EUR/USD
Semanal

EUR/USD  Semanal

O EUR/USD recuou do mínimo do ano atingido na semana anterior, após uma inversão nas expectativas dos mercados para as taxas de juro, ajudado por bancos centrais bem mais agressivos do que o esperado

O par EUR/USD tem vivido dias intensos desde as decisões dos principais bancos centrais na semana passada.

A Fed manteve as taxas no intervalo 3,50%-3,75 %, como esperado, mas o tom de Jerome Powell e a actualização das projecções (SEP) foram claramente mais restritivos do que o mercado antecipava. A inflação PCE para o final de 2026 subiu para 2,7 % (de 2,4 % em Dezembro), e o dot plot continua a apontar apenas um corte de 25 pontos base ao longo do ano, um cenário que já reflecte o impacto do choque petrolífero. Powell foi explícito: os preços do petróleo, impulsionados pelo conflito no Médio Oriente, vão pressionar a inflação no curto prazo, e o comité está preparado para reagir se necessário. O dólar ganhou força imediata, levando o EUR/USD a testar mínimos perto de 1,1440-1,1450.

No dia seguinte, o BCE manteve as taxas inalteradas, mas a viragem hawkish foi ainda mais pronunciada. As projecções do staff elevaram a inflação total para 2,6 % em 2026 (de 1,9 % anteriormente), atribuindo o aumento quase inteiramente ao choque energético causado pela guerra no Médio Oriente. O comunicado destacou “riscos ascendentes para a inflação” e uma perspectiva “significativamente mais incerta”, com Lagarde a sublinhar que o BCE está “bem posicionado” (anteriormente “num bom lugar”) para lidar com o choque, mas sem excluir medidas se as pressões se generalizarem. Fontes próximas ao Conselho indicaram que discussões sobre subidas de taxas já em Abril não estão fora de questão, o que fez os mercados monetários precificarem agora duas subidas até ao final do ano, com probabilidade superior a 50 % de uma terceira.

Esta dupla viragem hawkish, mais acentuada no BCE do que na Fed, têm a mesma origem: o conflito no Médio Oriente, com o Brent a manter-se acima dos 100 dólares, estrangulamento do Estreito de Hormuz e instalações de gás e de petróleo afectadas, tanto no Irão como nos países vizinhos. O petróleo caro não é visto como transitório; está a reacender expectativas inflacionistas e a adiar qualquer ciclo de alívio significativo.

Nos mercados monetários, as expectativas para 2026 divergem ligeiramente: para a Fed, os futuros precificam cerca de um corte ou uma pausa prolongada se o petróleo não recuar; para o BCE, o pricing passou de alívio para um viés de pausa com risco de subidas, o que estreita o diferencial de taxas em favor do euro no curto prazo. Isso explica a recuperação do par após a reunião do Banco Central Europeu, com o EUR/USD a saltar mais de 1 %, consolidando acima de 1,1550-1,1580.

O impacto do conflito continua a ser o factor dominante. Enquanto o petróleo se mantiver elevado, os bancos centrais vão priorizar a inflação sobre o crescimento, limitando cortes e mantendo yields elevadas. As treasuries a 10 anos terminaram a semana acima de 4,38%, em máximos dos últimos sete meses, e as bunds alemãs acima de 3%, o que não acontecia desde Julho de 2011. Qualquer abrandamento nas tensões geopolíticas poderá aliviar o dólar; pelo contrário, novas escaladas irão certamente poder voltar a reforçá-lo.

Em minha opinião, o EUR/USD poderá testar, e ultrapassar, a zona 1,1620-1,1650 se os discursos de membros do BCE e da Fed desta semana mantiverem o tom cauteloso mas sem pânico, e se o petróleo estabilizar abaixo dos 105 dólares. No entanto, num cenário de persistência do choque energético e yields americanas a subir, vejo um risco de recuo do par para 1,1500-1,1520, possivelmente mesmo a voltar aos mínimos do ano mais perto de 1,1400. A tendência poderá ser do retorno a uma consolidação em alta, mas com um ganho limitado enquanto o Médio Oriente continuar a ditar as regras.



Tecnicamente

Gráfico EUR/USD semanal

Fonte XTB xStation 5


O EUR/USD, após uma semana de perdas acentuadas, negociou na semana passada em alta, recuperando o terreno cedido na semana anterior, com o suporte a 1,1391 a não chegar a ser testado.

O MACD e o RSI continuam a apontar um “momentum” negativo para o par, mas com o RSI a recuperar do mínimo da semana anterior a 39 e iniciar esta semana a 46.

O EUR/USD terminou a semana a 1,1570. O quebrar da resistência a 1,1573, após recuperação do mínimo do ano a 1,1411, aponta para a probabilidade do par continuar contido na área de consolidação entre 1,1400 e 1,1900, que vem a registar desde Junho de 2025.
O ultrapassar da, agora, resistência dada pela MM das 21 semanas (de momento a 1,1677), poderá dar força ao par para um teste em torno de 1,1800.

Uma inversão da tendência ascendente registada durante a semana passada, tem como suporte a área 1,1391/1,1411, dada pelo mínimo de Agosto de 2025 e pelo mínimo deste ano. O quebrar desta área irá expor o nível 1,1065 (mínimo de Maio de 2025.

Gráfico EUR/USD diário

Fonte XTB xStation 5

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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.

O EUR/USD, depois de registar um mínimo do ano a 1,1411, iniciou uma correcção que terminou a semana a negociar a 1,1570, encostado aos 23,6% Fibonacci retracement do movimento Máximo/Mínimo deste ano.

O MACD e o RSI, terminaram a semana continuando a mostrar um “momentum” negativo no EUR/USD, com o RSI a recuperar de níveis de sobrevenda e a linha do MACD a começar a cruzar de forma ascendente a linha de Sinal.

O ultrapassar da área de resistência 1,1569/1,1579 (dada pelos 23,6% Fib do movimento mencionado acima / mínimo de 19 de Janeiro deste ano), poderá dar força ao par para um teste à MM 21 dias (de momento a 1,1632), que uma vez ultrapassada irá expor a próxima referência (e resistência) dada pela MM dos 200 dias, de momento a 1,1675.
A confirmação do “break” dado pela MM 200 dias (e dos 38,2% Fibonacci Retracement do movimento já mencionado) poderá levar à possibilidade de abandonar o cenário “bearish” até agora apresentado pelo par.
Uma próxima resistência poderá ser encontrada nos 61,8% Fib do mesmo movimento, a 1,1826, ligeiramente abaixo da fraca resistência dada neste momento pela Nuvem de Ichimoku diária a 1,1830/1,1840.

Uma inversão da tendência da semana passada irá encontrar um primeiro suporte a 1,1530, seguido da área 1,1467/1,1491. O quebrar destes suportes, voltará a poder dar força ao par para um teste ao mínimo deste ano a 1,1411, que se quebrado irá expor a referência a 1,1391 (mínimo de Agosto de 2025), antes dos 1,1065, dado pelo mínimo de Maio de 2025.


Resistências - Suportes

1,1675 - 1,1491

1,1724 - 1,1391

1,1830 - 1,1065


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