EUR/USD
Semanal

EUR/USD Semanal

Se interpretarmos à letra o tema do Fórum Económico Mundial deste ano em Davos — “Um espírito de diálogo” — talvez o EUR/USD encontrasse espaço para uma recuperação esta semana. No entanto, tal cenário parece pouco provável.

Na semana anterior, o dólar voltou a negociar em alta, prolongando a recuperação iniciada nos derradeiros dias de 2025. Apesar de os dados mais recentes de inflação terem permanecido relativamente contidos, não foram suficientes para alterar as expectativas de mercado, que continuam a antecipar o próximo corte de taxas pela Reserva Federal apenas a meio do ano. Pelo contrário, indicadores económicos como as vendas a retalho, o mercado imobiliário e o emprego voltaram a evidenciar resiliência, reforçando essa percepção.

Num primeiro momento, a abertura de uma investigação criminal contra o presidente da Fed, Jerome Powell, que respondeu através de uma declaração em vídeo difundida no YouTube, provocou uma breve reacção de “Sell America”, traduzida em quedas do dólar, das obrigações e dos futuros acionistas norte-americanos. Porém, esse movimento revelou-se efémero. O mercado rapidamente recuperou o equilíbrio, o sentimento de risco manteve-se positivo e a volatilidade permaneceu contida, permitindo ao EUR/USD prosseguir a sua trajetória descendente.

Donald Trump continuou a dominar o centro das atenções. Reduziu o tom das ameaças ao Irão, mas manteve uma postura assertiva na sua controversa intenção de aquisição da Gronelândia, um elemento que acabou por oferecer algum suporte adicional ao dólar. No fim de semana, contudo, voltou a subir a fasquia, ameaçando impor tarifas sobre os países europeus que se oponham à sua ambição territorial, num episódio que adiciona uma nova camada de complexidade geopolítica.

Embora os mercados tenham, até agora, desvalorizado as sucessivas ameaças, entre avanços e recuos de Trump, uma persistência nessa direcção tenderá a penalizar o euro e, num primeiro momento, beneficiar o dólar. Assim, é elevada a probabilidade de assistirmos a uma aceleração da tendência descendente recente do EUR/USD.

Resta saber se o Fórum Económico Mundial em Davos servirá para coroar um novo “imperador” ou para virar a mesa das actuais dinâmicas. O tema “Um espírito de diálogo”, se efetivamente assumido na prática, deveria contribuir para arrefecer as tensões e moderar o tom elevado que actualmente domina a cena internacional.

Em minha opinião, trata-se de uma semana relativamente ligeira em dados económicos. Mais para o final, o core PCE price index, a medida preferida da Fed para avaliar a inflação, e os índices PMI dificilmente terão um impacto material no EUR/USD, que continuará sujeito, mais uma vez, aos caprichos da presidência norte-americana. Um agravamento das tensões com a Europa poderá colocar em risco a sólida zona de consolidação observada nos últimos meses entre 1,1500 e 1,1800, enquanto um alívio desses riscos poderá permitir uma recuperação do par.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD continuou a negociar abaixo da média móvel das 21 semanas, aproximando-se da base da área de consolidação de 1,1500.

Por aqui nada de novo, o MACD mantém-se positivo, tal como o RSI, que continua acima da linha de 50, mantendo o momentum ascendente dos últimos dez meses.

Com o EUR/USD a voltar a negociar abaixo da média móvel das 21 semanas, aproxima-se do agora suporte de médio prazo a 1,1573. Um break deste suporte poderá levar a um teste à base da área mais apertada de consolidação (1,1500/1,1800), que se por sua vez quebrado irá expor o suporte a 1,1391, dado pelo mínimo registado no primeiro dia de Agosto do ano passado.

Uma inversão da tendência das duas últimas semanas irá certamente levar o par a um teste à banda superior de consolidação em torno dos 1,1800. Um break desta área (1,1800/1,1830) poderá certamente dar força a um teste à próxima referência a 1,1918, dada pelo máximo do ano de 2025.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O EUR/USD terminou a semana a testar o importante suporte dado pela média móvel dos 200 dias, abaixo da Nuvem de Ichimoku diária.

O MACD segue negativo, com a linha de MACD abaixo da linha de Sinal, acelerando o ímpeto descendente do par. O RSI segue bem abaixo da linha neutra de 50 (a 35), mostrando também um forte momentum descendente no par.

Com o EUR/USD a terminar a semana a testar o suporte dado pela média móvel dos 200 dias (de momento a 1,1583) e a Nuvem de ichimoku (1,1596/1,1622), o break de toda esta área, poderá dar força ao par para um movimento descendente mais agressivo, com o objectivo a poder estar no suporte a 1,1391, referência dada pelo mínimo atingido a 1 de Agosto de 2025, onde pelo meio encontramos uma área de suporte (fraco) 1,1466/1,1491.

Uma inversão da actual tendência descendente conta com uma primeira resistência (fraca) na média móvel dos 55 dias (de momento a 1,1640) e posteriormente na média móvel dos 21 dias de momento a 1,1705. O ultrapassar da mesma poderá dar força ao par para um teste a 1,1765, máximo deste ano de 2026, que se por sua vez ultrapassado irá expor o máximo de Dezembro de 2025 a 1,1808.


Resistências - Suportes

1,1700 - 1,1573

1,1765 - 1,1500

1,1808 - 1,1391


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