Café da Manhã
A recuperar

Café da Manhã A recuperar

A confiança dos investidores está de volta aos mercados financeiros, entre a esperança que a diplomacia volte a sobrepor-se ao estado de guerra no Médio Oriente.

Os Estados Unidos intensificaram esforços diplomáticos, elaborando um plano de 15 pontos com o objectivo de terminar a guerra. Os detalhes ainda não são claros, mas prevê um cessar-fogo de um mês para permitir negociações. Os mercados financeiros estão para já a reagir positivamente à diplomacia, com as acções em alta, o petróleo em queda e os títulos soberanos a estabilizarem após a forte queda de ontem.
A situação no terreno continua tensa. Israel e Irão continuaram a fazer a guerra durante esta noite, com novos ataques iranianos contra a Arábia Saudita e o Kuwait, entre outros, enquanto os Estados Unidos decidiram enviar 2.000 soldados aerotransportados para a região.

Os mercados accionistas norte-americanos terminaram a sessão de ontem em baixa, num contexto de elevada volatilidade e por um sentimento de incerteza entre os investidores. Dados económicos mais fracos, com o PMI compósito a cair para mínimos de 11 meses, contribuíram para pressionar o mercado.
Ainda assim, o foco manteve-se sobretudo na evolução do conflito entre os Estados Unidos e o Irão. Declarações do Presidente Donald Trump, apontando para progressos nas negociações e a possibilidade de um acordo que impeça Teerão de desenvolver armas nucleares, ajudaram a aliviar parcialmente as perdas ao longo da sessão. A perspectiva de conversações de alto nível e mesmo de um possível cessar-fogo temporário alimentou alguma recuperação face aos mínimos intradiários.
Apesar deste optimismo cauteloso, persistiram riscos relevantes. Notícias sobre o eventual envio de mais tropas norte-americanas para o Médio Oriente e a continuidade das tensões na região mantiveram os investidores em modo defensivo, sobretudo perante o impacto potencial nos preços do petróleo e nas expectativas de inflação.
O índice Dow Jones recuou 0,18%, o S&P 500 0,37% e o Nasdaq 0,84%.

Esta noite, na Ásia, os mercados accionistas negociaram em alta, com a confiança dos investidores de volta, após as notícias de que os Estados Unidos procuravam um cessar-fogo com o Irão, aumentando as esperanças de um avanço que possa ajudar a restaurar as exportações de petróleo do Golfo.
No Japão, o índice Nikkei terminou a sessão a ganhar 2,82% e o Topix 2,57%.
Na Austrália, o índice ASX 200 subiu 1,85% e o Kospi, da Coreia do Sul, 1,59%.
Na China, o índice CSI300 avançou 1,40%, o Shanghai Composite 1,30% e o Hang Seng, de Hong Kong, 1,09%.
Na Índia, os principais índices Nifty 50 e Sensex, seguem de momento a ganhar 1,83% e 2,05%, respectivamente.

Na Europa, a esperança de um arrefecimento nas tensões no Médio Oriente que levem os preços do petróleo a normalizarem, seguem também a dar força aos preços das acções, que estão a começar o dia em alta.
O índice Euro Stoxx 600 ganha de momento 1,45% e o Euro Stoxx 50 1,59%.
Na Alemanha o índice DAX avança 1,78%, o CAC 40, de França, 1,57% e no Reino Unido, o FTSE 100, 1,09%.

O mercado cambial reflecte também confiança, e simultâneamente incerteza, dos mercados financeiros relativamente ao final do conflito no Médio Oriente, assim como das suas consequências nas economias globais.
O dólar está a começar o dia de hoje em torno dos recentes níveis, com o índice DXY a negociar em torno de 99,00, enquanto o EUR/USD segue a negociar em torno de 1,1600.
O iene japonês continua a negociar em perdas, desta vez a perder mais face ao euro (EUR/JPY acima de 184) e pouco alterado face ao dólar (USD/JPY a 158,70).
A libra esterlina segue praticamente inalterada face aos níveis de ontem, com o GBP/USD a negociar em torno de 1,3400 e o EUR/GBP a 0,8650.
O franco suíço está de momento a ceder algum terreno, com o USD/CHF a negociar de momento a 0,7890 e o EUR/CHF a 0,9160, após Martin Schlegel ter voltado ontem a referir a possibilidade de implementar taxas de juro negativas e/ou de usar outro dos seus instrumentos de política monetária, as intervenções cambiais, para combater os ganhos da moeda suíça.

No mercado petrolífero os preços continuam a negociar em forte volatilidade, impactados pelo elevado fluxo noticioso que vem do conflito no Médio Oriente.
Após terem começado o dia de ontem em alta, com o conflito de novo a mostrar sinais de escalar, com vários ataques iranianos a Israel, os preços terminaram o dia em queda, após notícias de que poderá estar para perto um cessar fogo de um mês entre os Estados Unidos e o Irão.
Os preços estão a começar o dia de novo em queda, entre mais sinais de abrandamento das tensões no Estreito de Ormuz. O Irão afirmou que os navios estrangeiros estão autorizados a atravessar o Estreito de Ormuz, desde que não estejam a apoiar actos de agressão contra o país e sigam as regulamentações estabelecidas por Teerão.
O Brent segue a negociar de momento a 94,80 dólares por barril e o do WTI a 87,30.

O ouro segue hoje a recuperar algum do muito terreno perdido nos últimos dias afectado pela realização de mais valias dos investidores após uma forte subida de dois anos que o levou acima dos 5.500 dólares.
Os preços do petróleo em queda alimentam esperança de um abrandamento numa possível espiral inflacionista e os rendimentos dos títulos soberanos recuam, suportando alguns ganhos ao metal amarelo.
A onça de ouro segue de momento a negociar a 4.565 dólares, afastando-se dos mínimos desta semana abaixo dos 4.100 dólares.


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