.
Nota: um agravamento da situação na Gronelândia poderá levar a novas pressões sobre o euro e a maior suporte ao dólar, cenário no qual poderemos assistir a perdas mais agressivas no EUR/USD.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD volta a negociar abaixo da média móvel das 21 semanas, afastando-se da banda superior da área de consolidação e ficando mais perto da sua base de 1,1500.
Por aqui nada de novo, o MACD mantém-se positivo, tal como o RSI, que continua acima da linha de 50, mantendo o momentum ascendente dos últimos dez meses.
Com o EUR/USD a voltar a negociar abaixo da média móvel das 21 semanas, aproxima-se do agora suporte de médio prazo a 1,1573. Um break deste suporte poderá levar a um teste à base da área mais apertada de consolidação (1,1500/1,1800), que se por sua vez quebrado irá expor o suporte a 1,1391, dado pelo mínimo registado no primeiro dia de Agosto do ano passado.
Uma inversão da tendência das duas últimas semanas irá certamente levar o par a um teste à banda superior de consolidação em torno dos 1,1800. Um break desta área (1,1800/1,1830) poderá certamente dar força a um teste à próxima referência a 1,1918, dada pelo máximo do ano de 2025.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD volta a negociar abaixo da média móvel dos 21 dias e segue a testar o suporte dado pela Nuvem de Ichimoku diária.
O MACD segue com a linha de MACD abaixo da linha de Sinal e, embora ainda positivo, acelera o ímpeto descendente do par. O RSI cruzou de forma descendente a linha neutra de 50 e segue a mostrar um forte momentum descendente no par.
O EUR/USD terminou a semana a testar o suporte dado pela média móvel dos 55 dias e de Senkou B (1,1640 e 1,1643, respectivamente). O quebrar desta área expõe toda a área da Nuvem de Ichimoku diária (1,1569/1,1643). A reforçar o suporte a 1,1569 está a importante média móvel dos 200 dias que começa a semana a 1,1566. O quebrar deste importante suporte irá expor o de mais longo prazo a 1,1391.
Uma inversão da actual tendência descendente irá contar com uma primeira resistência ao nível de 1,1700. O ultrapassar da mesma poderá dar força ao par para um teste a 1,1765, máximo deste ano de 2026, que se por sua vez ultrapassado irá expor o máximo de Dezembro de 2025 a 1,1808.
Resistências - Suportes
1,1700 - 1,1573
1,1765 - 1,1500
1,1808 - 1,1391