EUR/USD
Semanal

EUR/USD Semanal

O conflito no Médio Oriente fez disparar os preços do petróleo para máximos dos últimos quatro anos, impulsionando o dólar e pressionando o euro, levando o EUR/USD para mínimos do ano.

Na semana passada assistimos a mais uma forte subida nos preços do petróleo, que chegaram a negociar em máximos muito próximos dos 120 dólares por barril. A escalada do conflito, com o Irão a ripostar com ataques a vários países vizinhos, afastou ainda mais a ideia de um desfecho rápido para a crise. O Estreito de Ormuz, sem estar formalmente encerrado, continua “pouco” transitável, levando ao encerramento de infraestruturas de produção que não conseguem escoar o crude produzido.

Para tentar colmatar o estrangulamento da oferta, o G7, em conjunto com a Agência Internacional de Energia, concordaram em libertar 400 milhões de barris das reservas estratégicas. O mercado petrolífero reagiu pouco. Não só pelo velho mantra “buy the rumour, sell the fact”, mas também porque esses 400 milhões de barris, apesar de representarem a maior libertação de reservas de sempre, correspondem apenas a cerca de 20 dias do volume normalmente escoado através do Estreito, agora interrompido. Enquanto esta situação persistir, dificilmente veremos os preços do petróleo recuar de forma sustentada.

É esta narrativa que tem impactado os mercados, suportando activos de refúgio como o dólar e pressionando activos mais expostos aos preços da energia, como o euro. Enquanto esta situação persistir, na minha opinião dificilmente veremos o EUR/USD recuperar; pelo contrário, a probabilidade de assistirmos à renovação dos mínimos do ano permanece elevada.

Esta semana teremos decisões de política monetária tanto na Reserva Federal dos Estados Unidos como no Banco Central Europeu. Em ambos os casos, os mercados financeiros antecipam a manutenção dos actuais níveis das taxas de juro, mas as expectativas quanto à trajectória futura continuam longe de reunir consenso.

Na Zona Euro, enquanto há pouco mais de duas semanas os mercados “concordavam” com o “bom momento” da política monetária do Banco Central Europeu, destacado por Christine Lagarde, com expectativas de taxas de juro inalteradas ao longo de todo o ano de 2026 ou, no limite, um novo corte caso a inflação surpreendesse em baixa, os investidores passaram entretanto a antecipar a possibilidade de uma subida de taxas já em Junho ou Julho, seguida de um segundo aumento até ao final do ano.

Nos Estados Unidos, por seu lado, as expectativas de cortes de taxas de juro para 2026 desapareceram praticamente por completo, quando há cerca de duas semanas o mercado ainda descontava dois cortes de 25 pontos base.

Sem esperar alterações de política monetária já na próxima reunião, os mercados estarão sobretudo atentos às projecções futuras, bem como aos sinais sobre as prováveis decisões nas próximas reuniões.

Ainda assim, o mercado continuará a ser sobretudo movido pelos acontecimentos no Médio Oriente. Os receios de uma crise energética mais profunda deverão continuar a pesar sobre o euro e a pressionar o EUR/USD, que poderá continuar a registar novos mínimos do ano enquanto a situação na região não estabilizar e o fluxo marítimo no Estreito de Ormuz não for regularizado.

Agora que a referência psicológica dos 1,1500 foi quebrada, o mínimo de Agosto em 1,1391 surge como a próxima referência para os mercados, antes dos mínimos de Maio de 2025 em 1,1065 e da próxima referência psicológica nos 1,1000.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD voltou na semana passada a negociar em perdas acentuadas, confirmando o “break” da média móvel das vinte e uma semanas e ameaçando quebrar a área de consolidação 1,1500/1,1800, que tem vindo a cumprir há mais de seis meses.

O MACD e o RSI apontam agora um “momentum” negativo para o par, numa situação que não se registava desde Outubro de 2024, quando o EUR/USD caiu de níveis em torno de 1,1000 até ao mínimo perto da paridade a 1,0177.

O par está a caminho de testar a referência a 1,1391, dado pelo mínimo de Agosto de 2025, onde o quebrar do mesmo irá expor os 1,1065, mínimo de Maio de 2025 (e o nível dado na altura pelos 38,2% Fibonacci retracement do movimento mínimo de 2025 a 1,1177 e o primeiro máximo relevante de 2025 a 1,1573.

Uma inversão da actual tendência descendente, irá ter uma primeira resistência nos 1,1573, que se ultrapassada poderá apontar para que o par se mantenha na área de consolidação mais ampla entre 1,1400 e 1,1900, em torno da MM 21 semanas de momento a 1,1680.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.

O EUR/USD acelerou a queda iniciada na semana anterior, registando um novo mínimo do ano a 1,1411, nível que não se registava desde Agosto de 2025.

O MACD e o RSI, também aceleraram o “momentum” negativo do par, com o RSI a terminar a semana passada a entrar em terreno de sobrevenda.

O EUR/USD, após a break da semana anterior da MM dos 200 dias, começou a semana testar o testar a agora resistência, antes de voltar a negociar em fortes perdas que o levou a registar novos mínimos do ano.

O par está a caminho de um teste ao suporte a 1,1391 , o quebrar deste suporte irá expor o próximo a 1,1065, dado pelo mínimo de Maio de 2025.

Uma inversão da actual tendência descendente irá encontrar resistência mais forte na área 1,1530/1,1580. O ultrapassar destas área poderá dar força ao par para um novo teste à resistência dada pela MM 200 dias (de momento a 1,1672). Sá a confirmação deste “break” poderá levar à possibilidade de abandonar o cenário “bearish” apresentado actualmente pelo par.


Resistências - Suportes

1,1500 - 1,1391

1,1579 - 1,1210

1,1672 - 1,1065


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