Café da Manhã
E ainda o Médio Oriente
As incertezas em torno do conflito no Médio Oriente aumentam com as 4 a 6 semanas iniciais previstas pelos EUA para atingirem os seus objectivos no Irão, continuando a abalar o sentimento de risco dos mercados
Interrompemos hoje a publicação do “Café da Manhã”. Estaremos de regresso na próxima terça-feira, 7 de Abril.
A 4xSimple deseja a todos uma Boa Páscoa.
Ontem Donald Trump indicou que os EUA estão em negociações sérias com o (novo) regime no Irão, mas que ainda podem destruir a infra-estrutura energética iraniana se o Estreito de Ormuz não for imediatamente reaberto. Esta manhã, o WSJ noticiou que Trump disse aos seus conselheiros que está disposto a terminar a guerra sem reabrir o Estreito de Ormuz, uma vez que uma operação deste tipo poderia facilmente prolongar o período total da guerra por mais 4 a 6 semanas. Anteriormente, o mesmo WSJ tinha publicado uma notícia sobre a possibilidade de uma invasão terrestre para extrair o urânio do Irão. Já o FT apontava a possibilidade de tomar a estratégica ilha de Kharg.
Entretanto continuam a chegar forças militares à região, os Houthis entraram no conflito e os bombardeamentos dos Estados Unidos e Israel ao Irão sucedem-se, assim como se sucedem os ataques iranianos a interesses norte-americanos e israelitas. Esta noite, o Irão atingiu um petroleiro kuwaitiano, com ligação a Israel, carregado na zona de ancoragem do porto do Dubai.
Ontem, os mercados accionistas norte-americanos terminaram a sessão maioritariamente em perdas, revertendo os ganhos iniciais, enquanto seguiam os acontecimentos em torno do conflito no Médio Oriente.
Após ter referido que o conflito poderia ser resolvido através da diplomacia, Donald Trump ameaçou intensificar os ataques contra o Irão, incluindo as infraestruturas civis iranianas, caso o Estreito de Ormuz não seja brevemente reaberto.
Entretanto, as expectativas dos mercados voltaram a apontar para a possibilidade de um corte de taxas de juro nos Estados Unidos, após Jerome Powell ter minimizado os riscos imediatos de inflação decorrentes da subida dos preços da energia.
O índice Dow Jones avançou marginalmente 0,11%, enquanto o S&P 500 recuou 0,39% e o Nasdaq 0,73%.
Esta noite, na Ásia, os mercados accionistas voltaram a negociar maioritariamente em perdas, com a confiança dos investidores a continuar pressionada pelos elevados preços do petróleo.
No Japão, a última sessão deste mês de Março terminou a perder 1,27%, praticamente o mesmo (1,26%) que o Topix.
Na Austrália, o índice ASX 200 avançou 0,25%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, voltou a liderar as perdas ao cair 4,26%.
Na China, o índice CSI 300 perdeu 0,93% e o Shanghai Composite 0,80%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, terminou praticamente inalterado (+0,08%).
Na Índia, os principais índices seguem a negociar de momento em perdas significativas, com o Nifty 50 a cair 2,14% e o Sensex 2,22%.
Os mercados accionistas europeus estão a começar o último dia do mês em terreno positivo, enquanto aguardam por mais dados da inflação do mês de Março.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a avançar 0,63% e o Euro Stoxx 50 0,51%.
Na Alemanha, o índice DAX ganha 0,99%, o CAC 40 de França 0,44% e o FTSE 100 do Reino Unido 0,63%.
No mercado cambial, o dólar continua a negociar em alta, com o índice DXY a negociar de momento acima dos 100,30 pontos, níveis que não se verificavam desde Maio de 2025. O EUR/USD continua a negociar em perdas, abaixo dos 1,1500, a 1,1460.
A libra continua a negociar em queda, com o GBP/USD a cotar abaixo de 1,3200 pela primeira vez este ano (de momento a 1,3190) e o EUR/GBP em torno de 0,8700.
O iene japonês continua a recuperar das fortes perdas da semana passada, impulsionado com a continuação de intervenções verbais da ministra das finanças. O USD/JPY segue de momento a negociar a 159,60 e o EUR/JPY a 183,05.
O franco suíço parece estar a querer estabilizar em torno dos recentes níveis, com o USD/CHF a negociar de momento a 0,8000 e o EUR/CHF a recuar dos 0,9200, para cotar de momento a 0,9170.
Os preços do petróleo negociaram ontem em alta, impulsionados pelo conflito no Médio Oriente, em particular, pelo anúncio da entrada no teatro de operações dos houthis do Iemen que ameaçam fechar o estreito de importância estratégica de Bab el-Mandeb, (porta de entrada para o Mar Vermelho e o Canal do Suez).
As notícias desta noite onde, segundo o WSJ, Donald Trump estaria disposto a terminar o conflito, mesmo com o Estreito de Ormuz fechado, está a levar os preços a recuar.
O Brent segue de momento a negociar em torno dos 107 dólares por barril e o WTI a 102,80, após os máximos atingidos a 110 e 106,85 dólares, respectivamente.
O preço da onça de ouro volta a negociar acima dos 4.500 dólares.
A 4xSimple deseja a todos uma Santa Páscoa!
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