A semana que começa
Geopolítica, resultados e emprego

A semana que começa Geopolítica, resultados e emprego

Semana marcada pelo relatório do emprego nos EUA, negociações com o Irão e eleições no Japão, a par da divulgação de resultados empresariais e da volatilidade nos metais.

A semana deverá ser marcada por vários factores com potencial para influenciar o sentimento dos mercados financeiros, com destaque para a divulgação do relatório do emprego nos Estados Unidos, a evolução das negociações geopolíticas com o Irão, o desfecho das eleições no Japão, a continuação da época de resultados empresariais e a volatilidade observada no mercado dos metais.

Nos Estados Unidos, o relatório do emprego deverá assumir um papel central na avaliação das perspectivas para a política monetária da Reserva Federal. Num contexto em que os investidores procuram sinais mais claros sobre o ritmo e o calendário de eventuais cortes nas taxas de juro, os dados relativos à criação de emprego, evolução salarial e taxa de desemprego poderão influenciar de forma significativa as expectativas do mercado, com impacto directo no dólar.

No plano geopolítico, as negociações com o Irão continuam a ser acompanhadas com atenção, sobretudo pelo potencial impacto nos mercados energéticos e nas cadeias globais de abastecimento. Qualquer evolução relevante poderá gerar movimentos nos preços do petróleo e, consequentemente, influenciar as expectativas de inflação e o comportamento das moedas mais sensíveis ao ciclo das matérias-primas.

No Japão, as eleições representam igualmente um factor de risco e incerteza para os mercados. O resultado eleitoral poderá ter implicações na orientação da política económica e orçamental do país, bem como influenciar a estratégia futura do Banco do Japão, com potenciais reflexos no comportamento do iene.

Os metais preciosos entram na semana num momento crítico, onde a volatilidade tem vindo a ganhar destaque. Após a correção brutal, procurarão recuperar, com o ouro a poder testar os 5.000 dólares por onça, enquanto a prata lutará para se manter acima dos 70 dólares, para voltar acima da marca dos 100 dólares por onça. Qualquer fortalecimento do dólar ou dados que reforcem uma Fed mais hawkish poderão adicionar pressão descendente.





A época de apresentação de resultados empresariais continua a assumir um papel central na orientação dos mercados financeiros, com várias empresas de grande dimensão a prepararem-se para divulgar os seus balanços e perspectivas para os próximos trimestres. Entre os destaques encontram-se nomes de referência em diferentes sectores, como AstraZeneca, Hermés, L’Oréal, Siemens, Total, Barclays, Commerzbank, Daimler, Ferrari, McDonald’s, Coca-Cola, Cisco Systems, Applied Materials, Vertex Pharmaceuticals, Palo Alto Networks, Shopify, Airbnb, Arista Networks, Gilead Sciences, Kraft Heinz, The Trade Desk, Spotify, Moderna, Ford Motor, Cloudflare e Pinterest.

Esta nova vaga de resultados deverá oferecer uma visão abrangente sobre o estado da economia global, permitindo avaliar a resiliência do consumo, o dinamismo do sector tecnológico, a evolução da procura no segmento farmacêutico e o impacto das condições financeiras sobre sectores mais cíclicos, como o automóvel e o industrial. Em particular, o mercado continuará atento às indicações sobre investimento em inteligência artificial, margens operacionais e perspectivas de crescimento, temas que têm sido determinantes para o sentimento dos investidores.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
O shutdown parcial levou a um adiamento da divulgação do relatório do mercado de trabalho por parte do Bureau of Labor Statistics, que terá lugar esta semana, na quarta-feira, e estará no centro das atenções do mercado.
As previsões apontam para que a economia norte-americana em Janeiro tenha criado 70 mil novos postos de trabalho, com a taxa de desemprego a manter-se nos 4,4% e a média salarial tenha aumentado no mês 0,3%, em linha com o mês anterior.
Na terça-feira iremos ter a divulgação dos números das vendas a retalho de Dezembro que deverão mostrar, segundo as previsões, um aumento mensal de 0,5%, e se excluídas as vendas automóveis de 0,2%. O grupo de controlo deverá mostrar um crescimento de 0,3%, abaixo dos 0,4% do mês anterior e confirmando a desaceleração global das vendas. Teremos também o índice de custo laboral relativo ao quarto trimestre de 2025, que deverá mostrar um aumento de 0,8%, em linha com o trimestre anterior, e ainda os inventários empresariais de Novembro que deverão mostrar um crescimento de 0,2%, desacelerando dos 0,3% do mês de Outubro. O ADP divulgará o número semanal da média da criação de emprego das últimas quatro semanas.
Na quinta-feira teremos o habitual número semanal dos novos pedidos de subsídio de desemprego que, após a subida da semana anterior para 231 mil, as estimativas apontam para um recuo para os 222 mil pedidos.
A semana termina com os dados da inflação, com a divulgação também atrasada de dois dias. As previsões apontam para que os preços em Janeiro tenham subido 0,3%, em linha com o mês anterior, com a inflação total anual a cair de 2,7% para 2,5% e a inflação subjacente de 2,6% para 2,5%.

Zona Euro
Por aqui teremos uma semana bastante tranquila até ao último dia da semana onde teremos a divulgação dos números do PIB, do mercado de trabalho e ainda da balança comercial.
A segunda estimativa do PIB do quarto trimestre de 2025, segundo as previsões, deverá confirmar o crescimento económico trimestral de 0,3% da leitura preliminar, com o número homólogo a ser revisto em baixo de 1,4% para 1,3%.
No quarto trimestre, o número trimestral de empregos deverá mostrar uma variação positiva de 0,1%, desacelerando dos 0,2% do trimestre anterior e em termos homólogos uma desaceleração de 0,6%para 0,5%.
Os números da balança comercial de Dezembro, segundo as previsões, deverão mostrar um excedente de 12 mil milhões de euros, após os 9,9 mil milhões no mês de Novembro.
A semana começa com o índice de confiança do investidor Sentix que deverá mostrar uma subida dos -1,8 do mês passado para -0,2.

Reino Unido
O destaque da semana vai também para os dados do crescimento económico, com a divulgação dos números preliminares do PIB do último trimestre de 2025.
As previsões apontam para um crescimento trimestral de 0,2%, acelerando dos 0,1% do trimestre anterior, com o número homólogo a mostrar uma desaceleração dos 1,3% do terceiro trimestre, para 1,2%. Iremos ter também o PIB do mês de Dezembro que deverá mostrar um crescimento mensal de 0,1%, desacelerando dos 0,3% no mês de Novembro, com o PIB em termos anuais a mostrar um crescimento de 1,3%, desacelerando dos 1,4% do mês anterior.
Teremos os números da balança comercial de Dezembro que deverá, segundo as previsões, mostrar um défice de 22 mil milhões de libras, após os 23,7 mil milhões do mês anterior.
A produção industrial, depois do aumento de 1,1% em Novembro, deverá mostrar uma estagnação no mês de Dezembro.
Teremos também os dados preliminares do investimento empresarial do quarto trimestre, com as estimativas a apontarem para um crescimento trimestral de 0,3%, após os 1,5% apresentados no trimestre anterior.
O índice “RICS House Price Balance” de Janeiro deverá mostrar uma queda de 11%, desacelerando da queda de 14% em Dezembro.
No início da semana iremos ter o “BRC Retail Sales Monitor” de Janeiro, que deverá mostrar um aumento nas vendas de 1,2%, acima dos 1% mostrados no mês de Dezembro.

Canadá
Será uma semana tranquila, onde de referir apenas a divulgação dos números das licenças de construção que deverão mostrar um aumento de 9,7%, após a queda de 13,1% no mês anterior.

Suíça
O destaque vai para os dados da inflação, onde as previsões apontam para uma estabilização nos preços em termos mensais, com a inflação em termos anuais a manter-se inalterada nos 0,1%.

China
Por aqui serão também os dados dos preços que irão estar no centro das atenções. O índice de preços do consumidor de Janeiro deverá mostrar uma aceleração na subida dos preços em termos mensais dos 0,2% em Dezembro, para 0,4%, onde a inflação em termos anuais deverá recuar dos 0,8% para 0,4%.
Teremos também os dados da inflação à porta das fábricas, onde o índice de preços no produtor deverá mostrar uma queda nos preços, em termos homólogos, de 1,5%, desacelerando da queda de 1,9% no mês anterior.
Teremos ainda a divulgação do índice do preço dos imóveis de Janeiro, onde as estimativas apontam para uma queda de 2,6%, após a de 1,7% no mês de Dezembro.
Os números relativos aos novos empréstimos em yuans deverão mostrar um aumento dos 910 mil milhões de yuans apresentados em Dezembro, para 4.800 mil milhões em Janeiro.

Japão
O destaque da semana começa logo na abertura da mesma, com a divulgação dos dados dos ganhos médios salariais de Dezembro, onde as previsões apontam para uma aceleração em termos homólogos dos 0,5% em Novembro para 3% em Dezembro. Iremos ter também, logo no primeiro dia, os números da conta corrente de Dezembro, que deverão mostrar uma queda do excedente de 3.674 mil milhões de ienes em Novembro, para 1.060 mil milhões em Dezembro.
Teremos mais tarde o índice de confiança dos observadores económicos, com as estimativas apontarem para uma subida de 48,6 para 49,1.
As encomendas de maquinaria em Janeiro deverá mostrar um aumento de 9,5% em termos homólogos, abaixo dos 10,6% mostrados no mês anterior.
Por fim, o índice de preços do produtor deverá mostrar uma subida mensal nos preços em Janeiro de 0,2%, acelerando dos 0,1% do mês anterior, com a medida em termos homólogos a desacelerar de 2,4% para 2,3%.

Nova Zelândia
Uma semana bastante tranquila e indicadores económicos, onde o índice manufactureiro BusinessNZ, segundo as estimativas, deverá mostrar uma queda de 56,1 para 55, e as expectativas empresariais da inflação para este primeiro trimestre de 2026 deverá estar nos 1,7%, bem abaixo dos 2,28% do trimestre anterior.

Austrália
A semana começa com a divulgação dos dados da despesa das famílias que deverá mostrar um aumento mensal de 0,2% em Dezembro, recuando dos 1% de Novembro. Teremos o índice de confiança do consumidor Westpac que, segundo as estimativas, deverá mostrar uma queda de 92,9 do mês anterior, para 90, enquanto o índice de confiança empresarial NAB deverá manter-se inalterado.




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