Amanhã destacamos
A Reserva Federal dos Estados Unidos
Um dia em que iremos ter mais bancos centrais a decidir sobre política monetária, onde as atenções, como sempre, irão estar principalmente viradas para a reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos.
A reunião da Fed é a mais aguardada da semana. O que esperar? Praticamente nada em termos de movimento de taxas, com a FedWatch da CME a atribuir uma probabilidade superior a 92% de que as taxas se mantenham no intervalo de 3,50% a 3,75%.
Mas esta reunião inclui as novas projecções económicas e o famoso "dot plot", que mapeia onde cada membro do FOMC espera que as taxas estejam no futuro. Na última reunião, os mercados monetários ainda descontavam a probabilidade de dois cortes de taxas para este ano. O conflito no Médio Oriente alterou essa probabilidade, e os mercados agora não contam com qualquer corte para este ano. Vamos ver o que nos reservam as projecções da FOMC.
A pressão política é real. Trump continua a exigir cortes mais rápidos e mais agressivos — e o mandato de Powell expira em Maio, com Kevin Warsh como principal candidato a suceder-lhe numa postura tendencialmente mais hawkish sobre política monetária.
Vamos ouvir o que Powell dirá este mês sobre tarifas, petróleo e o ritmo de possíveis cortes. Esta é a primeira reunião em que a Fed terá de incorporar o impacto económico do conflito no Irão, da subida do petróleo e das tarifas globais de 15% de Trump nas suas projecções futuras.
Mas há mais:
O Banco do Canadá também reúne esta quarta-feira, antes da Fed, onde também não se espera uma alteração da sua actual taxa de 2,25%.
Os mercados irão estar atentos à comunicação de Tiff Macklem, agora que começam a descontar já uma possível subida de juros para Julho, devido às expectativas crescentes da inflação a nível global.
O Banco Central do Brasil, manteve em Janeiro a sua taxa Selic em 15% e sinalizou claramente que iniciará o ciclo de cortes na reunião desta semana.
A sua taxa de juro encontra-se no nível mais alto desde Julho de 2006,e o Conselho de Política Monetária confirmou no comunicado que deverá começar a flexibilizar a política monetária em Março, caso o cenário esperado se confirme. Uma vez mais, os mercados dividem-se entre um corte ou a manutenção da sua taxa actual. O Brasil tem vivido sob pressão cambial e com uma inflação que, apesar de ter regressado ao intervalo da meta em 2025 (4,26%), ainda mantém expectativas acima do objectivo de 3% para 2026. Apesar do corte estar sinalizado, o conflito no Irão, com os preços da energia a disparar, voltou a colocar dúvidas nesse corte, e/ou na sua amplitude.
Na agenda económica teremos:
Pela manhã, na Zona Euro, iremos ter os dados finais da inflação do mês de Março, que deverão manter as leituras preliminares de 1,9% e 2,4%, respectivamente para a inflação total e para a subjacente.
À tarde, nos Estados Unidos, voltamos a ter dados dos preços, desta vez à porta das fábricas, onde as previsões apontam para que o índice de preços no produtor apresente uma subida mensal de 0,3%. Teremos também os números das encomendas às fábricas, onde as estimativas apontam para um aumento de 0,4%, após a queda de 0,7% no mês anterior.