Semana Revista
Mais uma semana turbulenta

Semana Revista Mais uma semana turbulenta

Após uma semana louca nos metais preciosos, esta semana continuou a ser de volatilidade e de fortes correcções, entre resultados empresariais, dados económicos e decisões de mais bancos centrais globais

Esta semana mostrou mercados globais em profunda turbulência, com a magnitude dos investimentos das tecnológicas em inteligência artificial a gerar cepticismo em Wall Street, a continuação duma correcção histórica nos metais preciosos que apanhou muitos investidores desprevenidos, oscilações significativas no mercado cambial com o euro a recuar dos máximos plurianuais, yields obrigacionistas a subirem face às expetativas de uma Fed mais hawkish, e a recuarem após dados laborais norte-americanos mais fracos do que o esperado, uma Europa a manter a sua política monetária estável, mas atenta à valorização do euro, e uma conjuntura geopolítica no Médio Oriente marcada, em alternância, por sinais de apaziguamento e temores de nova escalada militar.
Os investidores continuam à procura de sinais claros de que os investimentos bilionários em IA irão traduzir-se em lucros sustentáveis, enquanto digerem a violenta correcção nos activos que mais subiram em 2025 e acompanham de perto os desenvolvimentos diplomáticos entre Washington e Teerão, cientes de que qualquer ruptura nas negociações nucleares poderia desencadear uma crise energética com repercussões globais.





No plano geopolítico, a situação no Médio Oriente dominou grande parte da atenção dos mercados, especialmente depois de se confirmarem as tão aguardadas negociações entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear iraniano. As conversações, que decorreram na sexta-feira em Omã, foram as primeiras desde os bombardeamentos norte-americanos às instalações nucleares iranianas em Junho passado, durante uma guerra de doze dias desencadeada por Israel. O encontro decorreu num clima de enorme tensão, com o presidente Donald Trump a ameaçar repetidamente acção militar caso Teerão não aceitasse sentar-se à mesa, e o regime iraniano a garantir estar preparado para se defender de qualquer aventureirismo americano.

A delegação iraniana foi representada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, enquanto o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, liderou a parte norte-americana. Antes do início da reunião, Araghchi apelou ao respeito mútuo e lembrou que os compromissos devem ser honrados, numa clara referência à saída unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015 decidida por Trump no seu primeiro mandato em 2018. O ministro iraniano sublinhou que a igualdade, o respeito mútuo e o interesse recíproco não são palavras vãs, mas condições indispensáveis e os pilares de qualquer acordo duradouro.

As posições das duas partes permanecem, contudo, bastante distantes. Washington exige que o Irão congele o seu programa nuclear e elimine as reservas de urânio enriquecido, defendendo ainda que as negociações incluam o programa de mísseis balísticos, o apoio a grupos armados na região como o Hezbollah e os houthis, e a situação dos direitos humanos no país, especialmente após a repressão sangrenta aos protestos antigovernamentais de Janeiro que terá causado milhares de mortes. Teerão, por seu lado, insiste que as conversações se limitem exclusivamente à questão nuclear e rejeitou incluir discussões sobre o seu programa de mísseis. Ainda assim, no final do encontro, ambas as partes concordaram em prosseguir as negociações, embora sem definir datas ou formato para futuras rondas. Araghchi descreveu as conversações como tendo decorrido num ambiente muito positivo, afirmando que os argumentos foram trocados e que as vistas da outra parte foram partilhadas, mas reconheceu que um acordo final levará tempo.





Os preços do petróleo registaram uma volatilidade extraordinária ao longo da semana, funcionando como um verdadeiro barómetro das tensões no Médio Oriente. Na segunda-feira, o petróleo afundou cerca de 5%, com o Brent a cair para a casa dos 66 dólares por barril e o WTI a recuar para perto dos 62 dólares, depois de Trump ter declarado que os dois países estavam a conversar seriamente sobre uma retomada das negociações. Este movimento reflectiu a redução do prémio de risco geopolítico que tinha inflacionado os preços nas semanas anteriores, quando os receios de uma intervenção militar norte-americana haviam levado o petróleo a máximos de seis meses.
No entanto, à medida que cresceram os receios de que as negociações pudessem não avançar, especialmente após as exigências de última hora de Teerão e a quase ruptura do encontro, os preços voltaram a subir fortemente. Na quarta-feira, o petróleo fechou em alta reflectindo a incerteza sobre os desdobramentos das conversações. Na quinta-feira, véspera do encontro, os preços voltaram a cair depois de se confirmar que o diálogo iria mesmo realizar-se, para depois recuperarem na sexta-feira, num dia em que os investidores aguardavam ansiosamente os resultados das conversações e com os Estados Unidos a anunciarem mais ao Irão.

Esta volatilidade extraordinária nos preços do petróleo sublinha a importância geopolítica destas negociações. O Irão é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e qualquer conflito militar na região poderia levar ao encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.





Os mercados do ouro e da prata viveram mais uma semana de elevada volatilidade, ainda em modo de digestão do mini‑crash do final de Janeiro e dos máximos históricos recentes. Depois da queda no final do mês, o ouro abriu a semana a negociar ligeiramente acima dos 4.800 dólares por onça, e continuou a tendência com que fechou o mês, tendo atingido um mínimo da semana perto dos 4.400 dólares por onça. Foi recuperando terreno à medida que a procura de refúgio se reactivou, com o metal amarelo a oscilar, mas a manter uma tendência de recuperação. Terminou a semana mais perto dos 5.000 dólares (4.960) por onça, acumulando um ganho semanal de cerca de 5%

A prata continuou a ser o epicentro da instabilidade: depois de um Janeiro em que chegou a negociar acima dos 120 dólares por onça, impulsionada por um misto de compra industrial agressiva, short‑squeeze e fluxo especulativo, entrou em Fevereiro a corrigir de forma abrupta, com quedas diárias que chegaram aos 20%. A semana começou com a prata a negociar ligeiramente acima dos 80 dólares por onça, tendo recuperado durante a meio da semana até aos 92 dólares, mas voltou a cair para um mínimo de 64 dólares, para recuperar no final da última sessão da semana para os 77 dólares, uma queda semanal na ordem dos 3%.

Em termos de enquadramento, a narrativa de fundo não se alterou de forma material nesta primeira semana completa de Fevereiro: os investidores continuam a ver o ouro como o principal activo de protecção num contexto de inflação ainda acima das metas, dúvidas sobre o ritmo de cortes de juros da Fed e preocupação com o chamado “debasement” das moedas fiduciárias, numa fase em que o dólar tem alternado entre episódios de força táctica e períodos de fraqueza. No conjunto, esta semana deixou a sensação de que o choque de fim de Janeiro serviu para purgar parte dos excessos especulativos, sem pôr em causa a tendência de fundo: ouro continua em alta em termos anuais (cerca de 70%), mas com um aviso claro de que a viagem, daqui para a frente, será tudo menos linear.





Esta semana levou de novo as empresas tecnológicas norte-americanas para o centro das atenções. O período combinou resultados globalmente sólidos com anúncios agressivos de investimento em inteligência artificial, que acabaram por gerar mais cautela do que entusiasmo entre os investidores.

Nos Estados Unidos, a semana arrancou com a Palantir a superar expectativas, impulsionada pelo crescimento na área de IA, enquanto a Disney apresentou resultados positivos, mas penalizados por incertezas relacionadas com a sucessão da liderança. Ao longo da semana, várias tecnológicas enfrentaram pressão, com receios sobre concorrência, margens e, sobretudo, sobre o aumento significativo do capex associado à corrida pela IA. A Alphabet apresentou resultados robustos, com forte crescimento do negócio de Cloud, mas o mercado reagiu com reservas face ao expressivo plano de investimento para os próximos anos. Situação semelhante ocorreu com a Amazon, cujo crescimento do AWS não foi suficiente para compensar o impacto negativo das previsões de investimento muito acima do esperado.

Outros sectores revelaram maior resiliência, com empresas defensivas e de consumo a apresentarem desempenhos mais estáveis. Ainda assim, o sentimento geral reflectiu uma rotação sectorial, com menor apetência por empresas fortemente expostas ao tema da IA.

Na Europa, a época de resultados revelou-se mais estável e, em média, positiva, com destaque para os sectores bancário e da saúde. Contudo, empresas tecnológicas e farmacêuticas com maior exposição ao mercado norte-americano acabaram por sentir algum contágio.

Em termos agregados, a época de resultados manteve-se sólida, com crescimento relevante dos lucros no S&P 500. Ainda assim, o principal foco do mercado passou a ser o elevado investimento em IA anunciado pelos grandes grupos tecnológicos, levantando dúvidas sobre o equilíbrio entre crescimento futuro e rentabilidade no curto prazo.



Bancos Centrais



O Banco Central Europeu manteve inalteradas as taxas de juro na sua mais recente reunião de política monetária, preservando a taxa de depósito nos 2%, numa decisão amplamente antecipada pelos mercados. A reunião acabou por reforçar a mensagem de estabilidade e prudência, com a instituição liderada por Christine Lagarde a transmitir confiança na trajectória da inflação e na resiliência da economia da Zona Euro.

No comunicado divulgado após a reunião, o BCE reiterou que a inflação deverá estabilizar em torno da meta de 2% no médio prazo, sinalizando que o processo de normalização dos preços continua a evoluir de forma consistente com os objectivos da autoridade monetária. Ao mesmo tempo, o banco central destacou que a economia europeia tem demonstrado capacidade de resistência, sustentada por um mercado de trabalho robusto, níveis de desemprego historicamente baixos, balanços sólidos do sector privado e pelo impacto gradual do aumento do investimento público, nomeadamente nas áreas da defesa e das infraestruturas. Acresce ainda o efeito de suporte proporcionado pelos cortes de taxas realizados anteriormente, que continuam a produzir impacto na actividade económica.

Durante a conferência de imprensa, Christine Lagarde reforçou a ideia de que os riscos para o crescimento económico e para a inflação são actualmente considerados “amplamente equilibrados”, afastando sinais de urgência para alterações na política monetária no curto prazo. Esta leitura sugere que o BCE se encontra numa fase de avaliação dos efeitos acumulados das decisões já tomadas, mantendo uma postura dependente dos dados económicos que forem sendo divulgados.

Um dos temas abordados foi a evolução recente do euro. Lagarde reconheceu que a moeda única tem beneficiado da fraqueza do dólar, sobretudo desde a Primavera de 2025, mas fez questão de sublinhar que o BCE não tem como objectivo atingir um determinado nível cambial. Segundo a presidente da instituição, os movimentos cambiais registados desde o Verão passado foram relativamente moderados e o seu impacto já deverá estar incorporado no cenário macroeconómico base do banco central.


O Banco de Inglaterra manteve inalterada a taxa directora nos 3,75% na reunião de política monetária desta semana, numa decisão amplamente antecipada pelos mercados, mas que revelou um grau de divisão interna superior ao esperado. A votação terminou com um resultado de 5-4, tendo o governador Andrew Bailey assumido o papel de voto decisivo, evidenciando que o debate sobre o rumo da política monetária permanece particularmente equilibrado.

Nas atas da reunião, Andrew Bailey destacou a necessidade de manter vigilância sobre uma eventual deterioração mais acentuada do mercado laboral, sugerindo que os dados relativos ao emprego poderão assumir um papel tão, ou até mais, relevante do que a própria inflação na definição dos próximos passos da política monetária. Esta leitura reforça a ideia de que o BoE poderá adoptar uma abordagem mais sensível aos indicadores de actividade económica, num contexto em que os sinais de moderação da inflação se tornam mais evidentes.

Outro aspecto relevante da reunião foi a alteração na comunicação sobre o percurso futuro das taxas de juro. O Banco de Inglaterra referiu que a taxa directora deverá ser adicionalmente reduzida, abandonando a referência anterior a uma descida gradual e previsível. Esta nuance sugere uma maior flexibilidade e dependência dos dados, deixando em aberto o ritmo e o calendário de eventuais cortes, assim como a maior probabilidade de um novo corte em Março.


O Reserve Bank of Australia, decidiu subir a sua taxa directora em 25 pontos base para 3,85%, numa decisão em linha com as expectativas e que marca a primeira subida de juros numa economia desenvolvida após um período recente dominado por cortes nas taxas. O movimento reflecte o ressurgimento das pressões inflacionistas e sinais de maior dinamismo na procura interna.
O banco central justificou a decisão com a aceleração da inflação durante a segunda metade de 2025, impulsionada por um mercado de trabalho ainda restritivo, aumento dos custos nos serviços e crescimento do consumo privado acima do antecipado. A inflação homóloga atingiu 3,6% no final de 2025, enquanto as medidas subjacentes subiram para 3,4%, valores superiores às projecções do RBA. Neste contexto, a instituição passou a prever que a inflação apenas regressará de forma sustentada ao intervalo-alvo de 2%-3% a partir de meados de 2027.
Do lado da actividade económica, a economia australiana mantém-se resiliente, com o crescimento a situar-se próximo do potencial e a ser suportado sobretudo pela procura interna. Perante este enquadramento, o RBA admite a possibilidade de novas subidas de taxas caso as pressões inflacionistas persistam.

O Banco do México interrompeu o ciclo de descida das taxas de juro iniciado há cerca de dois anos, numa decisão motivada sobretudo pela evolução recente da inflação subjacente. O agravamento desta componente dos preços, que ultrapassou o intervalo-alvo definido pela autoridade monetária, levou o banco central a adoptar uma postura mais cautelosa em relação à flexibilização da política monetária. A decisão reflecte a preocupação das autoridades mexicanas com a persistência das pressões inflacionistas, particularmente nos preços dos serviços e em segmentos mais sensíveis à dinâmica da procura interna. Ao suspender o ciclo de cortes nas taxas, o Banco do México procura garantir que a inflação regressa de forma sustentada aos níveis compatíveis com o seu objectivo de estabilidade de preços.



Dados Económicos




Nos Estados Unidos, um shutdown parcial, levou o Bureau of Labor Statistics a adiar a divulgação dos seus relatórios do emprego, com os nonfarm payrolls e a taxa de desemprego a serem conhecidos apenas na próxima semana.
Apesar disso, podemos contar com alguns dados do emprego durante esta semana, onde todos acabaram por surpreender negativamente os mercados.
Os números privados do ADP mostraram a criação de 22 mil novos postos de trabalho, bem abaixo dos 48 mil esperados e dos 37 mil, revistos em baixo, do mês anterior. Um dia depois, os números de vagas de emprego JOLTS, divulgados com dois dias de atraso, mostraram uma queda dos 6,93 milhões (revistos em baixo de 7,15 milhões) do mês anterior, para 6,54 milhões, um mínimo dos últimos cinco anos. Nesse mesmo dia o relatório “Challenger Job Cuts” ficou abaixo do esperado, com um total de 108.435 demissões em Janeiro, o maior número anunciado para qualquer mês de Janeiro desde 2009. Tivemos ainda o habitual número semanal dos novos pedidos de subsídio de desemprego, que mostraram uma subida para 231 mil pedidos, bem acima dos 209 mil da semana anterior e das estimativas em torno de 213 mil.
Tivemos esta semana os dados do ISM manufactureiro e de serviços. O PMI manufactureiro do ISM superou as expectativas do mercado com o índice geral a subir de 47,9 para 52,6, bem acima dos 48,3 estimados, e com praticamente todos os subíndices a mostrarem subidas consideráveis. Já o PMI ISM de serviços manteve-se a 53,8, com a leitura do mês anterior revista em baixo, o subíndice do emprego a cair para 50,3 e o dos preços a subir ligeiramente de 65,1 para 66,6.
Os mercados estiveram ainda atentos aos dados preliminares da Universidade de Michigan da confiança do consumidor que subiram de 56,4 para 57,3, contrariando o consenso de mercado para uma queda para 55,8. As expectativas de inflação de curto prazo caíram inesperadamente de 4% para 3,5% e as de mais longo prazo registaram uma subida ligeira dos 3,3% para 3,4%.
Tivemos ainda o índice de optimismo económico RCM/TIPP que subiu de 47,2 para 48,8, acima dos 47,9 estimados.

Na Zona do Euro as atenções estiveram voltadas para os dados da inflação que mostraram que os preços seguiram, de uma maneira geral, um pouco mais baixo do que o previsto durante o primeiro mês deste ano.
No agregado da União Europeia, os preços em Janeiro baixaram 0,5%, mais do que os 0,4% estimados e após o aumento de 0,2% em Dezembro. A inflação anual caiu de 2% (revista em alta de 1,9%) do mês anterior para 1,7%, abaixo dos 1,8% previstos e com a inflação subjacente a cair de 2,3% para 2,2%, contra estimativas para que permanecesse nos 2,3%.
Depois dos dados da inflação na semana anterior de Espanha e Alemanha, os de França, antes dos dados agregados, mostraram também uma baixa nos preços em Janeiro de 0,3%, bem mais do que os 0,1% esperados, com a inflação anual a cair de 0,8% para 0,3%, bem abaixo dos 0,6% estimados. Em Itália, os dados saíram ligeiramente acima do esperado, com os preços em termos mensais a aumentarem 0,4% e com o número homólogo a cair de 1,2% para 1%.
Tivemos ainda dados da inflação à porta das fábricas, onde o número anterior foi revisto em alta de 0,5% para 0,7%, mostrando neste mês uma queda de nos preços de 0,3%, face a um aumento previsto de 0,2%.
Ainda na Zona Euro, os números das vendas a retalho de Dezembro mostraram uma queda mensal de 0,5%, após uma ligeira subida revista em baixo de 0,1% no mês anterior.
Os números finais dos PMI de Janeiro foram revistos em alta. O PMI manufactureiro teve um pequeno ajuste de 49,4 para 49,5 e o de serviços a subir de 47,9 para 48,4.
Na Alemanha, as vendas a retalho superaram as estimativas, aumentando 0,1%, face a uma queda estimada de 0,1% e após a queda de 0,5% no mês anterior. As encomendas às fábricas aumentaram inesperadamente 7,8%, acelerando dos 5,7% no mês anterior e contrariando as estimativas que apontavam para uma queda de 1,3%. Já os números da produção industrial mostraram uma queda de 1,9%, mais do que os 0,3% previstos e após um aumento, revisto em baixo, do mês anterior de 0,3%. A balança comercial de Dezembro, mostrou um excedente de 17,1 mil milhões de euros, bem acima dos 14,5 mil milhões previstos e dos 13,6 mil milhões do mês anterior.
Em França, a produção industrial caiu também inesperadamente 0,7%, face a previsões de um aumento de 0,1%, e os números da balança comercial mostraram um défice de 4,8 mil milhões de euros, aumentando o défice anterior de 4,0 mil milhões.
Em Itália os PMI mostraram que a actividade económica privada cresceu mais do que o esperado, com o PMI composto a subir de 50,3 para 51,4 (face a 50,7 esperado), onde o manufactureiro subiu de 47,9 para 48,1, abaixo dos 48,8 estimados, mas com o de serviços a subir de 51,5 para 52,9, bem acima dos 51,9 previstos. Já as vendas a retalho caíram inesperadamente 0,8%, após o aumento de 0,5% no mês anterior.
Em Espanha tivemos também dados da actividade económica, que saíram muito abaixo do esperado, com o PMI composto a cair de 55,6 para 52,9, onde o sector manufactureiro caiu de 49,6 para 49,2 e o de serviços de 57,1 para 53,5.

No Reino Unido a semana começou com a divulgação do índice do preço de imóveis da Nationwide que mostrou uma subida de 0,3%, em linha com as estimativas do mercado. O índice PMI composto da S&P Global foi revisto ligeiramente em baixo de 53,9 para 53,7, com o PMI manufactureiro a subir de 51,6 para 51,8 e o de serviços a cair de 54,3 para 54,0.
Por fim tivemos a divulgação do índice do preço de imóveis da Halifax que mostrou uma subida de 0,7%, bem acima dos 0,2% esperados e após a queda (revista em baixo) de 0,5% do mês anterior.

No Canadá o destaque foi para os dados do mercado de trabalho. A economia canadiana mostrou uma redução de 24,8 mil empregos, face às previsões de uma criação de 7.000. Ainda assim, nem tudo foram más notícias, já que o número de empregos a tempo inteiro subiu em 44,9 mil e os de tempo parcial reduziram em 69,7 mil. A taxa de desemprego caiu de 6,8% para 6,5%, mas a taxa de participação caiu de 65,4% para 65%, contrariando previsões de um aumento para 65,5%.
O índice Ivey PMI caiu de 51,9 para 50,9, mas ficou bem acima das estimativas que apontavam uma queda para 49,7.
Os PMI da S&P Global mostraram também uma queda ligeira. O índice composto caiu de 46,7 para 46,4, com o PMI manufactureiro a subir mais do que o esperado de 48,6 para 50,4, mas o de serviços a cair de 46,5 para 45,8.

Na Suíça a semana começou com a divulgação dos números das vendas a retalho de Dezembro que superaram as estimativas ao aumentarem 1%, bem acima dos 0,4% esperados e após a queda de 0,1% do mês de Novembro.
O PMI manufactureiro também saiu bem acima das estimativas do mercado ao subir de 45,8 para 48,8 (face a 46,2 estimados).
A semana terminou com a taxa de desemprego de Janeiro a aumentar de 3,1% para 3,2%.

Na China tivemos os dados privados da actividade económica da RatingDog que deram uma indicação contrária à dada pelos PMIs oficiais.
O índice composto da RatingDog mostrou uma subida de 51,3 para 51,6, com o índice manufactureiro a subir de 50,1 para 50,3 e o de serviços de 52,0 para 52,3.

No Japão foi uma semana bem ligeira de indicadores económicos, com as atenções a irem principalmente para os números da despesa das famílias que mostraram uma queda inesperada de 2,6%, após o aumento de 2,9% anterior, contrariando as estimativas de um aumento de 0,3% em termos homólogos.

Na Nova Zelândia as atenções da semana estiveram voltadas para os dados do emprego. No quarto trimestre de 2025 o número de postos de trabalho aumentou em 0,5%, acima do crescimento esperado de 0,3%. A taxa de desemprego subiu de 5,3% para 5,4%, contrariando as estimativas para se manter inalterada, mas a taxa de participação subiu de 70,3% para 70,5%, em linha com as estimativas. O índice de custo laboral subiu menos do que o esperado em 0,4% (face a 0,5% do período anterior).
Antes tivemos os números das licenças de construção do mês de Dezembro que mostraram uma queda inesperada de 4,6%, face a um aumento estimado de 1% e após o crescimento de 2,7% no mês anterior.

Na Austrália foi uma semana bastante tranquila relativamente a indicadores económicos.
O anúncio de empregos do ANZ superou as estimativas do mercado ao mostrar um crescimento de 4,4%, face a uma redução prevista de 0,1%, com a redução do mês anterior a ser revista em alta para 0,8%.
Os números das licenças de construção caíram 14,9%, bem mais do que os 6,4% estimados e ainda com o aumento de 15,2% do mês anterior a ser revisto em baixo para 13,1%.
Por fim, os números da balança comercial de Dezembro mostraram um excedente de 3,4 mil milhões de dólares australianos, em linha com as previsões de mercado, mas com o excedente do mês anterior a ser revisto em baixo para 2,6 mil milhões de dólares australianos.



Mercados accionistas



Mais uma semana volátil, com os mercados numa verdadeira montanha russa, onde depois de um início em alta, os mercados entraram numa espiral descendente, entre sérias dúvidas de monetarização em tempo útil dos mega investimentos em Inteligência Artificial, com novos avanços relativamente a agentes de IA que possam disromper actuais modelos de negócio na área de software, e com a confiança dos investidores a ser ainda impactada pelas tensões entre os Estados Unidos e o Irão.

Ásia
No Japão, as sondagens dão uma vitória ao Partido Liberal Democrata de Sanae Takaichi, dando suporte às suas políticas de incentivos monetários e fiscais. A acrescentar a isto, as perdas do iene deram ainda mais suporte aos mercados accionistas nipónicos, fazendo com que os principais índices tenham conseguido terminar a semana em máximos de sempre. O índice Nikkei ganhou 1,75% e o Topix 3,72%.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi que chegou a negociar a meio da semana em novo máximo histórico, terminou a sessão a cair 2,59%, enquanto o ASX 200, da Austrália, caiu 1,81%.
Na China, o índice CSI300 perdeu 1,33% e o Shanghai Composite 1,27%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, liderou as perdas ao cair 3,02%.
Na Índia, e após o acordo firmado com Donald Trump, os principais índices registaram ganhos esta semana, com o Nifty 50 a ganhar 1,47% e o Sensex 1,59%.

Europa
As acções na Europa registaram uma semana em terreno positivo.
O índice Euro Stoxx 600 terminou a semana a ganhar 1% e o Euro Stoxx 50 0,82%.
Na Alemanha, o índice DAX ganhou 0,74% e no Reino Unido o FTSE 100 1,43%, enquanto o CAC 40, de França, registou o máximo semanal de 1,43%.
Por cá, por Portugal, o índice PSI20 ganhou 2,63%.

Estados Unidos
Uma semana louca, onde o índice Dow Jones atingiu pela primeira vez o nível psicológico dos 50.000 pontos e terminou num novo máximo de sempre ao avançar 2,50% esta semana.
O índice S&P 500 terminou a semana recuando marginalmente 0,10%, isto após ter recuperado na última sessão da semana cerca de 2%.
O tecnológico Nasdaq foi o que mais perdeu deste trio, terminando a semana a cair 1,84%, após uma recuperação final de 2,18%.

O índice do medo VIX terminou a semana a subir 1,83%, depois de cair cerca de 18,5% na última sessão da semana.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



Mercado cambial



A semana ficou marcada por uma dinâmica mista no mercado cambial, com o dólar a recuperar parte das perdas recentes, num contexto influenciado por expectativas em torno da política monetária norte-americana e por desenvolvimentos políticos e económicos globais. Ao mesmo tempo, decisões de bancos centrais, eventos políticos e alterações no apetite pelo risco condicionaram o comportamento das principais moedas, gerando movimentos relevantes nos principais pares cambiais.

Esta semana, o dólar norte-americano voltou a evidenciar recuperação, com o índice DXY a atingir um máximo de 97,86 e a encerrar nos 97,48, depois de ter iniciado o período em mínimos abaixo de 97,00 (96,95). A nomeação de Kevin Warsh para assumir a presidência da Reserva Federal, quando Jerome Powell terminar o seu mandato em Maio próximo, parece ter dado algum suporte à moeda norte-americana. Ainda assim, dados do mercado de trabalho aquém do esperado levaram a um ajustamento nas expectativas relativamente ao ritmo de cortes de taxas por parte da Reserva Federal, factor que poderá limitar o potencial de valorização do dólar.

O EUR/USD manteve-se relativamente estável ao longo da semana, negociando maioritariamente em torno de 1,1800 e consolidando no intervalo entre 1,1770 e 1,1830, após as perdas registadas no início do período, quando chegou a negociar próximo de máximos em 1,1850. O Banco Central Europeu optou por manter as taxas de juro inalteradas, reiterando que a política monetária se encontra num nível adequado, com o mercado a continuar a antecipar estabilidade nas taxas no curto prazo.

A libra esterlina iniciou a semana sob pressão, reflectindo o aumento da aversão ao risco. O Banco de Inglaterra manteve a taxa directora inalterada, mas a decisão voltou a ser tomada por margem mínima e a comunicação revelou um tom mais acomodatício, reforçando as expectativas de um possível corte de taxas já na reunião de Março. O GBP/USD, depois de iniciar a semana próximo de máximos em 1,3680, terminou nos 1,3620, recuperando parcialmente após ter atingido um mínimo de 1,3508. Já o EUR/GBP iniciou o período em 0,8655, atingiu um mínimo de 0,8612 e encerrou nos 0,8680, após recuar de um máximo de 0,8720.

No Japão, as eleições legislativas agendadas para 8 de Fevereiro exerceram pressão adicional sobre o iene. As sondagens apontam para uma vitória confortável do Partido Liberal Democrata, liderado pela actual primeira-ministra Sanae Takaichi, cenário que poderá facilitar a implementação de políticas fiscais expansionistas e influenciar a orientação futura da política monetária do Banco do Japão. Após ganhos recentes, o iene registou perdas esta semana, com o USD/JPY a voltar a negociar acima de 157,00, depois de ter iniciado o período próximo de 155,00. O EUR/JPY encerrou nos 185,72, próximo do máximo histórico de 186,87, após ter começado a semana em 184,00 e registado um mínimo de 183,20.

O franco suíço manteve a sua atractividade como activo de refúgio, apresentando volatilidade contida e negociando próximo de máximos recentes. O USD/CHF encerrou nos 0,7753, após ter iniciado a semana em 0,7730, enquanto o EUR/CHF passou de 0,9160 para 0,9165.

O dólar australiano manteve-se próximo de máximos recentes e terminou a semana em valorização, beneficiando da decisão do banco central australiano de subir a taxa diretora de 3,60% para 3,85%, deixando ainda em aberto a possibilidade de novos ajustamentos em alta. O AUD/USD iniciou a semana em 0,6940 e terminou nos 0,7018, enquanto o EUR/AUD recuou de 1,7070 para 1,6845.

Nos mercados emergentes, o destaque foi para o peso mexicano, que registou o melhor desempenho entre as moedas de economias emergentes. O USD/MXN iniciou a semana nos 17,50 e terminou nos 17,25, com a divisa mexicana a valorizar cerca de 1,40% face ao euro e 1,1% face ao dólar.



Gráfico Fonte XTB xStation 5



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