A semana que começa
Médio Oriente, PMIs e resultados
Os mercados vão continuar focados no Médio Oriente, mas também atentos à Reserva Federal, à agenda económica e por fim aos resultados empresariais, num quadro que pode manter a volatilidade elevada.
A semana que agora começa traz uma mistura habitual de tensões geopolíticas, decisões políticas em Washington e dados económicos que os mercados vão digerir com atenção. Como sempre, o Médio-Oriente continua a ser o foco de maior incerteza, enquanto do lado económico e empresarial espera-se uma agenda preenchida, mas sem grandes surpresas dramáticas.

O Médio Oriente vai continuar a dominar a atenção dos mercados e da diplomacia mundial. A semana começa sob a sombra de uma situação que mudou radicalmente nos últimos dois meses: os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão no final de Fevereiro, e desde então o mundo tem vivido num equilíbrio precário entre a guerra e a negociação. Um cessar-fogo de duas semanas foi acordado na semana passada, criando uma pequena janela para as negociações. A questão que se impõe agora é se essa janela vai ser aproveitada antes de expirar.
Na semana passada, os EUA e o Irão chegaram ao fim de 21 horas de negociações em Islamabad sem qualquer acordo, com o vice-presidente JD Vance a declarar que Teerão "recusou aceitar os termos americanos". Ainda assim, o tom não foi o de ruptura definitiva. No final da semana o Irão anunciou a abertura do Estreito de Ormuz à navegação comercial e uma segunda ronda de negociações estaria a ser preparada para esta semana, antes do fim do cessar-fogo, marcado para 21 ou 22 de Abril. Mas durante o fim de semana o Irão reverteu a decisão sobre o Estreito de Ormuz, alegando que os Estados Unidos mantinham o bloqueio aos portos iranianos.
Esta semana poderá ser decisiva: ou há uma segunda ronda em Islamabade, ou o cessar-fogo expira e o conflito retoma. A questão nuclear permanece o principal obstáculo, Washington exige o desmantelamento do programa de enriquecimento, Teerão insiste que se trata de um direito soberano para fins civis.
Quanto ao Líbano, um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano entrou em vigor na quinta-feira passada, depois de semanas de combates que deixaram mais de 2.000 mortos e mais de um milhão de deslocados. O acordo, negociado pelos Estados Unidos, prevê a possibilidade de extensão se houver progressos nas negociações e se o Líbano demonstrar capacidade para exercer a sua soberania. O problema é que o Hezbollah não é formalmente parte do acordo, tendo indicado que "a presença militar israelita em solo libanês justifica a resistência", o que torna a frágil trégua permanentemente ameaçada. Na manhã seguinte ao cessar-fogo, o exército libanês já reportava várias violações por parte das forças israelitas. Manter esta calma à beira do abismo será o principal teste diplomático da semana.

Nos Estados Unidos, as atenções voltam-se para Capitol Hill, onde está agendado para terça-feira, dia 21, o início da audição de confirmação de Kevin Warsh como presidente da Reserva Federal, perante a Comissão Bancária do Senado, às 10h00 da manhã, hora de Washington. Warsh, antigo governador da Fed e executivo do Morgan Stanley, foi nomeado por Trump em Janeiro para liderar o banco central numa era de transformação tecnológica e realinhamento fiscal. O caminho até esta audição não foi linear. O senador republicano Thom Tillis continua a ameaçar votar contra Warsh a menos que o Departamento de Justiça encerre a investigação criminal ao actual presidente Jerome Powell, cujo mandato expira a 15 de Maio. Os mercados têm acompanhado o processo com cautela, mas com um interesse crescente pela filosofia de "mudança de regime" de Warsh, que defende uma Fed mais prospectiva e menos dependente de dados históricos. Será uma audição para seguir com atenção.

Na frente macroeconómica, a semana traz a publicação dos PMI preliminares de Abril para os principais blocos económicos. Em Março, o PMI Composto global desceu para 51,0, um mínimo de 11 meses, com os EUA a registarem 51,4 e a Zona Euro apenas 50,7, valores que ainda indicam expansão, mas com uma tendência de desaceleração que os dados de Abril poderão confirmar ou inverter. Com a guerra no Médio Oriente a pressionar o petróleo, as tarifas americanas a complicar as cadeias de abastecimento e a incerteza geopolítica a pesar na confiança empresarial, os PMI preliminares desta semana serão um termómetro importante do estado real da economia global em tempo de crise.

A época de resultados continua a bom ritmo. O evento mais aguardado é, sem dúvida, a Tesla, que divulga os seus resultados do primeiro trimestre na quarta-feira, dia 22, depois do fecho de mercado. A empresa entregou 358.023 veículos no primeiro trimestre, ligeiramente abaixo das estimativas do mercado, mas acima do ano anterior, numa altura em que os investidores estão cada vez mais focados no avanço do robotáxi Cybercab e do robot humanoide Optimus do que nos números das vendas de automóveis tradicionais. Também esta semana apresenta resultados a Intel, a confirmar os sinais de recuperação após um 2025 difícil, e a American Express, barómetro do consumo de luxo num contexto de incerteza económica. Na Europa, os holofotes apontam para a L'Oréal, que dará uma leitura valiosa sobre o consumo global de bens de marca, para o ENI, com o petróleo em alta por razões óbvias, e para o Bankinter, que divulga resultados trimestrais numa semana em que o sector financeiro europeu está mais vigilante do que nunca. A Procter & Gamble, com a sua carteira defensiva de bens de consumo essenciais, fecha o conjunto com um teste ao poder de preço das grandes marcas face à inflação persistente.
Dados Económicos

Estados Unidos da América
Uma semana tranquila em termos de dados económicos, que começa com a divulgação dos números das vendas a retalho de Março. As previsões apontam para um crescimento de 1,4%, acelerando os 0,6% do mês de Fevereiro, onde se excluídas as vendas automóveis, deverão crescer 1,3%. O grupo de controlo deverá mostrar uma aceleração dos 0,5% do mês anterior, para 0,6%.
Ainda na terça-feira iremos ter o número semanal do mercado de trabalho da ADP, que na semana anterior mostrou um máximo desde a sua constituição de 39,3 mil empregos, e ainda as vendas pendentes de imóveis e os inventários empresariais. As primeiras deverão mostrar uma estabilização, após a subida de 1,8% em Fevereiro, e os segundos um aumento de 0,1%, depois da redução de 0,1% no mês anterior.
Na quinta-feira, além dos habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego, que deverão manter-se em torno dos 210 mil, teremos a divulgação dos PMI da S&P Global. As previsões mostram um recuo na actividade económica, com o PMI composto a cair de 50,3 para 49,9, onde o sector manufactureiro se mantém em expansão, mas recua de 52,3 para 52, mas com o de serviços a continuar em contracção e a cair de 49,8 para 49,6.
A semana termina com a revisão dos números da Universidade de Michigan da confiança do consumidor, onde as estimativas apontam para um ajuste positivo de 47,6 para 48,4.
Zona Euro
Uma semana em que as atenções vão especialmente para os dados da actividade económica, os PMI.
França será a primeira grande economia europeia a divulgar os PMI, onde as estimativas mostram uma queda na actividade, com o PMI composto a recuar de 48,8 para 48,2, ficando ainda mais em terreno de contracção. A actividade de serviços deverá cair de 48,8 para 48,0 e a manufactureira de 50 para 49,5.
Segue-se a Alemanha que se deverá manter em expansão, com o PMI composto a recuar de 51,9 para 51,4 onde, tanto o índice de serviços como o industrial, deverão mostrar recuos do mês passado de 50,9 para 50,5 e de 52,2 para 51,5, respectivamente.
Finalmente teremos a divulgação dos dados agregados da Zona Euro. O PMI composto deverá cair de 50,7 para 50,2, com o PMI de serviços a cair de 50,2 para 49,7, ficando em terreno de contracção, e o manufactureiro de 51,6 para 51,0.
A semana começa com os dados do índice de preços no produtor alemão do mês de Março, que deverá mostrar uma subida dos preços de 1,4%, após a queda de 0,5% no mês anterior.
Na terça-feira, o destaque vai para a divulgação do indicador alemão de confiança económica ZEW. Na Alemanha, deverá mostrar uma queda de -0,5 para -6,7, e na Zona Euro de –8,5 para -10,5.
Na quarta-feira é a vez de termos o índice de confiança do consumidor da Eurostat, onde as previsões apontam para um recuo de -16 para -17.
A semana termina com a divulgação na sexta-feira do índice alemão de confiança empresarial IFO, onde as estimativas mostram também um ligeiro abrandamento, com o índice a cair de 86,4 para 85,6.
Reino Unido
Por aqui iremos ter uma semana mais bem preenchida de dados de primeira linha.
Após um primeiro dia praticamente vazio de dados económicos, a semana começa na terça-feira com a divulgação dos dados do mercado de trabalho. A taxa de desemprego de Fevereiro deverá manter-se nos 5,2%, com a variação do emprego a mostrar uma diminuição de 35 mil postos de trabalho, onde os ganhos salariais, incluindo bónus, desaceleraram do crescimento de 3,9% no mês anterior, para 3,7%.
O número de postos de trabalho criados pela economia britânica em Março, segundo as previsões, será de 15 mil, e o número de novos pedidos de subsídio de desemprego de 10 mil, baixando dos 24,7 mil no mês anterior.
Na quarta-feira serão os números da inflação que terão a atenção dos mercados. No mês de Março, os preços deverão ter aumentado 0,8%, acelerando dos 0,4% em Fevereiro, com a inflação anual a subir de 3% para 3,3%. Sem alimentos nem energia, os preços deverão mostrar uma subida mensal de 0,2%, recuando dos 0,6% no mês anterior, com a inflação subjacente a manter-se a 3,2%. Iremos ter ainda o índice de preços de imóveis que, segundo as previsões, deverão mostrar uma subida de 1,5%, em termos homólogos, acelerando dos 1,3% do mês anterior.
Na quinta-feira, são os dados da actividade económica que estarão em destaque. O PMI composto da S&P Global deverá cair para terreno de contracção, recuando dos 50,3 para 49,8. A actividade manufactureira, segundo as estimativas, deverá cair de 51 para 49,7, e a de serviços de 50,5 para 50,0. Os números dos empréstimos ao sector público deverão mostrar uma queda dos 14,3 mil milhões de libras, para 10,3 mil milhões, e o índice de expectativa de encomendas industriais deverá cair de -27 para -34.
A semana termina com os números de Março das vendas a retalho que, segundo as previsões, deverão mostrar um aumento de 0,1%, após a queda de 0,4% no mês anterior, e ainda com o índice de confiança do consumidor GfK, que deverá mostrar uma queda de -21 para -25.
Canadá
A semana começa com a divulgação dos importantes dados da inflação do mês de Março. Segundo as previsões, os preços em termos mensais deverão mostrar um aumento de 1%, acelerando dos 0,5% do mês de Fevereiro, com a inflação anual a subir de 1,8% para 2,5%. Sem energia nem alimentos, a inflação subjacente deverá registar uma subida menor, de 2,3% para 2,4%. A medida seguida mais de perto pelo Banco do Canadá, a CPI Trimmed-Mean, deverá subir de 2,3% para 2,8%.
Na quarta-feira, o índice de preço de novos imóveis deverá mostrar um aumento de 0,2%, desacelerando dos 0,3% do mês de Fevereiro.
Na quinta-feira teremos mais dados da inflação, desta vez à porta das fábricas, com os preços em termos mensais a subirem, segundo as estimativas, 1,3%, acelerando dos 0,4% no mês de Fevereiro.
A semana terminará com os números das vendas a retalho de Fevereiro. As estimativas mostram um aumento de 0,9%, desacelerando dos 1,1% do mês anterior, onde sem vendas automóveis deverão mostrar uma subida de 0,6%. Teremos também os números preliminares das vendas do mês de Março, com as previsões a apontarem para um crescimento de 0,2%.
Japão
A semana começa com os números da actividade da indústria terciária, onde as previsões apontam para uma queda de 0,4%, após o crescimento no mês anterior de 1,7%.
Na quarta-feira iremos ter os números de Março da balança comercial, com as previsões a apontarem para a apresentação de um excedente de 970 mil milhões de ienes, após o de 57,3 mil milhões no mês de Fevereiro, com as importações a recuarem de 10,2% para 7,1%, e as exportações a acelerarem de 4,2% para 11,1%.
Iremos ter também esta semana os dados da actividade económica, com o PMI composto da S&P Global a recuar de 53 para 51,4, onde o índice de serviços deverá cair de 53,4 para 52 e o manufactureiro de 51,6 para 50,1.
A semana termina com dados da inflação nacional que deverão mostrar uma subida de 1,3% para 1,5% e onde sem os preços dos alimentos frescos, deverão mostrar uma subida de 1,6% para 1,8%.
Nova Zelândia
A semana começa com os números da balança comercial de Março que, segundo as previsões, irão apresentar um excedente de 270 milhões de dólares neozelandeses, após o défice em Fevereiro de 257 milhões.
De seguida teremos o índice de confiança empresarial NZIER do primeiro trimestre, que deverá mostrar uma desaceleração dos 48 no trimestre anterior, para 29.
As atenções irão estar especialmente na divulgação dos dados do primeiro trimestre deste ano da inflação. Segundo as previsões, os preços em termos trimestrais deverão mostrar um crescimento de 0,8%, acelerando dos 0,6% apresentado no trimestre anterior, com a inflação anual a baixar de 3,1% para 2,9%.
Austrália
Serão os dados de actividade económica da S&P Global a divulgar na quinta-feira que farão a agenda económica desta semana.
As estimativas apontam para que o índice PMI composto rescue de 46,6 para 46,3, com a actividade de serviços a cair de 46,3 para 46,0 e a manufactureira de 49,8 para 49.
Bancos Centrais

O People’s Bank of China
O consenso de mercado aponta para que o banco central chinês mantenha inalteradas as suas taxas preferenciais de empréstimo a um e a cinco anos nos 3,00% e nos 3,50%, respectivamente.