A semana que começa
Trump, Davos e resultados

A semana que começa Trump, Davos e resultados

Uma semana em que Trump certamente tomará ainda mais o palco central que é a reunião anual do Fórum Económico Mundial em Davos, com os mercados ainda a olharem para resultados empresariais, dados económicos e Banco do Japão.

O grande acontecimento da semana será na Suíça, em Davos, com a habitual reunião anual do Fórum Económico Mundial, onde certamente Donald Trump irá centralizar as atenções, mas onde contaremos também com intervenções de muitos dos responsáveis máximos de bancos centrais.
Uma semana que começa com o feriado nos Estados do Dia de Martin Luther King, em que iremos ter a continuação da época de resultados empresariais do quarto trimestre de 2025, que irá dividir as atenções com os dados da actividade económica privada e com a medida preferida da Reserva Federal para a inflação e ainda com o primeiro banco central do G7 a decidir sobre política monetária, o Banco do Japão.




Esta semana, a pequena estância suíça de Davos volta a transformar-se no centro do mundo. O Fórum Económico Mundial (WEF) realiza a sua 56.ª reunião anual, e o clima promete ser de uma mistura estranha entre tentativa de reconciliação e realismo cru.
O tema oficial deste ano é “A Spirit of Dialogue” (Um Espírito de Diálogo), basicamente uma forma elegante de dizer: “Olhem, o mundo está fragmentado, as pessoas não se entendem, as alianças estão a rebentar pelas costuras… será que ainda conseguimos falar uns com os outros sem partir a loiça toda?”

Os cinco grandes eixos (as perguntas que vão andar a martelar na cabeça de toda a gente)

O programa está estruturado à volta de cinco desafios enormes, que são mais ou menos as perguntas que ninguém consegue responder bem em 2026:

Como cooperar num mundo cada vez mais contestado?
Geopolítica à bruta: rivalidade EUA-China (ainda mais picante com o regresso em força de Trump), guerras comerciais disfarçadas de “segurança nacional”, minilateralismos (pequenos grupos de países que se juntam e ignoram os outros), erosão das instituições multilaterais… O relatório de Riscos Globais 2026 do próprio WEF coloca a confrontação geoeconómica como o risco número 1 do ano.

Como desbloquear novas fontes de crescimento?
O crescimento clássico está anémico em muitos sítios. Há quem aposte tudo em agentic AI (IA que age autonomamente), produtividade exponencial, mas também quem já esteja a alertar para uma possível bolha de IA (muito investimento, resultados ainda modestos na economia real).

Como investir melhor nas pessoas?
Reskilling, proteção social que acompanhe a velocidade da disrupção tecnológica, desigualdades que continuam a crescer, polarização social… Temas que soam a chavões, mas que em 2026 estão a tornar-se questão de estabilidade política em vários países.

Como implementar inovação à escala e com responsabilidade?
Aqui entra a estrela absoluta: IA generativa / agentic, computação quântica, biotecnologia avançada, novos sistemas energéticos. Toda a gente quer colher os frutos, quase ninguém quer falar a sério dos custos sociais e dos riscos de descontrolo.

Como criar prosperidade dentro dos limites do planeta?
Transição energética (agora já com muito mais realismo e menos powerpoints bonitos), economia circular, biodiversidade, financiamento climático que realmente chegue… Tudo isto enquanto os preços da energia continuam voláteis e há países que precisam desesperadamente de crescer.

Algumas notas de cor e ambiente que se esperam

Presença confirmada do Presidente Donald Trump, primeira vez presencial desde 2020. Vai ser o elefante na sala (ou melhor, no congress center).
Cerca de 65 chefes de Estado e de Governo, perto de 3000 participantes no total, de mais de 130 países.
Muita conversa sobre resilience economics (economia da resiliência), green growth (crescimento verde que não seja só marketing), minilateralismo e claro… a eterna dúvida: IA vai ser uma bolha ou o maior salto desde a internet?

Resumindo: Davos 2026 não vai salvar o mundo. Mas também não vai fingir que está tudo bem. Vai ser um grande exercício de diálogo forçado entre pessoas que, no fundo, não se suportam muito, mas que sabem que, se não falarem agora, a desordem dos próximos anos pode ficar ainda mais feia.
Se calhar é mesmo esse o espírito: não é preciso gostar uns dos outros… chega começar a conversar antes que a conversa deixe mesmo de ser possível.





Esta semana aumenta o ritmo de resultados empresariais referentes ao quarto trimestre de 2025, com várias empresas de peso mundial a divulgar contas que vão orientar expectativas para 2026.

Entre os nomes mais aguardados estão a Netflix e a Intel, no sector tecnológico, cuja performance em assinantes e inovação será observada de perto pelos investidores. No mesmo universo, empresas industriais como a 3M e a unidade GE Aerospace trazem uma leitura sobre produção e dinamismo em segmentos mais cíclicos.

No sector financeiro e de serviços, a Visa e a Charles Schwab apresentam resultados que ajudam a medir como o consumo e as transacções financeiras estão a evoluir num contexto de possíveis mudanças nas políticas monetárias.

Na saúde e tecnologia médica, Johnson & Johnson, Abbott Laboratories e Intuitive Surgical divulgam números que podem indicar tendências de gasto em saúde, dispositivos e inovação clínica.

Também em destaque estão a Prologis, no imobiliário logístico, a NextEra Energy, no sector de energia, a Procter & Gamble, no consumo massivo, e a LVMH, no luxo — cada uma destas empresas oferecendo uma perspectiva sobre diferentes segmentos da economia global.

Num período em que os mercados valorizam não só os resultados mas também as orientações futuras, esta semana promete ser um termómetro importante para aferir a confiança das empresas e a trajectória de crescimento económico para 2026.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
Iremos ter uma semana mais curta, que começa com um feriado na segunda-feira, o Dia de Martin Luther King, e bastante mais vazia de indicadores económicos.
O destaque da semana vai para a divulgação da medida para a inflação mais relevante para a Reserva Federal dos Estados Unidos, o Core PCE Price Index, onde teremos os dados de Novembro e Dezembro, ainda devido ao shutdown governamental.
As previsões apontam para que em Outubro o índice mostre um aumento mensal de 0,1%, com a medida anual a manter-se nos 2,8%. A despesa pessoal deverá desacelerar de 0,3% para 0,1% e o rendimento pessoal de 0,4% para 0,3%. Em Novembro os preços em termos mensais, segundo as estimativas, deverão mostrar uma subida de 0,2%, com a medida preferida da Fed para a inflação a cair para os 2,7%. A despesa pessoal deverá acelerar para os 0,5% e o rendimento para 0,4%.
Os mercados estarão também atentos aos números finais do PIB do terceiro trimestre, que não deverão mostrar um desvio dos 4,3% apresentados na segunda estimativa.
Iremos ter os números das vendas pendentes de imóveis, com as estimativas a apontarem para uma desaceleração do aumento anterior de 3,3% para 1,4% em Dezembro.
Teremos a divulgação dos dados privados semanais do emprego do ADP e os números semanais de novos pedidos de desemprego, com as estimativas do mercado a apontarem para uma ligeira subida dos 198 mil pedidos da semana anterior, para 203 mil.
A semana terminará com os números da actividade económica privada da S&P Global. As previsões apontam para um ligeiro crescimento, com o PMI composto a subir de 52,7 para 52,8, onde a actividade manufactureira deverá subir de 51,8 para 52,0 e a de serviços recuar de 52,5 para 52,3. Teremos ainda a revisão dos dados da Universidade de Michigan.

Zona Euro
As atenções esta semana voltam-se para os índices PMI da actividade económica privada que, segundo as previsões, deverão continuar a mostrar um ligeiro crescimento.
O PMI composto deverá mostrar uma subida de 51,5 para 52,3, com o sector de serviços a subir de 52,4 para 52,9 e com o manufactureiro de 48,8 para 49,7, ainda em contracção mas já bastante perto da linha que a separa da expansão.
Antes destes dados agregados iremos ter os dados regionais de França e Alemanha. Em França o PMI composto deverá subir de 50 para 50,6, com o industrial a subir de 50,7 para 50,9 e o de serviços de 50,1 para 50,6. Na Alemanha, o PMI composto deverá mostrar uma subida de 51,3 para 52,2, onde o PMI manufactureiro subirá de 47 para 48,5 e o de serviços de 52,7 para 52,9.
A semana começa com os números finais da inflação de Dezembro que deverão confirmar as leituras preliminares de 2% para a inflação total e de 2,3% para a subjacente.
Na terça-feira, iremos ter os números da conta corrente de Novembro, que deverão segundo as previsões apresentar um excedente de 20,3 mil milhões de euros, após o de 25,7 mil milhões no mês anterior. Iremos ter o índice de confiança económica ZEW, onde as estimativas apontam para uma subida de 33,7 para 35,6. Na Alemanha o ZEW deverá também mostrar uma subida de 45,8 para 49,9. Teremos ainda na Alemanha o Índice de Preços do Produtor de Dezembro que deverá mostrar uma queda nos preços de 0,1%, após a estabilização de Novembro.
Na quinta-feira, o índice de confiança do consumidor deverá mostrar uma queda ligeira dos -13,1 de Dezembro para -13,6.

Reino Unido
Por aqui iremos ter uma semana bastante preenchida de indicadores económicos de primeira linha.
Começamos com os dados do mercado de trabalho. As previsões apontam para que a taxa de desemprego caia de 5,1% para 5%. A variação do emprego de Novembro deverá mostrar uma queda de 25 mil postos de trabalho, após a anterior de 16 mil. Os ganhos médios incluindo bónus deverão desacelerar dos 4,7% em Outubro para 4,5% em Novembro. O número de postos de trabalho em Dezembro deverá registar uma diminuição de 20 mil, após os 38 mil em Novembro. O número de pedidos de subsídio de desemprego deverá aumentar dos 20.100 para 20.500.
Na quarta-feira é dia de inflação. Os preços em Dezembro, segundo as previsões, deverão mostrar um aumento mensal de 0,2%, após a queda de igual valor no mês anterior, com a inflação anual a subir de 3,2% para 3,3%, tal como a inflação subjacente. Teremos ainda o índice de preço das casas que deverá mostrar uma aceleração dos 1,7% para 1,8% e o índice das expectativas de encomendas industriais CBI uma queda de -32 para -33.
Na quinta-feira iremos ter os números dos empréstimos líquidos ao sector público, que deverão mostrar um aumento dos 11,7 mil milhões de libras do mês anterior para 13,5 mil milhões, e ainda o índice das CBI Realized Sales, que deverá mostrar uma subida de -44 para -35.
Por fim, na sexta-feira, teremos o índice GfK de confiança do consumidor, com as estimativas a apontarem para uma ligeira subida de -17 para -16. Os números das vendas a retalho de Dezembro deverão continuar a mostrar uma queda mensal de 0,1%, onde excluindo combustíveis deverão mostrar uma queda de 0,3%, após a anterior de 0,2%. Os dados da actividade económica privada da S&P global deverão mostrar um ligeiro crescimento, com o PMI composto a subir de 51,4 para 51,7, onde o sector de serviços deverá mostrar um crescimento de 51,4 para 51,5 e o industrial de 50,6 para 50,8.

Canadá
O destaque desta semana vai para os dados da inflação. Os números deverão mostrar que os preços em Dezembro deverão ter caído 0,4%, com a inflação a manter-se nos 2,2% e a inflação subjacente a cair de 2,9% para 2,8%. A medida seguida mais de perto pelo Banco do Canadá, a Trimmed-Mean que exclui 40% dos itens mais voláteis, deverá cair de 2,8% para 2,7%.
Iremos ter também o índice de preço dos imóveis novos, onde as estimativas apontam para uma subida de 0,1%.
A semana terminará com os números das vendas a retalho de Novembro que deverão mostrar um aumento mensal de 1,2%.

China
A semana começa com um conjunto alargado de importantes dados económicos mensais.
As atenções vão especialmente para os números do PIB do quarto trimestre de 2025, onde as previsões apontam para um crescimento trimestral de 1%, abrandando dos 1,1% do trimestre anterior, onde em termos homólogos deverá mostrar uma subida de 4,5%, bem abaixo dos 4,8% do terceiro trimestre. O ano de 2025 deverá mostrar um crescimento de 5%, em linha com as projecções do governo chinês.
A produção industrial de Dezembro deverá mostrar em termos homólogos um crescimento de 5%, acelerando dos 4,8% do mês anterior, enquanto as vendas a retalho deverão crescer 1,2%, desacelerando dos 1,3% de Novembro.
A taxa de desemprego deverá subir de 5,1% para 5,2%.
Em Dezembro, os investimentos em activos fixos deverão mostrar uma queda de 3% em termos anuais, acelerando dos -2,6% no mês anterior, tal como o investimento estrangeiro directo, que após uma queda de 7,5% em Novembro, deverá mostrar agora uma queda de 6,8%.
O índice de dezembro dos preços dos imóveis deverá mostrar uma queda em termos homólogos de 2,6%, acelerando dos 2,4% no mês de Novembro.

Japão
Logo no início da semana iremos ter os dados das encomendas de maquinaria do mês de Novembro, excluindo as dos navios e de centrais energéticas, que deverão mostrar uma queda de 5,2%, após o crescimento de 7% no mês anterior.
Teremos mais tarde números da balança comercial, com as previsões a mostrarem um excedente de 357 mil milhões de ienes (face a 316,8 mil milhões no mês anterior de Novembro), com as exportações a subir 6,1% (ao mesmo ritmo do mês anterior) e as importações 3,6% (face a 1,3% em Novembro).
O mercado irá estar também bastante atento aos dados da inflação, que deverão mostrar uma queda de 3% para 2,4% na inflação subjacente (sem alimentos frescos) e com a inflação total a cair de 2,9% para 2,7%.
A semana terminará com os dados da actividade económica privada, onde o PMI composto da S&P Global deverá mostrar um recuo ligeiro de 51,1 para 50,9, com o PMI industrial a subir de 50 para 50,3 e o de serviços a cair de 51,6 para 51,5.

Nova Zelândia
As atenções desta semana vão para os dados da inflação do quarto trimestre de 2025, onde as previsões apontam para uma queda trimestral dos 1% no trimestre anterior, para 0,5%. Em termos anuais, a inflação deverá manter-se nos 3%. Teremos também, logo no início da semana, o índice de serviços BusinessNZ, que deverá mostrar uma subida dos 46,9 para 48.

Austrália
Por aqui o destaque vai para os dados do mercado de trabalho. A taxa de desemprego deverá subir de 4,3% para 4,4%, impulsionada por uma subida da taxa de participação de 66,7% para 66,8%. A variação do emprego deverá mostrar um aumento de 40 mil postos de trabalho, com mais 30 mil empregos a tempo inteiro e 10 mil a tempo parcial.
Iremos ter ainda os dados da actividade económica privada da S&P Global, que deverão mostrar um crescimento ligeiro. O índice PMI composto deverá subir de 51 para 51,3, com o da actividade manufactureira a cair de 51,6 para 51,3 e o de serviços a subir de 51,1 para 51,5.



Bancos Centrais



O Banco do Japão
Após o aumento da taxa de juro em Dezembro, o Banco do Japão deverá manter esta semana a sua taxa de juro directora inalterada em 0,75%. Os mercados estarão atentos à avaliação do Presidente Ueda sobre a forma como a recente fraqueza do iene poderá afectar a inflação. Além disso, o Banco do Japão divulgará o seu mais recente relatório de perspectivas trimestrais. Prevê-se que as projecções de crescimento do PIB para os anos fiscais de 2025 e 2026 aumentem devido ao estímulo fiscal e à forte procura global de semicondutores. Em relação às perspectivas de inflação, os subsídios governamentais podem aliviar temporariamente parte da pressão, mas os salários mais elevados, combinados com um iene mais fraco, provavelmente manterão a inflação subjacente acima dos 2% nos anos fiscais de 2026 e 2027.

O Norges Bank
O banco central norueguês, após ter mantido inalterada a sua taxa de juro nos 4% na passada reunião de Dezembro, indicou não estar com pressa para baixar as suas taxas de juro.
O mercado espera assim que na primeira reunião de 2026, o Norges Bank mantenha pela terceira vez consecutiva, as suas taxas de juro nos 4%.

O Banco Central da Turquia
Dada a tendência de flexibilização do banco central turco, o IPC de Dezembro abaixo do esperado impulsionado por itens não alimentares e reservas em níveis recordes, poderemos esperar um corte de 150 pontos base para 36,5% na reunião desta semana. No entanto, os riscos são para um ajuste menor de 100 pontos base, já que os indicadores iniciais apontam para um fortalecimento das pressões de preços no grupo de alimentos neste mês e os dados recentes sinalizam uma recuperação na procura interna.

O Banco Popular da China
O banco central chinês deverá manter inalteradas as suas taxas preferenciais de empréstimos a 1 e 5 anos nos 3% e 3,5%, respectivamente.


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