A semana que começa
Dados económicos, tensões e resultados
Desenvolvimentos entre o Irão e os EUA, dados do crescimento económico norte-americano e da actividade económica, particularmente no Zona Euro e mais resultados empresariais estarão no centro das atenções dos mercados
Numa semana que começa com um feriado nos Estados Unidos e a China a festejar o Novo Ano Lunar, o Ano do Cavalo, os investidores continuarão atentos às negociações entre os EUA e o Irão, e ainda a dados económicos que darão mais luz sobre o que se passa nas economias norte-americana e europeia, continuando ainda a avaliar resultados empresariais.

Esta semana, no dia 17 de Fevereiro, o mundo asiático celebra o Ano Novo Lunar, marcando o início do Ano do Cavalo, uma data que mobiliza milhões de pessoas em deslocações familiares e que simboliza, segundo a tradição chinesa, um período de energia, movimento e transformação.
Logo no início da semana, a 16 de Fevereiro, os Estados Unidos festejam o Presidents' Day, um feriado federal que encerra os serviços públicos e cria um fim de semana prolongado, afectando a dinâmica dos mercados norte-americanos.

No plano geopolítico, a tensão entre Washington e Teerão continua a escalar de forma preocupante. Os EUA enviaram o porta-aviões Gerald R. Ford, o maior do mundo, do Mar das Caraíbas para o Médio Oriente, numa demonstração de força que visa pressionar o Irão a negociar sobre o seu programa nuclear. O presidente Trump oscila entre a retórica beligerante e a abertura diplomática, numa estratégia de ambiguidade calculada que mantém os mercados energéticos em alerta e os preços do petróleo sob pressão, dado o risco de interrupção no fornecimento através do Estreito de Ormuz.

A nível macroeconómico, as atenções estarão voltadas para os dados do PIB nos Estados Unidos e para os indicadores PMI, especialmente na Zona Euro, onde se espera ver uma economia norte-americana resiliente e a continuação de um crescimento da actividade económica europeia.

A época de resultados continua e esta semana iremos poder contar com mais uma série de grandes empresas a apresentar as suas contas, como será o caso da Walmart, Warner Bros Discovery, Booking Holdings, Deere & Company, Palo Alto Networks, Moody’s, Cadence Design Systems, Analog Devices, DoorDash, Nestle, Airbus, John Deere, Danone, Pernod Ricard, Carrefour e Renault entre muitas outras.
Dados Económicos

Estados Unidos da América
Temos pela frente uma semana bem preenchida de indicadores económicos, com as atenções a irem especialmente para o último dia da semana onde teremos a divulgação dos números preliminares do PIB do quarto trimestre de 2025 e da medida preferida da Fed para a inflação.
Após um início de semana em feriado, na terça-feira começamos por ter os números semanais do emprego da ADP, depois da semana passada ter mostrado uma média nas últimas quatro semanas de 6.500 empregos criados. Iremos ter também o índice manufactureiro de Nova Iorque, onde as estimativas apontam para uma subida de 7,7 para 8,5, e o índice de mercado imobiliário NAHB, que também deverá subir ligeiramente de 37 para 38.
Na quarta-feira as atenções vão para os números das encomendas de bens duradouros de Dezembro, com as previsões a apontarem para uma queda de 1,8%, após o aumento de 5,3% no mês anterior, onde sem os itens de transportes, deverão aumentar 0,3%, desacelerando dos 0,4% em Novembro. Iremos ter mais dados do mercado imobiliário, com a divulgação dos números das licenças de construção e do início de construção de casas dos meses de Novembro e Dezembro, dados atrasados ainda devido ao shutdown governamental. As previsões apontam para que em Novembro as licenças de construção mostrem uma redução de 3,6%, acelerando a queda de 0,3% em Outubro, e o início de construção de imóveis um crescimento de 1,9%, após a queda de 4,6% no mês anterior. Teremos ainda os números da produção industrial de Janeiro que, segundo as previsões, deverão manter o crescimento de 0,4%, em linha com o mês anterior.
Na quinta-feira teremos os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, com as estimativas a apontarem para um número ligeiramente acima do da semana passada (229 mil). O índice manufactureiro da Fed de Filadélfia, segundo o consenso, deverá cair de 12,6 para 7,8. A balança comercial de bens deverá mostrar um défice de 85,7 mil milhões de dólares, ligeiramente abaixo dos 86,9 mil milhões do mês anterior. Teremos mais dados do mercado imobiliário, com a divulgação dos números das vendas pendentes de imóveis, com as previsões a apontarem para um aumento de 2,4%, após a redução de 9,3% no mês anterior. Iremos ter ainda os números preliminares dos inventários grossistas de Dezembro que, segundo as estimativas, deverão mostrar um aumento de 0,1%, desacelerando dos 0,2% no mês de Novembro.
A semana termina com mais um dia bem preenchido de dados de primeira linha, onde as atenções vão especialmente para os números preliminares do PIB do quarto trimestre. Segundo as previsões, a economia norte-americana deverá mostrar um crescimento trimestral de 3%, abaixo dos 4,4% do trimestre anterior. O Core PCE Price Index, a medida preferida da inflação da Reserva Federal, segundo as previsões, deverá mostrar uma subida dos 2,8% do mês de Novembro, para 3% em Dezembro, com os preços em termos mensais a mostrarem um aumento de 0,4%, acelerando dos 0,2% do mês anterior. O rendimento pessoal deverá manter um crescimento de 0,3% e as despesas pessoais uma desaceleração dos 0,5% do mês anterior, para 0,4%. Teremos mais dados do mercado imobiliário de Novembro e Dezembro, com os números de Novembro das vendas de imóveis novos, segundo as estimativas, a caírem 3,7%, acelerando a queda de 0,1% em Outubro. Iremos ter os dados da actividade económica privada, onde as previsões apontam para que o índice composto da S&P Global mostre uma queda dos 53 para 52,6, com o índice manufactureiro a cair de 52,4 para 51,8, e o de serviços de 52,7 para 52,5. Teremos ainda os números finais dos dados da Universidade de Michigan da confiança do consumidor e das expectativas de inflação.
Zona Euro
Por aqui o destaque vai também para o último dia da semana onde iremos ter a divulgação dos dados da actividade económica privada, onde as previsões apontam para a continuação de um ligeiro crescimento.
O PMI composto da HCOB, segundo as estimativas, deverá mostrar uma subida de 51,3 para 51,7, onde o índice manufactureiro sobe de 49,5 para 50 e o de serviços de 51,6 para 51,9.
Antes destes números agregados da Zona Euro, os da Alemanha deverão mostrar um ligeiro recuo do índice composto de 52,1 para 51,9, mas onde o índice industrial mostra uma subida de 49,1 para 49,8, enquanto em França, o índice composto deverá subir de 49,1 para 50, com o índice de serviços a subir de 48,4 para 49,5.
A semana começa com os números da produção industrial de Dezembro, onde as previsões mostram uma queda de 1,2%, após o aumento de 0,7% no mês anterior.
Na terça-feira, as atenções vão para o indicador alemão da confiança económica ZEW, que na Zona Euro deverá mostrar um crescimento de 40,8 para 45,2, e na Alemanha de 59,6 para 65,2.
Na quinta-feira iremos ter os números da conta-corrente, onde as previsões apontam para um excedente de 9,2 mil milhões de euros em Dezembro, após os 8,6 mil milhões de Novembro, e o índice de confiança do consumidor deverá manter-se inalterado nos -12.
Na sexta-feira, além dos PMI, os mercados estarão também atentos aos números do crescimento salarial negociado do quarto trimestre, onde as estimativas apontam para um ligeiro aumento dos 1,87% do trimestre anterior para 2%.
A nível nacional:
Na Alemanha iremos ter os números do índice de preços do produtor de Janeiro, que deverão mostrar uma subida mensal dos preços de 0,1%, após a queda de 0,2% em Dezembro.
Em Itália, os números de Dezembro da balança comercial deverão mostrar um excedente de 4,75 mil milhões de euros, após os 5,08 mil milhões apresentados em Novembro.
Reino Unido
Iremos ter uma semana bem preenchida de indicadores económicos de primeira linha.
As atenções começam por ir para os dados do mercado de trabalho, onde as previsões apontam para que a taxa de desemprego se mantenha nos 5,1%. A variação do emprego de Dezembro deverá mostrar uma queda de 40 mil postos de trabalho, após o aumento anterior de 82 mil. Os ganhos médios incluindo bónus deverão desacelerar dos 4,7% para 4,6%. O número de postos de trabalho em Janeiro deverá registar uma diminuição de 10 mil, após os 43 mil do mês anterior. O número de pedidos de subsídio de desemprego em Dezembro deverá subir para 22 mil, dos 17,9 mil em Novembro.
De seguida, na quarta-feira, teremos os dados da inflação, onde as previsões apontam para uma queda mensal dos preços em Janeiro de 0,1%, com a inflação anual a cair dos 3,4% em Dezembro, para os 3%. Sem alimentos nem energia, os preços deverão mostrar uma estabilização em termos mensais, com a inflação subjacente a cair de 3,2% para 3,1%. Teremos ainda o índice de preços do imóveis, que deverá mostrar uma subida de 2,3%, em termos homólogos, desacelerando dos 2,5% do mês anterior.
Na quinta-feira iremos ter a divulgação do índice das Expectativas das Encomendas Industriais CBI, onde as estimativas apontam para uma subida dos -30 para -27.
A semana termina com os números das vendas a retalho, onde as previsões apontam para um crescimento mensal de 0,2%, desacelerando dos 0,4% no mês anterior, e ainda com o destaque dos dados de actividade económica da S&P Global, onde o índice PMI composto deverá mostrar um ligeiro recuo dos 53,7 para 53,3, com o da actividade manufactureira a subir ligeiramente de 51,8 para 51,9, mas o de serviços a cair de 54 para 53,6.
Canadá
Também por aqui haverá uma semana bastante preenchida de dados económicos, com as atenções a recaírem principalmente nos dados da inflação.
A semana começa com os dados do início de construção de imóveis, onde as estimativas apontam para uma queda dos 282 mil em Dezembro, para 266 mil em Janeiro, e ainda para as vendas manufactureiras de Dezembro que deverão mostrar um aumento de 0,5%, após a queda de 1,2% em Novembro.
Na terça-feira teremos o destaque da semana, os dados da inflação, onde os mercados esperam ver um aumento mensal dos preços em Janeiro de 0,1%, após a queda de 0,2% em Dezembro, com a inflação anual a subir de 2,4% para 2,5%. Sem alimentos nem energia, os preços em termos mensais deverão mostrar um aumento de 0,4%, com a inflação subjacente a ficar inalterada nos 2,5%. A “Trimmed-Mean”, a medida seguida mais de perto pelo Banco do Canadá, deverá mostrar uma queda de 2,7% para 2,6%. Iremos ter também as vendas grossistas, com as previsões a apontarem para um aumento mensal de 1,9%, após a queda de 1,8% no mês anterior.
Na quinta-feira teremos o índice de preços de imóveis novos, onde o mercado espera ver uma subida de 0,1%, após a queda anterior de 0,2%, e ainda os números da balança comercial de Dezembro, que deverão mostrar um défice de 2,4 mil milhões de dólares canadianos.
Por fim, na sexta-feira, teremos a divulgação dos números das vendas a retalho de Dezembro, que deverão mostrar uma queda em termos mensais de 0,5%, após o aumento de 1,3% no mês de Novembro, onde se excluídas as vendas automóveis deverão mostrar uma redução de 0,8%, após o aumento de 1,7% no mês anterior.
Japão
A semana começa com as atenções postas nos números preliminares do PIB do quarto trimestre de 2025, onde as previsões mostram um crescimento trimestral de 0,4%, após a contracção anterior de 0,6%, com o PIB anual a mostrar uma subida de 1,8%, face à contracção anterior de 2,3%.
Os números da actividade da indústria terciária de Dezembro deverão mostrar uma queda de 0,2%, em linha com o mês anterior, e a balança comercial de Janeiro deverá apresentar um défice de 160 mil milhões de ienes, melhorando dos 210 mil milhões do mês de Dezembro.
As encomendas de maquinaria, com excepção de centrais eléctricas e de navios, deverão aumentar 5,1%, após a queda de 11% no mês anterior.
Iremos ter também o índice de preços do consumidor nacional, onde sem alimentos frescos, as previsões apontam para uma queda dos 2,4% para 2,0%. A inflação total deverá cair de 2,1% para 1,9%, com os preços em termos mensais a subirem 0,3%.
Por fim, iremos ter os dados da actividade económica privada. O índice composto da S&P Global deverá, segundo as estimativas, cair de 53,1 para 52,5, com o PMI manufactureiro a subir de 51,5 para 52,0 e o de serviços a cair de 53,7 para 53,3.
Nova Zelândia
A semana começa com o índice de serviços BusinessNZ, que deverá subir de 51,5 para 51,9, e terminará com a divulgação dos números da balança comercial de Janeiro, com as previsões a apontarem para um défice de 100 milhões de dólares neozelandeses, após o excedente em Dezembro de 52 milhões.
Austrália
O destaque esta semana vai para os dados do mercado de trabalho. Os mercados esperam ver a taxa de desemprego de Janeiro a subir de 4,1% para 4,2%, com a taxa de participação a aumentar de 66,7% para 66,8%. O número de postos de trabalho criados deverá ser de 20 mil, divididos entre empregos a tempo parcial e tempo inteiro.
Teremos também a divulgação do índice de preço salarial do quarto trimestre, que se deverá manter o aumento trimestral de 0,8%.
Iremos ter ainda os dados da actividade económica privada, onde o índice PMI composto deverá mostrar uma queda ligeira de 55,7 para 55,6, com a actividade manufactureira a aumentar de 52,3 para 52,6 e a de serviços a cair de 56,3 para 55,5.
Bancos Centrais

O Reserve Bank of New Zealand (RBNZ)
A reunião de política monetária do banco central neozelandês chega num momento em que este tenta fechar um ciclo e, ao mesmo tempo, manter todas as opções em aberto. Depois de um dos apertos mais agressivos do período pós‑pandemia, seguido de uma fase de cortes que trouxe a taxa directora para a zona dos 2,25%, a autoridade monetária entra em 2026 numa postura declaradamente “dependente dos dados”, menos espectacular mas mais exigente em termos de gestão de expectativas. O enquadramento é o de uma economia que saiu de uma recessão técnica recente, com crescimento anémico, sinais de folga crescente no mercado de trabalho e uma inflação que já recuou dos picos, mas ainda não está ancorada de forma confortável no centro da banda de 1%–3%.
Neste contexto, o cenário de base para esta reunião é a manutenção da taxa, prolongando a espera que a nova governadora tem vindo a sinalizar como necessária para equilibrar o legado de inflação elevada com a fragilidade do ciclo económico. Uma nova redução da taxa arriscaria alimentar a percepção de complacência face à inflação e poderia reaquecer segmentos mais sensíveis, como o imobiliário, enquanto uma subida seria difícil de justificar perante dados de actividade ainda fracos e confiança moderada de famílias e empresas. Assim, o foco dos mercados estará menos na decisão em si e mais na linguagem do comunicado e nas projecções actualizadas para crescimento, inflação e trajectória da taxa directora. Qualquer nuance que sugira que o próximo movimento poderá ser uma subida mais cedo do que o esperado, ou, pelo contrário, que o banco admite reabrir a porta a cortes caso a economia volte a fraquejar, será imediatamente reflectida no dólar neozelandês, num país em que a política monetária continua a ser o principal instrumento de estabilização do ciclo.