Café da Manhã
Um fim do mês agitado
Os mercados financeiros estão a terminar o mês de Abril ainda mais “nervosos”, entre as tensões no Estreito de Ormuz, bancos centrais, dados económicos e apresentação de resultados empresariais
Ontem, os mercados accionistas norte-americanos terminaram a sessão de ontem maioritariamente em terreno negativo, após a decisão da Reserva Federal de manter inalteradas as suas taxas de juro, alertando que a guerra no Irão está a acrescentar incerteza significativa às perspetivas económicas.
Jerome Powell liderou a última reunião da Reserva Federal e disse que pretende permanecer no banco central como membro do Conselho de Governadores, enquanto Kevin Warsh passou no Comité Bancário do Senado para ser o novo presidente da Fed.
Na frente do conflito no Médio Oriente, Donald Trump, em entrevista ao Axios, disse que não suspenderá o bloqueio naval aos portos iranianos até conseguir um acordo com Teerão para lidar com o programa nuclear do país.
Na frente dos resultados empresariais, as acções da Meta caíram, após a empresa ter elevado a sua previsão de gastos, enquanto as da Alphabet subiram depois de as vendas terem superado as expectativas.
O índice Dow Jones perdeu 0,57%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq terminaram a sessão praticamente inalterados (-0,04% e +0,04%).
Na Ásia, os mercados accionistas terminaram o último dia do mês de Abril em queda, com a confiança dos investidores abalada por preços do petróleo em alta, em torno de máximos dos últimos dois meses e por sinais de que o conflito no Médio Oriente possa escalar. Segundo a Axios, o presidente Donald Trump será informado hoje sobre novas opções militares no Irão.
No Japão, apesar de um iene em torno dos mínimos dos últimos dois anos, o índice Nikkei terminou a sessão a perder 0,98% e o Topix 1,19%.
Na Austrália, o índice ASX 200 recuou 0,24%, enquanto o Kospi, na Coreia do Sul caiu 1,38%.
Na China, o índice CSI300 terminou praticamente inalterado (-0,06%), enquanto o Shanghai Composite avançou 0,11%, mas o Hang Seng, de Hong Kong, liderou as perdas na Ásia ao cair 1,40%.
Na Índia, as acções seguem de momento a negociar em queda, com o Nifty 50 a perder 0,81% e o Sensex 0,77%.
Os mercados accionistas europeus estão também a começar o último dia do mês em terreno negativo, entre resultados empresariais e dados económicos, e ainda a aguardar pelas decisões de taxas de juro do Banco Central Europeu e do Banco de Inglaterra.
O índice Euro Stoxx 600 segue de momento a recuar 0,20% e o Euro Stoxx 50 0,55%.
Na Alemanha, o índice DAX recua 0,25% e o CAC 40, de França, perde 1,09%, enquanto no Reino Unido, o índice FTSE 100 avança 0,45%.
No mercado cambial, após a Fed ter mantido inalteradas as suas taxas de juro, com uma decisão dividida dentro da FOMC, e a intenção de Powell manter-se como governador, levou as yields obrigacionistas a ganhos e ao dólar em alta. O índice DXY, que começou o dia a negociar a 98,40, terminou o dia a 98,80, enquanto o EUR/USD voltou a negociar bem abaixo de 1,1700 (1,1661). O dia está a começar com o DXY a negociar a 98,75 e o EUR/USD a 1,1675.
A libra segue a negociar em perdas, com o mercado a aguardar pela decisão de taxas do Banco de Inglaterra em poucas horas. O GBP/USD segue de momento abaixo de 1,3500 (1,3485) e o EUR/GBP a 0,8665.
O iene japonês volta a negociar em perdas, pressionado por nova subida das yields obrigacionistas nos EUA e na Zona Euro. O USD/JPY volta a negociar acima de 160, levantando novamente alertas para a possibilidade de uma intervenção cambial, e o EUR/JPY a 187,25.
O franco suíço segue a negociar em perdas, principalmente face ao dólar, com o USD/CHF a negociar de momento a 0,7920, enquanto o EUR/CHF segue a 0,9240.
O dólar canadiano segue a negociar em ganhos, após o seu banco central ter ontem mantido a sua taxa de juro e dando sinais mais dovish do que seria de esperar. O USD/CAD segue de momento a negociar a 1,3680 e o EUR/CAD a 1,5975.
Os preços do petróleo voltaram ontem a negociar em alta, após Donald Trump ter dito à Axios que rejeitou a proposta iraniana para desbloquear o Estreito de Ormuz. Ainda a contribuir para a alta dos preços, esteve também o relatório da EIA do inventário semanal de petróleo norte-americano, que mostrou uma redução de 6,2 milhões de barris, face a um aumento marginal esperado de 300 mil barris.
O preço estã a terminar o mês a negociar em torno de máximos de dois meses após notícias da Axios de que o presidente dos Estados Unidos será informado hoje sobre novas opções militares no Irão. O barril de Brent negocia de momento a 112,50 dólares e o WTI a 109,00, recuando de máximos registados esta noite a 114,70 e 110,90, respectivamente.