EUR/USD
Semanal
Uma Páscoa sem tréguas no Médio Oriente deverá continuar a suportar o dólar norte-americano e a pressionar o EUR/USD apesar da viragem hawkish do Banco Central Europeu
Interrompemos a publicação do “EUR/USD Semanal” no próximo domingo de Páscoa, 5 de Abril. Estaremos de volta no domingo seguinte, 12 de Abril.
A todos uma Boa Páscoa.
Na semana passada, após a primeira ameaça de Trump durante o fim de semana ao Irão, dando-lhe 48 horas para abrir o Estreito de Ormuz, o EUR/USD veio abaixo de 1,1500 e registou o mínimo da semana. Mas, acto contínuo, recuou nesse ultimato e adiou o prazo por cinco dias. Esta abertura levou a uma reacção optimista (demasiado) por parte do mercado, levando preços do petróleo a afundarem, yields obrigacionistas a recuarem, um dólar a perder, com o EUR/USD a atingir um máximo das últimas semanas, acima de 1,1600.
Mas todo este optimismo desfez-se, com declarações contraditórias, novos ataques ao Irão e respostas deste atacando interesses norte-americanos nos países vizinhos e a Israel.
Apesar de mais narrativas de clara tentativa de conter a subida dos preços do petróleo por parte de Donald Trump, o mercado não voltou a “comprar” esse optimismo. Os preços do petróleo negociaram em alta, e esse foi também o caminho do dólar, levando de novo o EUR/USD a negociar na tendência descendente.
Pelo meio tivemos os dados de actividade económica, os PMI. Apesar de mostrarem um recuo de certa forma generalizado, ainda assim continuaram a mostrar alguma resiliência, com o sector industrial a mostrar mesmo uma pequena subida e a actividade de serviços a recuar, tanto na Zona Euro como nos Estados Unidos.
Mas tal não impactou minimamente o mercado, que seguiu de olhos postos no que se passava no Médio Oriente.
Na semana que agora começa, a semana de Páscoa, mais curta e com liquidez mais reduzida, o mercado enfrenta uma agenda económica mais compacta, onde iremos ter os dados da inflação na Europa que poderão dar ainda mais força aos hawks do Banco Central Europeu. Nos Estados Unidos iremos ter, entre muitos outros, dados do mercado de trabalho, em especial o relatório oficial do mercado de trabalho na Sexta-feira Santa, feriado, com grande parte do mercado de fora.
Diria que uma aceleração acima do esperado da inflação na Zona Euro (o mercado prevê uma subida de 1,9% para 2,7%, com a inflação subjacente a ficar perto dos 2,4%) poderia levar a uma consolidação nas expectativas de subida de taxas de juro do BCE (que terminaram a semana com uma probabilidade de 60% para um aumento de 25 pontos base já em Abril).
Nos Estados Unidos, entre a volatilidade que os vários dados, desde os ISM, JOLTS, ADP, durante a semana possam imprimir ao dólar, o principal evento estará na divulgação dos nonfarm payroll e taxa de desemprego no último dia da semana. O mercado espera ver a criação de cerca de 55 mil novos postos de trabalho, com a taxa de desemprego a manter-se nos 4,4%. Uma desilusão, poderá levar a um recuo nas actuais expectativas do mercado que já não esperam qualquer corte de taxas para este ano, podendo levar a uma pressão sobre o dólar, enquanto um número acima do esperado e/ou uma taxa de desemprego a voltar a cair, a consolidação das expectativas actuais, continuando a dar suporte ao dólar.
Mas, na minha opinião, olhando para o que se tem verificado desde o início deste mês que termina esta semana, o mercado continuará a estar principalmente atento ao que se passa no Médio Oriente. Os preços da energia deverão continuar no centro das preocupações e a ditar o sentimento de mercado. Qualquer escalada no conflito irá continuar a impulsionar o preço do petróleo (e/ou a mantê-lo em níveis historicamente elevados), suportando o dólar e pressionando o EUR/USD. Por outro lado, sinais de alívio no conflito poderão permitir alguma recuperação ao par, embora com resistência relevante na zona de 1,1600, à semelhança do observado na semana anterior.
Só com dados mais consistentes e uma redução efectiva das tensões geopolíticas será possível convencer os mercados de que o pior poderá ter ficado para trás. Nesse cenário, o EUR/USD poderá retomar uma trajectória ascendente, provavelmente mais impulsionado por uma eventual fragilidade do dólar do que por uma força estrutural do euro.
Uma Santa Páscoa para todos. Estarei de regresso no dia 12 de Abril.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5A volatilidade voltou ao EUR/USD, que iniciou a semana a recuar dos máximos da semana anterior, registando um mínimo desta a 1,1484, para de seguida, nesse mesmo dia inicial, atingir um máximo a 1,1639, mas acabando a semana a negociar em torno dos mínimos, a 1,1506.
Por aqui nada de novo, o MACD e o RSI continuam a apontar um “momentum” negativo para o par.
O quebrar da referência psicológica 1,1500 poderá dar força ao par para um teste ao suporte dado pelo mínimo de Agosto de 2025, a 1,1391. O quebrar deste suporte irá expor o nível 1,1065 (mínimo de Maio de 2025.
Com o suporte a 1,1391 a parar a queda do par, poderemos ver o EUR/USD a continuar dentro da área de consolidação entre 1,1400 e 1,1900, que vem a registar desde Junho de 2025. Pelo meio o par terá a resistência dada pela MM das 21 semanas, de momento a 1,1675.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5 Pode acompanhar diariamente os comentários/análises ao EUR/USD no nosso canal YouTube clicando aqui .
O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD começou a semana passada em alta, com o movimento a encontrar resistência na média móvel dos 21 dias, invertendo a tendência e terminado de novo em torno de 1,1500.
O MACD e o RSI, terminaram a semana continuando a mostrar um “momentum” negativo no EUR/USD, mas com a linha do MACD acima da linha de Sinal.
O quebrar do mínimo da semana passada a 1,1484 poderá dar força ao par a um teste ao mínimo deste ano a 1,1411. O quebrar da próxima área de suporte 1,1391/1,1411, dará um sinal bearish ao mercado, expondo o mínimo de Maio de 2025 a 1,1065.
Uma inversão de tendência, que leve o preço a negociar acima do máximo da semana passada a 1,1639, quebrando pelo meio a MM 21 dias (de momento a 1,1578), poderá dar força ao par para um teste à MM 200 dias (1,1675) e aos 38,2% Fibonacci Retracement do movimento Máximo/Mínimo deste ano (1,1667). O ultrapassar desta área (1,1665/1,1667), dará um sinal bullish ao mercado, que poderá ter como objectivo os 1,1826, dado pelos 61,8% Fib do mesmo movimento.
Resistências - Suportes
1,1579 - 1,1484
1,1667 - 1,1391
1,1826 - 1,1065
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