Amanhã destacamos
Bancos centrais

Amanhã destacamos Bancos centrais

Uma quarta-feira repleta de indicadores económicos, mas onde as atenções vão para os bancos centrais, para a decisão de taxas do Reserve Bank of New Zealand e para a divulgação das minutas da última reunião da Fed

Esta noite, na Nova Zelândia, o Reserve Bank of New Zealand (RBNZ), depois de um dos apertos mais agressivos do período pós‑pandemia, seguido de uma fase de cortes que trouxe a taxa directora para a zona dos 2,25%, levou a autoridade monetária a entrar em 2026 numa postura declaradamente “dependente dos dados”, menos espectacular mas mais exigente em termos de gestão de expectativas. O cenário de base para esta reunião é a manutenção da taxa, prolongando a espera que a nova governadora tem vindo a sinalizar como necessária para equilibrar o legado de inflação elevada com a fragilidade do ciclo económico. O foco dos mercados estará menos na decisão em si e mais na linguagem do comunicado e nas projecções actualizadas para crescimento, inflação e trajectória da taxa directora. Qualquer nuance que sugira que o próximo movimento poderá ser uma subida mais cedo do que o esperado, ou, pelo contrário, que o banco admite reabrir a porta a cortes caso a economia volte a fraquejar, será imediatamente reflectida no dólar neozelandês.

No final do dia, iremos ter a divulgação das minutas da última reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos, onde a taxa de juro ficou inalterada nos actuais 3,50%-3,75%, mas com dois dissidentes, que votaram para um corte de taxas, Stephen Miran e Christopher Waller. Os mercados irão procurar nas atas sinais dovish, ou seja, quantos mais votantes estiveram perto de novo corte de taxas. Neste momento as expectativas do mercado apontam para um próximo corte na reunião de Junho.

Relativamente a dados económicos temos:

Esta noite, no Japão, teremos os números da balança comercial de Janeiro, que deverá apresentar um défice de 160 mil milhões de ienes, melhorando dos 210 mil milhões do mês de Dezembro.

Na Austrália, teremos a divulgação do índice de preço salarial do quarto trimestre, que deverá manter o aumento trimestral de 0,8%.

No Reino Unido, as atenções vão para os dados da inflação, que irão contribuir para uma tomada de decisão do Banco de Inglaterra relativamente a um corte, ou não, na sua taxa de juro na próxima reunião em Março. Segundo as previsões, a inflação deverá mostrar uma queda mensal dos preços em Janeiro de 0,1%, com a inflação anual a cair dos 3,4% em Dezembro, para os 3%. Sem alimentos nem energia, os preços deverão mostrar uma estabilização em termos mensais, com a inflação subjacente a cair de 3,2% para 3,1%. Teremos ainda o índice de preços dos imóveis, que deverá mostrar uma subida de 2,3% em termos homólogos, desacelerando dos 2,5% do mês anterior.

À tarde, nos Estados Unidos, as atenções começam por ir para os números das encomendas de bens duradouros de Dezembro, onde as previsões apontam para uma queda de 1,8%, após o aumento de 5,3% no mês anterior, onde sem os itens de transportes, deverão aumentar 0,3%, desacelerando dos 0,4% em Novembro. Iremos ter mais dados do mercado imobiliário, com a divulgação dos números das licenças de construção e do início de construção de casas dos meses de Novembro e Dezembro, dados atrasados ainda devido ao shutdown governamental. As previsões apontam para que em Novembro as licenças de construção mostrem uma redução de 3,6%, acelerando a queda de 0,3% em Outubro, e o início de construção de imóveis um crescimento de 1,9%, após a queda de 4,6% no mês anterior. Teremos ainda os números da produção industrial de Janeiro que, segundo as previsões, deverão manter o crescimento de 0,4%, em linha com o mês anterior.

Poderemos ouvir Isabel Schnabel, do Banco Central Europeu, e Michelle Bowman, da Reserva Federal dos Estados Unidos.


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