EUR/USD
Semanal
O dólar oscilou na semana passada entre perdas e ganhos, marcado pelo “debasement trade” e sinais da Fed. Esta semana, a inflação na Europa, o mercado laboral nos EUA e a geopolítica mantêm os mercados atentos.
Na semana passada, o dólar iniciou a semana em perdas acentuadas, com o fenómeno do “debasement trade”, ou seja, a crescente dúvida entre os investidores sobre a credibilidade e solidez do dólar, que os leva a afastar-se da moeda norte-americana em favor de outras divisas ou de activos reais como o ouro, a ganhar cada vez mais expressão.
Os rumores de uma possível intervenção conjunta por parte do Ministério das Finanças do Japão e do Tesouro dos Estados Unidos aceleraram estas perdas, levando o dólar a abrir a semana em “gap” negativo (reforço positivo no EUR/USD). O dólar atingiu mínimos de mais de quatro anos, enquanto o EUR/USD ultrapassou o nível psicológico de 1,2000, atingindo um máximo de 1,2082.
Em véspera da reunião da Reserva Federal, o mercado iniciou uma correcção destes máximos, trazendo o EUR/USD de volta para os 1,1900. A Fed manteve a sua política monetária inalterada, com Jerome Powell a adoptar uma comunicação ligeiramente “hawkish”, sublinhando a solidez da economia norte-americana, a robustez do mercado de trabalho e uma inflação ainda distante da meta do banco central. Do lado “dove”, houve a dissidência de votos de corte de 25 pontos base por Stephen Miran e Christopher Waller.
Após a reunião, o dólar voltou a negociar em perdas e o EUR/USD a valorizar-se. No entanto, o anúncio de Donald Trump da nomeação de Kevin Warsh como próximo presidente da Fed gerou uma reversão do sentimento de mercado, levando o dólar de novo a ganhos, com que encerrou a semana.
Esta semana, a agenda económica será bastante preenchida, com destaque para os dados do ISM, do consumo e do mercado de trabalho, que serão seguramente os mais acompanhados pelos mercados. Do lado europeu, teremos a reunião do Banco Central Europeu e os dados de inflação agregada da Zona Euro. É pouco provável que qualquer destes eventos tenha um impacto significativo no dólar ou no EUR/USD. O mercado já desconta a posição “em bom lugar” do BCE, e os dados da inflação dificilmente alterarão esta percepção. Quanto ao mercado laboral norte-americano, apenas uma surpresa relevante em qualquer dos sentidos poderá provocar um impacto significativo: um número mais fraco poderá impulsionar o EUR/USD, enquanto um resultado acima das expectativas poderia acelerar as perdas da moeda europeia observadas no final da semana passada.
Na minha opinião, os mercados estarão atentos, logo no início da semana, aos desenvolvimentos geopolíticos no Irão, que poderão dar suporte ao dólar caso surjam riscos de conflito. Por outro lado, poderemos assistir à continuação do recuo do “debasement trade”, com novas perdas nos metais preciosos e ganhos do dólar, prolongando a correcção iniciada na semana passada após o EUR/USD ter ultrapassado os 1,2000. A área de consolidação onde o preço se manteve durante grande parte de 2025 encontra-se agora seriamente ameaçada; a sua confirmação poderá abrir caminho para o EUR/USD atingir os máximos de 2021, em torno de 1,2400. Contudo, durante esta semana ainda poderá ocorrer uma correcção mais ampla antes desse movimento.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD iniciou a semana em “gap” positivo, acima da área de consolidação 1,1500/1,1800, atingiu um máximo da 1,2082, ultrapassando a barreira psicológica dos 1,2000, para terminar em torno do nível de abertura.
Por aqui nada de novo; O MACD segue positivo, tal como o RSI, que continua acima da linha de 50, mantendo o momentum ascendente acelerando o ímpeto nesta última semana para os 60.
A resistência a 1,1830, dada pelo máximo relevante de Julho de 2025, foi ultrapassada logo no início da semana, com o preço a abrir em “gap” a 1,1860, depois de um fecho semanal de 1,1821. O preço registou um forte movimento ascendente que o levou até 1,2082, para recuar e terminar a semana nos 1,1853. Este movimento revela uma vela semanal bastante “bearish”.
Um break da área de suporte 1,1821/1,1860, dada pelo “gap” de abertura da semana passada, poderá confirmar essa “bearish candle” e a transportar de novo o preço para dentro da área de consolidação recentemente ameaçada.
Por outro lado, caso o preço do par não consiga quebrar o suporte a 1,1821/1,1860 e voltar a ultrapassar a resistência a 1,1918, dada pelo máximo de 2025, assistimos à confirmação do break da área de consolidação mencionada acima com o EUR/USD a poder voltar a negociar acima de 1,2000, com a nova referência dada pelo novo máximo deste ano a 1,0282.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD abriu a semana mantendo o forte ímpeto ascendente com que terminou a semana anterior, levando a uma abertura em “gap” que lhe deu força para ir bem além do nível psicológico de 1,2000, registando um máximo de 1,2082.
O MACD segue acima da linha neutra e com a linha do MACD acima da linha de Sinal, mas o forte momentum mostra sinal de arrefecimento, enquanto o RSI recua de terreno de sobrecompra, estando acima da linha neutra de 50, mas em curva descendente.
O EUR/USD iniciou uma correcção, logo após ter atingido o máximo de 1,2082, terminando a semana a negociar abaixo dos 38,2% Fibonacci retracement do forte movimento que levou o par desde o mínimo deste ano a 1,1579, até ao recente máximo.
A próxima área de suporte encontra-se a 1,1826/1,1835 (gap do máximo da semana anterior com o mínimo da semana passada). O quebrar desta área de suporte poderá levar o par para uma correcção ainda mais ampla, com o objectivo a poder estar a 1,1771 (61,8% Fibonacci retracement do movimento mencionado acima). O quebrar deste nível irá colocar em causa o cenário bullish do par, com o próximo suporte a encontrar-se na Nuvem de Ichimoku (de momento a 1,1635/95).
Uma inversão da tendência descendente de muito curto prazo com que o EUR/USD terminou a semana anterior irá encontrar uma primeira resistência a 1,1918 (máximo de 2025), que se ultrapassada colocará de novo o mercado a olhar para o nível psicológico a 1,2000, seguido da nova referência dada pelo máximo da ano a 1,2082.
Resistências - Suportes
1,1918 - 1,1826
1,2000 - 1,1771
1,2082 - 1,1695