Café da Manhã
Em modo de ameaça

Café da Manhã Em modo de ameaça

Donald Trump segue em modo de ameaça em torno da Gronelândia, anunciando tarifas sobre os países europeus que se têm oposto à aquisição norte-americana daquela ilha do Ártico.

O fim de semana continua a ser o timing preferido do presidente dos Estados Unidos para agitar os mercados. Após a invasão da Venezuela e o rapto de Maduro e da investigação a Jerome Powell, desta vez foi sobre a Gronelândia. No caminho de obter esta ilha de importância estratégica para a segurança nacional, anunciou tarifas de 10% sobre produtos de oito países da União Europeia e da NATO (Alemanha, França, Reino Unido, Holanda e os quatro países escandinavos), com efeitos a partir de 1 de Fevereiro. Sem acordo sobre a compra da Gronelândia, as tarifas irão aumentar para 25% em Junho.
Responsáveis europeus no Domingo chegaram a um acordo alargado para intensificar os esforços para dissuadir o presidente dos Estados Unidos de impor tarifas aos aliados europeus, ao mesmo tempo que preparam medidas de retaliação caso as tarifas sejam implementadas.

Na passada sexta-feira, os mercados accionistas norte-americanos terminaram em terreno negativo, recuando de ganhos iniciais após as tensões diminuírem no Médio Oriente, com Donald Trump a ameaçar impor tarifas a quem se opusesse à sua pretensão sobre a Gronelândia.
Com um fim de semana prolongado à porta, o índice Dow Jones recuou 0,17% e o S&P 500 e o Nasdaq 0,06%.
Os mercados encontram-se fechados esta segunda-feira em feriado do Dia de Martin Luther King.

Esta noite, na Ásia, os mercados negociaram mistos, entre a subida das tensões entre os EUA e a Europa, expectativas de eleições antecipadas no Japão e dados económicos na China.
No Japão, o índice Nikkei terminou a primeira sessão da semana em perdas, recuando 0,61%, enquanto o Topix terminou praticamente inalterado, -0,06%.
Na Austrália, o índice ASX 200 recuou 0,33%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, ganhou 1,32%.
Na China, após os números do PIB confirmarem que a economia chinesa cresceu em 2025 5%, em linha com a meta do governo, o índice CSI 300 terminou praticamente inalterado (+0,05%), o Shanghai Composite avançou 0,29% e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,05%.
Na Índia, os principais índices Nifty 50 e Sensex seguem de momento a recuar 0,27%.

Na Europa, os mercados accionistas estão a começar o primeiro dia da semana em perdas, ainda assim contidas, perante ameaças de mais tarifas por parte dos Estados Unidos.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a perder 1,24% e o Euro Stoxx 50 1,65%.
Na Alemanha, o índice DAX cai 1,19% e o CAC 40, de França, 1,45%.
No Reino Unido, o índice FTSE 100 recua 0,47%.

O ouro volta a ganhar neste renovado ambiente de incerteza geopolítica e está a começar a semana a registar novos máximos de sempre.
Após já ter atingido hoje um máximo de 4.690 dólares, a onça de ouro segue de momento a negociar a 4.667 dólares.

O mercado cambial começou nas primeiras horas de negociação da semana com o dólar norte em perdas, entre algum sentimento de “sell América”, mas o seu estatuto de moeda de refúgio/reserva permanece, e segue de momento a recuperar. O índice DXY, que abriu a semana a cair para 99,88, segue de novo acima de 99,00.
O EUR/USD continua também a negociar pouco alterado dos recentes níveis, com o nível psicológico 1,1600 ainda a resistir.
O mesmo sucede com a libra, que segue a negociar face ao dólar em torno de 1,3400 e face ao euro a 0,8675.
O iene começou a semana a negociar em ganhos, com os mercados a procurar activos de refúgio. O USD/JPY chegou a negociar a 157,45 e o EUR/JPY a 183,00, mas a confirmação de Takaichi de dissolver a câmara baixa a 23 de Janeiro e o anúncio de uma promessa de uma política fiscal mais expansiva, leva de novo o iene para perdas. O USD/JPY segue de momento a negociar acima de 158 e o EUR/JPY mais perto dos 184 (183,70 de momento).
A procura por activos de refúgio leva de novo o franco suíço para ganhos, com o USD/CHF a cair de novo abaixo dos 0,8000 e o EUR/CHF dos 0,9300.

Os preços do petróleo estão a começar a semana de novo em perdas, após as tensões com o Irão terem reduzido os receios de alguma disrupção na oferta, enquanto as ameaças de tarifas estão a fazer ressurgir um sentimento de aversão ao risco, levando a um aumento de receios de ainda mais baixa procura.
O Brent segue de momento a negociar a 63,30 dólares por barril e o WTI a 58,60, afastando-se dos máximos atingidos este ano a 66,80 e 62,35 dólares, respectivamente.


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