A semana que começa
Inflação, emprego e Médio Oriente

A semana que começa Inflação, emprego e Médio Oriente

Uma semana mais curta, mas nem por isso menos intensa, com os mercados a continuarem bem atentos à situação no Médio Oriente e ainda com os cada vez mais importantes dados da inflação na UE e do emprego nos EUA

Interromperemos a publicação de “A semana que começa” no próximo Domingo de Páscoa, 5 de Abril. Estaremos de volta no domingo seguinte, 12 de Abril.
A 4xSimple deseja a todos uma Santa Páscoa.


A semana que agora começa será curta e marcada pela Páscoa. Com o feriado da Sexta-Feira Santa, os mercados europeus e norte-americanos terão um dia a menos de negociação, o que tende a reduzir a liquidez e a amplificar os movimentos em torno dos dados mais relevantes.



Este fim de semana, a Europa adiantou os relógios para a hora de verão, ganhando uma hora de luz ao fim do dia. Um pequeno ajuste que, como sempre, nos lembra que o tempo passa depressa e que a primavera já começou.
Tenha em atenção que Wall Street volta a começar a negociar pelas 14h30 (hora de Lisboa) e a terminar pelas 21h00.



No centro das atenções continua o conflito no Médio Oriente. A tensão geopolítica mantém os investidores nervosos, com o petróleo a oscilar consoante as notícias sobre o estreito de Ormuz, os ataques e as respostas. Qualquer escalada ou sinal de desescalada pode mexer rapidamente com os preços da energia, com reflexos directos na inflação global e no apetite pelo risco. Os mercados financeiros continuam a precificar este risco com atenção redobrada.



Do lado dos dados macroeconómicos, teremos dois indicadores de peso. Na Zona Euro, sai na terça-feira, 31 de Março, os dados preliminares da inflação de Março. Depois de uma inflação que tem andado próxima da meta, qualquer surpresa, para cima ou para baixo, será lida à luz do impacto dos preços da energia decorrentes do conflito. Do outro lado do Atlântico, na sexta-feira, 3 de Abril, chega o relatório de emprego dos Estados Unidos referente a Março. Depois de leituras recentes algo voláteis, o mercado de trabalho norte-americano volta a estar sob escrutínio: criação de postos de trabalho, taxa de desemprego e salários serão observados com lupa, especialmente pelo impacto que possam ter nas expectativas para a política monetária da Reserva Federal.



Ainda no capítulo dos bancos centrais, serão publicadas as minutas das últimas reuniões do Banco do Japão (BoJ), do Reserve Bank of Australia (RBA) e do Banco do Canadá (BoC). Embora não sejam decisões novas, as minutas ajudam a perceber o tom interno dos responsáveis e podem dar pistas sobre o rumo futuro das taxas de juro nessas economias.

Do lado das comunicações dos banqueiros centrais, a semana traz várias intervenções, com destaque especial para Jerome Powell. As suas palavras são sempre ouvidas com particular atenção, sobretudo num contexto em que os mercados tentam perceber até que ponto a inflação energética poderá alterar o calendário de corte, manutenção ou subida de taxas nos EUA.



Desejo-vos uma Páscoa Santa, com tempo para a família, para reflectir e, quem sabe, para recarregar baterias longe dos ecrãs. Os mercados retomam com mais força na semana de 6 a 12 de Abril. A “Semana que começa” estará de volta a 12 de Abril.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
Uma semana mais curta, com o feriado de Sexta-feira Santa a manter os mercados encerrados, mas bem preenchida de dados macroeconómicos.
Iremos ter muitos dados do mercado de trabalho. Os primeiros a ser divulgados são os números das vagas de emprego JOLTS, onde as previsões apontam para um ajustamento em baixo de 6,95 milhões de vagas no mês anterior, para 6,85 milhões. Na quarta-feira seguem-se os dados privados da ADP, onde as estimativas mostram a criação de 42 mil novos empregos, após os 63 mil no mês passado. Os habituais números semanais dos novos pedidos de subsídio de desemprego deverão manter-se em torno de 210 mil. Finalmente, na sexta-feira, com os mercado encerrados, iremos ter a divulgação dos dados mais aguardados, os nonfarm payrolls, onde as previsões apontam para que, após a queda de 92 mil postos de trabalho no mês de Fevereiro, em Março apresentem um aumento de 60 mil, com a taxa de desemprego a manter-se nos 4,4% e com os salários a mostrarem um crescimento médio de 0,3%, desacelerando dos 0,4% em Fevereiro.
Após os números preliminares dos PMI da S&P Global na semana passada, teremos esta semana os números finais, e ainda os importantes PMI do ISM. O índice manufactureiro, segundo as estimativas, deverá mostrar um ligeiro recuo dos 52,4 para 52,3, com os mercados a estarem também atentos aos subíndices do emprego (48,6 esperado), dos preços (72,5) e das novas encomendas (55).
Os mercados irão estar também atentos aos números das vendas a retalho do mês de Fevereiro, onde as previsões mostram uma subida mensal de 0,4%, recuperando da queda de 0,2% no mês anterior, onde sem vendas automóveis deverão mostrar um crescimento de 0,3% e com as vendas do grupo de controlo a desacelerarem dos 0,3% do mês anterior, para 0,2%.
Iremos ter também o índice de confiança do consumidor da Conference Board, onde as estimativas apontam para uma queda de 91,2 para 88. O Chicago PMI deverá, segundo as estimativas, recuar de 57,7 para 54,5. Os inventários empresariais deverão crescer 0,1%, em linha com o mês anterior. A balança comercial em Fevereiro deverá mostrar um défice de 60 mil milhões de dólares, após os 54,5 mil milhões no mês anterior.
Iremos ter ainda dados do mercado imobiliário, com o índice S&P/Case Shiller a mostrar uma subida de 1,4%, em linha com o mês anterior, e o índice do preço dos imóveis a mostrar uma subida mensal de 0,1%, também em linha com o mês anterior.

Zona Euro
O foco esta semana irá estar nos dados da inflação do mês de Março. As previsões apontam para que os preços em termos mensais mostrem uma subida de 1,4%, acelerando dos 0,6% apresentados no mês anterior, com a inflação anual a subir de 1,9% para 2,7%, com a inflação subjacente, sem energia nem alimentos, a subir de 2,4% para 2,5%.
Antes da divulgação destes dados agregados da Zona Euro, iremos ter os dados nacionais. Na Alemanha, as previsões apontam para uma subida mensal de 1% e uma inflação anual de 2,6%, em França de 0,9% e 1,7% e em Itália de 0,5% e 2,3%, respectivamente.
A semana irá começar com a divulgação do índice de confiança económica da Comissão Europeia, com as estimativas a apontarem para uma queda de 98,3 para 96. Mais tarde, teremos a divulgação da taxa de desemprego da Zona Euro, que se deverá manter nos 6,1%.
A nível nacional teremos:
Na Alemanha, as vendas a retalho, que após a queda de 0,9% em Janeiro, deverão em Fevereiro mostrar um aumento de 0,4%, e a taxa de desemprego deverá manter-se nos 6,3%.
Em França, o índice de preços no produtor de Fevereiro deverá estabilizar e a produção industrial deverá mostrar uma desaceleração do crescimento de 0,5% no mês de Janeiro, para 0,3% em Fevereiro.
Em Itália, os preços à porta das fábricas deverão mostrar um crescimento mensal em Fevereiro de 0,5%, o PMI manufactureiro deverá subir de 50,6 para 51, a taxa de desemprego manter-se nos 5,1% e as vendas a retalho uma desaceleração dos 0,6% em Janeiro, para 0,4% em Fevereiro.
Em Espanha, as vendas a retalho de Fevereiro deverão mostrar um aumento de 0,3%, acelerando dos 0,1% do mês anterior, e o índice PMI manufactureiro deverá mostrar uma subida de 50 para 50,4.

Reino Unido
Por aqui teremos uma semana mais ligeira de dados económicos.
A semana começa com os números da aprovação de hipotecas e dos empréstimos líquidos a particulares, os primeiros com as previsões a mostrarem uma subida dos 60 mil do mês anterio para 61 mil, e os segundos a caírem dos 5,9 mil milhões de libras para 5,6 mil milhões.
Teremos mais tarde os números finais do PIB do quarto trimestre que deverão confirmar o crescimento de 0,1%. Os números da conta-corrente deverão apresentar um défice de 23,9 mil milhões de libras, após os 12,1 mil milhões do mês anterior. O índice de preços dos imóveis da Nationwide deverá estabilizar, após a subida de 0,3% no mês passado.
Iremos ter ainda a leitura final do PMI manufactureiro da S&P Global, que deverá confirmar os 51,4 preliminares.

Canadá
A semana começa com as atenções a irem para os números do PIB do mês de Janeiro, que deverão mostrar uma estagnação, após o crescimento de 0,2% no mês anterior. Os números preliminares de Fevereiro deverão mostrar um crescimento de 0,1%.
Iremos ter os dados de actividade manufactureira, com o PMI da S&P Global, segundo as estimativas, a mostrar um recuo dos 51, caindo para terreno de contracção a 49,2.
Teremos ainda os números da balança comercial de Fevereiro, onde as previsões apontam para um défice de 1,9 mil milhões de dólares canadianos, após o défice em Janeiro de 3,65 mil milhões.

Suíça
A semana começa com a divulgação do barómetro económico KOF, onde as estimativas mostram uma queda de 104,2 para 102,2.
Na quarta-feira teremos os números das vendas a retalho que, segundo as previsões, deverão aumentar mensalmente 0,1%, após o aumento registado em Janeiro de 1,1%, onde em termos homólogos deverá mostrar um aumento de 1,1%. Teremos também o índice PMI manufactureiro, que deverá cair de 47,4 para 47,1.
Na quinta-feira, os mercados irão estar especialmente atentos aos números da inflação de Março, com os preços a subirem mensalmente 0,5% e a inflação anual a subir de 0,1% para 0,5%.

China
Por aqui é semana de PMIs. Segundo as estimativas para os PMI oficiais do NBS, a actividade económica privada deverá voltar a expandir, com o índice geral a subir de 49,5 para 50,2, onde a actividade industrial mostra uma subida de 49 para 49,8 e a de serviços de 49,5 para 50,2.
Já os índices privados da RatingDog, segundo as previsões deverão mostrar uma desaceleração na actividade económica, mas irão continuar em terreno de expansão. O índice composto deverá mostrar uma queda de 55,4 para 53,1, com o PMI manufactureiro a cair de 52,1 para 51,7 e o de serviços de 56,7 para 54,5.

Japão
Iremos ter uma semana com um conjunto interessante de dados económicos mensais.
Na terça-feira teremos o índice de preços do consumidor da área de Tóquio, onde o índice total deverá em termos anuais deverá mostrar uma subida de 1,6% em Fevereiro, para 1,7% em Março, onde sem alimentos frescos, a medida mais observada pelo Banco do Japão, deverá subir de 1,8% para 1,9%.
A taxa de desemprego deverá manter-se nos 2,7%, os números preliminares da produção industrial deverão mostrar uma redução mensal de 2%, após o aumento de 4,3% no mês anterior, os das vendas a retalho deverão apresentar uma desaceleração, em termos homólogos, dos 1,8% para 0,9% e os do início de construção de imóveis uma queda de 4,6%, após a de 0,4% no mês anterior.
O índice Tankan manufactureiro deverá mostrar uma subida de 15 para 16 e o não-manufactureiro de 34 para 33.

Nova Zelândia
Por aqui iremos ter o índice de confiança empresarial ANZ, onde as estimativas mostram uma queda de 59,2 para 57, e ainda os números das licenças de construção que deverão aumentar 4,5%, acelerando o crescimento em Janeiro de 1,9%.

Austrália
Teremos uma semana bem ligeira de indicadores económicos, que começam com os números do crédito ao sector privado que deverão mostrar um crescimento de 0,6%, acelerando dos 0,5% no mês anterior.
Iremos ter também dados da aprovação de construções que, após a queda de 7,2% em Janeiro, as previsões mostram um aumento em Fevereiro de 6,2%.
A balança comercial de bens de Fevereiro deverá mostrar um excedente de 2,55 mil milhões de dólares australianos, ligeiramente abaixo dos 2,63 mil milhões no mês anterior.




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