Café da Manhã
Em aversão ao risco
Os mercados accionistas continuam a negociar em modo de aversão ao risco, enquanto o conflito com o Irão se vai espalhando pelo Médio Oriente.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão continuam, enquanto o Irão respondeu contra-atacando vários países da região. A Guarda Revolucionária anunciou ontem que pretende bombardear navios que atravessem o Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, existe incerteza quanto ao objectivo final da operação, que, segundo Trump, provavelmente durará várias semanas.
Após um dia onde os mercados accionistas na Ásia e na Europa negociaram maioritariamente em aversão ao risco, Wall Street terminou a primeira sessão de Março pouco alterada, recuperando de perdas no início da sessão.
Um dia dominado pelos acontecimentos no Médio Oriente, onde Estados Unidos e Israel atacaram o Irão, com uma resposta global por parte do Irão, levando a receios de uma disrupção no mercado petrolífero, proibindo a passagem dos navios no Estreito de Ormuz.
Na agenda macroeconómica norte-americana podemos contar com o PMI manufactureiro do ISM que saiu acima do esperado, caindo de 52,6 para 52,4, face a 51,7 estimados pelo mercado, com o subíndice dos preços a subir de 59,0 para 70,5, levando a expectativas de um maior adiamento por parte da Fed para redução de taxas de juro.
O índice Dow Jones terminou a sessão a recuar marginalmente 0,15%, o S&P 500 permaneceu praticamente inalterado (+0,04%) e o Nasdaq avançou modestamente 0,36%.
Esta noite, as perdas nos mercados accionistas asiáticos aumentaram à medida que o Irão intensificou os seus ataques contra os Estados Unidos e os seus aliados no Médio Oriente.
No Japão, o índice Nikkei terminou o dia a cair 3,08% e o Topix 3,24%.
Na Austrália, o índice ASX 200 perdeu 1,34%, enquanto a Coreia do Sul regressou de um fim de semana prolongado, com os investidores a levarem o índice Kospi a cair 7,24%, desta vez a liderar as perdas.
Na China, o índice CSI300 recuou 1,54%, o Shanghai Composite 1,43% e o Hang Seng, de Hong Kong, 1,12%.
Na Índia, os principais índices Nifty 50 e Sensex seguem a perder cerca de 1,25%.
Na Europa, os mercados accionistas seguem também em perdas significativas, em receios das implicações para a economia do aumento dos preços da energia, com a interrupção do Estreito de Ormuz.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a cair 2,44% e o Euro Stoxx 50 2,61%.
Na Alemanha, o índice DAX cai 3,00%, o CAC 40, de França, 2,10%, o mesmo que o FTSE 100 no Reino Unido.
No mercado cambial, o dólar continua a negociar em alta, suportado pelo seu papel de moeda de refúgio e ainda impulsionado pela subida dos preços do petróleo e das yields obrigacionistas. O índice DXY volta a negociar em torno de 99,00, o que não acontecia desde meados de Janeiro, e o EUR/USD cada vez mais perto de 1,1600 (de momento a 1,1625).
A libra recupera algum terreno perdido face ao euro logo no início desta semana, com o EUR/GBP a cair para 0,8730, enquanto continua a perder face ao dólar, com o GBP/USD a negociar de momento em torno de 1,3300.
Já o franco suíço recua dos fortes ganhos com que começou a negociar nos primeiros momentos da semana, com o USD/CHF a negociar de momento em torno de 0,7850 e o EUR/CHF acima de 0,9100 (0,9120).
O iene japonês continua a negociar em perdas face ao dólar, com o USD/JPY a cotar de momento a 157,50, e recupera face ao euro com o EUR/JPY a cair de momento para 183,10.
O mercado petrolífero, após ter começado a semana em fortes ganhos, terminou o dia de ontem a tentar estabilizar, enquanto os mercados iam digerindo as notícias relativamente à suspensão de produção em toda a área afectada, e principalmente às condições de trânsito no Estreito de Ormuz.
O aumento da intensidade e abrangência do conflito, com a Guarda Revolucionária a anunciar que pretende bombardear os navios que atravessem o estreito, levou a novo impulso nos preços, que seguem a negociar em máximos dos últimos anos.
O Brent segue de momento a negociar acima dos 82 dólares por barril e o do WTI dos 75 dólares.
Os metais preciosos recuam dos ganhos inicias da semana, pressionados pr yields obrigacionistas em alta devido a cada vez maiores receios de que o elevado preço da energia (petróleo e gás natural) levam a uma espiral inflacionista.
A onça de ouro cai dos máximos registados ontem a 5.419,50 dólares, para seguir de momento a negociar a 5.252 dólares. O recuo da onça de prata é ainda mais expressiva, recuando dos máximos a 96,40 dólares, para negociar de momento a 83,75 dólares.