EUR/USD
Semanal

EUR/USD  Semanal

A semana foi marcada por elevada volatilidade, com o EUR/USD fortemente influenciado por tensões geopolíticas, ameaças tarifárias, recuos políticos e crescentes dúvidas em torno da estabilidade da política económica dos EUA.

A semana ficou marcada por uma volatilidade pouco habitual no mercado cambial, com o EUR/USD a registar oscilações expressivas que reflectiram não apenas as dinâmicas económicas tradicionais entre a Zona Euro e os Estados Unidos, mas sobretudo o aumento da incerteza geopolítica resultante das acções erráticas do Presidente norte-americano, Donald Trump. Entre ameaças tarifárias que abalaram os mercados no início da semana e recuos súbitos que proporcionaram apenas alívios temporários, o euro terminou a semana a negociar em torno dos 1,18 dólares, registando uma valorização significativa face ao dólar americano, que perdeu terreno à medida que os investidores reavaliavam os riscos associados à actual presidência e às suas implicações para a estabilidade da ordem internacional.

Esta viragem ficou a dever-se essencialmente ao enfraquecimento generalizado do dólar após Trump ter anunciado, no fim de semana anterior, a intenção de impor tarifas progressivas sobre oito países europeus, como forma de retaliação pela recusa destes em apoiar os seus planos de aquisição da Gronelândia. As medidas inicialmente avançadas previam tarifas de 10% a partir de 1 de Fevereiro, com um agravamento para 25% em Junho, afectando directamente Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos, Finlândia e Reino Unido.

A meio da semana, contudo, assistiu-se a uma reviravolta significativa. Durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, Donald Trump anunciou ter alcançado um esboço de entendimento relativamente à Gronelândia, acrescentando que, com base nesse progresso, as tarifas previstas para 1 de Fevereiro não seriam implementadas. O recuo surgiu após uma reunião com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, e depois de o Presidente norte-americano ter afastado publicamente a hipótese de recorrer à força para assumir o controlo do território dinamarquês.

Este episódio voltou a ilustrar o padrão já amplamente reconhecido pelos mercados, conhecido em Wall Street pela sigla TACO, “Trump Always Chickens Out”, reflectindo a recorrente alternância entre ameaças agressivas e recuos rápidos, que tem mantido os investidores num ambiente permanente de incerteza e elevada volatilidade.

Para os operadores do mercado cambial, a semana serviu como um lembrete claro de que o EUR/USD deixou de ser determinado exclusivamente por fundamentos económicos ou por diferenças de política monetária, passando a estar cada vez mais exposto ao risco geopolítico e à imprevisibilidade da Casa Branca. Embora os factores macroeconómicos continuem relevantes, com as expectativas de cortes de taxas por parte da Reserva Federal a exercerem pressão sobre o dólar, enquanto o Banco Central Europeu mantém uma postura mais cautelosa, a realidade é que os movimentos de curto prazo do par têm sido fortemente condicionados pelas declarações e decisões erráticas do Presidente dos Estados Unidos. A semana terminou com o euro fortalecido, mas com vários analistas a alertarem que a incerteza política norte-americana poderá continuar a acrescentar um prémio de risco ao dólar, sobretudo se as tensões transatlânticas permanecerem elevadas.

O foco dos mercados vira-se agora para a primeira reunião do ano da Reserva Federal dos Estados Unidos. Do lado europeu, os investidores irão acompanhar os dados de crescimento económico da União Europeia relativos ao quarto trimestre de 2025, bem como as primeiras leituras nacionais da inflação em 2026. Não se espera qualquer alteração na taxa directora, que deverá manter-se no intervalo entre 3,50% e 3,75%, sendo a atenção inteiramente direccionada para a comunicação de Jerome Powell, que continua sob forte pressão política da Casa Branca.

A declaração recente do presidente da Fed, na sequência da investigação do Departamento de Justiça às obras do edifício da Reserva Federal, leva-me a considerar a possibilidade de Powell adoptar novamente um tom mais “hawkish”, numa tentativa de reafirmar a independência da instituição e, teoricamente, oferecer algum suporte ao dólar.

Adicionalmente, Donald Trump afirmou no final da semana passada que já decidiu quem irá substituir Powell em Maio, prometendo revelar o nome em breve. Resta saber se aguardará pelo desfecho desta primeira reunião do ano para o fazer. Kevin Hassett, considerado o candidato mais “dovish”, parece já afastado da corrida. Kevin Warsh representaria a escolha mais “hawkish”, enquanto Christopher Waller, visto como a opção mais equilibrada, continua a ser apontado como a escolha preferida dos mercados, resta saber se será também a escolha de Trump.

A semana anterior terminou ainda com fortes perdas do dólar, alimentadas por receios de uma possível intervenção cambial por parte do Tesouro norte-americano, após o Federal Reserve de Nova Iorque ter sido visto a avaliar níveis no mercado USD/JPY. Uma eventual intervenção de venda de dólares contra ienes tende, historicamente, a provocar perdas generalizadas da moeda norte-americana face às restantes divisas.

Na minha opinião, apesar de podermos assistir a uma recuperação técnica das fortes perdas registadas no final da semana passada, caso não se confirme qualquer intervenção, começa a ganhar força a ideia de que poderemos estar no início de uma nova tendência ascendente do EUR/USD, reflectindo uma tendência descendente mais estrutural do dólar. O sentimento de “sell America” poderá continuar a prevalecer, com a área de consolidação observada ao longo dos últimos seis meses a aproximar-se de um ponto de ruptura. Nesse cenário, os mercados poderão voltar a apontar como primeiro objectivo o nível psicológico dos 1,2000.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD terminou a semana acima de 1,1800, pela primeira vez desde o início de Setembro de 2021, após um início de semana abaixo de 1,1600, elevando significativamente a baixa volatilidade que vinha a registar nos últimos seis meses.

O MACD segue positivo, tal como o RSI, que continua acima da linha de 50, mantendo o momentum ascendente acelerando o ímpeto nesta última semana para os 60.

O suporte a 1,1573 aguentou o movimento descendente do EUR/USD das últimas três semanas, e o preço registou um forte movimento ascendente, terminando a semana a 1,1820, ficando ainda dentro da área mais estreita de consolidação.
Mas a vela da semana passada configura um marubozu, uma figura bullish que poderá levar o par a quebrar a área mais ampla de consolidação (resistência a 1,1918.máximo de 2025). A acontecer, o próximo objectivo do mercado poderá estar no nível psicológico 1,2000. Acima teremos a referência dada pelo máximo de 2021 a 1,2349.

Uma inversão de tendência irá certamente levar a um teste à média móvel das 21 semanas, de momento a 1,1668. O quebrar deste suporte, voltará a manter o par na área de consolidação, onde o quebrar do suporte a 1,1573, poderá levar o par a testar a banda inferior de consolidação a 1,1500, antes da banda mais ampla a 1,1391, dada pelo mínimo registado no primeiro dia de Agosto do ano passado.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O EUR/USD não conseguiu quebrar o suporte dado pela média móvel dos 200 dias e pela Nuvem de Ichimoku diária, e recuperou com estrondo os recentes máximos de Dezembro de 2025 acima de 1,1800.

Os indicadores de momentum apontam agora para a continuação deste movimento ascendente, com o MACD acima da linha neutra e com a linha do MACD acima da linha de Sinal, continuando a acelerar o ímpeto do par. O RSI segue bem acima da linha neutra, de momento a 65, com forte momentum, ainda longe de terreno de sobre compra, apontando a direcção do par.

O EUR/USD ultrapassou, na semana passada, todas as resistências relevantes, terminando acima da última, a 1,1820. O máximo de 2025, a 1,1918 encontra-se exposto, sendo a próxima resistência, antes do nível psicológico de 1,2000. O ultrapassar deste, levará os mercados a colocarem os olhos na próxima referência, dada pelo máximo de 2021, a 1,2349.

Uma inversão da recente tendência ascendente irá agora contar com um primeiro suporte muito fraco a 1,1808, ao qual se seguirá o de 1,1765, também ele fraco. O suporte mais forte só será encontrado na média móvel dos 21 dias, de momento a 1,1700. Mais forte ainda teremos a Nuvem de Ichimoku (de momento 1,1635/1,1678) e abaixo desta a média móvel dos 200 dias, de momento a 1,1593.


Resistências - Suportes

1,1918 - 1,1765

1,2000 - 1,1700

1,2349 - 1,1593


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