EUR/USD
Semanal

EUR/USD Semanal

Na semana passada, nem os dados do emprego nem os da inflação conseguiram elevar a volatilidade no EUR/USD, que continua a navegar em mares calmos. Até quando?

A semana começou com notícias de que o regulador na China aconselhava as instituições financeiras a reduzirem as suas posições em títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a limitarem as compras de obrigações soberanas norte-americanas. Sem confirmação oficial e com indicações de que tal recomendação se devia a uma gestão de risco, e não a qualquer directiva política, o dólar iniciou a semana com um movimento expressivo, que o levou a mínimos de mais de uma semana.

Entretanto, o dólar foi recuperando gradualmente parte do terreno inicialmente perdido, acompanhando a recuperação dos mercados obrigacionistas após as perdas registadas no início da semana. O movimento mais significativo ocorreu com a divulgação do relatório do emprego do Bureau of Labor Statistics, que revelou a criação de 130 mil novos postos de trabalho em Janeiro, acima dos 70 mil antecipados pelo mercado, e contrariando os dados mais frágeis observados na semana anterior. A taxa de desemprego recuou de 4,4% para 4,3%, mesmo com um aumento da taxa de participação.

Na minha perspectiva, estes números poderiam ter sustentado uma recuperação do dólar bastante mais robusta do que a observada. O EUR/USD limitou-se a aproximar-se de 1,1830, mantendo-se depois a negociar dentro de um intervalo relativamente estreito entre esse mínimo e os 1,1890. Mesmo com as probabilidades de um corte das taxas de juro antes de Junho praticamente descartadas e com as expectativas do próximo corte agora repartidas entre Junho e Julho, o dólar continua sem conseguir registar ganhos relevantes. É possível que o sentimento de “sell America” continue a ganhar expressão nos mercados, com a venda de dólares em movimentos de subida, ou que a estratégia de “buy on dip” no EUR/USD continue a dominar o actual sentimento de mercado.

Esta semana será marcada pela divulgação das minutas da última reunião de política monetária da Reserva Federal dos Estados Unidos, pelos dados preliminares do PIB do quarto trimestre e pelo Core PCE Price Index. Apesar de, recentemente, mesmo indicadores de elevada relevância não terem provocado movimentos significativos no EUR/USD, caso este sentimento latente de “sell America” se mantenha, um indicador que valide a posição dos vendedores de dólares e compradores de EUR/USD poderá desencadear finalmente um movimento mais expressivo. Tal poderá ocorrer caso as minutas revelem um tom mais “hawkish” do que o antecipado. Recorde-se que na última reunião existiram dois votos dissidentes, de Stephen Miran e Christopher Waller, o que poderá introduzir alguma complexidade na leitura do documento.

O mercado antecipa um crescimento económico no quarto trimestre entre 2,8% e 3%, desacelerando face aos 4,4% do trimestre anterior. Uma leitura abaixo do esperado poderá igualmente desencadear uma reacção negativa do dólar, embora não seja de excluir a possibilidade de uma surpresa positiva. Por último, será divulgada a medida de inflação preferida da Fed. Os mais recentes dados do IPC ficaram abaixo das expectativas, mas não seria inédito que o Core PCE apresentasse uma leitura divergente. Em síntese, existem actualmente mais factores que sustentam uma possível valorização do dólar (EUR/USD em queda) do que o cenário inverso, embora tal tenha já sucedido na semana passada sem provocar movimentos relevantes no par.

Teremos ainda a divulgação dos PMI, embora estes indicadores tendam a ter maior impacto sobre o euro do que sobre o dólar. Ainda assim, a dinâmica recente sugere que o principal catalisador do EUR/USD continua a ser o comportamento da moeda norte-americana.

Na minha opinião, o sentimento global do mercado aparenta manter-se mais favorável a posições compradoras de EUR/USD do que o inverso. Assim, um indicador que fragilize o dólar tenderá a ser mais rapidamente explorado pelos compradores do par, do que um dado favorável à moeda norte-americana pelos vendedores. Neste contexto, a referência psicológica dos 1,2000 poderá continuar a assumir-se como o principal ponto de atracção.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD voltou a negociar em alta, mantendo uma volatilidade reduzida, ficando contido entre um mínimo de 1,1808 logo o início da semana, e um máximo de 1,1928.

Por aqui nada de novo: “O MACD continua positivo, tal como o RSI, que continua acima da linha de 50, ambos mantendo o momentum ascendente do EUR/USD.”

O EUR/USD negociou e terminou a semana a negociar acima do nível de fecho da semana anterior, num primeiro sinal de retoma do movimento ascendente registado há três semanas quando registou um máximo do ano a 1,2082.

O break do máximo da semana passada a 1,1928, poderá dar força ao par para um teste à referência psicológica de 1,2000, que se de novo ultrapassada, irá expor o máximo deste ano referido acima (1,2082).

O quebrar do suporte dado pelo mínimo da semana anterior a 1,1766 poderá reafirmar a possibilidade de um falso “break” quando o EUR/USD registou o máximo de 1,2082, levando-o de novo bem para o interior da área de consolidação 1,1500/1,1800, onde irá encontrar um suporte nos 1,1685, dado pela média móvel das vinte e uma semanas.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O EUR/USD iniciou a semana e negociar em ganhos, num movimento que poderia indiciar a retoma da tendência ascendente deste ano, mas recuou nos restantes dias da semana, sem contudo conseguir cair abaixo de 1,1830, mantendo-se acima da média móvel dos 21 dias.

O MACD segue positivo, mas com a linha do MACD abaixo da linha de Sinal, enquanto o RSI segue acima da linha neutra de 50. Ambas as linhas seguem paralelas às respectivas linhas neutras, sinalizando arrefecimento de momentum.

Após o objectivo a 1,1918 ter sido atingido, depois do máximo de há duas semanas ter sido ultrapassado na semana passada, o preço voltou a corrigir, ganhando suporte no nível de 1,1835, mínimo de 26 de Janeiro (abertura em gap positivo) e acima da média móvel dos 21 dias (de momento a 1,1826).

O break do suporte dado pela área 1,1808/1,1835, poderá indicar que a correcção do movimento que levou o preço do mínimo do ano a 1,1579 até ao máximo de 1,2082, poderá não ter terminado. O perder do suporte a 1,1766, mínimo da semana passada, poderá colocar o par na direcção de um teste ao suporte mais forte dado pela Nuvem de Ichimoku (de momento a 1,1637/1,1709), antes da média móvel dos 200 dias (1,1631)

Já o ultrapassar da resistência dada pela área 1,1918/1,1928 (máximos de 2025 e da semana passada, respectivamente), poderá estar a sinalizar que o par está a retomar a tendência ascendente deste ano, com um primeiro objectivo na referência psicológica de 1,2000, que se ultrapassada, irá expor o máximo do ano a 1,2082.


Resistências - Suportes

1,1928 - 1,1835

1,2000 - 1,1766

1,2082 - 1,1637


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