EUR/USD
Semanal
A Páscoa trouxe um (frágil) cessar-fogo, mas deu uma saída ao ultimato feito por Donald Trump. O caminho das conversações em Islamabad poderão mostrar o próximo movimento do EUR/USD
Nas últimas semanas foram muitos e relevantes os dados económicos divulgados. Na Zona Euro os dados dos preços mostraram o impacto da guerra. Os preços em Março subiram 1,2% (0,6% em Fevereiro) e a inflação anual subiu de 1,9% para 2,5% (ficando abaixo dos 2,7% estimados).
Nos Estados Unidos, o relatório do emprego surpreendeu ao mostrar a criação de 178 mil novos postos de trabalho, após uma redução de 133 mil no mês anterior. A taxa de desemprego recuou para 4,3%. O PIB do último trimestre do ano passado foi revisto de novo para baixo, para 0,5%. A inflação subiu de 2,4% para 3,3%, relativamente em linha com o esperado, mostrando bem o impacto da subida dos preços da energia, com a inflação subjacente a ajustar de 2,5% para 2,6%.
Mas nem mesmo estes dados, que num outro cenário certamente iriam impactar seriamente o preço do EUR/USD, conseguiram levar os mercados a desviar o olhar da situação no Médio Oriente, nem dos preços do petróleo em alta.
Com o aproximar do longo fim de semana de Páscoa, os mercados voltaram a escolher activos de refúgio com o dólar, e o EUR/USD, que já tinha recuperado para níveis em torno de 1,1600, terminou a semana em torno de 1,1500. Esta semana, depois do “susto” da aproximação do prazo limite dado por Donald Trump ao Irão para reabrir o Estreito de Ormuz, os mercados foram surpreendidos por um inesperado cessar-fogo conseguido pelo Paquistão, entre os Estados Unidos e o Irão.
A reacção não se fez esperar, o dólar recuou e o EUR/USD recuperou os 1,1600 e voltou a níveis próximos daqueles que negociava antes da guerra no Médio Oriente.
O motor dos mercados continua a ser a geopolítica, ainda mais numa semana que será bastante vazia de indicadores económicos.
Apesar da reacção efusiva com o anúncio do cessar-fogo e das conversações entre os Estados Unidos e o Irão, a situação continua muito frágil. Uma escalada no conflito irá certamente voltar a pressionar o EUR/USD, enquanto notícias animadoras relativamente a um acordo poderão impulsioná-lo.
Ainda na cena geopolítica, a semana anterior terminou com rumores de que poderá haver um entendimento para um cessar-fogo, ou mesmo um plano para terminar o conflito, entre a Rússia e a Ucrânia. A concretização (ou mesmo a continuação de mais notícias nesse sentido) levariam certamente a um impulso ao euro, e como tal, ao EUR/USD.
Por fim, no plano político, temos as eleições na Hungria. Se bem que não serão de um impacto forte no EUR/USD, uma vitória de facto do líder da oposição a Viktor Orbán, Péter Magyar, poderá levar a uma Europa mais unida, e como tal algum suporte à moeda única.
Esta semana temos ainda as Reuniões de Primavera do FMI, que irão contar com inúmeras intervenções de decisores de política monetária, o que poderá trazer também alguma volatilidade adicional aos mercados, nomeadamente ao EUR/USD.
Antes do conflito no Médio Oriente, os mercados descontavam dois cortes de taxas de juro por parte da FED e o BCE encontrava-se num “bom lugar”. Os receios de uma espiral inflacionista levou a uma posição mais hawkish por parte dos bancos centrais, e os mercados rapidamente apontaram para uma subida de taxas por parte do BCE já para este mês de Abril, e uma FED a manter as taxas inalteradas até ao final do ano. Os mercados irão estar bem atentos às narrativas em Washington, para tentarem ajustar as “novas” projecções de taxas.
Na minha opinião, o mercado continua em modo reactivo, sensível a qualquer notícia vinda do Médio Oriente ou a novos sinais sobre um possível entendimento entre Washington e Teerão. Sem dados relevantes na agenda, a volatilidade tenderá a centrar-se em eventos geopolíticos e nas expectativas em torno do próximo movimento dos bancos centrais.
Assim, a probabilidade maior é de um euro a consolidar, à espera de novos catalisadores. Mas basta uma faísca — política, militar ou energética — para alterar rapidamente o rumo do par.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD recuperou do mínimo recentes em torno da base de consolidação entre 1,1400 e 1,1500, terminando a semana passada a testar a média móvel das semanas, de momento a 1,1678.
O RSI volta a mostrar um “momentum” positivo para o par, começando preparando-se para começar a semana acima da linha de 50 (53,7), enquanto a linha de MACD segue abaixo da linha neutra e da linha de sinal, dando uma leitura global mais neutra.
A vela marubozu da semana passada sinaliza a possibilidade de continuação da tendência ascendente do par das últimas semanas, após ter atingido o mínimo do ano a 1,1411.
O quebrar do máximo da semana passada a 1,1739, abre caminho ao EUR/USD para um teste à resistência de 1,1830, uma referência que vem desde o máximo atingido em Julho do ano passado, tomada como topo da consolidação desde então. O ultrapassar desta (agora) resistência irá expor o máximo do ano a 1,2082, tendo antes de passar pela área de resistência 1,1918/28 e a psicológica de 1,2000.
Já o quebrar do mínimo da semana passada a 1,1505, volta a colocar o cenário bearish para o par, expondo o suporte dado pelo mínimo de Agosto de 2025, a 1,1391, que se quebrado, levará os mercados a colocar os olhos nos 1,1065, mínimo de Maio de 2025 e próxima referência relevante.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD, após ter começado a semana em alta, a testar e quebrar a média móvel dos 21 dias, terminou mantendo a tendência ascendente, ultrapassando a importante resistência dada pelas média móvel dos 200 dias e testando a forte resistência seguinte, dada pela Nuvem de Ichimoku.
O MACD e o RSI mostram agora um forte “momentum” ascendente para o par, com a linha do MACD acima da linha neutra e bem acima da linha de Sinal, e com o RSI com uma leitura de 60, ainda longe de situação de sobrecompra.
O quebrar da área 1,1723/39, dada por Senkou A e o máximo da semana passada, poderá colocar o EUR/USD a caminho de um objectivo a 1,1826, dado pelos 61,8% Fibonacci Retracement do movimento Máximo/Mínimo deste ano, após o par ter “limpo” a anterior resistência (agora suporte) da MM 200 dias e do primeiro objectivo dos 38,2% Fibonacci Retracement do mesmo movimento. Até lá terá de ultrapassar a área de resistência 1,1796/1,1806, dada, respectivamente, pelo máximo de Março e por Senkou B, neste início de semana.
Uma inversão da tendência ascendente irá encontrar uma primeira área de suporte dada pelas médias móveis 55 e 200 (de momento 1,1672/97), necessitando quebrar este suporte para que o par volte à tendência descendente registada desde o final do mês de Janeiro. O mínimo de Janeiro a 1,1579 ficará exposto, sendo a próxima referência, acompanhada neste início de semana pela MM 21 dias (de momento a 1,1560).
Resistências - Suportes
1,1796 - 1,1672
1,1826 - 1,1579
1,1928 - 1,1505