Semana Revista
Uma semana de tensão, dados e resultados

Semana Revista Uma semana de tensão, dados e resultados

A semana foi marcada por um equilíbrio muito instável no Médio Oriente, dados de actividade económica, resultados empresariais e um alívio nas pressões sobre a Reserva Federal dos Estados Unidos

Um equilíbrio delicado entre risco geopolítico e sinais mistos na economia global.
Do impasse no Médio Oriente, com o Estreito de Ormuz no centro das atenções, à divergência dos indicadores de actividade entre a Zona Euro, o Reino Unido e os Estados Unidos, passando por uma época de resultados que reforça a selectividade dos mercados e por desenvolvimentos relevantes na liderança da Reserva Federal, o pano de fundo mantém-se exigente. Entre volatilidade energética, crescimento desigual e incerteza institucional, os mercados continuam a navegar num ambiente onde a confiança é constantemente posta à prova.




O conflito no Médio Oriente manteve-se esta semana numa fase de frágil trégua entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, mas com tensões elevadas, especialmente no Estreito de Ormuz, que continuou a ser o principal foco de instabilidade marítima e económica global. O cessar-fogo de duas semanas, acordado no início de Abril e mediado com envolvimento do Paquistão, foi prorrogado, mas sem progressos decisivos nas negociações, o que manteve o risco de escalada.

No teatro principal do conflito, os ataques directos entre o Irão, os EUA e Israel permaneceram suspensos, mas a situação no terreno mostrou sinais de erosão. Em Israel e no Líbano, o cessar-fogo com o Hezbollah foi alargado por mais três semanas, após conversações na Casa Branca, apesar de incidentes isolados no sul do Líbano. Forças israelitas continuaram operações limitadas para neutralizar ameaças, com relatos de confrontos que resultaram na morte de dois soldados israelitas e dezenas de feridos. O Hezbollah respondeu com lançamentos de rockets esporádicos, mas o acordo geral pareceu aguentar, com preparativos para novas reuniões entre israelitas e libaneses.

O ponto mais crítico da semana foi, sem dúvida, o Estreito de Ormuz. O Irão reverteu brevemente a reabertura parcial do estreito e voltou a impor controlo rigoroso, em resposta ao bloqueio naval americano aos portos iranianos. Navios da Guarda Revolucionária Islâmica atacaram ou apreenderam embarcações comerciais, incluindo pelo menos três porta-contentores, com relatos de disparos e danos. Em contrapartida, a Marinha dos Estados Unidos interceptou e aprendeu um navio de carga iraniano (o Touska) no Golfo de Omã, disparando contra a sala de máquinas após o navio ignorar avisos. O presidente Donald Trump ordenou acções contra qualquer embarcação iraniana que tentasse colocar minas na região.

Estas trocas de acções no estreito provocaram forte volatilidade nos mercados energéticos. O preço do petróleo Brent subiu acima dos 100 dólares por barril em vários momentos, reflectindo o receio de disrupções no fluxo de cerca de 20% do petróleo mundial que passa por aquela via. O tráfego marítimo reduziu-se drasticamente, com dezenas de navios a inverterem rota por razões de segurança, e o Irão condicionou a plena reabertura ao levantamento do bloqueio americano. As negociações em Islamabad, com participação de altos responsáveis americanos como o vice-presidente JD Vance, não avançaram de forma clara, com Teerão a mostrar relutância e a acusar Washington de violar a trégua.

Ainda assim, no final da semana, a situação ficou um pouco mais desanuviada, sustentada por notícias de sexta-feira ao início da tarde indicando que o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano deveria deslocar-se a Islamabad para uma possível segunda ronda de negociações, sinalizando uma reactivação do diálogo diplomático após dias de impasse. Apesar de não haver garantias de progresso substancial, esta evolução ajudou a aliviar, ainda que temporariamente, a percepção de risco nos mercados.

Em resumo, a semana caracterizou-se por uma trégua instável que evitou confrontos directos em larga escala, mas que foi minada por tensões marítimas no Estreito de Ormuz, apreensões de navios e subidas acentuadas nos preços da energia. O futuro do cessar-fogo depende agora da capacidade de as partes chegarem a um acordo mais sólido, algo que, até ao final da semana, se mantinha incerto e condicionado ao controlo daquela estratégica passagem marítima. A situação permanece volátil, com riscos elevados tanto para a região como para a economia mundial.





PMI: Europa divide-se, Reino Unido e EUA recuperam

Os dados preliminares dos PMI de Abril mostraram um quadro misto para a actividade económica nas principais economias desenvolvidas.

Na Zona Euro, o sector privado voltou a encolher, com o PMI composto a cair para 48,6, o que sugere contracção e confirma que a recuperação continua frágil. A grande diferença esteve entre sectores: os serviços afundaram para 47,4, enquanto a indústria manteve-se em expansão, com o PMI manufactureiro a subir para 52,2, o valor mais alto em vários meses.

No Reino Unido, o cenário foi bem mais construtivo. O PMI composto subiu para 52,0, acima dos 50,3 de Março, sinalizando um regresso a uma expansão moderada da actividade privada. A indústria também ganhou tracção, com o PMI da indústria a avançar para 53,6, o que ajudou a compensar a recuperação mais contida dos serviços. Ainda assim, o aumento rápido dos custos continua a ser um travão importante para a confiança das empresas.

Nos Estados Unidos, o PMI composto também subiu para 52,0, depois do abrandamento registado no mês anterior, apontando para uma melhoria do ritmo de actividade empresarial. O impulso veio sobretudo da indústria, enquanto os serviços mantiveram crescimento, mas sem grande exuberância. Mesmo assim, os dados mostraram uma economia ainda em expansão, embora com sinais de pressão nos preços.

Em resumo, a leitura é simples: a Zona Euro continua a ser a mais fraca das três regiões, o Reino Unido mostra uma recuperação moderada e os Estados Unidos seguem com crescimento positivo, mas num ambiente de custos mais pesados.





Resultados: semana de confirmação e selectividade

A semana trouxe uma nova ronda de resultados empresariais que confirmou um mercado mais selectivo, mas ainda disposto a premiar quem entrega crescimento e execução. Entre os destaques estiveram Tesla, Intel, SAP, L’Oréal, ENI e P&G, com mensagens algo diferentes, mas todas relevantes para o apetite dos investidores.

A Tesla surpreendeu pela positiva, com resultados acima do esperado e reacção favorável da acção, embora a narrativa continue marcada por dúvidas sobre o ritmo de crescimento e o peso dos investimentos futuros. A Intel também animou o mercado, ao apresentar contas acima das previsões e sinais de melhoria no negócio ligado a centros de dados e IA.

Na Europa, a SAP reforçou a tese de crescimento no software em nuvem, enquanto a L’Oréal voltou a mostrar resiliência nas vendas, apoiada por uma procura sólida e por uma execução consistente. Já a ENI e a P&G mostraram a importância de margens estáveis e disciplina operacional num contexto macro ainda exigente.

Em termos gerais, a mensagem da semana foi clara: o mercado continua a recompensar qualidade, visibilidade e geração de caixa, penalizando menos a surpresa e mais qualquer sinal de fraqueza na orientação futura.





Kevin Warsh e Jerome Powell

Esta semana, a audição de Kevin Warsh no Senado norte‑americano decorreu sob forte tensão política, marcada pela investigação criminal que até agora pairava sobre Jerome Powell e que condicionava o processo de confirmação. Com o arquivamento do caso pelo Ministério Público dos EUA, o caminho político para Warsh parece agora menos obstruído, embora persistam dúvidas sobre o calendário e o ambiente institucional.

Num tom simples e directo, importa notar que Warsh procurou transmitir serenidade e independência, sublinhando repetidamente que a Reserva Federal deve manter‑se imune a pressões políticas. Nas suas declarações, reforçou que a independência da política monetária é essencial, afastando a ideia de que poderia agir como extensão da Casa Branca. Ainda assim, a audição foi dominada por críticas e receios de que a investigação a Powell tivesse sido usada como instrumento de pressão sobre o banco central, tema que vários senadores — de ambos os partidos — não deixaram cair.

O arquivamento da investigação criminal contra Powell, anunciado pelo Ministério Público no final da semana, surge como um ponto de viragem. A decisão elimina um dos principais entraves à confirmação de Warsh, já que alguns senadores republicanos tinham condicionado o seu voto ao encerramento formal do processo. Segundo as informações divulgadas, o caso será agora remetido para o inspector-geral da Fed, que analisará os alegados excessos de custos na renovação da sede do banco central.

Para os mercados, o desfecho reduz um elemento de incerteza institucional que ameaçava prolongar o impasse na liderança da Fed. No entanto, permanece alguma cautela: apesar do arquivamento, o ambiente político continua carregado e a confirmação de Warsh poderá ainda enfrentar resistência, sobretudo entre democratas que contestam o momento e o contexto da nomeação.

A semana trouxe um avanço relevante no processo de sucessão na Reserva Federal. A audição de Warsh mostrou um candidato empenhado em afirmar independência, mas condicionado por um clima político tenso. O arquivamento da investigação a Powell alivia parte dessa pressão, mas não dissipa totalmente as dúvidas sobre a estabilidade institucional da autoridade monetária norte‑americana.



Dados Económicos




Nos Estados Unidos, uma semana relativamente ligeira de dados económicos, começou com a divulgação dos números das vendas a retalho de Março, que superaram as estimativas dos mercados. As vendas mostraram um aumento de 1,7%, acima dos 1,4% esperados, e acelerando dos 0,7%, revistos em alta do mês de Fevereiro, onde se excluídas as vendas automóveis, mostraram um crescimento de 1,9%, bem acima dos 1,3% estimados, e após um crescimento também revisto em alta do mês anterior de 07%. O grupo de controlo mostrou uma aceleração dos 0,6% (revistos também em alta) do mês anterior, para 0,7%, acima dos 0,6% estimados.
Os números semanais do emprego ADP mostraram um novo máximo desde a implementação deste indicador. A média das últimas quatro semanas mostrou um crescimento para 54,8 mil, com o número da semana passada a ser revisto em alta de 39,3 mil empregos, para 40,3 mil.
As vendas pendentes de imóveis cresceram em Março 1,5%, acima de uma estabilização esperada, com os números do mês de Fevereiro revistos em alta de 1,8% para 2,5%.
Os inventários empresariais aumentaram 0,4%, acima dos 0,1% estimados, com uma revisão dos números do mês anterior a mostrarem uma estabilização, face a uma diminuição de 0,1% apresentada anteriormente.
Os habituais números semanais de novos pedidos de subsídio de desemprego subiram dos 208 mil da semana anterior, para 214 mil, ligeiramente acima dos 210 mil estimados.
Os dados de actividade económica mostraram-se acima das estimativas, com o PMI composto a subir de 50,3 para 52, contrariando as previsões que apontavam para uma queda para 49,9. O sector manufactureiro subiu de 52,3 para 54,0, enquanto a actividade de serviços subiu de 49,8 para 51,3, voltando para terreno de expansão.
A semana terminou com a revisão dos números da Universidade de Michigan da confiança do consumidor, surpreendendo os mercados ao mostrarem uma subida dos números preliminares de 47,6 para 49,8, e ainda ajustes nas expectativas de inflação. No curto prazo, as expectativas recuaram dos 4,8% preliminares para 4,7% e no longo prazo (5 a 10 anos) subiram de 3,4% para 3,5%.

Na Zona do Euro as atenções foram principalmente para os dados da actividade económica, os PMI.
França foi a primeira grande economia europeia a divulgar os dados, mostrando uma queda maior do que o esperada pelo mercado, de 48,8 para 47,6, face a 48,2 estimados. A actividade de serviços caiu de 48,8 para 46,5 (48,0 estimados), enquanto a manufactureira subiu inesperadamente de 50 para 52,8, face a 49,5 previstos.
Seguiu-se a Alemanha, onde o PMI composto caiu de 51,9 para 48,3, face a uma queda esperada para 51,4. Tanto o índice de serviços como o industrial mostraram recuos, o primeiro de 50,9 para 46,9 (contra 50,5 estimados), e o segundo de 52,2 para 51,2 (face a 51,5 previstos).
O agregado da Zona Euro mostrou também uma queda maior do que a estimada pelos mercados, com o PMI composto a cair de 50,7 para 48,6, onde o PMI de serviços caiu de 50,2 para 47,4 (49,7 esperados), enquanto o manufactureiro subiu de 51,6 para 52,2, contrariando as estimativas que apontavam para uma queda para 51,0.
A semana começou com os dados do índice de preços no produtor alemão do mês de Março, que saíram acima das previsões do mercado, com uma subida dos preços de 2,5%, bem acima dos 1,4% estimados, e após a queda de 0,5% no mês anterior.
Posteriormente, na terça-feira, o destaque foi para a divulgação do indicador alemão de confiança económica ZEW, que mostrou uma queda bem maior do que aquela esperada pelos investidores. Na Alemanha, o índice caiu de -0,5 para -17,2 (face a -6,7 estimados), e na Zona Euro de –8,5 para -20,4 (face a -10,5).
O índice de confiança do consumidor da Eurostat caiu de -16 para -21, ficando abaixo das previsões que apontavam para um recuo para -17.
A semana terminou com a divulgação do índice alemão de confiança empresarial IFO, que caiu de 86,3 para 84,4, ficando também abaixo das estimativas de 85,6, e onde só recuando até Outubro de 2022 conseguimos ter uma leitura mais baixa.

No Reino Unido assistimos a uma semana bastante bem preenchida de indicadores económicos de primeira linha.
Começamos com os dados do mercado de trabalho, onde a taxa de desemprego caiu inesperadamente de 5,2% para 4,9%, face a uma estabilização nos 5,2%. A variação do emprego saiu bem acima do previsto, com um aumento de 25 mil postos de trabalho, face a uma redução estimada de 35 mil, com os ganhos salariais, incluindo bónus, desaceleraram do crescimento revisto em alta de 4,1% no mês anterior, para 3,8%, novamente acima dos 3,7% estimados. A economia britânica em Março perdeu 11 mil postos de trabalho, contrariando as previsões que apontavam para um crescimento de 15 mil, e o número de novos pedidos de subsídio de desemprego foi de 21,4 mil, bem mais do que os 10 mil estimados, com o número do mês anterior a ser revisto em baixa dos 24,7 mil para 17,1 mil.
Seguiram-se os dados da inflação, onde os preços em termos mensais mostraram uma aceleração de 0,4% em Fevereiro, para 0,7% em Março, ainda assim abaixo dos 0,8% previstos pelo mercado, com a inflação anual a subir de 3% para 3,3%, bem em linha com as previsões. Sem alimentos nem energia, os preços mostraram uma subida mensal de 0,4%, desacelerando dos 0,6% no mês anterior, ficando acima dos 0,2% estimados pelo mercado, com a inflação subjacente a cair de 3,2% para 3,1%, ficando abaixo das estimativas que apontavam para que se mantivesse nos 3,2%.
Outro ponto de especial interesse foi a divulgação dos dados da actividade económica, que superaram as expectativas do mercado. O PMI composto da S&P global subiu de 50,3 para 52, superando os 49,8 estimados pelo mercado. A actividade manufactureira subiu de 51 para 53,6 e a de serviços de 50,5 para 52, superando os 49,8 e 50,0, respectivamente, estimados pelos mercados.
O índice de preços de imóveis mostrou uma subida de 1,2% em termos homólogos, abaixo dos estimados 1,5%, mas acelerando dos 1,0% revistos em baixo do mês anterior.
Os números dos empréstimos ao sector público mostraram uma queda dos 12,8 mil milhões de libras (revistas em baixo), para 12,6 mil milhões, um número acima dos 10,3 mil milhões estimados, e o índice de expectativa de encomendas industriais caiu de -27 para -38, ficando abaixo dos -34 estimados pelo mercado.
A confiança do consumidor caiu em linha com o esperado pelo mercado, com o índice GfK a cair de -21 para -25.
A semana terminou com os números de Março das vendas a retalho que saíram bem acima das estimativas, ao mostrarem um aumento de 0,7%, após a queda revista em baixo de 0,6% no mês anterior.

No Canadá, a semana começou logo com um dos principais pontos na sua agenda económica, os dados da inflação do mês de Março. Os preços, em termos mensais, subiram 0,9%, abaixo dos 1% estimados pelo mercado, com a inflação anual a subir de 1,8% para 2,4%, ficando também abaixo dos 2,5% esperados. Já sem energia nem alimentos, a inflação subjacente subiu de 2,3% para 2,5%, acima dos 2,4% previstos. A medida seguida mais de perto pelo Banco do Canadá, a CPI Trimmed-Mean, caiu inesperadamente de 2,3% para 2,2%.
À porta das fábricas, os preços em termos mensais ultrapassaram as previsões do mercado, ao acelerarem de 0,6% (revistos em alta) em Fevereiro, para 2,4% em Março, bem acima das estimativas que apontavam para 1,3%.
As atenções foram também para os números das vendas a retalho de Fevereiro. Os números mostraram um aumento de 0,7%, desacelerando dos 1,2% (revistos em alta) do mês anterior, ficando abaixo das previsões que apontavam para 0,9%, e onde sem as vendas de automóveis subiram 0,5%. Os números preliminares das vendas do mês de Março mostraram um crescimento de 0,6%, bem acima dos 0,2% estimados pelo mercado.
O índice de preço de novos imóveis mostrou uma queda de 0,2%, contrariando as estimativas para um aumento do mesmo valor, após a subida de 0,3% do mês de Fevereiro.

No Japão a semana começou com os números da actividade da indústria terciária, que saíram bem em linha com as estimativas que apontavam para uma queda de 0,4%, após o crescimento no mês anterior (revisto em alta) para 2,0%.
Os números de Março da balança comercial mostraram um excedente de 667 mil milhões de ienes, após o de 44,3 mil milhões (revisto em baixo) no mês de Fevereiro, ficando abaixo das estimativas de 970 mil milhões de ienes, com as importações a aumentarem de 10,3% para 10,9%, e as exportações a acelerarem de 4,0% para 11,7%.
Tivemos também os dados da actividade económica, com o PMI composto da S&P Global a recuar de 53 para 52,4 (acima dos 51,4 previstos anteriormente), onde o índice de serviços deverá cair de 53,4 para 51,2 (abaixo dos 52 estimados) enquanto o manufactureiro subiu de 51,6 para 54,9, ficando bem acima dos 50,1 esperados pelo mercado.
A semana terminou com os dados nacionais da inflação que mostraram uma subida de 1,3% para 1,5% em termos homólogos e onde excluindo produtos alimentares frescos, acelerou pela primeira vez em cinco meses, atingindo uma taxa de 1,8%, em linha com as estimativas do mercado. Em termos mensais, os preços registaram uma subida de 0,4%.

Na Nova Zelândia as atenções estiveram voltadas especialmente para os dados da inflação do primeiro trimestre deste ano. Em termos trimestrais, os preços subiram 0,9%, uma maior aceleração do que a estimada de 0,8%, dos 0,6% do trimestre anterior. A inflação em termos homólogos manteve-se nos 3,1%, ficando também acima dos 2,9% estimados pelo mercado.
A semana começou com os números da balança comercial de Março que apresentaram um excedente de 698 milhões de dólares neozelandeses, ficando acima dos 270 milhões previstos, e após o défice revisto em alta de Fevereiro de 365 milhões de dólares neozelandeses.
Por fim, o índice de confiança empresarial NZIER do primeiro trimestre mostrou uma queda inesperada dos 48 no trimestre anterior, para -4, face aos 29 estimados pelo mercado.

Na Austrália, foram também os dados da actividade económica que tiveram a atenção dos mercados. O PMI composto da S&P Global mostrou uma subida inesperada de 46,6 para 50,1, face a um recuo esperado para 46,3. O PMI de serviços subiu de 46,3 para 50,3, contra uma queda estimada para 46,0 e a actividade manufactureira mostrou também uma subida de 49,8 para 51, contrariando as previsões que apontavam para uma queda para 49,0.



Mercados accionistas



A semana nos mercados accionistas globais ficou marcada, acima de tudo, pela guerra entre os Estados Unidos e o Irão e pelas suas consequências directas sobre o preço do petróleo e o apetite pelo risco dos investidores. A este pano de fundo geopolítico juntou-se uma intensa época de resultados trimestrais que, consoante o dia, ora animou, ora pressionou as bolsas.

Na Ásia, o comportamento dos mercados foi desigual e reflectiu precisamente essa tensão permanente entre optimismo e cautela. O Nikkei japonês foi um dos mais resilientes, beneficiando de dados económicos positivos, ainda que a subida da inflação energética, agravada pelo conflito no Médio Oriente, tenha limitado os ganhos (2,12%), enquanto o Topix recuou 1,18%. Em contrapartida, os mercados chineses e de Hong Kong ficaram mais pressionados, com o Hang Seng a ceder terreno ao longo da semana (-0,70%), e a Austrália a encerrar também em queda moderada (-1,79%). O Kospi, na Coreia do Sul, impulsionado pelo frenesim em torno da IA e dos semiconductores, liderou os ganhos (+4,58%). A principal preocupação nas praças asiáticas centrou-se no estreito de Ormuz, porta de entrada de grande parte do petróleo que abastece a região, cujas perturbações na navegação ameaçam cadeias de abastecimento e custos de produção.

Na Europa, a semana foi globalmente negativa. O Brent voltou a negociar em alta e a superar os 95 dólares por barril, acumulando subidas superiores a 15% desde que o conflito se intensificou, reacendendo o fantasma da inflação e complicando as perspectivas dos bancos centrais quanto à sua política monetária. As principais bolsas do continente registaram quedas significativas, com o Euro Stoxx 50 a perder cerca de 2,9%, o CAC 40 francês a ceder mais de 3%, o DAX alemão 2,3% e o FTSE 100 londrino 2,7%. Em Portugal, o PSI 20 apresentou uma queda mais modesta, recuando na semana 0,67%. A Europa mostrou-se assim mais vulnerável ao choque energético do que os mercados americanos, sem o contrapeso de uma vaga de resultados empresariais suficientemente forte para neutralizar as pressões macro.

Nos Estados Unidos, a semana teve mais reviravoltas, mas terminou em alta. A segunda-feira começou a perder após a escalada de tensões ao fim de semana, com o Nasdaq a interromper uma série histórica de 13 sessões consecutivas em alta, a mais longa desde 1992. A quarta-feira foi o ponto de viragem, depois de Trump ter prorrogado o cessar-fogo com o Irão, e o S&P 500 e o Nasdaq a fecharem em novos máximos históricos. Os investidores continuaram cautelosos, com a subida dos preços do petróleo e das tensões crescentes entre o Irão e os Estados Unidos, mas a notícia na tarde de sexta-feira de que o ministro dos negócios estrangeiros iraniano estaria a caminho de Islamabad para a segunda ronda de negociações, com os Estados Unidos, catapultou os mercados accionistas norte-americanos no final da semana. Outro grande catalisador do final da semana foi a Intel, cujos resultados trimestrais bateram amplamente as expectativas em receitas e lucros, com forte crescimento no segmento de centros de dados e inteligência artificial, arrastando o sector tecnológico em alta e empurrando o Nasdaq para mais perto dos 25.000 pontos no fecho de sexta-feira. No balanço da semana, Wall Street saiu vencedora, sustentada pela resiliência dos resultados empresariais e pela narrativa da inteligência artificial que continua a captar a atenção — e o dinheiro — dos investidores. O índice Dow Jones recuou esta semana 0,44%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq terminaram a semana registando novos máximos históricos ao somarem, respectivamente, 0,54% e 1,50%.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



Mercado cambial



Uma semana onde o mercado cambial voltou a ser fortemente impactado pelos acontecimento no Médio Oriente, em especial pela interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz que continua a manter os preços do petróleo em alta.
As incertezas em torno do conflito no Médio Oriente entre os Estados Unidos, Israel e o Irão voltaram a levar a um aumento na volatilidade dos mercados.

O dólar norte-americano voltou a beneficiar do seu estatuto de activo de refúgio, principalmente num cenário de guerra, e ainda mais quando nos encontramos numa área geográfica produtora de petróleo. Se somarmos a isto, o estrangulamento da oferta energética provocado pela interrupção do Estreito de Ormuz, teremos a “tempestade perfeita”. Os preços do petróleo voltaram esta semana, de novo, acima dos 100 dólares e o dólar norte-americano aproveitou a boleia para continuar a negociar também em ganhos.
O índice DXY interrompeu uma sequência de três semanas consecutivas em queda, ganhando esta semana cerca de 0,5%. O índice começou a semana a negociar a 98,25 pontos, para terminar a 98,50, tendo ficado confinado entre um mínimo de 98,00 pontos e um máximo de 98,95.

O euro, por outro lado, pressionado por preços da energia mais elevados, onde os futuros do TTF, referência para o gás natural na Zona Euro, registaram uma semana de ganhos, com o preço a recuperar de níveis de abertura em torno de 40 €/MWh, para terminar a 44,50 €/MWh, voltou a negociar em perdas.
O EUR/USD caiu de máximos, atingidos logo no início da semana, de 1,1790, até um mínimo de 1,1669, terminando a semana a negociar a 1,1722.

O iene japonês continuou esta semana a negociar em torno dos mínimos históricos, mantendo-se pressionado pela subida dos preços do petróleo. Em fases de maior tensão, o iene ganhou alguma força, lembrando o seu papel de refúgio; mas quando o mercado se acalmava, a moeda nipónica voltava a ser penalizada por juros muito baixos e pela dependência de importações energéticas.
Apesar dos contínuos avisos por parte da ministra das finanças, Katayama, relativamente à possibilidade de uma intervenção por parte das autoridades nipónicas, o USD/JPY manteve-se bastante perto de uma possível “linha vermelha” a 160 ienes por dólar. O preço começou a semana a 158,80 para terminar a 159,35, tendo ficado confinado entre um mínimo a 158,55 e um máximo de 159,85.
O EUR/JPY manteve-se em torno dos recentes máximos históricos, com o preço a ficar entre um mínimo de 186,32 e um máximo de 187,37, bem perto do máximo da semana passada, e de sempre, a 187,95.

A libra esterlina negociou esta semana em alta, apesar das pressões políticas sobre o primeiro-ministro britânico. Os dados económicos, de uma maneira geral, acima dos esperado pelos mercados (taxa de desemprego a baixar, inflação em linha com o esperado, PMIs mostrarem a resiliência da actividade económica e as vendas a retalho acima das expectativas), impulsionaram a moeda britânica, que terminou a semana a ganhar tanto face ao dólar, como face ao euro.
O GBP/USD, que começou a semana a negociar a 1,3490 e ainda registou um mínimo de 1,3448, terminou a semana a 1,3530, recuando de um máximo de 1,3545.
O EUR/GBP caiu de níveis de abertura da semana acima de 0,87 (0,8705), para terminar a 0,8662.

O franco suíço ainda começou a semana a negociar em alta, continuando o movimento das semanas anteriores, suportado pela aversão ao risco existente nos mercados financeiros em geral. No entanto, com o andar da semana, e com a confiança a voltar paulatinamente aos mercados, voltou a perder força e a terminar a semana em perdas.
O USD/CHF, que começou a semana em perdas e chegou a atingir um mínimo semanal a 0,7776, terminou a semana a negociar a 0,7850, recuando de um máximo de 0,7877.
O EUR/CHF abriu também a semana em queda, tendo atingido um mínimo de 0,9160, mas terminou em alta, com o preço a terminar a semana a 0,9199, após um máximo de 0,9215.

O destaque da semana volta a ir para a coroa norueguesa. As expectativas de uma subida de taxas por parte do Norges Bank, os preços em alta do petróleo e ainda os mercados accionistas relativamente estáveis, deram suporte à moeda norueguesa que voltou a liderar os ganhos no mercado cambial. A coroa ganhou cerca de 1% face ao euro e de 0,7% face ao dólar norte-americano, com o EUR/NOK a terminar a semana a negociar abaixo de 11,00 (10,92) e o USD/NOK a 9,32.

As moedas emergentes voltaram a estar pressionadas por um dólar e por yields em alta, assim como pelos elevados preços do petróleo.
O rand sul-africano foi a moeda que mais sofreu esta semana, tendo cedido face ao dólar 1,35% e face ao euro cerca de 1%.



Gráfico Fonte XTB xStation 5


Commodities



Petróleo

Foi uma semana extraordinária nos mercados petrolíferos, inteiramente comandada pelo conflito entre os Estados Unidos e o Irão e pelo destino do Estreito de Ormuz. Os preços oscilaram ao ritmo das notícias diplomáticas, num mercado que vive dependente de cada comunicado, de cada captura de navio e de cada declaração de Trump.

A semana começou em alta logo na segunda-feira, depois de os americanos terem confiscado no fim de semana um navio iraniano que tentou romper o bloqueio naval. O Irão recusou participar numa nova ronda de negociações, o tráfego no Estreito de Ormuz permanecia muito reduzido, e a produção dos estados do Golfo caiu para 14,3 milhões de barris por dia em Abril, menos 3 milhões face a Março e cerca de 13 milhões abaixo dos níveis pré-guerra.

Ao longo da semana, a escalada continuou. O Irão apreendeu dois navios porta-contentores no Estreito "sem autorização", o Brent superou os 101 dólares pela primeira vez em duas semanas, e Trump ordenou à Marinha que destruísse os navios que colocavam minas no Estreito, alimentando o nervosismo dos mercados sessão após sessão.

Só no final da semana o tom suavizou ligeiramente, com relatos de que o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano se deslocava para o Paquistão para negociações, o que travou as subidas. Ainda assim, o Brent fechou a semana com uma valorização na ordem dos 17%, a melhor semana desde o início de Março.

O quadro de fundo continua sombrio. Desde o início da guerra, o crude valorizou mais de 55%, tendo chegado perto dos 120 dólares no pico, num dos maiores choques de oferta da história do mercado petrolífero. O Estreito de Ormuz mantém-se efectivamente fechado, e os analistas avisam que mesmo uma eventual reabertura levaria meses a normalizar o abastecimento global. O petróleo voltou a ser o factor que tudo condiciona, dos bancos centrais às carteiras dos consumidores.

O barril de Brent começou a semana a negociar a 91,60 dólares, para terminar a 99,80, enquanto o WTI começou a 88 dólares para acabar a 94,70.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



Ouro

A semana do ouro foi, em certa medida, paradoxal. Num ambiente de guerra, tensão geopolítica e incerteza generalizada, precisamente a mistura que historicamente empurra os investidores para o metal precioso, o ouro afinal recuou. A explicação é contra-intuitiva mas clara: o conflito no Médio Oriente criou um problema de inflação que pesa directamente sobre o ouro.

O metal encerrou a semana com uma queda de cerca de 3%, com o preço a rondar os 4.700 dólares por onça na sexta-feira, depois de ter começado a semana nos 4.830 dólares. O raciocínio dos mercados é simples: com o Brent a segurar-se firmemente acima dos 100 dólares por barril, o risco de inflação prolongada ganhou nova força, o que aumenta a probabilidade de os bancos centrais manterem, ou mesmo subirem, as taxas de juro. E taxas de juro elevadas tornam os activos com rendimento mais atractivos do que o ouro, que não paga juros nem dividendos.

Ainda assim, o recuo da semana deve ser lido em perspectiva. Nos últimos doze meses, o ouro valorizou mais de 42%, sendo um dos activos com melhor desempenho do período. E o interesse estrutural pelo metal mantém-se inabalável: os bancos centrais continuam a comprar ouro em volumes elevados, e analistas do J.P. Morgan prevêem que o preço possa atingir os 5.000 dólares por onça até ao final de 2026.

O ouro continua, pois, a ser um activo a observar com atenção. No imediato, perdeu a batalha da semana para a inflação energética. Mas se o conflito se prolongar, a incerteza global acabará, mais cedo ou mais tarde, por falar mais alto do que as taxas de juro.

Gráfico Fonte XTB xStation 5



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