EUR/USD
Semanal
O fluxo noticioso do Médio Oriente, em particular no Estreito de Ormuz, mantém-se como principal motor dos mercados. Ainda assim, poderão os bancos centrais e os dados económicos desta semana influenciar o rumo?
O EUR/USD iniciou a semana anterior em queda, reflectindo os desenvolvimentos do fim de semana, que evidenciaram a fragilidade do optimismo gerado pelo anúncio iraniano de reabertura do Estreito de Ormuz. Teerão acabou por recuar, perante a manutenção do bloqueio norte-americano aos seus portos.
A tensão no Estreito de Ormuz intensificou-se com relatos de ações da Guarda Revolucionária Islâmica, incluindo ataques e apreensões de embarcações comerciais, entre as quais pelo menos três porta-contentores, com registo de disparos e danos. Em paralelo, a Marinha dos Estados Unidos interceptou e apreendeu um navio de carga iraniano no Golfo de Omã, recorrendo a disparos após desobediência a ordens.
Entretanto, Donald Trump prolongou por tempo indeterminado o cessar-fogo com o Irão, aliviando temporariamente os receios de uma escalada militar. Washington sinalizou abertura para uma nova ronda negocial, prontamente rejeitada por Teerão. Neste contexto, o petróleo continuou a valorizar, com o Brent novamente acima dos 100 dólares por barril, impulsionando o dólar e pressionando o euro.
Contudo, o padrão de incerteza manteve-se. Já no final da semana, apesar de declarações iranianas a afastar negociações, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, deslocou-se a Islamabad, sugerindo a possibilidade de novos contactos. Ainda assim, Teerão voltou a recuar, com Araghchi a abandonar o Paquistão antes da chegada da delegação norte-americana. Donald Trump acabaria por cancelar a deslocação dos seus emissários, apontando incoerência na liderança iraniana.
Resultado: O EUR/USD iniciou a semana com uma queda acentuada, seguida de uma recuperação no primeiro dia. Posteriormente, voltou a negociar em terreno negativo até ao final, recuperando nas últimas horas e sinalizando renovado optimismo.
Perante mais um fracasso diplomático, será que o arranque desta semana repetirá o padrão observado há sete dias?
Mas esta semana teremos uma agenda de eventos e indicadores económicos bastante mais rica do que a da semana anterior.
Entre muitos dados que o mercado irá ter de digerir, destacam-se os do crescimento económico e da inflação tanto na Zona Euro como nos Estados Unidos, além das reuniões dos respectivos bancos centrais.
Nos Estados Unidos, os mercados antecipam uma aceleração do PIB, de 0,5% no último trimestre de 2025 para 2,1% no primeiro trimestre deste ano. O impacto no EUR/USD deverá ser limitado, uma vez que estes dados são retrospectivos e ainda não reflectem de forma significativa a subida dos preços do petróleo.
Relativamente à Fed, espera-se a manutenção das taxas de juro, com uma comunicação centrada na evolução da inflação e do mercado de trabalho, evitando “forward guidance” num contexto de elevada incerteza geopolítica. Com Jerome Powell possivelmente a presidir à sua última reunião, o mercado procurará sinais sobre a sua continuidade no Conselho de Governadores. A sua permanência poderá reforçar um tom mais “hawkish”, exercendo pressão adicional sobre o EUR/USD.
Na Zona Euro, os mercados não esperam outra coisa do BCE que não seja a manutenção das taxas de juro na reunião desta semana. O foco do mercado estará na comunicação de Christine Lagarde. Os mercados descontam já uma subida de taxas para a reunião de Junho e outra até ao final do ano. A “confirmação” destas expectativas trará certamente suporte ao EUR/USD, enquanto uma negação ou uma comunicação mais dovish (probabilidade baixa) iria pressionar a moeda única. Os números do PIB e da inflação, que são divulgados horas antes da decisão do banco central, deverão ter pouca, ou mesmo nenhuma, influência na decisão de taxas desta semana, mas poderá condicionar francamente a comunicação de Lagarde.
Os mercados estão a esperar por uma inflação em Abril a subir para 2,9%, com a inflação subjacente a ficar em torno dos actuais níveis. Uma surpresa em alta poderá levar mais facilmente a uma confirmação de subida futura de taxas, enquanto um número abaixo do esperado poderá colocar um tom mais dovish a essa comunicação.
Na minha opinião, a agenda de eventos e dados económicos irá certamente aumentar a volatilidade no EUR/USD durante esta semana, num cenário em que o impasse no Médio Oriente se mantenha. O grande impulsionador do mercado irá continuar a ser o Estreito de Ormuz, ou melhor, o fluxo noticioso que origina, com o petróleo como barómetro da avaliação de risco feito pelo mercado. Mais tensão, petróleo a subir e pressão sobre o EUR/USD. O mercado precisa de ver algo de mais concreto para sair do intervalo 1,1700/1,1800, e não creio que serão para já estes números económicos nem os bancos centrais a fazê-lo, salvo qualquer grande surpresa, como uma subida imediata de taxas.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD manteve-se a negociar acima da média móvel das 21 semanas e dentro de um padrão de consolidação em cerca de um ano.
O RSI continua a mostrar um “momentum” positivo para o par, acima da linha de 50 (53), enquanto a linha de MACD segue acima da linha neutra e abaixo da linha de sinal, dando uma leitura global mais neutra.
A inside candle da semana passada configura um doji, resta saber se de continuação da tendência das três semanas anteriores, ou se de inversão.
O break do máximo da semana anterior a 1,1849, poderá levar ao quebrar do padrão de consolidação mais apertado, abrindo espaço para um teste à resistência a 1,1918, limite superior de um padrão de consolidação mais alargado. O ultrapassar desta resistência irá expor o máximo do ano a 1,2082, onde pelo meio encontra a resistência psicológica de 1,2000.
O quebrar do mínimo da semana anterior a 1,1660, poderá confirmar a continuação do EUR/USD na área de consolidação 1,1480/1,1830. Só o break do suporte a 1,1480 colocará o par num cenário mais bearish, que o pode levar para os mínimos de Maio de 2025, a 1,1065.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
Pode acompanhar diariamente os comentários/análises ao EUR/USD no nosso canal YouTube clicando aqui .
O comentário é disponibilizado todas as manhãs, tentativamente entre as 10h00 e as 10h30.
O EUR/USD, após na semana anterior ter registado um máximo de mais de dois meses, entrou em correcção e negociou em correcção, testando o agora suporte dado pela média móvel dos 200 dias, mantendo-se dentro da Nuvem de Ichimoku diária.
O MACD e o RSI recuaram do forte “momentum” ascendente para o par. O RSI mantém-se acima da linha de 50, mas com fraco ímpeto (54), enquanto a linha do MACD começa a semana abaixo da linha de sinal mas acima da linha neutra.
O EUR/USD terminou a semana a recuperar das perdas registadas, após ter vindo testar o agora suporte dado pela MM 200 dias (de momento a 1,1675) e de ter cumprido o primeiro objectivo da correcção ao movimento 1,1443/1,1849, os 31,8% Fibonacci Retracement a 1,1694.
O ultrapassar de Senkou B diário a 1,1747, colocará de novo o par na tendência ascendente que vem desde finais de Março. O máximo de Abril a 1,1848 ficará exposto e se ultrapassado, o caminho ficará aberto para a próxima resistência a 1,1918, máximo de Setembro de 2025, antes do nível psicológico 1,2000.
O quebrar da área de suporte 1,1675/95 poderá sinalizar que poderemos ter uma correcção mais ampla, com o preço a poder seguir para o objectivo dado pelos 61,8% Fibonacci Retracement do movimento mencionado acima, nos 1,1598. O quebrar deste nível abre caminho a um teste ao nível psicológico 1,1500, antes do suporte mais forte a 1,1391, dado pelo mínimo de Agosto de 2025.
Resistências - Suportes
1,1747 - 1,1675
1,1848 - 1,1579
1,1918 - 1,1500