EUR/USD
Semanal
A correcção em baixa do EUR/USD perdeu força ao longo da última semana. Estaremos perante um possível regresso à tendência ascendente no curto prazo?
As primeiras horas da semana passada deram continuidade aos movimentos observados na semana anterior, com o recuo do “debasement trade” a provocar perdas significativas no ouro e na prata, o regresso do dólar a ganhos e a descida do EUR/USD a partir de máximos de mais de quatro anos.
Mesmo com a decisão de política monetária do Banco Central Europeu, em que Christine Lagarde adoptou um tom mais “dovish” do que o antecipado — ao referir que um euro forte poderá gerar pressões descendentes sobre a inflação, contrariando a ideia anteriormente sugerida por Isabel Schnabel de que o próximo movimento do BCE poderia ser uma subida de taxas — e ainda com dados da inflação da Zona Euro ligeiramente abaixo das estimativas, o EUR/USD manteve-se resiliente. A inflação anual de Dezembro foi revista em baixa para 1,9% e em Janeiro desceu para 1,7%, enquanto a inflação subjacente recuou de 2,3% para 2,2%. Ainda assim, o par não quebrou níveis em torno de 1,1770.
Do lado dos Estados Unidos, o Bureau of Labor Statistics anunciou o adiamento do relatório do emprego, o que resultou na não divulgação dos nonfarm payrolls nem da taxa de desemprego. Apesar disso, os restantes indicadores do mercado laboral revelaram sinais pouco compatíveis com a manutenção de uma postura restritiva por parte da Reserva Federal. As vagas de emprego JOLTS caíram para mínimos dos últimos cinco anos, traduzindo-se, na prática, em menos de uma vaga disponível por cada desempregado. O relatório “Challenger Job Cuts” evidenciou um volume elevado de despedimentos, ligeiramente acima dos 108 mil, o valor mais elevado para um mês de Janeiro desde 2009. Em paralelo, os pedidos semanais de subsídio de desemprego registaram uma trajectória ascendente e o relatório privado ADP apontou para a criação de apenas 22 mil postos de trabalho, face aos cerca de 45 mil esperados. Ainda assim, e apesar de as probabilidades implícitas no FedWatch Tool da CME indicarem uma subida para 25% na probabilidade de um corte de taxas na próxima reunião da Fed — face a cerca de 5% após a reunião de Janeiro —, o EUR/USD não conseguiu ultrapassar a zona dos 1,1830.
Assim, o EUR/USD iniciou as primeiras horas desta semana a prolongar o movimento descendente anteriormente registado, mas acabou por entrar num período de consolidação em torno dos mínimos iniciais ao longo de toda a semana.
Para esta semana, as atenções voltam a centrar-se nos dados do mercado de trabalho norte-americano. As previsões apontam para um crescimento de cerca de 70 mil novos postos de trabalho, com a taxa de desemprego a manter-se nos 4,4%. Será igualmente divulgada a revisão dos dados relativos a 2025, que poderá introduzir volatilidade adicional nos mercados.
Na minha opinião, os dados do emprego deverão assumir, desta vez, um impacto mais relevante no EUR/USD.
Um crescimento do emprego abaixo do esperado e/ou uma taxa de desemprego superior às previsões poderão reforçar a leitura dos dados divulgados na semana anterior, sugerindo que o mercado laboral poderá não estar tão sólido quanto indicado pela Reserva Federal. Tal cenário poderá contrariar as projecções mais “hawkish” e as expectativas de menor propensão para cortes de taxas de juro. Em simultâneo, o arrefecimento do entusiasmo em torno da nomeação de Kevin Warsh para presidente da Reserva Federal poderá voltar a exercer pressão sobre o dólar, favorecendo uma retoma da tendência ascendente do EUR/USD observada nos primeiros seis meses de 2025, após um prolongado período de consolidação. A confirmação deste cenário poderá surgir através de um movimento sustentado do par acima da zona dos 1,2000.
Já uma surpresa nos dados do emprego que mostrem um número mais reduzido de postos de trabalho criados em Janeiro e/ou uma taxa de desemprego a subir, poderão levar a um correcção ainda mais ampla do par, com novo teste a zonas técnicas como a Nuvem de Ichimoku diária (1,1637/1,1707) e a média móvel dos duzentos dias (1,1617).
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD recuou do máximo registado na semana anterior, para voltar a negociar dentro da área de consolidação mais ampla de 1,1400/1,1900, mantendo-se abaixo do nível psicológico de 1,2000.
O MACD continua positivo, tal como o RSI, que continua acima da linha de 50, ambos mantendo o momentum ascendente do EUR/USD.
O EUR/USD negociou em torno de 1,1800. Após abrir a semana a negociar em torno de 1,1850, veio registar um mínimo a 1,1766, mas recuperou e terminou a semana a 1,1822.
O break do máximo da semana anterior a 1,1822 e da resistência a 1,1830, poderá confirmar a retoma da tendência ascendente e dar força ao par para um novo teste a 1,1918 (máximo deste ano), confirmando simultaneamente o break da área de consolidação da última metade de 2025, e a possibilidade de poder voltar a negociar acima de 1,2000, com os olhos postos no novo máximo deste ano a 1,2082.
O quebrar do suporte dado pelo mínimo da semana passada a 1,1766 poderá pesar no EUR/USD, mostrando a possibilidade de um falso “break” na semana anterior quando registou o máximo de 1,2082, levando-o de novo bem para dentro da área de consolidação 1,1500/1,1800, onde irá encontrar um suporte nos 1,1679, dado pela média móvel das vinte e uma semanas.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD iniciou a semana e negociar em perdas acentuadas, mas continuou de seguida a negociar em volatilidade mais contida, consolidando numa área estreita entre aproximadamente 1,1770 e 1,1830, acima da linha da média móvel dos 21 dias.
O MACD segue positivo, mas com a linha do MACD abaixo da linha de Sinal, enquanto o RSI, após recuar de terreno de sobrecompra, segue acima da linha neutra de 50, dando sinais de uma ligeira aceleração no momentum ascendente.
A vela da passada sexta-feira configura um “bullish engulfing”, após um período de consolidação de quatro dias consecutivos, onde o EUR/USD testou o suporte dado pelos 61,8% Fibonacci retracement do movimento mínimo/máximo deste ano (1,1771), sem o conseguir quebrar.
Este bullish engulfing poderá dar força ao par para um teste ao máximo da semana de 1,1874, que se quebrado, poderá lançar de novo o par na tendência ascendente, com um primeiro objectivo a poder estar nos 1,1918 (máximo de 2025), que se ultrapassado irá expor o máximo do ano a 1,2082.
O quebrar do suporte dado pela média móvel dos 21 dias (de momento a 1,1768) e dos 1,1771 mencionados acima, poderão dar força ao par para um teste aos suportes mais fortes dados pela Nuvem de Ichimoku diária (1,1637/1,1707) e pela MM 200 dias, de momento a 1,1617, antes do mínimo do ano a 1,1579.
Resistências - Suportes
1,1874 - 1,1771
1,1918 - 1,1707
1,2082 - 1,1617