Café da Manhã
Sell América?

Café da Manhã Sell América?

Os mercados financeiros seguem a negociar em modo de aversão ao risco, fazendo lembrar o sentimento de “sell América” anteriormente vivido em Abril de 2025, quando das tarifas recíprocas

Ontem, os mercados accionistas europeus terminaram o primeiro dia da semana em perdas, pressionados pelas ameaças de aumento de tarifas norte-americanas devido à disputa em torno da Gronelândia.
Os mercados accionistas norte-americanos estiveram de fora, num fim de semana prolongado, a celebrar o Dia de Martin Luther King. Os futuros sobre os principais índices norte-americanos negociaram também em perdas, tal como o dólar, numa primeira reacção dos mercados de “sell América”, onde o índice do medo VIX registou uma subida de quase 20%.

O dia de hoje começou com fortes perdas nos mercados obrigacionistas, onde as yields das treasuries de mais longo prazo disparam, os futuros sobre Wall Street caem, o dólar perde e activos de refúgio, como o ouro, registam novos máximos de sempre.

Trump impôs aos aliados da UE/NATO uma taxa adicional de importação de 10%, que será elevada para 25% em Junho, até que seja alcançado um acordo/venda da tão desejada Gronelândia. Os investidores debatem se a Europa irá retaliar as ameaças de Trump através da venda de activos americanos, embora a maioria considere isso improvável, dados os riscos de mercado.

Esta noite, na Ásia, os mercados accionistas negociaram em terreno negativo.
No Japão, o índice Nikkei terminou a sessão a perder 1,08% e o Topix 0,84%.
Na Austrália, o índice ASX 200 recuou 0,66% e o Kospi, da Coreia do Sul, 0,39%.
Na China, o índice CSI300 recuou 0,33%, o Shanghai Composite ficou praticamente inalterado (-0,01%) e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 0,32%.
Na Índia os principais índices seguem a negociar em perdas, com o Nifty 50 a cair 0,85% e o Sensex 0,73%.

Na Europa o dia está a começar com as acções também a negociarem em perdas, com a confiança dos investidores a permanecer abalada pelas ameaças tarifárias.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a cair 0,88% e o Euro Stoxx 50 0,81%.
Na Alemanha, o índice DAX perde 1,02% e o CAC 40, de França 0,91%.
No Reino Unido, o índice FTSE 100 cai 1,07%.

O aumento das tensões geopolíticas continua a impulsionar o ouro que segue a renovar máximos de sempre. O preço da onça de ouro ultrapassa a barreira dos 4.700 dólares pela primeira vez e segue de momento a negociar a 4.720 dólares.

No mercado cambial, o dólar é a moeda que mais perde, seguindo de momento com o índice DXY a negociar a 98,40, de novo abaixo da média móvel dos 200 dias, recuando de máximos deste ano bem acima de 99,00.
O EUR/USD recupera dos mínimos abaixo de 1,1600 que se registaram na semana passada, para negociar de momento acima de 1,1700.
O iene segue também a negociar em perdas. Embora registe alguns ganhos face ao dólar, com o USD/JPY de momento a negociar abaixo dos 158,00, segue a registar perdas face ao euro, com o EUR/JPY a negociar acima dos 185,00.
A libra ganha face ao dólar, com o GBP/USD a negociar em torno de 1,3500, mas recuar face ao euro, com o EUR/GBP a aproximar-se de novo aos 0,8700.
O franco suíço está hoje a negociar em ganhos significativos, beneficiando do seu estatuto de porto seguro. O USD/CHF cota de momento a 0,7910 e o EUR/CHF a 0,9265.

No mercado petrolífero, as tensões geopolíticas continuam a pressionar os preços do petróleo, com as expectativas do mercado a apontarem para uma procura ainda mais reduzida por combustíveis.
O Brent segue de momento a negociar a 63,50 dólares por barril e o WTI a 58,90 dólares.


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