EUR/USD
Semanal
Entre bancos centrais divididos, dados mistos e tensões geopolíticas, o EUR/USD continua preso num intervalo estreito, à espera de um verdadeiro catalisador para definir o rumo.
Na semana passada, deixei no ar a questão: poderiam os bancos centrais e os dados económicos alterar o rumo do EUR/USD? A resposta foi prudente, o mercado continuava à espera de algo mais sólido para romper o intervalo 1,1700/1,1800, e dificilmente seriam esses eventos a catalisar esse movimento.
Os acontecimentos acabaram por confirmar essa leitura. O par limitou-se a um breve desvio até 1,1655, ensaiou uma subida até 1,1785 e acabou por encerrar a semana nos 1,1720, um retrato fiel de um mercado sem convicção.
Do lado do Banco Central Europeu, não houve surpresas na decisão: taxas inalteradas em 2%/2,15%/2,40%. Ainda assim, Christine Lagarde fez questão de deixar uma nuance relevante, a hipótese de subida foi discutida, e Junho trará um conjunto mais robusto de dados, incluindo novas projeções económicas. A mensagem foi suficiente para que os mercados passem a incorporar quase plenamente uma subida de taxas na próxima reunião.
Já a Reserva Federal manteve igualmente o rumo esperado, com os fed funds no intervalo 3,50%-3,75%. No entanto, o detalhe que marcou a reunião foi a divisão interna. Stephen Miran votou, como antecipado, a favor de um corte de 25 pontos base. Em contraste, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan mostraram desconforto com o viés de flexibilização ainda presente na comunicação oficial. O resultado foi um sinal mais “hawkish” do que o mercado previa.
No plano macroeconómico, o contraste manteve-se evidente. A economia norte-americana continua a mostrar maior resiliência: crescimento de 2% no primeiro trimestre, aquém dos 2,2% esperados, mas ainda assim muito acima dos frágeis 0,1% da Zona Euro. A inflação também seguiu trajectórias distintas. Na Europa, os preços voltaram a acelerar para 3%, pressionados pela energia, enquanto a inflação subjacente recuou ligeiramente. Nos Estados Unidos, a Core PCE subiu para 3,2%, acima das expectativas, reforçando a ideia de persistência inflacionista.
Apesar deste enquadramento, nem bancos centrais, nem dados económicos conseguiram impor direção ao EUR/USD. O verdadeiro motor do mercado esteve, uma vez mais, fora da esfera económica, no Estreito de Ormuz. O reacender das tensões impulsionou o petróleo para novos máximos, arrastando o euro para mínimos próximos de 1,1650.
Em paralelo, o iene voltou a afundar para mínimos de vários anos, levando as autoridades japonesas a reagirem. Resta perceber se se tratou apenas de intervenção verbal ou de acção directa no mercado. Ainda assim, o impacto fez-se sentir: o dólar perdeu algum terreno, permitindo uma recuperação generalizada das divisas, incluindo o euro, que voltou a testar a zona de 1,1800.
Para a semana que agora começa, os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos estarão no centro das atenções. Ainda assim, não antevejo que sejam suficientes para quebrar o actual equilíbrio do par. Já uma eventual escalada no Médio Oriente, com nova subida do petróleo, poderá reacender a procura pelo dólar e pressionar o euro em baixa.
A acrescentar a este cenário, Donald Trump anunciou novas tarifas sobre automóveis europeus e a retirada de tropas de países como Alemanha, Itália e Espanha. Fica a dúvida: estará a emergir um novo sentimento de “sell America”, ou continuará o dólar a beneficiar do suporte indirecto dos preços da energia e do risco geopolítico?
Talvez a resposta comece a desenhar-se nos próximos dias. Para já, mantenho a convicção: o EUR/USD continua à espera de um catalisador credível para abandonar o intervalo 1,1700/1,1800.
Tecnicamente
Gráfico EUR/USD semanal
Fonte XTB xStation 5
O EUR/USD manteve-se a negociar acima da média móvel das 21 semanas e dentro de um padrão de consolidação em cerca de um ano.
A linha de MACD praticamente coincidente com a linha neutra e a linha de sinal, em conjunto com um RSI muito perto da linha de 50, mantém um “momentum” neutro para o par.
O break do máximo do mês anterior a 1,1849, poderá levar ao quebrar do padrão de consolidação mais apertado, abrindo espaço para um teste à resistência a 1,1918, limite superior de um padrão de consolidação mais alargado. O ultrapassar desta resistência irá expor o máximo do ano a 1,2082, onde pelo meio encontra a resistência psicológica de 1,2000.
O quebrar do mínimo das últimas semanas a 1,1660, poderá confirmar a continuação do EUR/USD na área de consolidação 1,1480/1,1830. Só o break do suporte a 1,1480 colocará o par num cenário mais bearish, que o pode levar para os mínimos de Maio de 2025, a 1,1065.
Gráfico EUR/USD diário
Fonte XTB xStation 5
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O EUR/USD continua a negociar dentro da Nuvem de Ichimoku diária, desta vez a testar o seu limite superior dado por Senkou B, de momento a 1,1747, mantendo-se acima da média móvel dos 200 dias, que lhe continua a dar suporte.
O MACD, acima da linha de zero, continua a mostrar uma tendência ascendente para o par, enquanto o RSI segue ligeiramente acima da linha de 50 (54), longe de uma situação de sobre compra.
Após um forte “bullish engulfing” na vela de quinta-feira passada, o EUR/USD registou um forte movimento ascendente que o levou acima da Nuvem de Ichimoku diária, atingindo um máximo de 1,1785. Mas o movimento foi rápida e fortemente rejeitado, com o preço a terminar o dia de sexta-feira a 1,1719, configurando agora uma vela bearish.
O quebrar do suporte dado pela figura 1,1700, poderá dar força a um novo teste à área de suporte 1,1675/95 (MM 200 dias/31,8% Fibonacci Retracement do movimento 1,1443/1,1849), podendo sinalizar que poderemos ter uma correcção mais ampla do movimento mencionado, com o preço a poder seguir para o objectivo dado pelos 61,8% Fib a 1,1598. O quebrar deste nível abre caminho a um teste ao nível psicológico 1,1500, antes do suporte mais forte a 1,1391, dado pelo mínimo de Agosto de 2025.
O quebrar de Senkou B diário a 1,1747, colocará de novo o par na tendência ascendente que vem desde finais de Março. O máximo de Abril a 1,1848 ficará exposto e se ultrapassado, o caminho ficará aberto para a próxima resistência a 1,1918, máximo de Setembro de 2025, antes do nível psicológico 1,2000.
Resistências - Suportes
1,1747 - 1,1675
1,1848 - 1,1579
1,1918 - 1,1500