Café da Manhã
A Fed e o conflito no Médio Oriente

Café da Manhã A Fed e o conflito no Médio Oriente

Os mercados financeiros regressam a um regime de aversão ao risco, com a confiança penalizada pela escalada do conflito no Médio Oriente e por sinais de uma Reserva Federal mais prudente.

A guerra no Irão intensificou-se depois de o Irão ter atacado instalações de gás em vários países do Golfo, em resposta ao ataque de Israel a instalações no maior campo de gás do Irão. Desde então, o Irão tem vindo a alertar para respostas semelhantes caso se verifiquem mais ataques contra a sua infraestrutura energética. Trump, por sua vez, advertiu o Irão contra novos ataques, mas está também a tentar acalmar a situação, garantindo que não haverá mais ataques às instalações energéticas do Irão, a menos que este país continue a agir dessa forma. A turbulência, combinada com o anúncio da taxa de juro da Reserva Federal, pressionou os mercados financeiros.

A Reserva Federal dos Estados Unidos manteve inalteradas as suas taxas de juro no intervalo 3,50%-3,75%, como amplamente esperado pelo mercado. Os “dot plot” mantiveram as projecções de Dezembro, ou seja, um corte de taxas de juro durante este ano de 2026 seguido de outro em 2027.
Na conferência de imprensa, Jerome Powell disse que apesar de ter sido discutida a possibilidade de uma subida de taxas de juro durante este ano, insistiu que esse não era o cenário provável.
Afirmou também que se manterá em funções caso o seu sucessor designado, Kevin Warsh, não seja confirmado até ao final do seu mandato. "Vou actuar como presidente interino até que ele seja confirmado", disse, sublinhando que é isso que "a lei exige". Revelou ainda que "não tem intenção de deixar o conselho" até que a investigação contra si "esteja completamente concluída com transparência e em definitivo". Por outro lado, Powell disse que ainda não decidiu se continuará como membro do conselho após o fim do seu mandato e da investigação.
As expectativas de taxas de juro nos actuais níveis saíram reforçadas pela comunicação de Powell, assim como pela sua intenção de se manter no cargo, e eventualmente no conselho de política monetária, por mais tempo, retirando assim a possibilidade de Trump nomear um membro mais alinhado com a sua política. Os mercados não apontam agora para qualquer corte de taxas durante este ano.

Os mercados accionistas norte-americanos voltaram ontem a fechar a sessão em perdas significativas, tanto pelo posicionamento mais hawkish do que o esperado por parte da Reserva Federal, que levou as yields obrigacionistas a voltarem a negociar em alta, como ainda pela escalada no conflito no Médio Oriente.
Um ataque israelita às infraestruturas de gás de South Pars, no Irão, levou de imediato a uma ameaça de que as instalações de energia no Qatar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos estavam agora na sua lista de alvos, uma vez que o ataque à infraestrutura energética iraniana "não ficará sem resposta".
A escalada no conflito, yields mais elevadas, expectativa de juros mais altos, impulsionados também pela divulgação do índice de preços no produtor em máximos de mais de uma ano, levaram os principais índices de Wall Street a terminarem em perdas.
O índice Dow Jones caiu 1,64%, o S&P 500 1,36% e o Nasdaq 1,46%.

Esta noite, na Ásia, o sentimento de aversão ao risco persistiu no mercado, com a confiança dos investidores abalada por novo salto nos preços do petróleo, um dólar mais forte e yields obrigacionistas em alta.
No Japão, o índice Nikkei terminou a sessão a cair 3,57% e o Topix 2,91%, após o Banco do Japão ter mantido inalterada a sua taxa de juro de referência.
Na Austrália, o índice ASX 200 perdeu 1,65% e o Kospi, da Coreia do Sul, 2,73%.
Na China, o índice CSI300 caiu 1,61%, o Shanghai Composite 1,39% e o Hang Seng, de Hong Kong, 2,02%.
Na Índia, os principais índices seguem em perdas significativas, com o Nifty 50 a cair mais de 3% e o Sensex 2,75%.

Os mercados accionistas europeus estão também a começar o dia em perdas acentuadas, pressionados por preços da energia em alta e enquanto aguardam pelas decisões do Banco Central Europeu e do Banco de Inglaterra.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a cair 1,69% e o Euro Stoxx 50 1,74%.
Na Alemanha, o índice DAX perde de momento 2,25%, o CAC 40, de França, 1,49% e no Reino Unido, o FTSE 100 1,72%.

Os preços do petróleo voltam a negociar em alta, depois de desfeito o optimismo de ontem, após as exportações de crude do Iraque através do porto de Ceyhan, na Turquia. O escalar do conflito, com a resposta iraniana ao ataque israelita às infraestruturas de gás de South Pars, levou de novo os preços a dispararem.
Após mínimos da semana atingidos ontem, bem abaixo dos 100 dólares por barril (96,70), o barril de Brent volta a negociar em ganhos significativos, cotando de momento acima dos 110 dólares. O WTI segue de momento a negociar em torno de 99,00 dólares por barril, após os mínimos de 91,50 de ontem.

o ouro segue a negociar em queda, após a reunião de ontem da Reserva Federal levar a um aumento das expectativas de inflação por parte dos mercados, com as yields obrigacionistas norte-americanas a voltarem a disparar.
A onça de ouro cai da marca dos 5.000 dólares, para negociar de momento muito perto dos 4.700 dólares.

No mercado cambial, o dólar segue a negociar em ganhos, após a reunião de ontem da Reserva Federal ter mostrado um tom mais hawkish do que o esperado pelos mercados. O índice DXY, após ter registado ontem um mínimo da semana a 99,20, volta a negociar acima dos 100,00.
O EUR/USD caiu dos níveis acima de 1,1500, onde negociava antes da decisão da Fed, para terminar o dia a negociar bem abaixo de 1,1500 (1,1450). Segue de momento a continuar a negociar em perdas, cotando a 1,1460, enquanto os investidores aguardam pela reunião do Banco Central Europeu.
O iene recupera algum espaço perdido, após o Banco do Japão ter mantido a sua taxa de juro nos 0,75% como esperado, deixando tudo em aberto para a próxima reunião de Abril. O USD/JPY negocia de momento a 159,20 e o EUR/JPY a 182,50.
O franco suíço segue pouco alterado, após o seu banco central ter mantido a taxa de juro a 0%, como amplamente esperado pelos mercados. O franco suíço cede perante o dólar (USD/CHF a 0,7930) enquanto se mantém face ao euro (EUR/CHF a 0,9085).
A libra segue praticamente inalterada face ao euro (EUR/GBP a 0,8640) e a perder face ao dólar (GBP/USD a 1,3260), enquanto os mercados aguardam pela decisão de taxas do Banco de Inglaterra.
O dólar canadiano segue também a recuar face ao dólar e a ganhar face ao euro, após o Banco do Canadá ter mantido ontem a sua taxa de juro inalterada, com Tiff Macklem a dizer que o banco central está atento ao impacto da subida dos preços do petróleo na economia. O USD/CAD segue de momento a negociar a 1,3735 e o EUR/CAD a 1,5740.


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