Café da Manhã
A acalmar

Café da Manhã A acalmar

O sentimento de aversão ao risco espalhado ontem pelos mercados financeiros, está hoje a mostrar algum abrandamento, com as yields de longo prazo no Japão e nos Estados Unidos a recuarem dos recentes máximos

Ontem, os mercados accionistas norte-americanos voltaram de um fim de semana prolongado, para negociarem em fortes quedas, após as ameaças de Trump de tarifas a impor aos países da União Europeia e da NATO que se opõem à sua aquisição da Gronelândia.
Entretanto, o Supremo Tribunal dos EUA recusou pronunciar-se ontem sobre as tarifas de Trump, o que implica que um desafio à sua principal política económica provavelmente levará pelo menos mais um mês a ser resolvido.
Os principais índices de Wall Street registaram o pior desempenho diário dos últimos três meses, com o Dow Jones a cair 1,76%, o S&P 500 2,06% e o Nasdaq 2,39%. O índice do medo, VIX, terminou o dia acima da marca dos 20, em máximos dos últimos dois meses.

Esta noite, na Ásia, os mercados accionistas terminaram mistos, entre ganhos e perdas, abrandando o forte sentimento de aversão ao risco, liderado pelos mercados obrigacionistas nipónicos que levaram as yields de longo prazo para máximos de sempre.
No Japão os principais índices ainda caíram, mas menos do que na sessão anterior. O Nikkei terminou o dia a recuar 0,47% e o Topix 0,99%.
Na Austrália, o índice ASX 200 recuou 0,37%, enquanto na Coreia do Sul, o índice Kospi avançou 0,49%.
Na China, os principais índices terminaram positivos, com o CSI300 a avançar 0,09%, o Shanghai Composite 0,08% e o Hang Seng 0,37%.
Na Índia, as acções seguem a negociar em terreno negativo, com o índice Nifty 50 e o Sensex a recuarem de momento 0,25%.

Os mercados accionistas europeus estão a começar o dia em terreno negativo, enquanto os investidores aguardam hoje pela intervenção de Donald Trump em Davos.
O presidente norte-americano deveria discursar pelas 13h30 (Hora de Lisboa), mas um pequeno problema no Air Force One obrigou a um atraso, com Scott Bessent a dizer que poderia ser de cerca de três horas.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a recuar 0,17% e o Euro Stoxx 50 0,35%.
Na Alemanha, o índice DAX perde 0,29%, enquanto os índices CAC 40 de França e FTSE 100 do Reino Unido estão praticamente inalterados (-0,05% e +0,04%, respectivamente).

No mercado cambial, o dólar continua pressionado e a negociar em torno dos níveis de fecho de ontem, com o índice do dólar, DXY, a de momento a 99,40.
O EUR/USD mantém-se acima dos 1,1700, recuando dos máximos registados ontem, negociando de momento a 1,1715.
O iene segue perto dos mínimos em que terminou o dia de ontem, mas recuperando das fortes perdas após um alívio nos mercados obrigacionistas. O USD/JPY negocia em torno de 158 e o EUR/JPY dos 185,00.
A volatilidade ascendente do mercado accionista levou ontem a libra para perdas. Dados da inflação divulgados nas primeiras horas da manhã de hoje, ligeiramente acima das estimativas do mercado, estão a ajudar a libra a recuperar dos recentes mínimos, com o GBP/USD a negociar a 1,3435 e o EUR/GBP a 0,8715.
Enquanto isso, o franco suíço recua dos máximos registados ontem, com o USD/CHF a seguir de momento a negociar a 0,7920 e o EUR/CHF a 0,9275.

As tensões geopolíticas e o sentimento de aversão ao risco nos mercados financeiros continua a impulsionar o preço do ouro que volta hoje a registar novos máximos de sempre, superando mais uma barreira psicológica, desta vez a dos 4.800 dólares por onça, negociando de momento a 4.870 dólares.

Os mercados petrolíferos seguem com os preços do petróleo pressionados, em receios de que mais tarifas e mais tensões geopolíticas levem a uma contenção da procura por energia, ao mesmo tempo que o mercado segue bem abastecido.
O preço do Brent segue de momento a negociar a 64,15 por barril e o do WTI a 59,70 dólares.


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