Café da Manhã
Em aversão ao risco
Sem surpresa, os mercados financeiros estão a começar o último dia da semana a negociar em aversão ao risco, quando nos aproximamos de completar a segunda semana de guerra no Médio Oriente
Os mercados posicionam-se para a continuação da escalada no conflito durante o fim de semana, após palavras trocadas entre o novo Líder Supremo iraniano e o Presidente dos Estados Unidos.
Mojtaba Khamenei avisou que Teerão procurará abrir outras frentes se os EUA e Israel persistirem na sua campanha de bombardeamentos e disse manter o Estreito de Ormuz fechado.
Donald Trump avisou que os EUA têm muito tempo na guerra contra o Irão e acrescentou: "Observem o que vai acontecer a estes canalhas hoje".
A linguagem utilizada aponta para que se afaste a possibilidade de uma trégua no conflito, cujo efeito global imediato é a disrupção dos mercados energéticos.
Os preços do petróleo preparam-se para terminar a semana em fortes ganhos, impulsionados pela disrupção criada pelo conflito no Médio Oriente que mantém fechado o importante ponto de passagem marítimo que é o Estreito de Ormuz. A Arábia Saudita, o Iraque, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos tiveram de reduzir a produção de crude.
Ontem, os preços do petróleo subiram mais de 9%, com o Brent a fechar a sessão acima dos 100 dólares pela primeira vez desde Agosto de 2022.
Em véspera de fim de semana, os preços seguem a negociar em alta. O Brent está a começar o último dia da semana a negociar acima de 100 dólares por barril (de momento a 101,10) e o do WTI em torno de 95,00 dólares.
Ontem, os mercados accionistas norte-americanos voltaram a negociar em queda, com os ataques iranianos a dois petroleiros a elevarem os preços do crude para perto dos 100 dólares por barril, agravando ainda mais os receios de inflação e levando os investidores a voltarem as costas aos mercados bolsistas.
O líder supremo do Irão, o ayatollah Mojtaba Khamenei, prometeu manter o crucial Estreito de Ormuz fechado, e a Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a guerra contra o Irão estava a criar a maior disrupção no fornecimento de petróleo da história, alimentando receios de crescentes pressões inflacionistas.
Entretanto, as ações dos bancos caíram a pique após os pedidos de resgate em fundos de crédito privado terem obrigado o Morgan Stanley e a Cliffwater a limitar os levantamentos.
Os principais índices de Wall Street terminaram em perdas, com o Dow Jones a cair 1,56%, o S&P 500 1,52% e o Nasdaq 1,78%.
Esta noite, na Ásia, os mercados accionistas asiáticos seguiram a negociar em perdas, com a confiança dos investidores a continuar pressionada por preços dos combustíveis mais elevados.
No Japão, o índice Nikkei terminou a última sessão da semana a cair 1,40% e o Topix 0,57%.
Na Austrália, o índice ASX 200 recuou 0,14% e o Kospi, da Coreia do Sul, 1,72%.
Na China, o índice CSI300 recuou 0,39%, o Shanghai Composite, 0,82% e o Hang Seng, de Hong Kong, 0,98%.
Na Índia, os principais índices Nifty 50 e Sensex, seguem de momento a cair 1,72% e 2,02%, respectivamente.
Na Europa, os mercados accionistas estão também a começar o último dia da semana em perdas, entre receios de uma nova espiral inflacionista.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a recuar 0,60% e o Euro Stoxx 50 0,74%.
Na Alemanha, o índice DAX perde 0,76%, o CAC 40, de França, 0,92% e o FTSE 100, do Reino Unido, 0,41%.
O ouro continua a negociar acima dos 5.000 dólares por onça, entre o suporte dado pela sua qualidade de activo de refúgio e pressões devido a um dólar mais forte e expectativas crescentes de taxas de juro. A onça de ouro segue de momento a negociar a 5.088 dólares.
No mercado cambial, o dólar está a terminar a semana em fortes ganhos, continuando como o porto seguro dos mercados. O índice DXY atingiu hoje os 100, pela primeira vez desde Novembro de 2025 e segue de momento a negociar a 99,90.
Já o euro continua pressionado pela subida do preço da energia e o EUR/USD volta a negociar abaixo de 1,1500 pela primeira vez este ano. Segue de momento a 1,1450, recuando de um mínimo de 1,1433, a níveis de Agosto de 2025.
A libra está a começar o último dia da semana a recuar dos recentes máximos, após dados do PIB terem mostrado uma estagnação inesperada em Janeiro. O GBP/USD segue de momento a negociar abaixo de 1,3300 (1,3265) e o EUR/GBP a 0,8635.
O iene segue a negociar em queda face ao dólar, com o USD/JPY a registar novos máximos do ano acima de 159,00 (de momento a 159,50), e a ganhar face ao euro, com o EUR/JPY abaixo de 183,00 (183,65).
O franco suíço também perde face ao dólar e ganha ao euro no início do dia, com o USD/CHF a negociar de momento a 0,7885 e o EUR/CHF a 0,9030.
Bom fim de semana!