A semana que começa
Guerra, diplomacia e resultados

A semana que começa Guerra, diplomacia e resultados

Uma semana potencialmente decisiva, em que a interação entre geopolítica, expectativas de política monetária e fundamentais empresariais poderão definir o rumo dos mercados no curto prazo.

A semana que agora começa irá certamente ser dominada por quatro grandes temas:
Geopolítica - Rumores de um cessar-fogo na Ucrânia e as conversações em Islamabad entre os Estados Unidos e o Irão.
Política económica - As reunião do Fundo Monetário Internacional em Washington.
Resultados empresariais - A época de resultados do primeiro trimestre de 2026.
Resultados eleitorais na Hungria.




No plano geopolítico, os investidores estarão particularmente atentos a desenvolvimentos em torno de um eventual cessar-fogo — ou até o fim — do conflito na Ucrânia, um tema que, a confirmar-se, poderia desencadear um forte movimento de alívio nos mercados europeus, no euro e nos activos de risco em geral.

Ao mesmo tempo, o foco estará também nas conversações entre iranianos e norte-americanos em Islamabad, num momento delicado para o Médio Oriente. Qualquer sinal de desanuviamento poderá contribuir para reduzir o prémio de risco associado ao petróleo e melhorar o apetite global por risco; pelo contrário, um eventual fracasso nas negociações poderá reacender receios e suportar activos de refúgio.





Em Washington, as Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial irão reunir decisores políticos e responsáveis de bancos centrais de todo o mundo. Este será um palco privilegiado para avaliar o tom das autoridades monetárias numa fase em que os mercados procuram maior visibilidade sobre o timing e a magnitude de eventuais mexidas nas taxas de juro. As intervenções poderão assim funcionar como catalisadores de volatilidade, sobretudo no mercado cambial e nas yields soberanas.





A semana marca o arranque da época de resultados empresariais nos Estados Unidos, com os grandes bancos — tradicionalmente os primeiros a reportar — a assumirem o protagonismo. As suas contas serão analisadas ao detalhe, não apenas pela performance em si, mas também pelas indicações que possam dar sobre as condições financeiras, a concessão de crédito e a saúde do consumidor norte-americano. Na Europa, o foco estará no sector do luxo, com os resultados da LVMH e da Hermès, que funcionam frequentemente como um barómetro da procura global, em particular da procura asiática.





Por fim, no plano político, as eleições legislativas na Hungria, agendadas para este domingo, assumem particular relevância para os mercados europeus, num momento em que o longo ciclo de poder de Viktor Orbán enfrenta o seu maior teste em mais de uma década. As sondagens apontam para um cenário competitivo, com a possibilidade de mudança política a ser vista pelos investidores como potencialmente positiva para a relação com a União Europeia e para o desbloqueio de fundos comunitários. Um eventual resultado favorável à oposição poderá assim suportar activos europeus e reduzir prémios de risco na região, enquanto a continuidade de Orbán tenderá a prolongar as actuais tensões com Bruxelas e a manter algum grau de incerteza política no bloco.



Dados Económicos



Estados Unidos da América
Uma semana relativamente leve de indicadores económicos, que começa com a divulgação dos dados das vendas de imóveis usados em Março, com as estimativas a apontarem para uma queda de 2%, após o aumento de 1,7% no mês anterior.
O destaque da semana vai para os números do índice de preços do produtor, que serão divulgados na terça-feira. Os preços deverão, segundo as previsões, mostrar uma subida de 1,2%, acelerando do aumento de 0,7% no mês de Fevereiro, onde sem alimentos nem energia, deverão manter o ritmo de crescimento do mês anterior de 0,5%. Teremos também a divulgação do índice de pequenas e médias empresas NFIB, que deverá recuar ligeiramente de 98,8 para 98,6, e ainda os números semanais do emprego da ADP.
Na quarta-feira teremos mais dados do mercado imobiliário, com a divulgação do índice NAHB, onde as estimativas apontam para um recuo dos 38 de Março, para 37 neste mês. Teremos também o índice manufactureiro de Nova Iorque, com as previsões a apontarem para uma subida de -0,2 para 0,6, e no final do dia a divulgação do relatório do Beige Book da Fed.
Na quinta-feira teremos os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, onde as previsões mostram um recuo dos 219 mil pedidos para 215 mil. Iremos ter o índice manufactureiro da Fed de Filadélfia, que deverá cair de 18,1 para 10,5, e ainda os números da produção industrial que deverão desacelerar o crescimento de 0,2% do mês de Fevereiro, para 0,1% em Março.

Zona Euro
Por aqui será também uma semana tranquila, relativamente a dados macroeconómicos.
Na terça-feira, na Alemanha, teremos o índice de preços grossistas de Março, com os preços em termos mensais a mostrarem um aumento de 0,4%, desacelerando dos 0,6% registados no mês anterior.
Na quarta-feira iremos ter os números da produção industrial do agregado da Zona Euro, onde as previsões apontam para um crescimento mensal de 0,2%, após a queda registada em Fevereiro de 1,5%.
Quinta-feira teremos os dados finais da inflação, que deverão confirmar os dados preliminares.
Finalmente, na sexta-feira, teremos os números da balança comercial de Fevereiro que deverão apresentar um excedente de 9,8 mil milhões de euros, após o défice em Janeiro de 1,9 mil milhões de euros. Teremos também a balança comercial italiana que, segundo as previsões, deverá mostrar um excedente de 4,7 mil milhões de euros, após cerca de mil milhões no mês anterior.

Reino Unido
As atenções centram-se principalmente nos dados que serão divulgados na quarta-feira. Teremos a divulgação dos números do PIB de Fevereiro que, segundo as previsões, irão mostrar um crescimento de 0,1%, após a estagnação apresentada em Janeiro. Teremos também os números da produção industrial que deverão apresentar um aumento de 0,2%, após uma queda de 0,1% em Janeiro, e ainda os números da balança comercial que deverão apresentar um défice de 3,6 mil milhões de libras, recuando do excedente do mês anterior de 3,9 mil milhões.
A semana irá começar com a divulgação, na terça-feira, do BRC Retail Sales Monitor, que deverá subir de 0,7% para 2,7%.

Canadá
Na segunda-feira teremos os números das licenças de construção de Fevereiro que deverão mostrar uma queda de 0,4%, após o crescimento anterior de 4,8%.
Na terça-feira iremos ter os números das vendas manufactureiras e das vendas grossistas. As primeiras deverão, segundo as estimativas, aumentar 3,8%, após a redução de 3% em Janeiro, e as segundas um crescimento de 2,3%, mais do que recuperando a queda do mês anterior de 1%.
Na sexta-feira iremos ter os números do início de construção de imóveis em Março, com as previsões a apontarem para uma pequena subida dos 251 mil do mês anterior, para 253 mil.

Suíça
Por aqui a semana contará apenas com o índice de preços importados e do produtor, onde as previsões apontam para uma subida de 0,2%, após a queda em Fevereiro de 0,3%.

China
Iremos ter uma semana bastante bem preenchida de indicadores económicos, com os mercados a olharem com especial atenção para os números do PIB do primeiro trimestre do ano.
Os mercados esperam ver os números dos novos empréstimos em yuans no mês de Março, estimando um aumento dos 900 mil milhões de yuans em Fevereiro, para 3.400 mil milhões em Março.
Na terça-feira iremos ter os números da balança comercial do mês de Março, que segundo as previsões deverão apresentar um excedente de 110 mil milhões de dólares, com um aumento de 11% das importações e de 8,3% das exportações.
Na quinta-feira teremos um conjunto alargado de dados. O índice do preço dos imóveis deve voltar a mostrar uma queda, acelerando dos -3,2% em Fevereiro, para -3,5% em Março. O investimento em activos fixos deverá mostrar um aumento de 2%, acelerando dos 1,8% do mês anterior. Teremos os números das vendas a retalho que deverão mostrar um aumento de 2,4%, desacelerando dos 2,8% do mês anterior. A taxa de desemprego deverá cair de 5,3% para 5,2%. Teremos os números da produção industrial que deverão, segundo as estimativas, mostrar um crescimento de 5,4% em Março, após os 6,3% apresentados em Fevereiro.
Finalmente, o destaque da semana, os números do PIB do primeiro trimestre deste ano, onde as previsões apontam para um crescimento trimestral de 1,4%, acelerando dos 1,2% no trimestre anterior, com o número anual a mostrar um crescimento de 5%, após os 4,5% no período anterior.

Japão
Uma semana bastante ligeira de dados económicos, onde iremos ter a divulgação das encomendas de maquinaria de Fevereiro, excluindo a dos navios e das centrais eléctricas, onde as estimativas apontam para uma redução de 0,8%, após a queda de 5,5% no mês de Janeiro.

Nova Zelândia
Por aqui iremos ter apenas o índice de serviços BusinessNZ, onde as estimativas apontam para uma subida dos 48 para 50,6.

Austrália
A semana começa com a divulgação do índice de confiança do consumidor Westpac que, após a subida de 1,2% em Março, deverá cair este mês 1,8%, e ainda o índice de confiança empresarial NAB que deverá, segundo as estimativas, cair de -1 para -6.
As atenções vão especialmente para os dados do mercado de trabalho de Março. A taxa de desemprego deverá manter-se nos 4,3%, com a taxa de participação a cair de 66,9% para 66,8%. A economia australiana deverá mostrar a criação de 20 mil postos de trabalho, com a maioria a tempo inteiro.




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