Semana Revista
Uma semana mais tranquila

Semana Revista Uma semana mais tranquila

As tensões políticas abrandaram, os resultados da banca agradaram aos investidores, a inflação nos EUA saiu mais baixa do que o esperado e Trump esteve por todo o lado, e acabou por ter o “seu prémio Nobel da Paz”.

As tensões políticas deram sinais de algum abrandamento, ajudando a aliviar o nervosismo geral. Em paralelo, a época de resultados da banca revelou-se, em termos gerais, mais sólida, com números que acabaram por agradar aos investidores e devolver alguma confiança ao sector financeiro. Do lado macroeconómico, a inflação nos Estados Unidos surpreendeu em baixa, reforçando a expectativa de que a Reserva Federal possa continuar a cortar taxas lá mais para Junho. Pelo meio de tudo isto, Donald Trump voltou a estar omnipresente no discurso político e mediático, culminando com Marina Corina Machado a ofertar-lhe o Prémio Nobel da Paz, aquilo que descreveu como "um gesto maravilhoso de respeito mútuo".




Trump Domina a Semana: Dos Mercados à Geopolítica

Donald Trump esteve omnipresente ao longo desta semana, marcando a agenda tanto nos mercados financeiros como no xadrez geopolítico global.

Nos Mercados Financeiros
As yields das obrigações do Tesouro norte-americano a longo prazo registaram uma queda acentuada, na sequência de Trump ter "dado instruções" – numa demonstração característica do seu estilo de governação por decreto – para que as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac adquirissem 200 mil milhões de dólares em títulos garantidos por hipotecas.
O sector bancário não escapou ileso. As acções dos bancos sofreram pressão considerável depois de o presidente ter exigido um tecto de 10% para as taxas de juro dos cartões de crédito – uma redução drástica face aos mais de 20% que têm vigorado nos últimos anos e que representa uma intervenção sem precedentes num mercado tradicionalmente livre.

Powell na Mira da Casa Branca
Jerome Powell, presidente da Reserva Federal, encontra-se agora sob investigação formal. Numa declaração gravada e transmitida via YouTube – sinal dos tempos que correm – Powell não teve papas na língua ao estabelecer uma ligação directa com a Administração Trump, que o tem pressionado incessantemente, por todos os meios disponíveis, para reduzir as taxas de juro de curto prazo segundo o calendário político da Casa Branca, e não segundo critérios técnicos da Fed.

Xadrez Geopolítico: Da Gronelândia ao Irão
Na frente geopolítica, Trump voltou a agitar as águas do Atlântico Norte ao afirmar que os Estados Unidos "precisam" da Gronelândia para garantir a sua segurança nacional, prometendo consegui-la "a bem ou a mal" – uma retórica que causou arrepios nas chancelarias europeias. As negociações entre representantes norte-americanos, gronelandeses e dinamarqueses prosseguem num impasse, sem que se vislumbre uma solução no horizonte imediato.
No Médio Oriente, surgiu um raro momento de distensão. A promessa de que os manifestantes detidos no Irão não serão executados levou Washington a recuar nas suas ameaças, fazendo baixar as tensões na área.
Quanto ao conflito entre a Ucrânia e a Rússia, Trump voltou a visar Volodymyr Zelensky, acusando o presidente ucraniano de estar a "complicar" um eventual acordo de paz. Segundo Trump, Vladimir Putin estaria preparado para negociar a paz – uma afirmação que levanta tantas questões quanto as que pretende responder.

O Nobel que Não Pode Ser
Num episódio que oscila entre o surrealismo e a farsa diplomática, Donald Trump conseguiu finalmente o seu cobiçado "Prémio Nobel da Paz" – ainda que por uma via insólita. A oposicionista venezuelana Corina Machado, verdadeira detentora do galardão, ofereceu-lhe a distinção, para grande espanto e consternação do Comité Nobel norueguês. A comissão apressou-se a esclarecer que o prémio "não pode ser revogado, compartilhado ou transferido para terceiros", com actuais e antigos responsáveis do Comité a descrever o acto como "incrivelmente constrangedor", "patético" e "absurdo".

Mais uma semana na era Trump – onde o extraordinário se tornou rotina e as regras tradicionais parecem existir apenas para serem reescritas.





Japão: Eleições Antecipadas e a Montanha-Russa do Iene

O Japão entrou numa fase de turbulência política e financeira que tem mantido os mercados em estado de alerta. A primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou a sua intenção de dissolver a Câmara dos Representantes na próxima segunda-feira, preparando o terreno para eleições antecipadas que poderão realizar-se já a 8 de Fevereiro.

A manobra de Takaichi não surge por acaso. Com taxas de aprovação superiores a 70%, a primeira mulher a liderar o governo japonês procura capitalizar a sua popularidade para consolidar uma maioria mais confortável no parlamento. A coligação governamental actual, formada pelo Partido Liberal Democrata (LDP) e pelo Partido da Inovação do Japão (JIP), detém apenas 233 dos 465 lugares da câmara baixa, uma margem apertadíssima que dificulta a aprovação de legislação e orçamentos.
O objectivo é claro: uma maioria mais robusta ajudará Takaichi a implementar a sua agenda de estímulos fiscais mais agressivos. A primeira-ministra, conhecida pelas suas posições conservadoras e por uma retórica firme em relação à China, quer passar um orçamento recorde de 122,3 mil milhões de ienes antes do início do novo ano fiscal em Abril, mas precisa de força parlamentar para o fazer sem depender tanto dos partidos minoritários.

Mas Takaichi não terá vida fácil. Num desenvolvimento que apanhou muitos observadores de surpresa, o Partido Democrático Constitucional (CDP) e o Komeito acordaram formar um novo partido centrista antes das eleições de Fevereiro, uma aliança que era impensável há apenas três meses.
O Komeito, que durante 26 anos foi parceiro de coligação do LDP, abandonou a coligação governamental em Outubro de 2025, junta forças com o principal partido da oposição para criar a Aliança Centrista de Reforma (Chūdō Kaikaku Rengō), numa tentativa de oferecer aos eleitores uma alternativa ao que consideram ser uma viragem excessivamente à direita da política japonesa.
Os líderes de ambos os partidos descreveram esta união como uma estratégia ofensiva para combater a coligação governamental conservadora, embora a realidade seja que ambos enfrentavam taxas de apoio em queda e uma base eleitoral cada vez mais reduzida.

Toda esta instabilidade teve reflexos imediatos nos mercados, em particular no mercado cambial. O iene voltou a mostrar grande volatilidade, tocando nos níveis mais fracos de mais de um ano face ao dólar, pressionado pelas expectativas de mais estímulos fiscais, pela inflação persistente e pelos diferenciais de taxas de juro que continuam a favorecer os Estados Unidos. A aproximação ao nível dos 160 ienes por dólar reacendeu mesmo os receios de uma eventual intervenção conjunta das autoridades japonesas e norte-americanas.





Wall Street: Quando os Números Bons Não Bastam

A época de resultados do quarto trimestre de 2025 arrancou em Wall Street com os grandes bancos norte-americanos e deixou uma mensagem clara para os investidores: num mercado a negociar perto de máximos históricos, bons números já não chegam. Apesar de resultados globalmente sólidos, a reacção do mercado foi, em muitos casos, negativa, penalizando qualquer sinal de cautela ou fragilidade.

O JPMorgan deu o pontapé de saída com resultados mistos, afectados por um impacto pontual relacionado com o negócio do Apple Card, mas ainda assim acima das expectativas em termos ajustados. As receitas beneficiaram do trading, enquanto o investment banking ficou aquém do esperado. As orientações prudentes e os alertas de Jamie Dimon sobre riscos geopolíticos e fiscais acabaram por pesar nas acções.

A meio da semana, Bank of America, Wells Fargo e Citigroup apresentaram números razoáveis, com alguns casos de superação das previsões, mas isso não impediu quedas acentuadas em bolsa. As expectativas estavam elevadas e qualquer desvio, seja por custos extraordinários ou menor visibilidade futura, foi severamente castigado pelos investidores.

Este movimento ocorreu num contexto político particularmente sensível, marcado por propostas de intervenção no mercado do crédito e por renovadas dúvidas em torno da independência da Reserva Federal. A incerteza política juntou-se aos resultados e ajudou a explicar a reacção negativa do mercado ao sector bancário tradicional.

O cenário foi diferente para os bancos de investimento. Goldman Sachs e Morgan Stanley apresentaram resultados claramente acima das expectativas, beneficiando do forte dinamismo no investment banking e na gestão de fortunas. No caso da Morgan Stanley, o mercado respondeu de forma entusiástica, premiando a entrega de crescimento nas áreas certas e uma mensagem mais confiante quanto ao futuro.

No balanço final, os resultados confirmam que 2025 foi um ano muito forte para a banca norte-americana, mas também mostram que, em 2026, a fasquia está mais alta. Grande parte das boas notícias já está reflectida nos preços e os investidores exigem agora não apenas bons números, mas também orientações sólidas e sinais claros de continuidade do crescimento. Num mercado exigente, entregar o esperado pode já não ser suficiente para evitar uma correcção.



Dados Económicos




Nos Estados Unidos, a semana começou com as atenções voltadas para os importantes dados dos preços relativos ao mês de Dezembro. Após alguns atrasos e omissões devido ao shutdown governamental uns meses atrás, os números de Dezembro saíram na sua habitual agenda. Os preços em termos mensais subiram 0,3%, em linha com o esperado pelos mercados, com a inflação a manter-se nos 2,7%. Sem alimentos nem energia os preços subiram 0,2%, abaixo dos 0,3% previstos, e a inflação subjacente ficou nos 2,6%, em linha com a do mês de Novembro e abaixo das estimativas que apontavam para 2,7%.
Mais tarde, a inflação à porta das fábricas mostrou-se também ligeiramente abaixo das estimativas, com os preços em Outubro a mostrarem um aumento de 0,1%, face aos 0,3% esperados, e em Novembro de 0,2%, em linha com as estimativas.
Já os números das vendas a retalho aumentaram mais do que o esperado. Após uma queda de 0,1% no mês de Outubro subiram +0,6% em Novembro, com o grupo de controlo a desacelerar do crescimento, revisto em baixo, de 0,6%, para 0,4%, em linha com as previsões do mercado.
Os números semanais da ADP apresentaram a criação de 11,8 mil empregos na média das quatro semanas até 30 de Dezembro de 2025.
Os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego mostraram uma queda dos 207 mil da semana anterior, para se ficarem novamente por uma leitura abaixo dos 200 mil pedidos (198 mil).
Os índices manufactureiros do Fed de Nova Iorque e de Filadélfia também superaram as expectativas dos investidores. O primeiro subiu de -3,9 para 7,7, bem acima dos 1,1 esperados e o segundo disparou de -10,2 para +12,6 (face a -2,9 estimados).
Os números da produção industrial mostraram uma subida de 0,4%, acima dos 0,2% estimados e em linha com os do mês anterior, revistos em alta para 0,4%.
Tivemos também dados do mercado imobiliário e da construção. A venda de casas novas de Setembro subiu para 738 mil e a de Outubro ficou nos 737 mil, acima do apontado pelas previsões de 710 mil. As vendas de casas existentes em Dezembro aumentaram em 5,1%, superando as previsões de uma queda de 1,6%, após o aumento revisto em alta de 0,7% no mês de Novembro. Já o índice do mercado imobiliário NAHB de Janeiro mostrou uma queda de 39 para 37, contrariando as estimativas que apontavam para uma subida para 40.
Os números da conta-corrente do terceiro trimestre apresentaram um déficite de 226 mil milhões de dólares, abaixo dos 249 mil milhões do trimestre anterior e do esperado de 240 mil milhões de dólares.
O índice de pequenas e médias empresas NFIB saiu bem em linha com as estimativas, a 99,5, numa ligeira recuperação dos 99 do mês anterior.
Já o índice de optimismo económico RCM/TIPP caiu inesperadamente de 47,9 para 47,2, face a uma subida estimada para 48,2.
Os inventários empresariais mostraram um crescimento de 0,3%, em linha com as previsões, e do crescimento de 0,3%, revisto em alta, do mês anterior.

Na Zona do Euro, foi uma semana bastante mais tranquila relativamente a indicadores económicos.
A semana começou com a divulgação do Índice de Confiança do Investidor Sentix, que superou as estimativas do mercado que apontavam para uma subida de -6,2 para -5,1, saindo a -1,8.
A produção industrial também superou as expectativas, mostrando um aumento de 0,7%, após um aumento do mesmo valor, revisto em baixo, do mês anterior, mas bem acima de uma estagnação esperada pelos mercados.
Já os números da balança comercial desiludiram, ao mostrarem um excedente de 9,9 mil milhões de euros, bem abaixo dos 19,5 mil milhões previstos e com o excedente do mês anterior a ser revisto em baixo de 18,4 mil milhões para 17,9 mil milhões.
Na Alemanha, os olhos estiveram colocados nos números preliminares do PIB relativamente ao ano de 2025, que mostraram um crescimento de 0,2%, após a contracção do ano anterior ter sido revista em baixo de 0,2% para 0,5%, ficando em linha com o estimado pelo mercado. Os números finais da inflação de Dezembro confirmaram a leitura preliminar, enquanto o índice de preços grossistas tinha mostrado inesperadamente uma queda de 0,2%, face a uma desaceleração esperada dos 0,3% do mês anterior, para 0,2%.
Em França, os números finais da inflação de Dezembro confirmaram a subida de 0,1% em termos mensais apresentada na leitura preliminar.
Em Itália, a produção industrial superou as estimativas do mercado ao subir 1,5%, bem acima dos 0,5% esperados, após a redução de 1% no mês anterior. Os números da balança comercial registaram um excedente de 5,08 mil milhões de euros, após o de 4,18 mil milhões do mês anterior.

No Reino Unido, o BRC Retail Sales Monitor desacelerou 1,2% no mês anterior para 1,0%, ficando ainda assim acima dos 0,6% estimados, enquanto o RICS House Price Balance manteve o ritmo de -14% (revisto em alta), ficando também acima dos -16% previstos.
Os números da produção da construção, mostraram uma queda de 1,3%, desiludindo os mercados que esperavam por uma estabilização, enquanto a queda no mês anterior foi revista de -0,6% para -1,2%.
Já a produção industrial em Novembro superou as previsões dos mercados ao mostrar um crescimento de 1,1%, bem acima do crescimento anémico previsto de 0,1%, depois de uma subida revista em alta de 1,3% no mês Outubro.
Os números da balança comercial de bens mostraram um défice de 23,7 mil milhões de libras, maior do que o de 20,4 mil milhões previsto, com o défice do mês anterior a ser revisto dos 22,5 mil milhões de libras para 24,2 mil milhões.

No Canadá, a semana começou com os dados das licenças de construção de Novembro que mostraram uma queda de 13,1%, bem maior do que a redução prevista de 6,8%, após o crescimento revisto em alta de 15,7% em Outubro.
As vendas manufactureiras caíram 1,2%, um pouco mais do que o esperado, após a redução de 1% no mês anterior, tal como as vendas grossistas que caíram 1,8%, abaixo das estimativas e depois de um crescimento revisto em alta do mês anterior para 0,4%.
O início de construção de casas superou as expectativas do mercado ao mostrar um crescimento das 254 mil casas do mês anterior para 282 mil, bem acima das 255 mil esperadas pelo mercado.

Na China, os olhos estiveram esta semana colocados nos números da balança comercial de Dezembro. Os números superaram as expectativas dos mercados mostrando um crescimento do excedente de Novembro de 111,7 mil milhões de dólares, para 114,1 mil milhões, onde as exportações aumentaram 6,6% e as importações 5,7%. O excedente comercial chinês durante 2025 atingiu um recorde de 1,2 triliões de dólares. As remessas para os EUA caíram acentuadamente em Dezembro, com uma queda de 30% em termos homólogos, enquanto as importações recuaram 29%, sinalizando uma redução significativa do comércio entre os Estados Unidos e a China ao longo de 2025.
Tivemos ainda os números dos novos empréstimos em yuans que superaram também as estimativas do mercado, ao mostrarem um crescimento dos 390 mil milhões do mês anterior, para 910 mil milhões, bem acima dos 600 mil milhões esperados.

No Japão, os números da conta-corrente de Novembro mostraram um aumento do excedente de 2834 mil milhões de ienes em Outubro para 3674 mil milhões, um pouco acima dos 3594 mil milhões esperados.
O índice dos observadores económicos caiu de 48,7 para 48,6, face a estimativas que apontavam para uma ligeira subida para 48,8.
O índice Reuters Tankan também surpreendeu negativamente os mercados ao cair de 10 para 7, contra uma subida prevista para 11.
Os números preliminares de encomendas de maquinaria saíram também abaixo das previsões do mercado, mostrando um crescimento de 10,6%, face a 14,2% do mês anterior e esperado.
Já o índice de preços no produtor saiu bem em linha com o esperado, mostrando um aumento mensal dos preços de 0,1%, desacelerando dos 0,3% do mês anterior de Novembro.

Na Nova Zelândia, a semana começou com a divulgação do índice de confiança empresarial NZIER do quarto trimestre, que surpreendeu tudo e todos ao subir de 18 para 48, face a uma queda estimada para 16.
Os números das licenças de construção de Novembro também superaram as estimativas do mercado ao aumentarem 2,8%, bem acima dos 1% esperados e após a redução no mês anterior de 0,7%.
O índice manufactureiro Business NZ PMI superou as estimativas do mercado ao subir de 51,7 (revisto em alta) para 56,1, bem acima do esperado pelo mercado de 51,6.

Na Austrália foi uma semana tranquila. A semana começou com os dados do anúncio de empregos ANZ a mostrarem uma redução de 0,5% após a redução revista de 1,5% em Novembro, contrariando as estimativas que apontavam para um aumento em Dezembro de 0,5%.
Já a despesa das famílias em Novembro aumentou em termos mensais 1%, bem acima dos 0,6% previstos, desacelerando dos 1,4% registados em Outubro.
O índice de confiança da Westpac caiu de 94,5 para 92,9, contrariando as estimativas de uma subida para 97.
As expectativas de inflação de Janeiro mostraram um abrandamento dos 4,7% do mês anterior, para 4,6%, face a estimativas que apontavam para 4,5%.



Mercados accionistas



O ano de 2026 começou em força com uma primeira semana completa em ganhos significativos, mas esta semana, após ganhos iniciais levando a novos máximos históricos em muitos dos principais índices globais, a semana acabou com as acções a negociarem entre ganhos e perdas.

Na Ásia, os mercados accionistas, salvo poucas excepções, voltaram a destacar-se das restantes praças pela positiva, liderando os ganhos em termos globais.
No Japão, notícias de uma dissolução da câmara baixa por parte de Sanae Takaichi, abrindo a possibilidade de ganhar uma base parlamentar mais sólida que lhe permita implementar uma política fiscal mais agressiva, levou o iene a perdas e a fortes ganhos nos mercados accionistas. O índice Nikkei terminou a semana com um ganho de 3,84% e o Topix de 4,11%, ambos registando novos recordes de fechos semanais.
Na Austrália o índice ASX 200 avançou 2,13%, enquanto na Coreia do Sul, o índice Kospi voltou a liderar os ganhos a nível global, subindo 5,55% e avançando desde o primeiro dia do ano cerca de 15%.
Na China, enquanto os índices CSI300 e Shanghai Composite recuaram ligeiramente 0,57% e 0,45%, respectivamente, o Hang Seng, de Hong Kong, ganhou 2,34%.
Na Índia as acções terminaram praticamente inalteradas dos níveis de início da semana, com o índice Nifty 50 a avançar 0,04% e o Sensex a recuar 0,01%.

Na Europa a semana terminou com os principais índices bolsistas registaram uma semana de ganhos modestos e em novos fechos máximos recorde, com excepção do mercado francês.
O índice Euro Stoxx 600 avançou 0,65% e o Euro Stoxx 50 0,39%. Na Alemanha, o índice DAX subiu marginalmente 0,09%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, subiu 0,98% e liderou os ganhos na Europa, todos fechando a semana em novos máximos de sempre.
Em França, o CAC 40 caiu esta semana 1,39%, recuando de máximos de sempre, com a confiança dos mercados afectada pela contínua incerteza em torno das negociações orçamentais francesas. O governo francês adiou as discussões sobre o orçamento de 2026 desta sexta-feira para a próxima terça-feira, depois dos parlamentares não terem conseguido chegar a um consenso, levando a um aumento da incerteza dos investidores.
Por cá, por Portugal, o índice PSI 20 terminou com um ganho semanal de 0,95% e renovando um máximo de mais de quinze anos.

Nos Estados Unidos, indicadores macroeconómicos que sustentam as expectativas dos investidores de que um corte de taxas por parte da Reserva Federal poderá não acontecer antes do meio deste ano, incertezas em torno da independência da Fed, tensões geopolíticas e resultados da banca acima das estimativas de Wall Street, não fizeram mais do que manter os principais índices bolsistas norte-americanos em torno dos recentes máximos.
Os principais índices de Wall Street terminaram com perdas ligeiras, onde o Dow Jones foi o que menos recuou (-0,29%), o S&P 500 caiu 0,38% e o Nasdaq perdeu 0,66%.
Em sentido contrário, o índice de pequenas e médias empresas Russell 2000, ganhou 2,04% e registou novos máximos históricos.

Gráfico Fonte XTB xStation 5


Mercado cambial



A segunda semana do ano continuou com um mercado, na sua maioria, a negociar em volatilidade reduzida, com excepção do iene. O dólar continuou a recuperar das perdas registadas em 2025, o euro a recuar de ganhos, um franco suíço a liderar as perdas semanais e onde o peso mexicano foi a única moeda que ganhou substancialmente face ao dólar.

O dólar voltou a negociar em ganhos durante esta semana. O mercado voltou a desvalorizar as ameaças à independência da Reserva Federal e os bons dados macroeconómicos, apesar de dados da inflação ligeiramente abaixo do esperado continuam a levar os mercados a apontarem um corte de taxas nos Estados Unidos lá para meados do ano, talvez na reunião da Fed de Junho. As tensões geopolíticas e as incertezas em geral continuam a fornecer suporte ao dólar, ainda a principal moeda de reserva global, e um activo de refúgio por excelência.
O índice do dólar DXY quebra a resistência dada pela média móvel dos 200 dias e termina a semana acima dos 99,00 pela primeira vez desde meados de Novembro de 2025, após ter começado a semana a negociar a 98,65.

O euro continuou a negociar em perdas, apesar dos mercados continuarem a ver um Banco Central Europeu que terminou o seu ciclo de cortes de taxas, a situação da Gronelândia, assim como o conflito na Ucrânia a manter-se activo, levam a pressões sobre o euro.
O EUR/USD durante esta semana teve um único sentido, em baixa. Tendo iniciado a semana a negociar a semana a 1,1624, registando ainda um máximo de 1,1698, acabou por terminar a negociar perto dos mínimos, abaixo de 1,1600 (1,1599), o que não se verificava desde os primeiros dias de Dezembro de 2025.

O iene japonês negociou esta semana em volatilidade acrescida. Notícias de que Sanae Takaichi se preparava para dissolver a câmara baixa na próxima semana e convocar eleições antecipadas levou o iene a negociar em fortes perdas, com os investidores, por um lado a enfrentarem mais incertezas e por outro com a possibilidade de consolidar uma maioria mais confortável no parlamento, levando à concretização da sua política fiscal mais expansiva.
Mas as fortes perdas do iene levaram a sinais de alarme no Ministério das Finanças, Katayama veio relembrar ao mercado a sua preocupação com esta desvalorização do iene, salientando que um acordo entre a ministra das Finanças do Japão e o secretário do Tesouro dos EUA inclui uma possível intervenção cambial, reacendendo receios de uma eventual intervenção conjunta. O iene acabou a semana a recuperar uma grande parte das perdas registadas anteriormente.
O USD/JPY terminou a semana em torno dos níveis onde a começou a negociar, em torno de 158,10, após ter atingido um máximo de mais de um ano muito perto de 160,00 (159,45).
O EUR/JPY, depois de ter registado um máximo de sempre ao negociar a 185,57, terminou em mínimos a 183,35, após ter começado a semana a 183,95.

O franco suíço continuou a negociar em perdas, tal como o tinha feito nos primeiros dias de 2026. Apesar das tensões geopolíticas e incertezas no mercado, uma taxa a nível de zero com os mercados a continuarem a negociar em volatilidade reduzida, acabam por penalizar o franco, levando-o a ser a divisa do G10 que mais perdeu esta semana.
O USD/CHF negociou entre um mínimo de 0,7956 e um máximo de 0,8040, após ter começado a semana a negociar a 0,8005 e terminado a 0,8030.
O EUR/CHF terminou a semana no mesmo nível que a iniciou, a 0,9315, tendo o preço ficado contido entre um mínimo de 0,9297 e um máximo de 0,9350.

A libra continuou a negociar pouco alterada dos recentes níveis, recuando face ao dólar, mas ganhando face ao euro.
O GBP/USD começou a semana a negociar a 1,3400, para terminar ligeiramente abaixo desse nível, 1,3380, e perto dos mínimos da semana, após ter atingido um máximo muito perto de 1,3500 (1,3495).
O EUR/GBP começou a semana a negociar a 0,8680 e chegou a atingir um máximo de 0,8693, mas recuperou e terminou a 0,8670, recuando de um mínimo de 0,8652.

Nos mercados emergentes, o destaque vai para o peso mexicano que registou fortes ganhos tanto face ao euro como face ao dólar.
Uma vez mais, mercados accionistas em torno de máximos e volatilidade reduzida continuam a privilegiar as estratégias de carry trade, onde o peso mexicano leva alguma vantagem com a sua taxa de juro em torno dos 7%.
O peso ganhou esta semana cerca de 2,4% face ao euro e 2% face ao dólar, com o USD/MXN a terminar a semana em torno de 17,60, nível que não se registava desde Julho de 2024.

Por outro lado, pela negativa, voltamos a encontrar a lira turca que continua a negociar em perdas, sendo que face ao dólar regista novos mínimos recorde. Esta semana perdeu cerca de 0,70% face ao dólar e 0,20% face ao euro.

Gráfico Fonte XTB xStation 5


Commodities



Petróleo

Os mercados petrolíferos atravessaram esta semana uma vez mais em volatilidade acrescida, impactado por receios de uma disrupção na oferta, num mercado estruturalmente bem abastecido em 2026, permanentemente condicionado por um pano de fundo geopolítico instável e por revisões em baixa das projecções de preços para os próximos trimestres.
​ A recuperação deste ano tem sido em grande medida alimentada por receios de perturbações no lado da oferta, nomeadamente no Irão e na Venezuela, mas o movimento perdeu fôlego à medida que o mercado passou a exigir provas concretas de que esses riscos se traduzem em perdas de barris efectivas e duradouras.

​As ameaças norte-americanas de um ataque ao Irão levaram os preços do crude a máximos dos últimos três meses, mas com Donald Trump a recuar nessa intenção, após o anúncio de Teerão de que não iria executar os manifestantes detidos, acabou por levar o preço do crude a recuar.

O Brent começou a semana a negociar a 63,45 dólares por barril para terminar a 64,10 dólares, recuando de um máximo de 66,80 dólares.
O WTI terminou também a cair do máximo atingido a 62,35 dólares, após ter começado a semana a negociar a 59,00 dólares e terminar a 59,30 dólares.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



Ouro

O ouro continuou a surpreender, mantendo a tendência de alta que tem marcado os últimos meses. O metal amarelo não só consolidou os ganhos recentes como também renovou máximos históricos, ultrapassando pela primeira vez a barreira psicológica dos 4.600 dólares por onça logo no início da semana, chegando a negociar acima dos 4.640 dólares. Este movimento reflete uma combinação de factores: a persistência de tensões geopolíticas, a procura robusta por activos de refúgio e a expectativa de que as pressões inflacionárias possam ser mais duradouras do que inicialmente previsto pelos mercados.

O preço do ouro recuou com as tensões geopolíticas em torno do Irão a diminuírem depois de o presidente Donald Trump ter reiterado que pode adiar qualquer acção militar, citando sinais de que a repressão dos protestos estava a diminuir e que não ocorreriam execuções em grande escala. Ao mesmo tempo, dados económicos mais fortes dos Estados Unidos reforçaram a visão de que a política monetária permanecerá restritiva durante mais tempo, levando os investidores a reduzir ainda mais as expectativas num corte iminente da Fed.

O ouro encerrou a semana a cotar abaixo dos 4.600 dólares por onça, após a ter iniciado a negociar a 4.521,50 dólares, com uma valorização de cerca de 2,1% e um acumulado desde o início do ano em torno de 5%.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



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