EUR/USD
Semanal

EUR/USD Semanal

Após uma semana de volatilidade praticamente inexistente, poderemos ter pela frente um EUR/USD a registar um movimento expressivo, com um novo conflito a poder conferir impulso adicional ao dólar norte-americano.

Na semana passada assistimos a uma negociação sem qualquer movimento digno desse nome. O EUR/USD, após uma abertura em alta que o levou até um máximo de 1,1834, rapidamente recuou até um mínimo de 1,1765, permanecendo depois praticamente toda a semana a oscilar em torno de 1,1800.

Os mercados continuaram a acompanhar a saga das conversações entre os Estados Unidos e o Irão, bem como as negociações destinadas a pôr termo ao conflito entre a Ucrânia e a Rússia. O desfecho foi o que se viu: a Rússia mantém os ataques à Ucrânia, com o conflito a entrar no seu quinto ano, e, no início deste fim de semana, Donald Trump declarou que já não existiam condições para prosseguir o diálogo com o Irão.

Forças norte-americanas e israelitas atacaram posições iranianas, tendo o Irão respondido de forma abrangente. Os activos de refúgio, que já vinham a ser procurados pelo mercado, deverão registar uma procura acrescida logo no início da semana. No mercado cambial, o dólar norte-americano é tradicionalmente uma das divisas mais procuradas em contexto de conflito armado, circunstância que, na minha opinião, poderá ser ainda reforçada por uma subida significativa dos preços do petróleo.

O conflito agora iniciado está literalmente assente sobre barris de petróleo e, como se tal não bastasse, envolve uma localização estratégica como o Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão anunciou o encerramento do estreito por motivos de “segurança”, em retaliação directa aos ataques. Este ponto nevrálgico, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, consequentemente, ao Oceano Índico, constitui a principal rota de escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial e aproximadamente um terço do crude transportado por via marítima. Diariamente, transitam por Ormuz milhões de barris de petróleo, bem como gás natural liquefeito e outros produtos energéticos provenientes de grandes produtores como a Arábia Saudita, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o próprio Irão.

A primeira consequência deverá ser um salto expressivo nos preços do petróleo, o que, regra geral, tende a favorecer o dólar e a pressionar o euro.

Após longos períodos de fraca — ou mesmo nula — volatilidade, seguem-se habitualmente movimentos mais acentuados. O EUR/USD tem vindo a evidenciar uma ausência quase total de volatilidade nas últimas semanas e estes novos acontecimentos poderão, na minha opinião, constituir o “trigger” para um movimento de maior amplitude. A reacção inicial poderá ser de queda no EUR/USD, com o mercado a olhar para níveis psicológicos como 1,1500, ou mesmo para a referência do mínimo da segunda metade de 2025, nos 1,1391.

Uma guerra prolongada poderá igualmente reabrir a questão inflacionista. Um conflito de longa duração no Médio Oriente, sobretudo envolvendo potências como o Irão, os Estados Unidos e Israel, terá inevitavelmente um efeito em cascata sobre a inflação global, com os preços energéticos a assumirem um papel central. Quando tensões geopolíticas se prolongam no tempo, os mercados energéticos tornam-se mais voláteis e os preços do petróleo e do gás natural tendem a manter-se elevados de forma sustentada. Este aumento persistente dos custos energéticos desencadeia uma cadeia de efeitos económicos que se reflectem directamente na inflação a nível global. Países fortemente dependentes de importações de energia, como a maioria das economias europeias e asiáticas, sentirão um impacto imediato no índice de preços devido ao encarecimento do petróleo e do gás.

Até ao momento, Christine Lagarde tem referido que o BCE se encontra “num bom lugar”, aludindo à actual posição da política monetária, com a inflação sob controlo. Contudo, uma guerra prolongada que leve a inflação de novo a “descolar”, poderá alterar as expectativas do mercado relativamente a futuras subidas de taxas de juro.
Do lado da Reserva Federal, as expectativas continuam a apontar para cortes de taxas, ainda mais num contexto de pressão exercida pela Casa Branca.
Assim, poderemos assistir a uma maior divergência entre os dois bancos centrais, cenário que, neste caso específico, tenderia a oferecer algum suporte ao EUR/USD.

O mercado poderá estar à beira de abandonar a apatia das últimas semanas e entrar numa fase de maior definição, impulsionada por factores geopolíticos com potencial sistémico. Se, por um lado, o dólar poderá beneficiar num primeiro momento do estatuto de activo de refúgio e da escalada dos preços energéticos, por outro, a evolução das expectativas de política monetária de ambos os lados do Atlântico continuará a ser determinante para a trajectória do EUR/USD. As próximas sessões poderão, assim, revelar-se decisivas para definir o tom das próximas semanas.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD, na semana passada, negociou em volatilidade ainda mais reduzida, apresentando uma “inside candle” (1,1766/1,1834) que na semana anterior já tinha ficado contida num intervalo bastante estreito (1,1742/1,1873).

Por aqui nada de novo: “O MACD continua positivo, tal como o RSI, que continua acima da linha de 50, ambos mantendo o momentum ascendente do EUR/USD.”

O EUR/USD após ter dado sinais de retoma voltou a negociar em torno de 1,1800, continuando a ameaçar voltar à área de consolidação 1,1500/1,1800, que o acolheu nos últimos seis meses do ano passado.

O quebrar do mínimo do mês passado a 1,1742, poderá levar o par novamente para a área de consolidação mencionada acima, onde encontrará um primeiro suporte na MM 21 semanas, de momento a 1,1692. Por sua vez, o quebrar deste suporte irá expor o suporte a 1,1573 (máximo Abril 2025), antes da referência a 1,1391, dada pelo mínimo do segundo semestre de 2025.

O ultrapassar de 1,1928, o máximo do mês anterior, colocará de novo o par na tendência ascendente, onde os mercados voltarão a colocar os olhos na referência psicológica dos 1,2000, que se ultrapassada irá expor o máximo deste ano de 1,2082.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.

O EUR/USD seguiu na semana passada a manter a recuperação que registou nos últimos dias da semana anterior, mas negociando em volatilidade quase inexistente, com o preço a manter-se entre as médias móveis de 21 e 55 dias (1,1824/1,1773 no final da semana).

O MACD e o RSI mostram uma quase inexistência de “momentum” no par.

Um movimento abaixo da MM 55 dias poderá levar a um teste ao suporte dado pelo mínimo do mês de Fevereiro a 1,1742, que se por sua vez ultrapassado, poderá colocar o par a caminho de um teste ao suporte mais forte dado pela Nuvem de Ichimoku (de momento 1,1649/1,1684) onde pelo meio encontra outro suporte, este dado pela MM 200 dias (de momento 1,1661), antes do mínimo deste ano a 1,1579.

Já o ultrapassar dos 1,1871, máximo das últimas duas semanas, poderá dar força ao par para testar o máximo de Fevereiro a 1,1928. O quebrar da área 1,1918/1,1928 poderá indicar a retoma da tendência ascendente de médio/longo prazo do par, levando o mercado de novo a colocar os olhos na referência psicológica de 1,2000, que se ultrapassada irá expor o máximo do ano a 1,2082.


Resistências - Suportes

1,1871 - 1,1742

1,1928 - 1,1661

1,2000 - 1,1579


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