EUR/USD
Semanal
Dólar em ganhos e euro pressionado, levaram esta semana o EUR/USD a negociar em perdas, interrompendo semanas de volatilidade quase inexistente
O conflito entre os Estados Unidos/Israel e o Irão colocou literalmente a ferro e fogo grande parte do Médio Oriente, mergulhando a região numa espiral de violência sem precedentes nas últimas décadas. Aquilo que começou com ataques cirúrgicos contra instalações nucleares e figuras-chave da liderança do regime iraniano rapidamente se transformou numa guerra aberta, com múltiplas frentes activas em simultâneo.
Teerão respondeu com força, o Hezbollah voltou a entrar em cena no Líbano e os Houthis, no Iémen, reactivaram os seus ataques no Mar Vermelho. Em poucos dias, aquilo que alguns analistas esperavam ser uma operação rápida e circunscrita revelou-se exactamente o contrário: um conflito que se alastrou como fogo em palha seca, arrastando consigo países e milícias.
O mapa da região transformou-se rapidamente numa teia de frentes de combate, corredores aéreos encerrados, o Estreito de Ormuz bloqueado e populações civis apanhadas no meio do fogo cruzado. Cidades iranianas sofreram bombardeamentos intensos, Beirute voltou a ouvir explosões e as bases norte-americanas espalhadas pelo Golfo Pérsico tornaram-se alvos.
Desde o primeiro momento, o petróleo foi o termómetro mais imediato da crise. O bloqueio do Estreito de Ormuz retirou do mercado uma quantidade de crude que nenhuma outra fonte consegue substituir no curto prazo. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait vêem a sua principal via de exportação comprometida, enquanto os compradores do outro lado do mundo, da Europa à Ásia, começaram imediatamente a calcular o impacto nas suas economias.
O resultado foi uma subida de cerca de 30% no preço do petróleo numa única semana, um choque de enorme magnitude que não se via desde a invasão da Ucrânia em 2022 e que, em determinados momentos, fez recordar o embargo petrolífero árabe de 1973.
A consequência mais temida começa já a desenhar-se no horizonte: o regresso das pressões inflacionistas. Este cenário levou a uma revisão em alta por parte do mercado das expectativas para as taxas de juro dos bancos centrais, impulsionando a subida das yields obrigacionistas ao longo da semana passada.
Num primeiro momento, o instinto dos mercados foi o habitual em períodos de crise: comprar dólares. O dólar continua a ser o activo de refúgio por excelência e, quando o medo domina, o capital global procura abrigo na moeda norte-americana.
Para o resto do mundo, um dólar forte e petróleo caro formam uma combinação particularmente penalizadora. Mesmo economias desenvolvidas, da Europa ao Japão, sabem que uma nova vaga inflacionista importada, através da energia e do câmbio, pode desfazer em poucos meses o processo de desinflação que tem vindo a ser construído, com grande esforço, ao longo dos últimos dois anos.
A relação entre o euro e o dólar tornou-se, nesta crise, um reflexo claro das tensões e vulnerabilidades que atravessam as duas maiores economias do mundo ocidental.
A Europa encontra-se numa posição particularmente exposta. Trata-se de um importador líquido de energia, muito mais dependente do petróleo e do gás provenientes do Médio Oriente do que os Estados Unidos, que nas últimas décadas se transformaram num produtor energético relevante e parcialmente autossuficiente.
O euro, moeda de uma região geograficamente mais próxima do conflito e economicamente mais sensível às suas consequências, tornou-se naturalmente alvo de pressão vendedora. O movimento inicial foi, por isso, de queda do EUR/USD, uma fuga para o dólar que reflectiu tanto o receio genuíno dos mercados quanto o posicionamento defensivo dos grandes investidores institucionais.
Durante a semana passada, uma agenda macroeconómica particularmente preenchida trouxe também várias surpresas, tanto na Zona Euro como nos Estados Unidos.
Na Zona Euro, os dados agregados da inflação revelaram uma subida inesperada, com a taxa geral a avançar de 1,7% para 1,9%, enquanto a inflação subjacente subiu de 2,2% para 2,4%, contrariando as expectativas de estabilização. Em contrapartida, os números finais do PIB foram revistos em baixa: o crescimento trimestral passou de 0,3% para 0,2% e, em termos anuais, de 1,4% para 1,2%, abaixo dos 1,3% esperados.
Nos Estados Unidos, foram os dados do mercado de trabalho que desiludiram. O relatório revelou uma queda de 92 mil empregos, depois dos 126 mil criados em Janeiro, enquanto a taxa de desemprego subiu inesperadamente de 4,3% para 4,4%.
Ainda assim, estas surpresas macroeconómicas tiveram pouco ou nenhum impacto no comportamento do EUR/USD ao longo da semana passada. Em minha opinião, o que parece claro é que, enquanto o conflito no Médio Oriente não mostrar sinais de contenção ou de resolução, o EUR/USD continuará sob pressão.
Uma nova escalada militar, um bloqueio prolongado ou um ataque que envolva directamente infraestruturas críticas de produção energética na região poderá empurrar o par para níveis mínimos que não se observavam há vários anos. Por outro lado, qualquer sinal credível de negociações ou de cessar-fogo poderá desencadear um alívio imediato no euro.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD, após várias semanas de volatilidade praticamente inexistente, na semana passada, registou queda acentuada, largando os 1,1800, onde tem estado a negociar, para terminar em torno de 1,1600, após ter atingido um mínimo a 1,1530.
O MACD dá sinais de queda, com a linha de MACD a voltar a posicionar-se abaixo da linha de SINAL, enquanto o RSI vai começar a semana abaixo da linha de 50 (47), pela primeira vez em mais de um ano.
O máximo do ano a 1,2082 do EUR/USD aparenta ter sido um falso “break”
da área de consolidação 1,1500/1,1800, onde negociou durante praticamente os últimos oito meses.
O suporte a 1,1573 (máximo Abril 2025) foi atingido durante a semana passada, e o quebrar do mesmo expõe a referência a 1,1391, dada pelo mínimo do segundo semestre de 2025. Se este último suporte ceder, os mercados irão colocar os olhos na próxima referência a 1,1065, dada pelo mínimo de Maio de 2025.
O ultrapassar do máximo da semana passada a 1,1796 poderá voltar a colocar o par na tendência ascendente, necessitando de ultrapassar também a resistência a 1,1830, expondo o máximo de Fevereiro a 1,1928.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
Pode acompanhar diariamente os comentários/análises ao EUR/USD no nosso canal YouTube clicando aqui .
O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD caiu em força da área 1,1765/1,1835 onde seguia a negociar, para cair para mínimos de mais de três meses, ao negociar a 1,1530, tendo terminado a semana passada a negociar em torno de 1,1600.
O MACD e o RSI, que vinham a mostrar uma quase inexistência de “momentum” no par, seguem actualmente a mostrar um “momentum” acentuadamente negativo, apontando para mais possíveis perdas no EUR/USD.
O EUR/USD quebrou os suportes dados pela Nuvem de Ichimoku diária e ainda o da média móvel dos 200 dias, terminando a semana a negociar em torno de 1,1600.
O par necessita agora quebrar o suporte a 1,1530 , dado pelo mínimo da semana passada, para acelerar ainda mais o forte movimento descendente realizado. Pela frente terá o suporte psicológico de 1,1500 e uma área mais forte de suporte (1,1467/1,1491). O quebrar desta área irá expor a próxima referência a 1,1391, antes dos 1,1065.
Uma inversão do movimento descendente da semana passada poderá levar a um teste à agora resistência dada pela média móvel dos 200 dias (de momento a 1,1668). O ultrapassar desta resistência irá expor a referência dada pelo mínimo de Fevereiro a 1,1742, antes das médias móveis 55 e 21 dias (de momento a 1,1763 e 1,1781, respectivamente) e à área dada pela Nuvem de Ichimoku diária (1,1787/1,1831).
Resistências - Suportes
1,1668 - 1,1530
1,1742 - 1,1467
1,1830 - 1,1391