EUR/USD
Semanal

EUR/USD  Semanal

Um “buy on dips” ou um “sell on upticks”? A pergunta não é simples, e quem lhe der uma resposta demasiado segura merece desconfiança.

O EUR/USD é hoje um dos pares cambiais mais carregados de tensão política, monetária e geopolítica que se conhece há anos, e é precisamente essa complexidade que torna a questão fascinante.

O contexto de partida é importante. Ao longo de 2025, o par viveu uma recuperação impressionante, com o euro a subir de mínimos perto da paridade, em 1,0177, até um máximo de 1,1918, impulsionado sobretudo pela fraqueza estrutural do dólar num ano em que as tarifas de Trump, a incerteza sobre a independência da Fed e a rotação de capitais para fora dos activos americanos definiram o sentimento dos mercados. A tendência de fundo é, portanto, bullish para o euro, ou dito de outro modo, bearish para o dólar.

Mas os mercados raramente andam em linha reta, e este mês de Fevereiro tem sido um bom exemplo disso. O EUR/USD voltou a recuar na semana passada, com o dólar a beneficiar de dados macroeconómicos americanos mais fortes do que o esperado, os pedidos de subsídio de desemprego caíram para 206 mil, bem abaixo das projeções e de um tom mais hawkish das minutas da última reunião da Reserva Federal. O par chegou a negociar abaixo de 1,1750, perto dos mínimos de um mês. A decisão do Supremo Tribunal americano, que na sexta-feira declarou ilegais as tarifas, devolveu algum alento ao euro, empurrando o par de volta para a zona de 1,1800.

Os dois cenários possíveis têm, cada um, argumentos sólidos.

Do lado do “buy on dips”, comprar o euro nas correcções, os fundamentos apontam numa direção clara: o euro ganhou 14% face ao dólar em 2025, o melhor desempenho anual em quase uma década, e as razões estruturais por detrás dessa força não desapareceram. A Alemanha comprometeu-se com um programa histórico de investimento em infraestruturas e defesa, a inflação na zona euro está controlada perto do objectivo de 2%, e o BCE, ao manter as taxas em 2%, oferece um diferencial de rendimento crescentemente favorável face a uma Fed que o mercado continua a pressionar para cortar taxas. A estratégia de “buy the dip” tem estado em vigor desde Março de 2025, com mínimos sucessivos mais altos a confirmarem a solidez da tendência de alta. O consenso de mais de 60 analistas situam o par entre 1,1800 e 1,2400 até ao final do ano.

Do lado do “sell on upticks”, vender o euro nos picos, os argumentos também existem e não devem ser ignorados. O EUR/USD está a testar uma linha de resistência que liga os máximos descendentes desde 2018, na zona dos 1,1900, uma zona que só uma rotura decisiva e sustentada transformaria em suporte. A Fed continua dividida sobre o ritmo dos cortes, e qualquer dado económico americano mais forte pode rapidamente relançar o dólar. A transição na liderança da Fed, com a saída de Jerome Powell prevista para Maio e a eventual chegada de Kevin Warsh, adiciona uma dose de incerteza política que historicamente favorece o dólar em momentos de tensão. E a própria decisão do Supremo Tribunal, ao obrigar Trump a encontrar vias alternativas para as tarifas, garante que a incerteza comercial não desaparece, apenas muda de forma.

A resposta mais honesta é, portanto, esta: a tendência de médio e longo prazo favorece claramente o euro e a estratégia de “buy on dips”, sustentada por fundamentos sólidos, pela divergência de política monetária e pela rotação estrutural de capitais para fora dos Estados Unidos. Mas o caminho até 1,20, 1,22 ou 1,25 não será linear, haverá correções, e algumas delas poderão ser bruscas sempre que os dados americanos surpreendam positivamente ou que a retórica da Fed endureça.
Quem opera o par com horizonte de semanas ou meses encontrará provavelmente mais valor a comprar “os dips” do que a vender “os upticks”. Quem opera no curto prazo, com o olhar colado nos dados económicos diários e nas declarações dos banqueiros centrais, verá com bons olhos o ”sell on upticks” sempre que o par se aproximar das resistências técnicas.
No fundo, a escolha entre “buy on dips” ou “sell in up ticks” reflecte não apenas a estratégia individual de cada investidor, mas também a sua leitura sobre o futuro da economia global. E, como sempre, o mercado terá a última palavra.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD negociou na semana passada em tendência descendente, mas mantendo uma volatilidade reduzida, ficando contido desta vez entre um máximo de 1,1873, no início da semana, e um mínimo de 1,1742.

Por aqui nada de novo: “O MACD continua positivo, tal como o RSI, que continua acima da linha de 50, ambos mantendo o momentum ascendente do EUR/USD.”

O EUR/USD após ter dado sinais de retoma , na semana anterior, do movimento ascendente, voltou esta semana a negociar abaixo dos 1,1800, ameaçando voltar à área de consolidação 1,1500/1,1800, que o acolheu nos últi os seis meses do ano passado.

O quebrar do mínimo da semana passada a 1,1742, poderá levar o par novamente para a área de consolidação mencionada acima, onde encontrará um primeiro suporte na MM 21 semanas, de momento a 1,1689.

O break de 1,1928, o máximo da semana anterior, colocará de novo o par na tendência ascendente, onde os mercados voltarão a colocar os olhos na referência psicológica dos 1,2000, que se ultrapassada irá expor o máximo deste ano de 1,2082.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.

O EUR/USD continuou na semana passada a tendência descendente de curto prazo, voltando a negociar abaixo da média móvel dos 21 dias e testando a dos 55 dias, dando sinais de que poderá levar mais longe este movimento.

O MACD segue agora neutro, com a linha do MACD abaixo da linha de Sinal, mas acima da linha neutra, enquanto o RSI está coincidente com a linha neutra de 50.

O break do suporte anterior, dado pela área 1,1808/1,1835, poderá indicar que a correcção do movimento que levou o preço do mínimo do ano a 1,1579 até ao máximo de 1,2082, poderá não ter terminado. O par terminou a semana passada a testar o suporte a 1,1766, mínimo da semana anterior, tendo registado um novo mínimo de 1,1742.

O quebrar da área de suporte 1,1742/66, poderá colocar o par na direcção do suporte mais forte dado pela Nuvem de Ichimoku (de momento a 1,1637/1,1684), que contém a média móvel dos 200 dias (de momento a 1,1647)

Já o ultrapassar dos 1,1871, máximo da semana passada, poderá dar força ao par para testar o máximo de Fevereiro a 1,1928. O quebrar da área 1,1918/1,1928 poderá indicar a retoma da tendência ascendente de médio/longo prazo do par, levando o mercado de novo a colocar os olhos na referência psicológica de 1,2000, que se ultrapassada irá expor o máximo do ano a 1,2082.


Resistências - Suportes

1,1871 - 1,1742

1,1928 - 1,1647

1,2000 - 1,1579


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