Café da Manhã
E mais aversão ao risco
Os mercados financeiros iniciam a semana a afastar-se progressivamente dos activos de risco, num contexto em que o conflito no Médio Oriente ameaça ganhar uma dimensão ainda mais alargada.
No sábado, o presidente norte-americano, Donald Trump, deu um ultimato de 48 horas para que o Irão restabelecesse o trânsito no Estreito de Ormuz, ameaçando atacar as centrais elétricas iranianas caso o país não cumprisse o requisito. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, por sua vez, afirmou que fechará o estreito indefinidamente e atacará infraestruturas energéticas e hídricas regionais em países que albergam bases americanas, caso os EUA ataquem as suas centrais. Entretanto, Israel afirmou ter atacado esta noite infraestruturas iranianas.
Na Ásia, a aversão ao risco tomou de novo conta dos mercados accionistas, que começaram a semana a negociar em perdas acentuadas.
No Japão, o índice Nikkei caiu 3,68% e o Topix 3,41%.
Na Austrália, o índice ASX 200 recuou 0,74%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, após na semana passada ter conseguido ganhar cerca de 5%, começou esta semana a cair 6,49%.
Na China, o índice CSI300 perdeu 3,26%, o Shanghai Composite 3,63% e o Hang Seng, de Hong Kong, 3,54%.
Na Índia, os principais índices Nifty 50 e Sensex, seguem de momento a cair mais de 2%.
Na Europa a semana está também começar com a confiança dos investidores abalada pela situação no Médio Oriente, que está a levar os preços da energia e as yields dos títulos soberanos para máximos de muitos anos.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a perder 1,85% e o Euro Stoxx 50 1,75%.
Na Alemanha, o índice DAX cai 1,94%, o CAC 40 de França 1,78% e o FTSE 100 no Reino Unido 1,80%.
Os preços do petróleo continuam a negociar também em ganhos, em volatilidade adicional, impactados pelo fluxo noticioso em torno do Estreito de Ormuz.
O Brent começou a semana em alta, seguindo de momento a negociar a 108,70 dólares por barril, bem acima do valor de fecho da semana passada a 106,20.
O WTI negocia de momento a 99,20 dólares por barril, recuando de níveis acima de 100 dólares já atingidos esta noite.
No mercado cambial, o escalar do conflito no Médio Oriente renova o suporte ao dólar, que está a começar a semana de novo em ganhos. O índice DXY segue de momento a negociar a 99,80 pontos, após um fecho na passada sexta-feira a 99,25. O EUR/USD, que chegou a negociar acima dos 1,1600 no final da semana passada, segue de momento a cotar em torno de 1,1500.
O iene japonês está a começar a semana a continuar pressionado pelos preços do petróleo e por yields em alta. O USD/JPY segue de momento a negociar a 159,60, perto dos máximos do ano, enquanto o EUR/JPY negocia a 183,60.
A libra segue também a negociar em perdas, com o GBP/USD a negociar de novo abaixo de 1,3300 (de momento a 1,3280) e o EUR/GBP a 0,8665.
O franco suíço segue em torno dos recentes níveis, com o USD/CHF a negociar a 0,7925 e o EUR/CHF a 0,9115.
O ouro continua a sentir o peso da forte subida das yields obrigacionistas (as Treasuries a 10 anos seguem de momento a 4,435%, em máximos dos últimos oito meses) e do dólar norte-americano. A onça de ouro cai para mínimos de Dezembro do ano passado e segue de momento a negociar a 4.230 dólares.